Accept and Advance.
1 The First Time
Notas iniciais
Manhã fria em São Paulo, como de costume “J” havia levantado às cinco horas da manhã, estava tomando seu banho enquanto ouvia música. Finalmente era seu último dia de colégio e em breve faria uma viajem para a Holanda, um presente de seus pais pelo seu ótimo desempenho no vestibular e pela vaga em uma ótima faculdade.
– Vamos filho, você vai se atrasar, termine logo isso! – Sua mãe gritava enquanto batia insanamente na porta.
– Ok mãe, já estou saindo...
Ele pegou sua toalha, desligou o chuveiro e saiu correndo do banheiro para se trocar, nem se deu conta de que tinha perdido quarenta minutos no banho, que estava mais relaxante do que o normal. Trocou-se rapidamente, calça jeans, camiseta do colégio, tênis e cabelo bagunçado, nada de diferente. Desceu as escadas correndo, jogou a mochila em cima do sofá e se sentou à mesa para tomar o café da manhã.
– E aí filho, ansioso para a viajem da semana que vem? – Seu pai perguntou sorrindo.
– Claro! Mal posso esperar. – “J” sorriu. – Mas já estou atrasado para o colégio, então é melhor ir, até mais tarde, amo vocês.
– Nós também te amamos filho, se cuide! – Sua mãe respondeu.
“J” foi caminhando até a escola, como sempre ouvindo música. Era um garoto de poucos amigos, preferia se dedicar aos estudos. Ao chegar à escola foi direto para a porta da sala que teria sua primeira aula, todos estavam em um clima de despedida, nem ligavam para qual aula teriam, mas ele era diferente, queria agradecer e se despedir dos professores.
...
O dia ocorreu tranquilamente, “J” conversou com todos os seus professores, se despediu e quando o último sinal tocou, saiu da escola feliz, voltou pra casa caminhando também. Quando chegou percebeu que estava sozinho, então subiu para o seu quarto e ligou o computador. Há alguns meses tinha iniciado um contato muito forte com um garoto holandês, conversavam praticamente todos os dias, por isso escolheu ir para o país dele, para que pudessem se conhecer melhor e fazer real o que até o momento era apenas virtual. Normalmente conversavam pelo Skype, ao entrar “J” percebeu que o garoto também estava online, sem pensar duas vezes fez a chamada.
J: “Olá, atrapalho algo?”.
T: “Oi “J”, claro que não, estava aqui te esperando mesmo. E ai, como está?”.
J: “Estou bem, hoje foi meu último dia no colégio e eu finalmente me sinto livre (risos), e você?”.
T: “Também, estava aqui acertando alguns detalhes com a banda.”.
J: “Ah, entendo!”
T: “Ansioso para a viagem?”.
J: “Muito, estou contando os dias, também estou ansioso para te conhecer.”.
T: “Eu também (smile), infelizmente preciso ir agora, conversamos depois. Abraços!”.
J: “Ok (sad), até depois então. Abraços também!”.
“J” adorava conversar com “T”, eles tinham muitas coisas em comum, principalmente a paixão pela música e livros. Mas “T” era um garoto descolado, cheio de tatuagens, com roupas cheias de estilo, amava tocar guitarra e sua paixão era o rock, enquanto “J” era extremamente certinho, preferia música pop e nem campainha sabia tocar direito.
Cada diferença entre eles se complementavam, talvez esse seja o motivo pelo qual a amizade deles havia se tornado tão forte em tão pouco tempo.
...
Enfim o dia da viagem chegou, “J” acordou cedo, se arrumou, com a ajuda de seus pais colocou suas malas no carro e partiram em direção ao aeroporto, ele estava ansioso, no dia interior havia combinado com “T” de que ficaria na casa dele e sairiam juntos para conhecer todos os pontos turísticos.
“J” ficou quieto o caminho inteiro, seus pais estavam animados por fora, mas ele estava apenas por dentro, não queria que eles desconfiassem de algo, pois odiavam esse papo de amizade virtual e de certo modo proibiam isso.
Finalmente chegaram ao aeroporto, “J” e sua mãe saltaram do carro e foram arrumar a documentação do embarque, enquanto seu pai estacionava. A hora do voo estava cada vez mais próxima e “J” sentia um frio na barriga, estava ansioso para conhecer o país, porém mais ansioso para conhecer “T”. Ele não sabia o motivo de tanta ansiedade, afinal eles eram somente amigos. Mas uma coisa ninguém sabia, era um segredo quase mortal que “J” guardava a sete chaves, desde pequeno ele soube que não era como os outros garotos, não gostava de futebol, carrinhos ou bonecos, a cada ano que passava não se sentia confortável em fazer amizade com outros garotos e olhar para garotas com segundas intenções, nunca tinha se apaixonado e nem sabia o que era isso.
Depois de conhecer “T” começou a sentir coisas estranhas, como se não pudesse ficar mais de um dia sem trocar pelo menos um “oi” com o garoto. Ele era seu único amigo, era virtual, mas seus sentimentos eram reais. Sua cabeça martelava, “J” não sabia o que era aquilo, mas era tão bom.
