Accidentally in Love
91 Ano Novo
Notas iniciais
O natal havia sido esplêndido, um dia que ficaria guardado eternamente em suas memórias, marcado pelos sentimentos mais puros e nobres que existiam em suas vidas. Duas vidas entrelaçadas e que escolheram viver plenamente o amor que as uniam. Duas almas que se conectaram e complementaram uma a existência da outra. Duas mulheres que lutaram e persistiram para chegarem aonde estão. Apesar das dificuldades e obstáculos que tiveram que enfrentar pelo meio do caminho, conseguiram superar os problemas e aprenderam com os erros cometidos. Tudo pelo o que passaram, serviu para fortalecer o elo que criaram juntas e expandir a cumplicidade e confiança entre elas. Emma e Regina estavam aonde almejaram estar e não existia sensação melhor do que sentir isso.
A decisão de terem um filho era mais um marco importante para as duas, mais um passo em direção ao futuro de suas vidas, um passo que sentiam estarem mais prontas do que nunca para darem. Planejaram que procurariam uma clínica de reprodução assistida depois do ano novo, aonde teriam todas as informações necessárias para seguirem adiante na nova etapa que iniciariam. Uma etapa que estavam ansiosas para vivenciarem. Seria uma jornada extraordinária, aonde só tinham uma certeza, estariam juntas de corpo e alma em cada passo dado, sendo guiadas por amor. O amor que as unia e o amor que já sentiam aflorar pela criança que teriam.
Os dias passaram em um piscar de olhos, chegando a véspera de Ano Novo. Cora e Albert ainda estavam viajando, assim como Zelena e Ruby que estavam aproveitando as praias do estado da Flórida. O casal de noivas optou por explorarem mais de uma cidade, aproveitando o máximo possível das atrações de cada uma, a escolhida para a noite de ano novo era Miami.
Com isso, Regina e Emma combinaram de encontrar Killian e Milah no centro da cidade, aonde aconteceria a festa de Ano Novo de Storybrooke. Além dos tradicionais fogos de artificio a meia-noite, haveria música ao vivo e um rinque de patinação no gelo como as atrações principais. O The Mirror era um dos patrocinadores da festa, por isso a presença dos Mills era mais do que esperada por todos. Killian tinha deixado uma equipe encarregada de cobrir o evento para o jornal e estaria supervisionando tudo de perto, afinal, Regina ainda estava de férias e se limitaria apenas a comparecer e aproveitar a festa.
Emma e Regina estavam caminhando de braços dados pelo local da festa, observando a movimentação das pessoas e suas animações. Uma cena em particular capturou a atenção de Emma, um casal de idosos sentados em um banco. Ambos de cabelos grisalhos, aparentemente na casa dos setenta anos, o senhor segurava com uma das suas mãos a mão da senhora, enquanto a outra mão acariciava o rosto envelhecido pelo tempo da mulher. A morena notando que sua esposa olhava fixo para um lugar, seguiu o olhar, sorrindo ao admirar a mesma cena. Mesmo observando de longe, dava para perceber todo o carinho e amor que irradiava do casal. O senhor olhava com tanta ternura para a sua senhora, parecia ser extremamente zeloso pelo bem-estar dela.
— É lindo, não é? – Regina questionou a loira, fazendo com que ela tirasse os olhos do casal e olhasse em seus olhos. – Aqueles são os Blanchard, estão casados há mais de cinquenta anos. Quando completaram bodas de ouro, o jornal fez uma reportagem sobre o casamento deles, a entrevista que eles concederam foi realmente emocionante.
— É encantador. – Emma sorriu para a morena e voltou a olhar o casal de idosos. – Cinquenta anos e ainda se olham daquela forma. É nítido o quanto se amam e se importam um com o outro.
— Quer que eu os apresente? – Regina perguntou suavemente.
— Não, meu amor. – Emma voltou a olhar para a morena, sorrindo lindamente. – Não quero me intrometer no momento que estão tendo, só fiquei admirada pelo jeito deles. Eu realmente espero que possamos chegar a comemorar bodas de ouro.
— Nós iremos. – Regina alisou o rosto de sua loira. – Eu te prometi o felizes para sempre, lembra?
— Como poderia esquecer? – Emma sorriu e deu um selinho nos lábios carnudos. – Você é tudo o que eu sempre quero lembrar.
Regina abriu um sorriso enorme ao ouvir essas palavras, puxando delicadamente a loira pela cintura, que prontamente lhe abraçou pelo pescoço, iniciando um beijo lento e inebriante. Trocaram mais alguns beijos calorosos, antes de voltarem a caminhar de braços dados pelo evento.
— Aparentemente a cidade inteira está por aqui. – Emma comentou sorrindo. – Isso aqui está lotado, olha a fila para a patinação no gelo.
