Acampamento para Jovens Adolescentes - Interativa
1 Capítulo I - Rebecca Grayson e FICHAS!
Notas iniciais
#POV’S Becky
Alguma coisa apitava sem parar. Um barulho horrível, agudo, péssimo. Abri os olhos em pânico mas era só o despertador que estava encima do criado mudo.
– 7:00 horas. – Murmurei olhando para a pequena tela.
Ele ainda tocava sem parar, frenético. Bem ... como posso dizer ..... eu não sei desliga-lo. Na verdade, ate ontem, não tinha esse pequeno e barulhento diabinho dormindo ao meu lado. Isso mesmo, meu pai, o senhor pontual. O senhor da razão. O senhor daquele ditado que dizia .... bem como era mesmo? “Quem cedo madruga.....” arrrrg desisto! Nunca consegui decorar esse troço. Ate porque acho um ditado bem inútil. Mas sim, voltando ao raciocínio. Meu pai trouxe esse mensageiro do inferno (despertador) ontem quando voltava do trabalho de jornalista, para que eu não perdesse o horário amanhã ... no caso, hoje ... já que .... que .... MERDA!!! To atrasada!!! MUITO atrasada! Ta vendo! não sei porque ele comprou essa joça, já que esta muito claro que não serviu pra nada!
Me levantei rapidamente, pisando firmemente no chão e o fazendo ranger. Corri para o banheiro o mais rápido que pude. Cai 2 vezes tentando chegar lá. Depois que tomei o banho mais rápido da minha vida, fui em direção ao armário e por sorte já havia separado uma roupa para a ocasião no dia anterior. Vesti uma blusa colada preta sem mangas e um moletom cinza com um lado caído no ombro. Uma calça jeans azul escuro e meus queridos All Stars. Fiz uma maquiagem rápida, sombra, delineador, rimel e passei um batom rosado que na verdade, era tipo cor de pele, só que mais rosa. Passei perfume e coloquei minhas jóias, um colar com pingente de nota musical, argolas e um anel com o símbolo do infinito. Prendi umas mechas do meu cabelo louro pra trais tentando disfarçar o emaranhado que ele estava com esse penteado simples. E por final, peguei minha mochila que descansava na poltrona de veludo vermelho.
Depois desses 20 minutos de “vale tudo” desci com tudo as escadas tropeçando nos meus próprios pés. Cheguei a cozinha ofegante. Dei um pulo e alcancei o armário, abrindo-o e puxando com tudo o cereal. E então notei que ele estava aberto. Uma chuva de flocos coloridos passou voando pela minha cabeça. Fiquei em estado de choque. Depois de um minuto parada feito estatua, tomei coragem para checar se eu estava limpa. Estava limpa. Dei um suspiro mais calma. Corri para a geladeira e puxei o leite. Notei que o mesmo estava pesado demais, ousei a cheirar a borda. Pense numa coisa podre ..... tipo .... coco de cavalo misturado com inhaca de bode. O leite fedia mais do que isso! O pobrezinho tava todo estragado. Sabe quando você pensa que não pode ficar pior ... ai fica? Pois é, nesse momento pude ouvir a buzina do carro do meu pai. FODEU. Sem pensar duas vezes larguei o leite no chão e corri de novo para geladeira. Havia cerveja, vodka, cerveja, whisky e mais cerveja. Bem ... como posso explicar ... meu pai é tipo, meio alcoólatra sabe? Voltei a olhar para a geladeira. Não sei se por uma dádiva divina mas ... bem escondidinho la no fundo da geladeira, eu avisto uma coca, que por sinal ainda tava na validade! Pura dádiva divina! Peguei o cereal de cima da mesa e coloquei a mão dentro da caixa, pegando um bocado e enfiando tudo na boca. Depois um gole de coca pra descer tudo. Bem crianças, não façam isso em casa ou acabarão diabéticas antes de chegarem na adolescência. Depois de 1 minuto comendo feito uma maluca ao som de uma buzina que soava freneticamente em frente de casa, fui correndo para o banheiro escovar os dentes. Porque chapa, não importa se eu to atrasada ou não, sair de casa sem escovar os dentes nem morta! Já pensou eu encontro um gatinho? Depois de checar meu hálito 5 vezes, corri para a porta de casa trancando-a e seguindo para perto do carro, onde dentro um pai super nervoso me esperava.
– Porra Becky! To aqui a 5 minutos! – Gritou ele abaixando o vidro do carro. – Devo ter acordado todos os vizinhos! – Completou com uma cara super furiosa.
– Ah velho, não enche! – Falei jogando minha mochila no banco e entrando no carro dando de ombros. – e nem foram 5 minutos.....- Fiz biquinho.
– Você estava contando? – Perguntou ele cínico. – Eu tava.- Falou em um tom sarcástico, sem ao menos esperar minha resposta.
– Ah, vamos logo .... estou atrasada! – Falei finalizando a conversa. Ele riu pelo nariz.
De dentro do carro olhei pela janela. Nossa vizinha, Sr. Nancy, parecia totalmente enfurecida. Buscava o jornal jogado na calçada em frente a sua casa. Passamos por ela devagar e pude ver ela mostrando o dedo do meio pra gente.“Que velha pau no cu” pensei comigo mesma. Retribui o gesto apesar de provavelmente ela não ter visto, já que a película do vidro do carro é bastante escura. Puxei minha mochila e tirei meu ipod de lá. Coloquei meus fones e tentei esquecer onde estava indo naquele exato momento. Ate tudo ficar preto.
