Accepting Love
1 Capítulo único
Notas iniciais
Os flocos da neve, mais branca que o comum, eram poucos e fracos. O sol começava a dar indícios de querer aparecer enquanto os habitantes da cidade encontravam-se no meio da rua; alguns se desculpavam pelas ofensas durante a maldição e outros se reencontravam saudosos.
– Isso tudo merece uma comemoração. – Granny chamou a atenção de todos.
E novamente as coisas iam pro mesmo rumo, após o final de uma maldição a população caminhava ao Granny’s comer seus pratos preferidos e rever seus entes queridos.
– Você vem com a gente? – Perguntou Emma, olhando para Regina que tinha o queixo apoiado na cabeça de Henry entre seus braços, também virado para a loira.
– Sim mãe, vem com a gente. – Falou o garoto que revezava o olhar entre as mães.
Regina observou os dois pares de olhos sobre si e sorriu. “Tão parecidos...” Pensou, mas logo afastou o pensamento. – Adoraria... Na verdade eu irei. – Desviou os olhos, olhando para as pessoas na rua a procura de alguém. – Mas antes eu preciso resolver uma coisa. – Sorriu, um pouco sem graça.
Rapidamente veio o rosto de Hood na cabeça da xerife e uma ânsia a fez arrepiar.
– Tudo bem mãe. – Henry disse com o olhar pouco entusiasmado, sabia bem o que a morena tinha para resolver e não iria julgá-la mesmo que aparecesse mais tarde com o ex-ladrão.
Emma observava os dois e tentou sorriu por uns instantes enquanto eles se despediam.
– Eu venho o mais rápido que der meu príncipe. – Afagou-lhe os cabelos e observou a loira de pé sorrindo.
– Vou te esperar pra comer e boa sorte. – O garoto sorriu escutando a voz da Avó chamar seu nome, foi até ela deixando uma Regina e uma Emma sem graças.
– É, boa sorte com o que for resolver. – Falou Emma com as mãos no bolso de trás das calças, evitando olhar, o que reforçou sua postura insegura.
– Obrigada Swan. – A morena disse enquanto tinha as mãos esfregando uma na outra, mostrando o quão apreensiva estava.
– Te vejo mais tarde? — Aquele sorriso de canto, tímido e carinhoso, que incrivelmente só a Rainha podia tirar apareceu.
– Vamos Emma e Regina. – Chamou David, notando que todos já se afastavam indo em direção ao Granny’s e as duas permaneciam pra trás.
– Provavelmente chegarei de novo atrasada. – Reforçou as palavras — Mas sim, nos veremos mais tarde. – Respondeu dando alguns passos pra trás e mantinha um sorriso aberto nos lábios vermelhos.
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Estavam na mesa Henry e Emma de um lado e Mary e David do outro, enquanto o carrinho com o bebê Neal estava ao lado da mesa. Elsa e Anna estavam na mesa ao lado, com Kristoff contando a eles sobre os acontecimentos com Ingrid e apenas David, que estava de frente com a filha notou a ausência que ela estava, seus pensamentos poderiam fazer seu corpo estar a reinos de distância.
– Aconteceu alguma coisa Emma? – Ele perguntou, tomando um gole da sua caneca de cerveja.
– Acho que não. – Resmungou com seus pensamentos ainda na cabeça. Eram lances de imagens aparecendo em sua mente e em todas estava Regina. A primeira vez que a viu e escutou sua voz preocupada, a primeira briga e várias seguidas, quando a viu em trajes de Evil Queen, o que de fato nunca esqueceria, e a cena vista a pouco enquanto estava sobre a maldição, Regina novamente em seu modo Evil Queen. Sabia que não foi afetada nem um pouco com o feitiço, porém sentiu uma enorme sinceridade em seu coração ao falar para a Rainha que queria que ela a visse com o capitão. O plano tinha dado certo, mas agora Emma estava confusa sobre os reais motivos que fizeram a Regina perder a cabeça e lançar a desejada bola de fogo.
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Regina desapareceu assim que Emma deu as costas e apareceu perto da floresta, onde sabia que encontraria Robin.
– Regina. – Ele correu em sua direção e a puxou para perto, mas Regina o deteve.
– Calma. – Pediu, mesmo que não soubesse explicar por enquanto o porquê evitou-o. – A maldição passou, Ingrid foi destruída.
O fim da maldição e Ingrid ter sido destruída significavam muitas coisas e remeteu uma única pessoa na cabeça de ambos, Marian.