A hora do voo chegou, para a felicidade de “J” que acompanhando de seus pais foi até o portão de embarque e tirou um momento para se despedir.
– Isso ai filho, chegou a sua merecida viagem, aproveite, conheça muitos lugares e não se esqueça de que qualquer emergência ou não, terá dinheiro naquela conta que eu te passei. – Seu pai disse enquanto o abraçava.
– Ok pai, muito obrigado!
– E não se esqueça de ligar todos os dias ou mandar e-mails para sabermos se está tudo bem. – Sua mãe disse com preocupação.
– Pode deixar mãe, agora preciso ir, em breve voltarei. Obrigado por tudo! Eu amo vocês.
Ele abraçou novamente seus pais e foi em direção ao embarque.
...
Já no avião, “J” estava apreensivo e ansioso até a decolagem, mas depois de um tempo conseguiu relaxar, pegou um de seus livros e começou a ler para que o tempo passasse mais rápido, pois não via a hora de conhecer a Holanda e também encontrar pela primeira vez com “T”. Ele leu boa parte do livro, mesmo assim as horas passavam mais lentamente do que o normal, então ele ouviu algumas músicas, mesmo assim nada que o deixasse relaxado, porém o sono bateu e ele acabou dormindo. Teve um sonho estranho, confuso, mas que talvez quisesse passar alguma mensagem, nesse sonho ele conversava com “T” sobre serem apenas amigos e se sentia magoado por vê-lo de mãos dadas com uma garota.
Felizmente foi acordado pela comissária de bordo oferendo uma refeição, mas recusou, pois seu estômago embrulhava de tanta ansiedade e ele não sentia a menor fome, a única coisa que queria era chegar logo e poder abraçar “T”.
“O que será que eu estou sentindo? Nunca tive essa ansiedade em conhecer uma pessoa, “T” é um cara legal, me faz bem, mas somos apenas grandes amigos. Esse sonho... Foi tão estranho, como eu poderia sentir ciúmes de um amigo? Ah, que droga, nunca fui de me perder nos meus próprios sentimentos, mas ele me deixa tão confuso em relação a isso.”
...
Depois de longas 11 horas, finalmente “J” chegou ao aeroporto de Amsterdã, sentia uma mistura de cansaço, ansiedade, felicidade, entre outras coisas. Assim que saiu no portão de desembarque observou “T” segurando uma plaquinha com seu nome, sorriu e pela primeira vez seus olhares se cruzaram, borboletas surgiram no estômago de “J” e ele saiu correndo ao encontro do até então amigo.
– Cara, não acredito que estou aqui te conhecendo. – “J” disse sorrindo.
– Ah, para com isso, estou feliz por pode passar esse tempo contigo. – “T” também sorriu. – E aí, como foi a viagem?
– Foi ótima, cansativa, mas sei que vai valer a pena, agora posso te dar um abraço?
– Haha! Claro que pode.
Eles se abraçaram fortemente, mais uma vez borboletas surgiram no estômago de “J”, não era só um abraço de amigo, de certa forma ele se sentia seguro nos braços de “T”, mesmo sem nunca ter se apaixonado, ele conseguia saber que todas essas sensações significavam algo parecido com esse sentimento.
– Beleza, acho que já deu, agora podemos ir né? – “J” disse com as bochechas coradas.
– Claro, claro! Vamos, deixei meu carro no estacionamento e meu apartamento não fica muito longe daqui.
...
Foram preciso apenas 40 minutos do aeroporto até o apartamento de “T”, eles conversaram por todo o tempo, falavam sobre livros, músicas e até mesmo como se conheceram. Assim que chegaram, “T” ajudou “J” a subir com as malas, sacou as chaves do bolso e abriu a porta. O apartamento era pequeno, apenas um quarto, banheiro e cozinha, pois “T” morava sozinho e seu único sustento era os eventos que fazia com a sua banda e uma mesada que recebia dos pais.
– Pô cara, espero que não se importe com o tamanho do apartamento, mas é o que eu posso manter por enquanto... Se não for problema você pode dormir no meu quarto, te dou minha cama e eu jogo um colchão aqui na cozinha, não tem problema.
– Não, claro que não. Eu sou a visita, então durmo no chão, pode ficar tranquilo cara.
– Nem, pode parar com essa ideia, eu não vou deixar...
– Cara... – “J” interrompeu. – Eu vou dormir no chão e já era, sou visita e você está apenas me fazendo um favor me deixando ficar aqui, então não é justo tirar teu conforto.
– Tá ok, valeu mesmo cara. – “T” colocou sua mão sobre o ombro de “J” e sorriu.
– Eu que tenho que agradecer, você está sendo realmente um grande amigo. – “J” sorriu em forma de retribuição. – Bom... Onde posso colocar minhas malas?
– Ah, chega aí, vamos colocar lá meu quarto.
“T” fechou a porta do apartamento e ajudou “J” com as malas, levando-as até o seu quarto, onde tinha uma cama de casal bagunçada, roupas espalhadas pelo chão, um violão e uma guitarra colocados cuidadosamente no canto e uma pequena televisão em um suporte na parede. Colocaram as malas no único canto livre que havia ali.
