Acasos de uma Psicose - O Início
4 Complicações
Sophie abriu a porta de casa e suspirou, logo que viu Chlöe Grey, sua mãe, com os braços cruzados fuzilando a com os olhos. A Sra. Grey estava com seus cabelos ruivos amarrados em um rabo de cavalo e seus olhos castanhos claros estavam demonstrando raiva.
Sophie e Chlöe quase nunca brigavam. Geralmente as duas eram como irmãs.
— Mãe. Eu posso explicar. — Sophie falou ao fechar a porta.
— Explicar o que Sophie? Uma briga? O que estava pensando? — Chlöe falou com irritação na voz. Algo que Sophie havia puxado da mãe, era a falta de paciência. Qualquer coisa a estressava.
— Eu apenas estava tentando separar a briga. O diretor Murilo chegou e pensou que eu estava no meio também. — Sophie explicou tentando não revirar os olhos, sua mãe odiava quando ela fazia isso.
— Sophie, por que se intrometeu onde não foi chamada? — Aquela pergunta estava irritando Sophie desde cedo.
— Mãe... — Sua mãe, não iria entender que simplesmente quis separar, por isso improvisou: — Eles são meio que meus amigos... — o que talvez fosse verdade agora. Ela ainda estava um pouco incerta sobre isso.
Chlöe Grey iria falar algo, mas no fundo ficou feliz por sua filha formar novos amigos. Por isso, apenas disse:
— Filha, eu não quero que ocorra isso novamente. Está bem?
— Está bem. — ela disse. — Vou ir banhar agora, estou cansada.
Sophie caminhou lentamente para o banheiro. Realmente o dia foi cansativo, arrumar os livros da biblioteca era um fardo. Ela despiu suas roupas e olhou para o espelho do banheiro que dava para se ver o corpo inteiro.
As costelas de Sophie estavam à mostra, assim como sua cintura. Sophie estava parecendo um esqueleto, na verdade. Porém, o que Sophie via era justamente o contrário, para ela suas costelas sobre uma camada enorme de gordura, sua barriga que era reta e lisa, para ela parecia uma enorme bola, e sua cintura como se fosse um pneu. Ela estava se achando gorda.
Foi o lanche de Matthew pensou.
Sophie pegou sua escova de dente rosa. Ela envolveu sua “melhor amiga” nas mãos e continuou a olhar para o espelho. Geralmente, ela já teria feito, mas ali e agora ela estava com medo. Havia compartilhado seu segredo hoje com pessoas que nunca achou que fosse capaz de confiar e o pior alguém ouvira tudo. Mas, quem? Sophie estava começando a achar que tudo pudesse ser uma nova armação de Natasha. Que ela havia feito isso para que todos contassem seus segredos e depois espalhassem como aquele em que Matthew escreveu no quadro.
Porém, Natasha ficou tão assustada quanto eles. Sophie estava se perguntando se ela saberia atuar bem. Sophie iria ficar de olho em Natasha, talvez ela fosse uma pessoa pior do que pensava.
Sophie se ajoelhou perto da privada e olhou para a escova. Ela fechou os olhos e se levantou com certa dificuldade, caminhou até o chuveiro e o abriu, mas invés de ir banhar, apenas voltou para a privada, fechando a tampa e enterrando sua cabeça em seus braços. Logo Sophie começou a chorar.
***
Sophie terminou o banho e logo foi para o quarto. Sua janela se encontrava aberta. Ela olhou confusa, nunca – tipo jamais – Sophie deixava a janela aberta. Ela avançou em direção a janela e olhou para fora na mesma hora em que um vulto virou a esquina se juntando à escuridão.
Ela havia se arrepiado com aquilo, mesmo não querendo, acabou imaginando a hipótese de que aquele vulto estava em seu quarto há poucos minutos. Ela olhou em volta, mas tudo parecia estar em ordem, nada fora do lugar.
Se não era um ladrão, o que fazia ali?