– Você acha que...? – Ele não precisou terminar de falar, Regina balançou a cabeça evitando demostrar à possível tristeza.
– Robin, eu preciso te pedir uma coisa. – A voz receosa da morena começou.
– Peça Regina, peça. – Falou com sua voz melosa.
– Vá embora, eu não quero destruir o seu final feliz. – Ela o encarou nos olhos. – Eu fiz uma escolha e a consequência foi te perder, você também sofreu as consequências mais conseguiu superar e encontrou alguém que te fez feliz como eu não pude por ser egoísta na época. – As lágrimas apareceram nos olhos castanhos, mas não era só tristeza, era aquele velho sentimento de estar perdendo alguma coisa, porém Robin nunca foi dela por uma escolha própria. – Então te peço, não perca a sua felicidade por algo que não aconteceu, não quero causar mais sofrimento. Junte seu bando, pegue sua esposa e o garoto e vá. – Disse em um tom abalado e choroso. Entendo que talvez tivesse mesmo que passar por isso, com Robin. Ele estava em seu caminho, mas ela negou. Não seria justo nos dias de hoje entrar em sua vida para destruir uma família.
– Não Regina, deve ter outra saída. – O homem tentou protestar.
– Você não pode ficar com as duas e a mulher egoísta está guardada então, por favor, não abandone sua família.
– Acho que temos primeiro que ver se Marian acordou...
– Vamos ao mausoléu pegar seu coração. – Disse a Rainha, já se afastando em longos passos e Robin a seguiu.
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Enquanto conversavam e davam boas risadas, Hook apareceu na lanchonete e logo foi à mesa dos Charmings.
– Emma. – Abriu seu sorriso de lado ao ver a loira. – Podemos conversar? – Evitou olhar para o filho sentado ao lado.
– Claro. – Respondeu se colocando de pé, após pedir licença ao filho.
Caminhou ao lado do capitão até os bancos na entrada da lanchonete, no lado de fora, e sentaram-se num dos bancos.
– E tudo acabou bem graças a você. – Hook usou seu tom mais carinhoso.
– Não só a mim, Anna e Elsa foram fundamentais nessa missão. – Disse alegre, mas no momento que olhou nos olhos do homem tirou lentamente o sorriso da boca. Não saberia explicar o sentimento que dominou seu corpo, porém toda a ilusão de ser feliz com Hook se desmanchava. Era como se algo dentro dela dissesse que ele nunca mudaria, ele sempre seria um capitão egocêntrico e por instantes se pôs a pensar no que a fez querer ficar com ele. Chegou a nenhuma conclusão, exceto que a possível vontade não existia mais.
– Está tudo bem? – Ele perguntou, acariciando a bochecha rosada da loira com a única mão.
– Está, mas Hook... – Fez uma pausa, não sabia como abordar tal assunto. E o capitão que não era bobo, pela expressão e tom da voz da loira percebeu que não eram coisas boas. – Eu preciso ser sincera com você, não posso te enganar ainda mais quando você está tentando mudar por mim. – E novamente pausou, querendo observar a reação, já triste, do capitão.
– Entendo o que está dizendo Emma, só que não entendo o porquê dessas palavras? Nós estamos nos dando tão bem. – Falou em sua defesa.
– Eu tentei, eu juro que eu tentei. – Novamente a loira falou, mas agora havia mais emoção na sua voz e os olhos verdes começavam a ser envolvidos por lagrimas. – Eu queria poder te corresponder, acredito na beleza do seu sentimento. Eu tentei me entregar, tentei deixar acontecer essa história e me enganar, mas não tem como continuar assim. Você merece ser feliz, mas definitivamente não sou eu quem vai te fazer feliz.
– Claro que é você Emma. – O capitão começou a falar, com o sofrimento do momento na voz. – Ninguém mais pode me fazer tão bem quanto você já faz por tentar.
– Eu não quero te iludir Killian. – Emma falou sem pensar na dureza das palavras. – Não é você, mas realmente não tem como continuar tentando, eu fui ao meu limite e tive certeza durante essa maldição. Peço desculpas por tudo, mas não posso continuar me enganando. – As lágrimas rolaram de seus olhos até as bochechas.
– Amor eu acho que...
– Por favor, só me perdoe. – Interrompeu a fala do homem. Emma já estava deicida e nada escutasse do capitão faria mudar sua ideia.
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Regina e Robin entraram rapidamente no local onde o corpo da esposa do homem estava. A Rainha poderia um dia ter sido ruim, mas hoje tinha o coração da inimiga nas mãos e sua única intenção era salvá-la. Apoiou a mão em cima do coração sobre o peito de Marian, voltou os olhos para o homem com expressão abolhada no rosto. – Se isso der certo, você promete ir embora?
