Acaso ou destino

9 Capítulo 8 - Doze dias


A fotografia de Sophia permaneceu sobre a mesa.

Ninguém se atreveu a tocá-la novamente.

Sarah continuava de pé entre o sofá e a lareira, olhando para a imagem da mãe saindo do hospital em Grand Forks. Pela data impressa no canto inferior, a fotografia fora tirada pouco mais de três meses antes de sua morte.

Sophia estava magra e cansada. Usava um lenço sobre os cabelos e segurava uma bolsa contra o corpo. Mesmo debilitada, caminhava sozinha.

Ao fundo, quase escondida entre dois carros, havia uma figura pálida.

Sarah não a percebera antes.

— Eles estavam lá — murmurou.

Jacob pegou a fotografia e observou o fundo com maior atenção. Um rosnado baixo surgiu em seu peito.

— Vigiavam sua mãe.

— Durante quanto tempo?

Carlisle voltou a examinar a data.

— Não temos como saber.

— Ela percebeu?

— Talvez — Edward respondeu. — Isso explicaria por que Sophia mudou de ideia e pediu que você retornasse a La Push.

Sarah ergueu os olhos.

— Minha mãe me mandou diretamente para o lugar onde os Volturi sabiam que eu estaria.

— Mandou para o único lugar onde existiam pessoas capazes de protegê-la — Ateara corrigiu. — Sophia sabia que não conseguiria continuar escondendo você sozinha.

Sarah voltou a contemplar a fotografia.

Durante toda a vida, acreditara que a mãe tomara cada decisão com segurança. Sophia sempre parecera saber o que fazer, mesmo nos momentos mais difíceis. Imaginar que passara os últimos meses assustada, vigiada e consciente de que não poderia permanecer ao lado da filha provocava uma dor ainda maior.

— Ela estava morrendo e enfrentou tudo isso sozinha.

Ateara aproximou-se.

— Tentava dar a você uma oportunidade de sobreviver.

— Poderia ter me contado.

— E o que teria feito?

Sarah não respondeu.

Se Sophia revelasse que criaturas imortais perseguiam sua família, provavelmente ela teria atribuído tudo aos medicamentos, ao medo ou aos efeitos da doença.

Talvez a mãe soubesse disso.

Talvez a carta fosse a única forma de conduzi-la a La Push sem fazê-la fugir da verdade.

Jacob colocou a fotografia novamente sobre a mesa, virada para baixo.

— Eles não vão chegar perto dela outra vez.

Edward observou o lobo.

— Não deveria fazer promessas que não sabe se pode cumprir.

Jacob avançou um passo.

— Eu não estava falando com você.

— Mas todos nesta sala precisam compreender a dimensão do que está acontecendo. Os Volturi não são nômades desorganizados. Eles possuem uma guarda treinada, dons ofensivos e milhares de anos de experiência.

— Já enfrentamos vampiros antes.

— Não uma força como aquela.

— Chega — Sarah interrompeu.

Os dois se calaram.

— Não vou passar os próximos doze dias ouvindo vocês discutirem sobre quem é capaz de me proteger melhor.

Bella observou Jacob.

Desde que entrara na casa, mantivera-se quase sempre ao lado de Edward. Contudo, seus olhos voltavam repetidamente para as mãos de Jacob e Sarah, ainda próximas uma da outra.

Não havia hostilidade evidente em sua expressão.

Havia alguma coisa mais difícil de compreender.

Surpresa.

Tristeza.

Talvez até uma forma de perda.

Sarah percebeu.

Antes que pudesse interpretar o sentimento, Carlisle se aproximou da mesa.

— Precisamos decidir como responderemos ao convite.

— Não responderemos — Jacob afirmou.

— O silêncio também será interpretado como uma resposta — Carlisle explicou.

— Então diga a Aro que ela não irá.

— Carlisle não decide por mim — Sarah disse.

Jacob voltou-se para ela.

— Você está pensando em aceitar?

— Estou pensando em todas as possibilidades.

— Ir a Volterra não é uma possibilidade.

— Acabou de reclamar que Edward tenta tomar decisões por mim e agora está fazendo exatamente a mesma coisa.

— Não é a mesma coisa.