Sophie quase deixou isso de lado enquanto fechava a janela e caminhava em direção à cama, quando viu um pedaço de papel em cima da cama. Ela engoliu em seco e pegou. Com letras impressas estava escrito:
Eu não prometo guardar seu segredo.
Sophie colocou as mãos sobre a boca e reprimiu um grito que formou em sua garganta. Ela não estava com medo, estava apavorada.
Ela não conseguiu reprimir outro grito quando ouviu três batidas na porta que estava aberta. Era sua mãe.
— Desculpe tê-la assustado. — disse a mãe confusa. — Está tudo bem?
— Está sim. — Sophie conseguiu falar, escondendo o papel debaixo do seu livro de álgebra.
— Queria que dormisse comigo essa noite. — sua mãe deu um sorriso que acalmou Sophie. Ela estava segura com a mãe, não estava? A pessoa que escreveu aquele bilhete, talvez fosse um adolescente – ou Natasha – não teria coragem de machucar um adulto, não é?
Sua mãe às vezes chamava Sophie para dormir com ela, quando não tinham muito tempo juntas. Ela assentiu com a cabeça e disse que logo iria. Ela olhou mais uma vez para o quarto, antes de sair. Quando fechou a porta, ela caminhou para o quarto da mãe e deitou ao lado dela.
O cheiro do quarto de Chlöe era perfumado com um aroma adocicado e suave. Sophie sempre amou aquele cheiro. E ali, naquele momento, aquele aroma significava segurança.
— Eu te amo Sophie. — sua mãe disse.
— Eu te amo, mãe.
Logo que apagaram as luzes, a Sra. Grey abraçou a filha. Sophie aos poucos foi se entregando ao sono.
Emma fechou a porta do seu quarto e suspirou desabando no chão. Naomi Green, sua mãe, havia lhe dado a maior briga de todas, com direito a frases do tipo “Eu nunca achei que fosse capaz de brigar!” ou “Eu criei uma garota ou um animal?”. Emma tentou explicar em vão, que ela só entrara para separar a briga, mas a Sra. Green não ligou, apenas gritou “Têm sorte do seu pai estar trabalhando hoje à noite! Passe já para o quarto!” e foi o que ela fez.
Ela deu um sorriso bobo quando notou que havia ficado com Matthew mais tempo do que sempre. Mas, logo o sorriso se desmanchou, quando percebeu que ele sentia algo a mais por Madeline Evans.
Ela se levantou e ligou o seu computador, rezando para que sua mãe não ouvisse o barulho dele ligando. Ele não era um computador moderno, era bem simples. Isso quer dizer que a tela era como uma caixa de metal ou o que quer seja feito aquilo.
A família Green tinha uma casa bem simples. Emma e Rachel, sua irmã, tinham cada uma, um quarto pequeno. A casa tinha apenas um banheiro, resultando uma fila de manhã cedo. A cozinha era a parte maior (mas, não tanto) da casa. E tinha a sala minúscula e o quarto dos pais. Emma nunca ligou para isso. E nem Charlotte.
Charlotte sempre dizia que a casa de Emma era a casa dos sonhos. Emma desconfiava que ela dissesse isso só para não magoa-la. Mas, Emma sempre foi feliz ali. Mesmo com o seu medo perturbador das pessoas.
Emma abriu a internet, logo depois de dois minutos a página inicial do Google carregou. Ela digitou o site da escola, lá estava à lista das pessoas que estudavam na Winter Castle High School. Ela copiou toda a lista e colou no Microsoft Word, logo clicou em imprimir.
Ela estava com esta ideia desde que saiu da biblioteca. Alguém havia ouvido tudo o que eles haviam falado. Ela estava certa de que queria descobrir quem era, e achava que os outros também. Aquilo poderia parecer precipitado da parte dela, quer dizer, ela nem sabia se a tal pessoa tinha ouvido mesmo, ou se queria fazer uma brincadeira com ela, mas seu consciente estava lhe dizendo que não era nada disso.