– Prometo.
Ao escutar isso, forçou o coração para dentro do corpo enquanto o seu parecia ser quebrado, ou apenas aliviado por estar fazendo um bem e dando a chance de que Robin, Roland e Marian fossem felizes.
Alguns segundos de silêncio e uma voz ofegante chamou o homem. – Robin.
– Marian. – Os olhos de Robin mostraram sua emoção ao ver a mulher sentada e mais rápido que nunca a abraçou, beijou seus cabelos em meio à saudação.
Regina não sentiu ódio ou raiva ao ver aquela cena, estava provando do gosto bom em ajudar as pessoas, em vez de querer mata-las. Se pudesse dizer um sentimento para tal sensação, falaria sentir uma boa inveja por ver uma família se encontrando, mesmo que ainda faltasse o garoto. Pensou então na sua família, no seu garoto, nos dois pares de olhos verdes, no sorriso dos lábios rosados da mãe de seu filho. Regina não gostava de pensar sobre o assunto, uma vez que tentou arrancar o possível sentimento há alguns anos, quando ainda buscava um pouco de vingança.
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– Se você conseguisse explicar o que aconteceu, talvez eu pudesse fazer alguma coisa. – Hook não era desses homens que desistiam fácil, ainda mais quando o assunto era mulher.
– Já tivemos várias provas de que não somos feitos um para o outro Capitão. – Emma tentou abrir um sorriso.
– E com isso você quer dizer beijos que não quebraram maldições? – Questionou o moreno.
– Não só isso, mas acredito que se fossemos amor verdadeiro ou alguma coisa parecida teríamos tido alguns sinais. – Seus pensamentos foram nos inúmeros momentos com Regina, a vez que juntas fizeram o chapéu funcionar e pararam o diamante que acabaria com a cidade. – Amor é magia, amor é força, é confiança. – Disse mais pra si do que para o homem.
– Oh Emma... – Hook pouco conseguia juntas algumas palavras e formular uma frase que fosse, talvez por que mesmo sentindo-se apaixonado pela loira acreditava que o produto do Amor Verdadeiro merecia um amor a sua altura.
– Minha intenção nunca foi te magoar. – Disse num tom sincero.
– Eu acho que poderei te perdoar. – Abriu um sorriso, tentando soar brincalhão. – Mas preciso ficar sozinho agora. – Se pôs de pé. – Te vejo em breve amor.
– Até breve. – A loira disse observando o capitão sair da pelo portão visivelmente abalado.
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– É aqui que eu me despeço de vocês. – A voz insegura de Regina soou, fazendo todos pararem no limite da cidade.
– Eu vou sentir sua falta Regina. – A voz fina de Roland ecoou.
– Muito obrigada pela ajuda Regina. – O tom amedrontado de Marian foi notado e logo ela, com o filho no colo, se afastaram com os outros do bando, deixando Robin com a Rainha.
– Uma boa sorte na sua vida Robin. – A morena sentia o coração nas mãos.
– Não sei se vou conseguir sem você...
– Você vai, tem Marian e Roland do seu lado... – E antes que a morena terminasse, Robin puxou seu rosto em um último beijo apaixonado.
– Eu te amo Regina. – Ele disse se afastando rapidamente ao encontro do bando, sabia que de onde estavam Marian não conseguiria ver a cena.
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Emma permaneceu ainda sentada pensando sobre as últimas confusões da sua cabeça e do seu coração. O que Regina realmente significava para ela? De onde surgia esses intensos sentimentos?
Se colocou de pé quando escutou a porta da lanchonete abrindo, Henry apareceu com um largo sorriso. – Ei mãe.
– Já estou voltando garoto. – Mal esperou a loira terminar e voltou para dentro da lanchonete.
Emma deu alguns passos e então parou pouco antes da escada com uma estranha sensação de ser observada, virou-se rapidamente e encontrou uma Regina visivelmente abalada, porém com postura.
– Muito atrasada? – Perguntou a Rainha com seu ar superior de sempre, dando alguns passos em direção da loira.