— Parece bastante semelhante.

Jacob fechou os olhos por um instante, tentando conter a reação.

— Se entrar naquela cidade, não permitirão que saia.

— Carlisle viveu com eles e saiu.

— Carlisle não possuía um poder que Aro procura há séculos.

Sarah se voltou para o médico.

— Jacob está certo?

Carlisle não tentou suavizar a resposta.

— Provavelmente.

— Então o convite é uma armadilha.

— É uma demonstração de cortesia. Aro gosta de oferecer às pessoas a ilusão de que escolheram o caminho que ele desejava.

— Se eu não for, ele virá até aqui.

— Enviará parte da guarda primeiro — Edward respondeu. — Tentará avaliar nossa defesa, confirmar seu poder e encontrar uma justificativa para agir.

Billy aproximou a cadeira da mesa.

— Que tipo de justificativa?

— Os Volturi se apresentam como guardiões do segredo de nossa existência — Carlisle explicou. — Se puderem alegar que Sarah ameaça expor o mundo sobrenatural ou que os lobos violaram algum acordo, transformarão a captura em uma ação necessária.

Paul soltou uma risada amarga.

— Então inventarão uma lei e depois dirão que estamos errados.

— É assim que Aro preserva a aparência de autoridade — Edward disse.

Sarah olhou para a carta.

— E se eu aceitar conversar em um lugar neutro?

Jacob balançou a cabeça.

— Não.

— Estou perguntando a Carlisle.

— Um encontro neutro reduziria alguns riscos — Carlisle admitiu —, mas Aro não aceitará uma posição que coloque vocês em igualdade. Para ele, todos os caminhos devem conduzir a Volterra.

— Então quais são nossas opções?

Alice se aproximou da mesa.

— Ganhar tempo.

— Como?

— Aro acredita que você ainda não compreende o próprio poder. Isso é verdade. Enquanto não soubermos o que consegue fazer, ele também não saberá.

Rosalie completou:

— A incerteza pode impedir um ataque direto. Se Aro suspeitar que seu poder seja capaz de destruir vampiros, não arriscará a guarda inteira sem antes observar.

Sarah sentiu um novo frio.

— A lenda diz que posso curá-los, não destruí-los.

— Diz que você toca aquilo que permanece dentro de corpos mortos — Carlisle recordou. — Ainda não sabemos se esse toque pode devolver ou retirar.

Jacob ficou tenso.

— Ninguém vai testar isso nela.

— Não sugeri qualquer teste perigoso — Carlisle respondeu.

— Ainda.

— Parem — Sarah pediu. — Se meu poder pode ser a única coisa que impede um ataque, preciso aprender a controlá-lo.

— Você desmaiou depois de usar uma única vez — Jacob insistiu.

— Por isso faremos de modo seguro.

— Não existe modo seguro de experimentar algo desconhecido.

— Existe observação, controle de variáveis e acompanhamento médico.

— Carlisle é o objeto do experimento e o médico.

— Eu também sou médica.

— Você é a pessoa que perdeu a consciência.

Emmett inclinou-se para Rosalie.

— Eles sempre discutem assim?

— Conheceram-se há dois dias — ela respondeu.

— Então provavelmente vai piorar.

Apesar da tensão, algumas pessoas sorriram.

Sarah e Jacob permaneceram sérios.

— Não farei nada esta noite — ela disse. — Nem amanhã. Mas não vou permanecer sentada enquanto todos arriscam a vida por mim.

— Não estamos arriscando por obrigação — Jacob respondeu.

— Você não possui escolha, lembra?

A frase saiu mais dura do que pretendia.

O rosto de Jacob se fechou.

— Tenho escolha sobre cada coisa que faço. Não escolhi o imprinting, mas escolho permanecer aqui.

Sarah se arrependeu imediatamente.

— Jacob...

— Não precisa responder agora.

Ele se afastou e caminhou em direção à varanda.

Bella acompanhou o movimento com os olhos.

Edward percebeu.

Sua expressão se tornou séria, mas não disse nada.

Depois que Jacob saiu, a reunião prosseguiu.