Winter Castle High School tinha aproximadamente 800 adolescentes matriculados. Emma suspirou será um grande trabalho. Depois de imprimir, desligou o computador e guardou as folhas.
Logo se deitou para dormir, quando uma pedra bateu em sua janela. Ela se sentou e esperou. Como previsto uma nova pedra bateu em sua janela. Ela saiu da cama e andou em direção à janela, mas não viu ninguém lá embaixo.
Diferente dos filmes, quando algo do tipo acontece, é um cara apaixonado tentando se encontrar com a amada, mas aquilo era diferente. Era a vida real.
Emma se afastou olhando para janela com os olhos arregalados. Rapidamente seu instinto, fez que ela virasse para trás. Mas, também era diferente dos filmes de terror, que alguém sempre estava por trás com uma faca pronta para matar sua vítima.
Foi isso o que mais apavorou Emma, quem quer que fosse estava sendo calculista. Como um... Psicopata.
Não era alguém querendo brincar com sua cara, se não tentariam algo diferente e bobo. Alguém estava querendo machuca-la, e se seu palpite estivesse certo, a tal pessoa queria machucar seus novos amigos e Charlotte.
Natasha estava jantando com os pais, que até aquele momento não haviam dito nada em relação à briga. Na verdade nem deram um oi. Muito menos trocaram palavras entre si. Apenas estavam ambos comendo sua comida em silêncio.
Natasha olhou para os irmãos Declan e Alisson Carter, que deram um sorrisinho como se mostrasse que ela estava ferrada. Ela apenas revirou os olhos.
— Cortaram a língua dos dois? — Natasha não aguentou.
— Natasha, apenas coma em silêncio. — Katia Carter, sua mãe falou rígida.
— Ótimo. — ela disse sarcasticamente. — Belos pais vocês. Eu me meto em confusão e apenas ficam em silêncio.
— Preferia que eles brigassem com você? — Declan zombou. — Que idiota você!
— Cale a boca, Declan! — Natasha exclamou.
— Não usamos essas palavras na hora da refeição. Quietos os dois. — Peter Carter, seu pai murmurou.
— Pai! — Natasha insistiu. — Preferia que falassem logo o que estão pensando!
— Natasha, seu comportamento hoje. — Sra. Carter balançou a cabeça como desaprovação. — Achei que tudo estivesse indo bem na escola. Suas notas estão ótimas.
— E estão. — ela disse olhando para a mãe. — Tudo hoje não passou de um mal entendido.
— Natasha... — seu pai disse como se estivesse pensando nas palavras certas. — Você está fazendo outras pessoas ficarem... Chateadas com suas atitudes.
— Eu não estou entendendo. — Natasha falou.
— Você pratica bullying idiota! — Alisson resmungou.
— Declan e Alisson, vão para o quarto. Agora. — Sra. Carter mandou.
— Mas, mãe! — Declan e Alisson reclamaram juntos. Katia lançou lhes um olhar que dizia “É melhor vocês irem”. Insatisfeitos os dois saíram da mesa olhando feio para Natasha que não dava a mínima para os dois.
— Pai... Mãe... — ela sussurrou. — Eu sei disso. Mas, hoje eu realmente aprendi a lição.
— Natasha, não adianta. — Sr. Carter disse olhando para ela pela primeira vez. — Estou muito chateado com você. E por isso, eu e sua mãe estamos pensando em colocar você em um internato.
— O que? — Natasha arregalou os olhos. — Mas... Eu estou falando a verdade! As pessoas que eu humilhei todas elas me perdoaram e tem mais. Agora somos amigos! — Natasha estava em pânico.
— Natasha, querida. — Katia disse. — Será bom para você, sair de Winter Castle.
— Eu não quero. — ela cruzou os braços. — Não agora, que notei o quanto fui idiota em fazer isso com as pessoas. Não agora que eu criei novas amizades.
— Pare de mentir, Natasha! — seu pai berrou.