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– Becky querida, acorda! – Falou uma voz masculina, que eu logo identifiquei como sendo a do meu pai.
– Hmmm ... nnn... Annn. – Murmurei alguma coisa que só Deus sabe o que era.
– Chegamos querida .... Acorda logo! – Falou ele mais impaciente me chacoalhando.
– Hm já vou já .....- Falei entre um bocejo e outro. Sai do carro com as pernas bambas. Gelei completamente ao ver o que tinha na minha frente. – PAI! QUE PORRA É ESSA? – Gritei alto, apontando para a enorme floresta a minha frente.
De longe era extremamente enorme. As arvores eram tão grandes que eu não me admiraria se pudessem tocar o céu. O capim não chegava a ser tão alto, mas era tão verde quanto a copa das arvores.
– Sua casa ate que eu volte. — Respondeu ele tirando minhas malas do porta-malas do carro.
– Você quer que eusinha vire o que? Uma espécie de Tarzan?- Falei me acalmando um pouco, ainda perplexa, olhando pra floresta.
– O acampamento fica mais pra dentro da floresta Becky ... – Falou ele calmo se aproximando de mim. – Borá. A partir daqui agente tem que caminhar, se não vai ser igual a viajem pro México, lembra? – Falou ele sem esconder um sorriso.
Como eu poderia me esquecer? Foi a PIOR, eu digo PIOR viajem que eu já fiz em todo os meus 15 anos! Motivo? Porque ALGUÉM se esqueceu de alugar um carro descente. Consequencia? 5 horas tentando desatolar um carro! Sendo que era eu que empurrava porque, um dia atrais, ele tinha torcido o pé e se não bastasse isso imagina quem foi que caiu na merda de cabra? Eusinha aqui! Odeio cabras, e odeio o México. Se você é Mexicano e come cabras, fique longe de mim! Eu tenho uma amiga chamada faca!
– Borá Becky. – Falou ele andando em direção a pequena estrada mais a frente. – Não posso me atrasar pro vôo.
– Tá, to indo! – Sussurrei pegando minha mochila do banco e comecei a segui-lo.
Apesar de ter tido que andar por meia hora, quase não percebi o tempo passar. Aquela floresta era realmente encantadora! A brisa era tão suave e refrescante que parecia que alguém tinha comido uma bala de hortelã e soprado na minha cara. Mas como toda família tem sua ovelha negra, aqui não era diferente, se é que posso chamar uma floresta de família. As ovelhinhas aqui eram os pássaros, que pareciam que mais gritavam do que cantavam.
– Nossa! Esses pássaros não calam a boca! – Murmurei.
– Eles estão cantando filha. – Falou meu pai alegre com 2 malas enormes na mão. – Falando nisso Becky, que merda tem aqui dentro? – Perguntou, erguendo uma mala na minha direção, sem parar de andar.
– Coisas de garota. – Respondi rapidamente.
– Pensei que tinha trazido o Bolt aqui dentro. – Falou ele sorridente.
Bolt era nosso cachorro. Um Border Collie bem pequeno para ser um Border Collie. O adotamos pois a dona ia sacrifica-lo. Ele nasceu tão pequenino que não tinha nem chance de sobreviver. Papai sabia que eu e ele éramos inseparáveis. Não duvido nada que ele estava desconfiando de mim.
– Pow pai .... viajou em? como eu ia trazer o Bolt? – Perguntei franzindo o cenho.
– Do jeito que você é maluquinha filha.....- Respondeu ele, evidentemente se segurando para não rir. Provavelmente tinha se lembrado de algum fato que eu lutava pra esquecer.
– Alem do mais, ele ta na casa do Rafael lembra?– Falei tentando convencê-lo.
Ele parou bruscamente e virou a cabeça em minha direção. – Chegamos. – Anunciou ele com uma voz cansada.
A floresta havia ficado pra trais e havia uma enorme clareira com uma cabana a nossa frente, toda construída em madeira. Um pouco mais longe era possível ver outras menores “provavelmente dormitórios” pensei comigo mesma.
Papai foi seguindo caminho ate chegar na enorme cabana. Ao lado um nome jazia escrito de negro em uma grande placa pendurada “Acampamento de verão Borrier Furtado” Será que dava pra ficar pior? É .... dava. Assim que entramos no local, me deparei com alguém que nunca esperava encontrar ali. Um frio percorreu minha espinha, arrepiando todos os meus pelos. Fiquei totalmente paralisada. Acredito eu, que qualquer pessoa que estivesse ali ia achar que estava vendo uma versão feminina do Gasparzinho de tão branca que eu fiquei. “Que merda essa mocreia ta fazendo aqui?” isso foi a única coisa que eu conseguir pensar. Bem, acho que ao inves de pensar, eu falei isso meio que alto demais. A mocreia agora estava caminhando em minha direção, com aqueles saltos importados que devem ser mais caros que a minha casa. Sim, com a mobilia dentro. Só consegui olhar pro lado e dar um pequeno sussurro pro meu pai. “sabe se tem um penhasco por aqui?” ele nem se incomodou em responder. Estava ocupado demais olhando as fotos penduradas na parede. Tarde de mais a mocreia tava na minha frente agora, forçando EVIDENTEMENTE um sorriso. Esse vai ser um longo verão ..........
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