Carlisle sugeriu enviar uma resposta formal aos Volturi. A mensagem agradeceria o convite, informaria que Sarah ainda se recuperava de uma enfermidade e pediria mais tempo antes de qualquer viagem.

— Aro saberá que é uma tentativa de adiamento — Esme observou.

— Mas respeitará a formalidade por algum tempo — Carlisle respondeu. — Ele aprecia o teatro da diplomacia.

— Quanto tempo conseguiremos? — Ateara perguntou.

— Talvez alguns dias. Uma semana, se tivermos sorte.

— Precisamos de aliados — Edward afirmou.

Carlisle assentiu.

— Entrarei em contato com os Denali, os egípcios, os irlandeses e alguns nômades que confiam em nossa família.

— Eles lutarão por uma mulher que não conhecem? — Billy perguntou.

— Não pediremos que lutem. Pediremos que testemunhem. Os Volturi preferem agir sem observadores quando sabem que suas razões são frágeis.

— E os romenos? — Emmett perguntou.

— Vladimir e Stefan ajudariam apenas pela oportunidade de enfrentar Aro — Carlisle respondeu. — Isso os torna úteis e perigosos ao mesmo tempo.

Sarah ouvia em silêncio.

Nomes, famílias e alianças eram discutidos como peças de um conflito antigo, e sua existência estava no centro de tudo.

— Não quero uma guerra — declarou.

Carlisle voltou-se para ela.

— Nós também não.

— Se essas pessoas vierem, a guerra se tornará mais provável.

— Ou menos. Aro evita batalhas cujo resultado não consegue prever.

Alice fechou os olhos por alguns segundos.

— Não vejo um ataque imediato.

— O que vê? — Esme perguntou.

— Muitas decisões. Os caminhos mudam o tempo todo.

— E Sarah?

Alice abriu os olhos.

— Continua coberta pela luz. Quando Jacob se afasta, consigo ver pequenas partes. Quando ele retorna, tudo desaparece.

Sarah olhou para a porta da varanda.

— Quero falar com ele.

Ateara assentiu.

— Vá.

Ela atravessou a sala.

Antes que alcançasse a porta, ouviu a voz de Bella:

— Eu também preciso conversar com Jacob.

Sarah parou.

Bella percebeu a hesitação.

— Há coisas do passado que precisam ser encerradas.

A frase confirmou aquilo que Sarah começara a suspeitar.

Existira algo entre os dois.

— Converse primeiro — Sarah disse.

Não gostou da sensação que surgiu em seu peito.

Não era raiva.

Tampouco possuía qualquer direito sobre Jacob.

Ainda assim, quando Bella abriu a porta e saiu, Sarah sentiu uma pontada dolorosa e completamente irracional.

Ciúme.

Jacob estava próximo à lateral da casa, olhando para a floresta.

Reconheceu os passos de Bella antes que ela dissesse qualquer coisa.

— Sarah mandou você?

— Não.

— Então o que quer?

Bella parou ao lado dele.

Durante muito tempo, fora incapaz de imaginar Jacob sem relacioná-lo à própria vida. Mesmo depois de escolher Edward e ser transformada, acreditava que uma parte do amigo permaneceria para sempre presa à história dos dois.

Agora essa parte pertencia a outra pessoa.

Bella sabia que não tinha direito de sofrer por isso.

Ainda assim, sofria.

— Foi imprinting? — perguntou.

Jacob não olhou para ela.

— Foi.

— No instante em que a viu?

— Sim.

Bella abaixou os olhos.

— Então acabou.

Jacob finalmente se virou.

— O que acabou?

— Aquilo que você sentia por mim.

— Bella...

— Preciso saber.

Ele respirou fundo.

— O que senti por você foi real.

— Mas não existe mais.

— Não da mesma maneira.

A resposta doeu mais do que Bella esperava.

Edward fora sua escolha. Seu amor. A pessoa por quem abandonara a vida humana e aceitara a eternidade.

Jacob, no entanto, representara o caminho que ela não escolhera.

Durante muito tempo, a certeza de que ele continuava amando-a preservara aquela possibilidade dentro dela, mesmo que jamais pretendesse vivê-la.

Sarah destruíra essa certeza com um único olhar.

— Você a ama? — Bella perguntou.