— Eu não estou mentindo! É verdade! — ela gritou. — Por que não me dão a chance de tentar fazer as coisas certas? Eu nunca errei com vocês dois.
Katia lançou um olhar para Peter, que balançou a cabeça suspirando. Logo ele se levantou da mesa e disse para a mulher:
— Eu não me responsabilizo por isso. — ele virou se para Natasha. — É melhor você começar a mudar, por que se não eu mesmo farei suas malas e te colocarei no internato.
Ele subiu para o seu quarto e sua mãe olhou para Natasha.
— Natasha, é melhor ouvir seu pai. — ela disse se levantando. — A louça é sua.
— Droga, mãe é o dia do Declan!
— Não quero saber. — ela lançou um olhar duro para Natasha e seguiu Peter.
Ótimo pensou.
Natasha foi lavar as louças com seus fones de ouvido, quando sentiu alguém a observando por trás. Ela tirou os fones e se virou. Mas, não havia ninguém lá.
— Declan? — ela chamou. — Se for mais uma de suas gracinhas, você me paga, seu estranho!
Nenhuma resposta.
Ela caminhou pela casa, mas não havia ninguém. Ela subiu as escadas e encontrou o quarto de Declan vazio. Ela seguiu para o quarto de Alisson que fazia seus deveres.
— Onde Declan está?
— Ele deve estar banhando. — ela murmurou não prestando atenção em Natasha.
Ela seguiu até a porta do banheiro e bateu.
— Declan?!
— O que você quer?! — ele gritou. De fato ele estava banhando.
— Nada. — ela estava achando que talvez fosse só imaginação dela, quando ouviu um barulho no andar de baixo. Ela correu disparada escada abaixo. Ela tampou a boca e reprimiu um grito. A porta da frente estava escancarada. Seus pais haviam trancado. Ela viu.
— Feche essa porta estranha. — Alisson disse descendo as escadas.
— Alisson, não fui eu quem abriu.
— Claro, foi o Gasparzinho. — ela zombou.
O intruso da biblioteca ela pensou. Era a única pessoa que veio em sua mente. Mas, como ele conseguiu entrar em sua casa? Natasha pela primeira vez entendeu o medo profundo de Emma.
Matthew respirou fundo antes de entrar em casa. Seus pais Alicia e James Richards se levantaram assim que Matthew fechou a porta. Os dois estavam sentados no sofá. Ele supôs que sua irmã caçula Helena já estava dormindo. Ele tinha mais uma irmã, Ella Richards que era a mais velha e morava em Londres com o namorado David Hughes.
— Matthew, querido! — Alicia o abraçou vendo se estava machucado. Pelo jeito o diretor não informou que a briga era com garotas, ou sua mãe achava que ele era indefeso demais até para meninas.
— Eu estou bem, mãe... — ele murmurou. Seu pai olhava para ele balançando a cabeça.
— Pare de defendê-lo! Ele se meteu em uma briga! — Sr. Richards abriu uma garrafa de uísque e encheu um copo, tomando o. — Sabe Matthew? Estou cansado desse seu jeito.
— Que bom. — Matthew disse tentando caminhar em direção as escadas, mas seu pai impediu.
— Você vai ficar ai. — ele empurrou Matthew para trás. Ele já estava bêbado, antes mesmo de Matthew entrar em casa.
— Para que? Para ouvir a mesma ladainha de sempre? Não, obrigado. Dispenso. — Matthew disse com confiança.
— Pare de ser assim! — ele gritou. — Você é sempre tão cheio de dramas! Tornou-se um estranho! Você acha que é fácil todos os dias ter piadinhas com meu nome sobre você ser uma aberração?! — aquelas palavras afetaram o coração dele como se fosse uma bala.
— James! — Alicia gritou.
— Para de defender esse moleque! É por isso que ele é assim! — James sorriu.
Matthew sentiu seu rosto ficar úmido. Ele estava chorando. Matthew não entendia o porquê daquilo. Não entendia porque era tão difícil do seu próprio pai amá-lo como todo pai não entendia porque sua mãe sempre não fazia nada.