– Me desculpa aí pela bagunça, prometo que vou dar um jeito. – “T” riu sem graça.
– Relaxa cara, a casa é tua e bagunça é normal.
– Mesmo assim é meio constrangedor. Enfim... Quer tomar um banho pra relaxar?
– Ah, quero sim. – “J” sorriu.
– Então beleza, pode fica a vontade o banheiro é nessa porta da frente mesmo, enquanto isso eu vou à lanchonete aqui do lado buscar uns sanduíches pra gente e tentar dar um jeito no meu quarto.
– Tá ok, então... Até daqui a pouco.
– Até! – “T” riu.
Antes mesmo de “J” entrar para o banho, “T” correu para a lanchonete que ficava a poucos passos do seu prédio, um dos funcionários de lá também era baterista de sua banda. Pediu dois sanduíches e dois refrigerantes, tudo pronto em 10 minutos, então “T” voltou até o seu apartamento, percebeu que “J” ainda tomava banho, decidiu arrumar o seu quarto, correndo pegou as roupas do chão, arrumou a cama e tirou alguns lixos que também estavam perdidos por ali.
Alguns minutos depois “J” saiu do banheiro, entrou no quarto, onde “T” estava sentado na cama, afinando seu violão.
– Show hoje? – “J” perguntou ao se apoiar na porta.
– Não, apenas dando um jeito nas coisas por aqui.
– Percebi, o quarto está bem melhor do que aquele que eu conheci há minutos atrás. – “J” riu.
– Sei disso. – “T” também riu. – Já comprei os sanduíches, vamos comer?
– Vamos!
Sentaram-se juntos à mesa, comeram, porém em silêncio, quando terminaram “T” foi o primeiro a levantar, caminhou de volta até a porta do quarto e parou, “J” foi atrás, mas quando quis entrar no quarto foi impedido.
– Qual é cara, não posso entrar mais? – “J” falava rindo, mas “T” continuava em silêncio o encarando. – O que foi? Fiz algo de errado?
– Eu já saquei a sua, desde quando nos conhecemos, e posso dizer que tenho as mesmas intenções. – “T” deu um sorriso irônico e puxou “J” pra dentro do quarto, jogando-o na cama.
– Mas cara, o que...
– Shiu!
“T” apenas tirou sua camiseta e se colocou por cima de “J” na cama, colocou as suas duas mãos na face do garoto, o encarou e instantes depois iniciou um beijo. “J” não sabia o motivo pelo qual aquilo estava acontecendo, mas algo dentro dele pedia para que continuasse, então ele levou suas mãos até a nuca de “T” e aprofundou o beijo.
Sem demora eles estavam em uma sintonia como a de um casal que se conhecia há tempos, “T” colocou sua mão por baixo da camiseta de “J” e acariciava seu abdômen. “T” sessou o beijo para que pudessem respirar, enquanto isso descia seus lábios sobre o pescoço de “J”, e o deixava arrepiado. Foram se despindo lentamente, a cada beijo, cada toque eles tinham mias certeza do que queriam.
Estavam com seus corpos nus, um sobre o outro e continuavam se beijando, até que o ar faltasse. Seus órgãos já estavam eretos, eles se tocavam e aumentavam ainda mais a excitação, “J” nunca havia experimentado aquilo antes, mas aquela era uma das melhores sensações de sua vida, além de tudo ele sentia-se completamente amado.
Entre toques, beijos e carícias, “T” sussurrou no ouvido de “J”:
– Vire-se de costas para mim, vou te dar uma das melhores sensações de sua vida.
“J” estremeceu, já imaginava o que estaria por vir, mas respirou fundo, deu um beijo no canto da boca de “T” e foi se virando lentamente, até ficar completamente de bruços na cama.
– Apenas relaxe, não vou te machucar, confie em mim...
“T” beijou as costas de “J”, isso o fez relaxar um pouco, novamente ergueu-se sobre o corpo do garoto e lentamente, foi penetrando seu órgão, da forma mais delicada possível para que não o machucasse. “J” preferiu abafar o gemido no travesseiro, mas a cada movimento que “T” fazia o seu corpo se arrepiava e seus “gritos” eram inevitáveis. No início era realmente incomodo, mas depois algo extremamente prazeroso.
E assim perdurou o resto da tarde e o início da noite, com o sexo dos dois, “J” já estava mais confortável e confiante e “T” fazia tudo da melhor maneira possível para não assusta-lo.
...
Assim os dias foram passando, “J” e “T” se relacionavam sempre, dormia juntos, passeavam de mãos dadas e de certa forma já até assumiam um “namoro”.
Após 3 semanas ”J” tomou um decisão, ficaria definitivamente na Holanda ao lado de “T”, procuraria um emprego e uma universidade. Então comunicou seus pais, que de primeira foram extremamente contra, mas depois de 2 dias de argumentação foram convencidos.
“J” e “T” morariam juntos no mesmo apartamento e apesar da pouca idade começariam uma vida juntos.
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