Jacob ficou em silêncio.

— Conheço Sarah há dois dias.

— Isso não foi o que perguntei.

Ele olhou para a janela da sala. Através do vidro, conseguia ver a silhueta de Sarah.

— Ainda não conheço todas as coisas que fazem dela quem é. Não sei como fica quando está verdadeiramente feliz, do que tem medo quando ninguém está olhando ou quais lembranças a fazem rir. Não sei como prefere o café nem por que escolheu cardiologia.

— Mas?

— Mas sinto que passarei a vida inteira querendo descobrir.

Bella desviou o rosto.

— O imprinting decidiu isso por você.

— Talvez tenha apontado a direção. Sou eu quem está escolhendo caminhar.

— E se ela não escolher você?

A pergunta atingiu o medo mais profundo de Jacob.

— Então serei o que ela permitir.

Bella permaneceu em silêncio.

— Você deveria estar feliz — Jacob disse. — Foi o que sempre quis. Que eu encontrasse alguém e seguisse em frente.

— Eu sei.

— Então por que parece que perdeu alguma coisa?

Ela não respondeu.

Jacob se aproximou um passo.

— Você escolheu Edward.

— E escolheria novamente.

— Então deixe que eu também escolha.

Bella ergueu os olhos.

— Não quero machucá-la.

— Mas está desconfiada dela.

— Não conhecemos Sarah. Em dois dias, ela fez o coração de Carlisle bater, bloqueou o dom de Edward e se tornou o centro de uma profecia capaz de iniciar uma guerra.

— Nada disso foi escolha dela.

— Eu sei.

— Então não a trate como ameaça apenas porque o imprinting aconteceu comigo.

Bella recebeu a advertência em silêncio.

Depois assentiu.

— Você está certo.

— Isso deve ter doído.

Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

— Muito.

Jacob sorriu também.

Por um breve instante, pareceram novamente os amigos que haviam sido antes de escolhas, transformações e promessas impossíveis.

Bella abriu os braços.

— Posso me despedir?

Jacob hesitou e depois permitiu que ela o abraçasse.

Não havia romance no gesto.

Havia o encerramento de uma história que os dois prolongaram por tempo demais.

Nenhum deles percebeu que Sarah estava junto à porta.

Ela ouvira apenas as últimas palavras.

Vira Bella abraçá-lo.

E recuara antes que pudessem notá-la.

Sarah retornou à sala tentando esconder a alteração em seu rosto.

Edward a observou. Não conseguia ler seus pensamentos, mas conhecia suficientemente bem as emoções de Bella para compreender o que provavelmente acontecera do lado de fora.

— Eles estão se despedindo — disse em voz baixa.

Sarah olhou para ele.

— Não perguntei.

— Mas queria saber.

— Você sempre interfere na vida de pessoas que acabou de conhecer?

— Com frequência maior do que deveria.

Ela voltou a olhar para a porta.

— O que existiu entre eles?

Edward demorou um pouco para responder.

— Jacob amou Bella quando ela ainda era humana.

Sarah sentiu a confirmação como um peso.

— E Bella?

— Amou Jacob de uma forma diferente. Mas escolheu a mim.

— Mesmo assim, não gosta de vê-lo ligado a outra pessoa.

Edward não defendeu a esposa.

— Algumas despedidas demoram a alcançar o coração.

Sarah cruzou os braços.

— Por que está me contando isso?

— Porque você recuará se acreditar que ainda existe algo entre eles.

— Não sabe o que farei. Não consegue ler minha mente.

— Não preciso de um dom para perceber medo.

— Não tenho medo de Bella.

— Tem medo de ser uma escolha feita pelo imprinting enquanto ela foi escolhida por Jacob antes do vínculo.

Sarah permaneceu em silêncio.

Edward acertara.

— O que Jacob sentiu por Bella pertence ao passado — ele continuou. — E o que sente por você não é menos verdadeiro apenas porque começou de maneira sobrenatural.

— Está defendendo Jacob Black?

— Não conte a ele.

Apesar de tudo, Sarah sorriu.

A porta se abriu.

Bella entrou primeiro. Seus olhos encontraram os de Sarah, mas nenhuma das duas disse coisa alguma.