Matthew estava cansado daquela injustiça. Ele chorava enquanto estendia a sua blusa de frio, mostrando seus pulsos cortados, sua barriga. Matthew tirou a camiseta.
— E você acha que é fácil? — Matthew disse tremendo, seus pais estavam com os olhos arregalados. Alicia tampou a boca com as mãos. — Acha que é fácil todos os dias ver pessoas te julgando? Acha que é fácil toda vez que uma mãe estiver andando com um filho na rua, atravessarem a rua com medo? Acha que é fácil ser Matthew Richards? Não, não é! Mas, vocês não se importam. Nunca se importaram e perguntar como eu estava. Apenas brigavam sempre! Eu odeio vocês! Odeio por fazerem isso comigo!
Matthew saiu correndo de casa.
— Matthew! — sua mãe berrou.
Mas, Matthew já estava longe.
Charlotte estava atrasando de propósito para ir pra casa. Sabia que quando chegasse a sua casa teria que enfrentar sua mãe. Ela apenas enfiou as mãos no bolso da blusa de frio.
As ruas de Winter Castle sempre eram vazias e frias à noite. Charlotte estava pensando em quem era o ouvinte da biblioteca. Ela achou primeiro que poderia ser um plano de Natasha. Formar um grupo, descobrir sobre tudo e depois espalhar. Mas, havia uma coisa que ela não se encaixava se era Natasha que armou isso, por que ela precisava de alguém para ouvir, sendo que ela estava na biblioteca na hora?
Algo estava errado.
A única pessoa ruim de Winter Castle, sempre foi Natasha.
“Acho que elas são mais do que dizem ser... Como se fossem psicopatas” foi o que Emma havia dito mais cedo. Talvez, houvesse alguém que estava usando uma máscara e que não queria que ela caísse agora.
Charlotte chegou a Praça dos Fundadores, quando viu uma garota sentada em um banco olhando para o céu. Charlotte estremeceu, nunca tinha visto alguém ficar àquela hora na praça. Charlotte deduziu que devia ser uma novata na cidade, pois nunca tinha visto ela.
Charlotte caminhou até ela, fazendo barulho com os pés, para que ela ouvisse que alguém se aproximava. A garota olhou para Charlotte. Ela era bonita. Tinha cabelos castanhos abaixo do ombro e lisos, pele mais para um rosa. Seus olhos verdes era o que mais chamava atenção.
— Oi... — Charlotte murmurou tentando quebrar o silêncio.
— Hum... Oi. — disse a garota dando um fraco sorriso, estranhando que Charlotte havia falado com ela.
— Posso me sentar? — Charlotte perguntou mais por educação. Ela gostaria que as pessoas perguntassem quando fossem se sentar ao seu lado.
— Claro. — ela disse, não parecendo desconfortável e nem nada do tipo. — Qual é o seu nome?
— Charlotte Jones. — ela disse. — E o seu?
— Valerie Sullivan. — respondeu. — É um prazer lhe conhecer, Charlotte.
Ela estendeu a mão para Charlotte que apertou. Algo dizia para ela, que Valerie era estranha, mas sabia o porquê de achar isso.
— Você é nova aqui, não é? — Charlotte indagou.
— Sou. — Valerie respondeu. — Como sabe?
— Ninguém nunca fica nas ruas à noite em Winter Castle. — Charlotte sorriu.
— Você está na rua à noite. — Valerie falou.
— Bom, o meu caso foi único.
— Me conte, eu fiquei curiosa. — Valerie sorriu.
— Bom, eu me envolvi em uma briga e tive que ficar depois da aula arrumando a biblioteca com as pessoas que briguei. — ela explicou.
— Que coisa, não? — ela abriu novamente o sorriso.
— E você? Qual foi o seu motivo? — Charlotte perguntou curiosa.