— O povo ama essa festa, é o ponto alto do ano. – Regina sorriu e olhou para o rinque de patinação, aonde a fila fazia voltas e mais voltas. – Quer patinar, meu anjo?
— Eu queria, mas não vou me arriscar nessa fila. – Emma riu. – Passaria mais tempo esperando do que patinando de fato.
— Temos passe livre na patinação e sem filas. – Regina contou. – Todos do The Mirror usufruem desse privilégio.
— Sério? – Emma se surpreendeu. – E como eu não sabia disso?
— Devo ter esquecido de comentar contigo. – Regina deu de ombros. – É um fato conhecido por todos no jornal, todos os anos é assim. Ano passado estávamos em Boston nessa época do ano, deve ser por isso que passou despercebido para você e nem me dei conta de que você não sabia.
— Sem filas, então? – Emma abriu um sorriso enorme.
— Sem filas. – Regina correspondeu o sorriso. – Quer patinar agora ou mais tarde?
— Agora mesmo. – Emma deu um selinho na esposa. – E quero você patinando junto comigo.
— Eu estava planejando assistir você, não entrar junto. – Regina estreitou os olhos para a loira.
— Ah, amor. – Emma fez charme. – Vai ser muito mais divertido junto de você, entra comigo, vai? Que graça tem ficar apenas olhando?
— A graça de observar a minha linda esposa patinando no gelo. – Regina sorriu. – Pode ter certeza que vai ser muito gracioso, vou amar admirar você.
Emma revirou os olhos.
— Não vale ficar me bajulando para escapar de patinar. – Emma riu.
— Não estou fazendo tal coisa. – Regina sorriu. – Apenas relatando o óbvio.
— Tudo bem. – Emma fez um biquinho. – Se você não quer mesmo, eu vou sozinha.
— Ah, Emma. – Regina reclamou. – Agora eu que digo que não vale. Isso é chantagem emocional. Fazer essa carinha aí é golpe baixo, deixa as minhas defesas todas desestruturadas.
— Não estou fazendo tal coisa. – Emma repetiu a fala da morena e riu. – Apenas relatando o óbvio.
As duas ficaram se olhando por alguns segundos, até ambas explodirem em gargalhadas. A morena puxou Emma pela cintura, abraçando a esposa, enquanto as risadas diminuíam, até cessarem.
— Só para constar, você me ganhou no primeiro pedido. – Regina se afastou um pouco, olhando para a loira e selando seus lábios. – Eu não perderia a oportunidade de patinar com a minha esposa no gelo por nada nesse mundo.
— Estava apenas me provocando então? – Emma negou com a cabeça. – Minha esposa é incorrigível mesmo.
— Provocar você é um dos meus passatempos preferidos nesse mundo. – Regina sorriu. – Pronta para patinar, meu anjo?
Emma sorriu e concordou com a cabeça, dando mais um beijo na morena, antes de ambas se dirigirem para o rinque de patinação no gelo. Foram direto para a entrada do rinque, aonde tiveram a passagem liberada e ganharam patins para colocarem. Após calçarem seus respectivos patins, entraram no rinque. Emma saiu na frente, patinando para longe de Regina, que sorriu e seguiu na direção da esposa. As duas deram algumas voltas completas em torno de toda a extensão da pista, se afastavam uma da outra e voltavam a andarem juntas, sempre sorrindo e trocando olhares significativos. Em dado momento, Regina esticou a mão para a loira, que prontamente segurou, seguindo o mesmo ritmo que a esposa estabeleceu. Patinavam de mãos dadas, rodopiando e soltando risadas. Um tempo depois, Emma se desequilibrou quase caindo no gelo, porém a morena foi rápida em puxar sua esposa para seus braços, lhe segurando fortemente pela cintura. Passado o susto, a loira sorriu para Regina, trocando um beijo rápido, antes de voltarem a patinarem juntas. As duas mulheres patinaram até cansarem, quando finalmente decidiram abandonar o rinque. Retiraram os patins, calçando novamente suas botas e voltando a circular pelo local da festa.
Regina recebeu uma mensagem do irmão, que dizia o local exato em que ele e Milah estavam esperando pelas duas, que seguiram rumo ao encontro do outro casal. As duas mulheres encontraram Killian e a namorada perto do palco principal da festa. Após os cumprimentos e uma conversa rápida, o caçula dos Mills informou a Regina que o prefeito queria trocar umas palavrinhas com os dois juntos, antes da abertura oficial da festa de Ano Novo, deixando Emma e Milah sozinhas.
