Acaso?

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Bom, uma nova fic, espero que gostem.

–Demi pointe... Isso, isso, devant, elevant, écart e elevant pra terminar. –A mulher de meia idade e óculos, gesticulava os movimentos que os alunos deveriam fazer com os braços. –Muito bem classe, isso é tudo por hoje. Até amanhã.

Um a um, os alunos iam passando por ela em direção ao vestiário, ela parou um deles no meio do caminho.

–Hugo, você deve melhor a sua pirouette.

–Prometo que vou me esforçar mais, senhora Schley.

–Ok, agora vá pra casa antes que anoiteça.

No vestiário, uma garota magra, de cabelos negros ainda presos no coque, parou na porta do vestiário masculino, só restava Hugo, todos os outros já haviam ido.

–O que a senhora azeda, queria com você? –Ela parou cruzando os braços.

–Só estava falando que eu precisava melhorar a minha pirueta. –Ele disse calçando a meia.

–Credo! Pra essa mulher, nada é bom o suficiente. –Ela disse fazendo uma cara de negação.

–Calma Elo, ela só quer que a trupe melhore, e nisso, eu concordo com ela, minha pirueta tá horrível. –Ele disse já calçando os sapatos.

–Calma nada, ainda jogo uma bomba na casa dela. Borá logo... Anda!

–Ta bom! Já terminei, vamos?! –Hugo falou se levantando.

–Graças a Deus! –Ela disse em ironia, levantando as mãos pro céu.


Eloísa era meio temperamental pra uma bailarina com tanta graça e beleza, eu era só um qualquer, já estávamos a beira de uma apresentação importante, mas para ela, isso não era razão pra senhora Schley cobrar tanto de nós.

Hugo era um garoto-homem, apesar de ter 21 anos, sua aparência se confundia á de um garoto de 16, seu cabelo preto, de vez em quando, cobria seus olhos cor-de-mel.

Elo, era uma das melhores bailarinas que eu já vi, ela ia ser a estrela da nossa apresentação, sua performance no palco, era incrível. Ela também era minha vizinha de prédio, o meu apartamento ficava na frente do dela.

–Como vai o Marcelo? –Elo perguntou enquanto esperávamos o ônibus.

–Vai bem, ele anda treinando muito ultimamente por causa das competições de vôlei, que estão bem próximas. –Hugo falou tirando o seu Ipod da bolsa.

Marcelo era o garoto que dividia apartamento com Hugo, um cara simples e muito reservado, ele e Hugo eram amigos desde o colegial, Marcelo sempre foi o garoto de ouro pros pais, sua vida já estava ganhar no vôlei, desde cedo, entrou para time estadual, e agora almeja o time nacional. Ele era grande, 1.91 de altura e forte o suficiente para ter os músculos a amostra, com os cabelos castanhos e os olhos safira, ele era considerado bonito desde os 14 anos, quando entrou pra seleção estadual.

O ônibus chegou, Hugo colocou seus fones e começou a escutar a sua música preferida do momento.

–A leave the door in the latch, if you ever come back…

–Falou alguma coisa Hugo? –Eloísa se virou para ver o que o amigo estava falando.

–Não, não, estava só cantando. –Ele fechou os olhos e sentiu um pouco do calor que o sol ainda emanava através do vidro do ônibus.

Chegando em casa, Hugo foi logo tomar um belo e confortante banho quente, Marcelo ainda não havia chegado, melhor assim. Foi na cozinha, preparou uma janta rápida e foi para o seu quarto. O apartamento era bem modesto, dois quartos, um banheiro , uma pequena lavanderia, uma sala-cozinha e uma pequena sacada que dava vista á cidade, dali, podia se ver o sol se pondo no horizonte.

Quando já ia dar nove horas da noite, a porta principal bate e em seguida se houve barulhos de sacolas e chaves sendo despejadas em cima da mesa da cozinha.

–Hugo, cheguei. –Uma voz grave e potente vinha lá de fora. –Trouxe janta.