— Bom, antigamente na minha antiga casa, eu costumava sair para ver as estrelas. Quero dizer, olhe para elas. — Charlotte olhou, Winter Castle tinha um céu completamente estrelado. — Tão distantes. — continuou Valerie. — Algumas são tão afastadas uma das outras. E tem outras...
— Que estão juntas. — Charlotte completou olhando ainda para elas.
— Estrelas me lembram de pessoas. — ela disse. — Cada pessoa é capaz de brilhar.
— Uma vez, vi em algum lugar que quando olhamos para as estrelas estamos olhando para o passado. — Charlotte comentou.
— Eu também já ouvi falar nisso... — Valerie sussurrou.
Um silêncio se iniciou entre elas. Ambas olhavam para as estrelas. Charlotte quase achou que talvez fosse capaz de brilhar também, mas não. Ela geralmente não acreditava nessas coisas. Ela sempre vive dizendo que na vida real não possuí finais felizes e nem finais infelizes, apenas aqueles finais que somos obrigados a aceitar.
— As estrelas são lindas. — Charlotte sussurrou quebrando o silêncio.
— É verdade. — Valerie concordou, mas logo se levantou. — Bom, eu tenho que ir agora Charlotte. A gente se encontra depois?
— Sim, claro. — Charlotte deu um sorriso para ela. Um sorriso sincero.
Valerie também sorriu e começou a ir, mas logo parou.
— Ei, Charlotte! — ela se virou. — Eu gostei de você.
Logo a estranha, Valerie Sullivan foi embora, deixando Charlotte sozinha. Depois de um tempo, Charlotte também foi embora. Sua mãe estava dormindo na sala, com certeza esperando ela. Charlotte subiu as escadas e foi dormir.
Madeline observou Christopher sair de casa e caminhar em sua direção. Madeline o abraçou e o beijou.
— Fiquei sabendo da confusão. Como está? — ele perguntou entre beijos segurando a cintura dela.
— Ah, está tudo bem. — ela sorriu. — Já foi tudo resolvido.
— Por que me chamou? — ele perguntou sorrindo.
— Bom, queria te ver. — ela disse carinhosamente. — E também por que amanhã, completamos exatos seis meses juntos.
— Madeline? — ela se afastou de Christopher. Era o seu pai. Ele parecia muito magoado, bem mais do que com raiva. — Vem me escondendo isso há seis meses?
Christopher fez o que Madeline, não imaginava que fosse fazer, saiu correndo em direção de casa. Ela abriu a boca, não achou que Christopher fosse fazer algo do tipo, pensava que esse seria o momento em que ele enfrentaria seu pai dizendo que não iria abandona-la. A raiva tomou conta de Madeline, mas primeiro tinha outro problema. Enfrentar seu pai.
— Pai... Eu... — ela gaguejou.
— Madeline... Vamos para casa. — ele murmurou com os olhos baixos. — Você me magoou. E acho que não posso confiar na minha própria filha, nem tão cedo.
— Pai, eu posso explicar. — Madeline tentou, mas Anthony estendeu a mão para que ela parasse de falar.
— Você arrumou uma briga no colégio e agora descubro que namora um garoto por seis meses? — Sr. Evans balançou a cabeça como se não acreditasse em que aquilo estivesse acontecendo.
Sem mais nenhuma palavra, os dois seguiram em silêncio o caminho para a casa.
Matthew vagava pelas ruas desertas de Winter Castle. As palavras do seu pai se repetiam em sua mente várias vezes “Sobre você ser uma aberração”. Como doíam aquelas palavras.
Ele caminhava sem rumo algum. Mas, logo parou quando se sentiu sendo observado. Ele olhou em volta, mas não viu ninguém.
— Quem está ai?! — ele gritou.
Mais a frente, ele viu uma garota sair de trás de uma árvore. Ela fugia de Matthew. Ele começou a correr atrás da garota, mas de alguma forma ela sumiu. Matthew tentou acha-la, mas não conseguiu.
Uma garota? Era ela quem estava bisbilhotando na biblioteca?
Mas, quem era ela?
Fale com o autor