— Sabe que é um pouco engraçado como as nossas histórias se misturaram, não sabe? – Milah olhou para a loira. – Eu quero dizer, quando paro para pensar em tudo que aconteceu, não posso deixar de rir da ironia. Foi graças ao teu namoro com o Kill que você se envolveu com a Regina, que acabou resultando na descoberta de toda a verdade do que havia acontecido anos atrás. Eu nunca imaginei que seria grata a uma ex-namorada do meu namorado. – Milah riu, fazendo a loira rir junto. – Mas aqui estamos nós. Não foi fácil perdoar o Killian e voltarmos a nós relacionar, mas acredito que foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. A vida é muito curta para ficarmos presos a mágoas, nós impedindo a nós mesmos de sermos felizes.
— Você acha engraçado agora. – Emma riu. – Mas acredite, não foi nada engraçado quando Killian descobriu que Regina e eu estávamos envolvidas.
— Sim, eu sei que não. – Milah sorriu. – Mas é irônico, não acha?
— Oh, se acho. E estranho também. – Emma riu. – Mas concordo contigo, sobre não valer a pena a se prender em mágoas. Apesar de todo a dor que ela causa, é muito mais valioso a superação dela. Olhe para nós, Regina me perdoou por ter ido embora e eu perdoei ela por ter acreditado naquela armação. Você também perdoou o Killian por não acreditar em você. E o próprio Killian perdoou a Regina por ter se envolvido comigo. São verdadeiras provas que o amor ajuda a superar tudo, basta nós permitirmos a enxergar o que realmente é mais importante, lutando e persistindo pelas nossas felicidades.
— Festas de fim de ano nos deixam reflexivas demais. – Milah sorriu. – Mas compreendo perfeitamente o que você quis dizer.
Emma e Milah continuaram conversando, até Regina e Killian retornarem. Eles explicaram que o prefeito solicitou a presença dos dois no palco, durante a abertura oficial da festa, que estava marcada para acontecer as sete horas da noite. Ainda tinham mais de uma hora para aproveitarem o evento, antes de participarem da cerimônia de abertura. Killian avisou que iria verificar a equipe do The Mirror que estava fazendo a cobertura da festa, ao que Milah se ofereceu para ir junto. Regina e Emma sentaram em um dos bancos espalhados pelo local.
— Você sabe que vai subir no palco junto comigo, não é? – Regina sorriu para a esposa.
— Eu imaginei. – Emma sorriu.
— Imaginou certo. – Regina entrelaçou sua mão na da loira. – Você merece estar ao meu lado no palco, não apenas por ser minha esposa, mas principalmente por todo o teu trabalho no jornal. Eu sinto orgulho de toda a tua dedicação e profissionalismo.
— Eu nunca sei o que responder quando você me fala esse tipo de coisa. – Emma ficou com as bochechas coradas.
— Não precisa responder nada. – Regina sorriu e beijou a bochecha da loira. – Acho uma graça quando você fica sem jeito.
— Eu sei que acha. – Emma revirou os olhos. – Já eu nunca tenho o prazer de te ver assim.
— Ah, minha preciosa. – Regina sorriu arrogante. – Eu nasci com a habilidade de ser desinibida.
— Sem-vergonha, isso sim. – Emma apontou. – Descarada que só você.
— Com muito orgulho. – Regina piscou para a esposa.
As duas mulheres continuaram conversando e trocando provocações, até Killian e Milah se juntarem a elas. Todos se encaminharam para o palco principal, aonde aconteceria a abertura oficial. Killian, Regina e Emma subiram ao palco, enquanto Milah foi assistir. O prefeito fez a abertura oficial, com um grande discurso e agradecimentos a todos os patrocinadores do evento. Logo após descerem do palco, uma banda local começou a tocar. A festa seguia animada, com todos se divertindo.
As horas passaram, chegando finalmente o momento mais esperado, a contagem regressiva do ano novo. Regina abraçou Emma por trás, circulando seus braços na cintura da loira e colocando sua cabeça sob o ombro dela, enquanto olhavam para o palco, aonde a contagem começava. Killian e Milah também estavam abraçados, logo ao lado delas. Todos contavam gritando em voz alta, cinco, quatro, três, dois, um. Uma explosão de fogos de artifícios se fez presente no céu de Storybrooke. As pessoas se abraçavam e os casais trocavam beijos. Regina virou a loira em seus braços, iniciando um beijo calmo, uma exploração de línguas e sabores, que não demorou muito, se transformou em mais urgente, mais voraz. As línguas duelavam em um ritmo gostoso, causando estremecimento em ambos os corpos. Com as respirações descompassadas, encerraram o beijo, encostando suas testas e sorrindo uma para a outra.
— Feliz Ano Novo, minha vida. – Emma saudou.
— Feliz Ano Novo, meu anjo.
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