Jacob veio logo depois.

Assim que viu Sarah, percebeu a mudança em sua expressão.

— Podemos conversar?

— Depois.

— Sarah...

Três batidas foram ouvidas na janela da cozinha.

Todos se voltaram ao mesmo tempo.

Paul abriu a porta dos fundos.

— Encontramos um rastro novo.

Jacob ficou alerta.

— Onde?

— Ao redor do hospital.

Sarah sentiu o corpo esfriar.

— Meu hospital?

Paul assentiu.

— Dois vampiros. Talvez três. Eles estiveram lá hoje.

Carlisle se levantou.

— Procurando informações sobre a rotina dela.

— Ou esperando que aparecesse para trabalhar — Sam disse, entrando logo atrás de Paul.

Jacob olhou para Sarah.

— Você não vai ao hospital.

— Não pode decidir isso.

— Eles estão esperando por você.

— Pacientes também estarão.

— Sarah...

— Não abandonarei minha vida porque os Volturi enviaram uma ameaça.

— E eu não vou permitir que usem seu trabalho para alcançar você.

— Então encontre uma maneira de me proteger sem me aprisionar.

Os dois permaneceram frente a frente.

A sala inteira aguardava.

Por fim, Jacob assentiu.

— Eu a levarei.

— Não preciso de motorista.

— Precisa de proteção.

— E vai ficar sentado na recepção durante meu plantão?

— Se for necessário.

— Isso pode durar doze horas.

— Posso ficar parado por doze horas.

Emmett soltou uma risada.

— Ele consegue. O rapaz passou anos esperando Bella mudar de ideia.

O silêncio que se seguiu foi doloroso.

Rosalie fechou os olhos.

Bella ficou imóvel.

Edward encarou o irmão.

Jacob mostrou os dentes.

— Emmett.

— Comentário ruim?

— Muito.

Sarah respirou fundo.

— Amanhã começarei no hospital.

— Amanhã você ainda estará se recuperando — Carlisle afirmou. — Depois de amanhã seria mais seguro.

— Depois de amanhã — ela concordou.

Jacob pareceu surpreso pela concessão.

— E você poderá me acompanhar — acrescentou. — Mas ficará fora das salas de atendimento.

— Combinado.

— Não interfira no meu trabalho.

— Tentarei.

— Jacob.

— Combinado.

A pequena vitória diminuiu parte da tensão.

Carlisle começou a recolher os documentos sobre a mesa.

— Enviarei a resposta a Aro ainda esta noite.

Sarah olhou para a carta vermelha.

— Quero acrescentar uma mensagem.

— O que deseja dizer?

Ela se aproximou da mesa e virou a fotografia da mãe para cima.

Sophia passara vinte e quatro anos tentando protegê-la. Morrera acreditando que a filha ainda teria uma oportunidade de escolher o próprio destino.

Sarah não permitiria que a morte transformasse aquele sacrifício em algo inútil.

— Diga a Aro que agradeço o convite — começou. — Mas não irei a Volterra.

Jacob ficou ao lado dela.

— Tem certeza?

Sarah olhou para ele, depois para o avô, para Billy e para as duas famílias improváveis reunidas dentro de sua casa.

— Tenho.

Carlisle assentiu.

— E o que mais?

Sarah encarou a rosa branca enviada pelos Volturi.

— Diga que minha vida não é propriedade dele. Meu poder também não. Se deseja conversar comigo, terá de abandonar o trono e vir sem a guarda.

Emmett sorriu.

— Agora também gosto dela.

— Aro nunca aceitará — Edward advertiu.

— Então teremos nossa resposta.

Carlisle registrou as palavras.

Do lado de fora, a matilha continuava a patrulhar. Dentro da casa, os Cullen começaram a discutir alianças e estratégias.

Jacob tocou discretamente a mão de Sarah.

Ela permitiu.

Faltavam doze dias para a lua cheia.

Doze dias para compreender o poder que despertava em seu sangue.

Doze dias para transformar antigos inimigos em aliados.

E doze dias para descobrir se o vínculo que a ligava a Jacob nascera apenas de uma lenda ou de algo que seu próprio coração começava, lentamente, a escolher.