Hugo se levantou da cama e foi ver o que o amigo havia trago para a “janta”. Não se surpreendeu quando viu que era comida italiana, a preferida de Marcelo, talvez por ele ser descendentes de italianos.

–Eu acho melhor você ir tomar um banho primeiro. –Hugo comentou pelo aspecto de cansaço e parecia que ele não tomava banho a semanas.

Marcelo se cheirou e concordou com o amigo, ele precisava de um banho urgente.

–Ok, mas não come tudo, você sabe que macarrão fettuccine é o meu preferido.

–Não se preocupe, já jantei. –Hugo falou indo em direção ao seu quarto.

–Ok, é bom que sobra mais pra mim. –Marcelo falou brincando indo em direção ao banheiro.

–Não esqueça de lavar a louça! –Hugo gritou, fechando a porta do seu quarto e Marcelo respondeu que sim, dentro do banheiro.

–Nada melhor que escutar uma boa música antes de dormir... –Hugo falou para si mesmo, fechando os olhos e ligando seu aparelho de som, não muito alto, apenas para que ele relaxasse. Ele acabou cochilando, quando era quase 11 horas ele escutou o “tock-tock” de alguém batendo em sua porta.

–Hugo, você ainda ta acordado? –Marcelo falou abrindo a porta e colocando a cabeça pra fora.

–To... Por... Que? –Hugo falou sonolento.

–É que eu não to achando aquela minha blusa cavada branca, você botou pra lavar?

–Botei, olha lá na lavanderia que já deve estar enxuta.

–Ta bom, brigado. –Marcelo disse fechando a porta.


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–Bom dia... –Hugo saiu meio sonolento do seu quarto, Marcelo já estava tomando café.

–Bom dia. –Marcelo falou levando a xícara de café a boca, estava lendo o jornal do dia.

Hugo se sentou e o acompanhou no café.

–Esqueci de falar –Marcelo comentou. –Sua mãe ligou pra cá quando você estava no seu quarto.

–O que ela queria. –Hugo falou pegando a jarra de suco.

–Só queria se saber se você estava bem, se estava se alimentando direto. –Marcelo falou com a xícara próxima a boca, olhando para o amigo de forma irônica. Hugo corou. –Mas disse que você já estava deitado, ela disse que ia ligar hoje, queria falar alguma coisa sobre sua irmã.

Hugo era o filho mais velho de três, depois dele vinha Diana com quatorze anos e Jonas com sete anos.

–Olha a hora! –Marcelo falou olhando para relógio, tomando um susto quase deixa cair café no seu uniforme. –Tenho que ir antes que meu treinador me mate. –Ele se levantou da mesa correndo, pegou seus sapatos e a chave do seu carro. –Até mais tarde! –Falou ele apressado.

–Até. –Hugo respondeu levando a xícara a boca.

Seu ensaio começaria somente uma hora da tarde. Ele tomou um banho pra despertar e começou as atividades diárias, arrumar a casa, arrumar o quarto do Marcelo que era um caso a parte, roupa espalhada por todo canto.

Ele sentou para assistir um pouco de televisão, quando a campainha tocou.

–Oi! –Era Elo.

–Oi, Elo, entra!- Disse Hugo gesticulando com as mãos para que ela entrasse.

–Cadê o Marcelo? – Eloísa falou olhando de um lado pro outro quando entrou.

–Saiu pro treino. Senta. –Ele disse voltando para onde estava sentado antes.

Eloísa sentou e foi logo comentando.

–Como você mora com um homem daqueles? –Ela disse se jogando no sofá.

–Morando, ué. –Disse ele pegando o controle da televisão.

–Serio, se fosse eu atacaria na primeira oportunidade. –Ela disse escorando seu cotovelo na parte de trás do sofá.

–Mas como você não é... –Hugo disse se levantando pra pegar um copo de suco na geladeira. –Você não vai atacar. –Ele falou fechando a geladeira com o copo de suco na mão e voltando a se sentar do lado de Elo.