– Nenhum pouco. – Abriu o sorriso quando a morena parou perto. A loira pensou em uma maneira de se desculpar pelo modo que agiu quando foi até o mausoléu, contar que precisava de uma maneira para irritá-la ainda mais, que em momento algum sua intenção foi partir seu coração. — Regina, eu queria pedir desculpas pela maneira que falei com você durante a maldição, mas eu precisava que você ficasse irritada para conseguir quebrar a maldição das pulseiras e desculpas por ter feito magia contra você. – Parou alguns instantes olhando os chocolates sobre si, eles sorriam assim como seus verdes sorriam naquela troca de olhar que muito falava mesmo no silêncio de agora.
– Não peça Emma. – Depois de alguns segundos a morena falou, quebrando o silêncio e até mesmo os olhares, desviando para algum lado qualquer. – Eu estava sentada pensando em como faria para te matar. – Confessou ao lembrar-se que no primeiro instante da maldição, a Salvadora quem veio à mente, sentindo todo o ódio pela mesma. Regina sabia tão bem quanto a loira, a maldição te faz ver o mal em quem ama.
Com essa resposta, o coração de Emma acelerou aumentando suas confusões internas. Por que diabo de motivos Regina pensaria logo nela, enquanto tinha Marian na cidade e Snow em algum outro canto?
– Desculpe a sinceridade. – Disse em um tom que tentou soar descontraído, mas estava realmente apreensivo. – Mas quando tentei sair do mausoléu e não consegui, você foi a única que consegui culpar.
– A única? – Perguntou de maneira pouco indignada com um sorriso que dedurou a brincadeira.
– Para Swan. – Falou no meio de uma leve risada. – Eu tento esconder o ódio que sinto de você por sempre ser a culpada da minha infelicidade. – Sua voz era sincera e os olhos chocolates cruzavam-se na maior das intensidades com os verdes. – Mais de verdade Emma, você quem me deu a maior alegria na vida. – Desabafava a rainha, não sabendo até que ponto controlaria suas falas. – Graças a você eu pude ter Henry e ele me trouxe você, e acredito que o apoio de vocês e a sua fé em mim foram os responsáveis para que eu pudesse acreditar que ainda existia a Regina em mim, o que me fez atravessar a linha tênue do bem e o mal ou do ódio e do amor.
A confusão dentro da loira parecia poder explodir sua cabeça ou seu coração disparado. Será que ela estava entendo o que realmente Regina dizia? – Eu...
– Não quero que fale nada, apenas me escute, pois acredito que nunca mais mencionarei tais palavras. – Regina olhou os olhos verdes vendo um enorme brilho surgirem neles, o que acelerou seu coração e por instantes deixou sua cabeça esquecida do que queria falar. – Agradecer, bom... Isso é... Obrigada por ter ficado.
A loira deu uns passos para frente, onde poderia dizer que acabava com o espaço pessoal de cada uma, poucos centímetros pertos e não se tratava de uma briga e sim de um momento sincero com todo o coração. – Você não precisa agradecer por nada Regina. – A intensidade do olhar entre ambas aumentou quando, sem perceber, os dedos finos e longos da Salvadora tocaram os dedos da Rainha. – Eu sempre estive aqui por Henry e por você. – A loira avançou mais um passo, já não existia mais distância entre os corpos. – Desde o primeiro instante que meus olhos pararam sobre você foi como se a minha vida se transformasse na maior bagunça de todos os tempos. – Com a outra mão, a que não pousava entrelaçando os dedos da morena, puxou os fios do cabelo castanho que lhe impedia de ver o rosto a sua frente. — Mas foi a melhor das bagunças até conseguir por em ordem.
– Você conseguiu por ordem? – A morena abriu um largo sorriso, entendo bem as palavras da loira. Tinha o costume de chamar seus sentimentos de bagunça, como a outra. E aquele olhar não era coisa da sua cabeça. A energia que sentia com o contato das mãos entrelaçadas era real.
– Eu consegui aceitar onde está minha felicidade. – Os dedos que antes eram para puxar os cabelos, agora tinham posse do rosto. – Diga que isso não é coisa da minha cabeça Regina. – Sussurrou a loira, de olhos fechados, aproximando seu rosto, sentindo a mão da morena subir em sua cintura.
– Isso só pode ser coisa dos nossos corações Swan.
No momento em que os lábios rosados pousaram sobre os vermelhos, a energia entre elas poderia destruir todas as maldições dos reinos e isso era comprovado pela enorme aura que surgia em torno delas. Um momento tão particular e incrivelmente relevador. O beijo se desfez quando a ausência de ar falou mais alto e a certeza que tiveram ao se olhar era de que a felicidade sempre esteve ali, apenas demoraram a aceitar que se pertenciam ao ponto de ser o Amor Verdadeiro uma da outra e se completavam em todos os aspectos.
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