–Você vai para ensaio hoje? –Elo perguntou tomando o controle da mão de Hugo, ele olhou com uma cara de “hã” para ela.

–Vou sim. –Disse ele tomando o controle de volta. Elo, olhou para ele, como se ele estivesse feito algo terrível.

“É provável que o time vá para as finais, pois seu atacante, Marcelo Zaire, camisa número 20 está mostrando um belo desempenho nas quadras...” Hugo desligou a televisão.

–Bom, to indo, só vim saber mesmo se você ia pro ensaio, minha mãe vai me dar uma carona, se quiser, ela pode dar pra você também. –Disse Elo se levantando.

–Ta bom, diz pra ela que eu quero sim. –Hugo disse acompanhando Elo, até a porta.

–Até mais tarde. –Disse a garota se despedindo.

–Até. –Disse Hugo fechando a porta.

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Já eram quase uma hora da tarde, mas como Hugo ia de carro, ele não se preocupou em se apressar como fazia todos os dias.

Assim que Hugo saiu do banho e entrou no seu quarto. A porta da sala abriu e fechou e vozes começaram a falar. Hugo estranhou, já que aquela hora, Marcelo ainda estaria no treino, e o assalto em prédios estavam acontecendo com muita frequência. O medo tomou conta do corpo de Hugo, ele trancou a porta do seu quarto instintivamente, ele se aproximou da porta e encostou sua orelha na madeira fria para escutar o que as vozes falavam. Não demorou muito para que ele percebesse que era Marcelo, ele pensou em abrir a porta, mas queria saber antes de quem era a outra voz, então continuou a ouvir.

–Não se preocupe, ele já deve estar no ensaio dele. –Disse Marcelo, Hugo na mesma hora, achou estranho o assunto da conversa.

–Tem certeza? –Falou a outra voz, Hugo não sabia de quem era, mas sabia de uma coisa, não era uma voz feminina.

–Tenho, vem cá... –Marcelo disse, e logo em seguida, Hugo não ouviu mais nada, foi quando ele resolver abrir a porta.

Hugo tomou um susto quando viu Marcelo beijando um homem, ele jamais poderia imaginar uma cena como aquela.

–Hugo! O que você está fazendo aqui? – Marcelo falou aflito, soltando o rapaz que estava com ele e indo em direção a Hugo. –Era pra você está no seu ensaio...

–Era, mas a mãe da Elo... –Ele nem conseguia falar diante de uma cena como aquela.

–Acho melhor eu ir Marcelo. –Disse o outro cara pegando as suas coisas e se dirigindo a porta de entrada. Marcelo não respondeu, estava muito nervoso com o que Hugo poderia vir pensar dele.

–Hugo, deixa eu te explicar... –Marcelo tentou começar uma justificativa quando Hugo o interrompeu.

–Não precisa explicar nada, Marcelo, não tenho nada haver com a sua vida particular, você já é bem grandinho. –Hugo disse sorrindo.

–Mas é que... –Marcelo continuava tentando explicar.

–Não precisa, mesmo. –Marcelo disse entrando em seu quarto pra se trocar. Assim que ele saiu do quarto, já arrumado, Marcelo que estava sentado no sofá, se levantou para tentar conversar mais o amigo, mas Hugo já estava começando a ficar atrasado e Elo já havia ligado para ele, dizendo que já estava esperando lá em baixo com sua mãe.

–Desculpa Marcelo, eu tenho que ir. –Disse Hugo correndo até a porta, não esperou Marcelo dar o seu “tchau”.

–Eu vou ficar aqui... –Disse Marcelo para a porta, que já estava fechada. Ele voltou a sentar no sofá pensando em como iria explicar para o amigo, aquilo que ele havia visto á alguns minutos atrás.



Notas finais
Então? Gostaram? Não deixe de comentar por favor, se quiser opinar ou dar alguma dica ou ideia, estou a disposição.