Acampamento Olympus
55 Cap. 54 - Perdão
Notas iniciais
Depois que o pai saiu Nico se sentou na cama com os olhos cheios de lágrimas. As palavras do pai tocou fundo em seu íntimo.
Em seu coração ele queria perdoá-lo, queria voltar a chamá-lo de pai, voltar a ser o filho com quem ele conversava e ria. Ficou muito chateado quando soube que seu pai não aceitou de bom grado sua situação, se recusava a acreditar que o filho era gay. Nico ficou um pouco triste, mas não ligou para a opinião dele, afinal ele sempre o ignorou, não seria agora que lhe daria satisfações. No entanto, Paolo fazia várias tentativas de se aproximar, mas ele sempre dava um jeito de fugir, trancava-se em seu quarto e se isolava. Nas refeições ele ignorava o pai, não lhe dirigia a palavra e nem Paolo fazia tentativa de conversar. Até sua mãe fazia a mesma coisa. Agora ele vinha mais uma vez falando em perdão.
Nisso alguém bate na porta. Ele enxuga as lágrimas e abre. Era sua mãe, cujo sorriso se desfez na hora ao ver o filho com os olhos vermelhos e úmidos.
— Nico, o que aconteceu? – perguntou preocupada.
— Papai veio falar comigo de novo – ele funga. – Veio... se justificar pelos anos que me deixou de lado e... admitir que estava errado.
Maria suspirou. Já esperava que o marido fizesse isso, ela sabia que ele estava realmente arrependido das coisas que fez. Ele amava o filho do seu jeito. Paolo sempre foi um tanto fechado, não era muito de sorrir, por isso para ele era difícil admitir alguma coisa.
— Mãe o que é que eu faço? – ele pergunta ainda com os olhos em lágrimas.
— O que você realmente sente Nico? – ela pergunta olhando o filho nos olhos. – O que seu coração lhe diz?
— Eu queria, não, eu quero perdoá-lo – disse -, mas... não sei, por que só agora ele quer se aproximar de mim, depois de tanto tempo?
— Seu pai se sente só, ele quer consertar os seus erros – ela se senta. – Seu pai cometeu erros na vida, talvez só agora, ele deve está se dando conta disso.
— Mas você também o ignora – disse ele. – De uns tempos pra cá vocês dois não conversam mais, eu sei que não é por minha causa.
— Ok, já está na hora de você saber – ela disse resolvida.
— Saber o que? – ele perguntou desconfiado.
— Seu pai e eu brigamos porque... ele me traiu – ela disse olhando o filho que estava paralisado. – E... ele tem uma filha que nasceu há dois dias – ela preferiu omitir as circunstâncias do nascimento da criança.
Nico estava perplexo. Então era por isso que a mãe ignorava o marido também. Porque ele tinha uma amante com quem tem uma filha? e ele ainda queria o seu perdão? Que hipócrita.
— Como ele se atreve a vir me pedir perdão, se o que ele fez foi muito pior? – Nico falou entre dentes. – Aquele hipócrita!
— Nico, por favor, meu problema com seu pai é diferente – disse ela apressadamente. – Não quero que se envolva, o fato de seu pai ter feito o que fez não quer dizer que ele não o ame, ele se importa com você.
— Então eu devo perdoá-lo? – perguntou. – E você o perdoou?
— No fundo eu o perdoei, mas não confio mais – ela disse cansada. – Esse é um assunto muito delicado, por isso não quero que se envolva, está bem?
Nico assente.
— Ele disse que me amava – disse de cabeça baixa.
— É claro que ele te ama, embora ele seja assim desse jeito, no fundo ele sempre amou você – ela disse sorrindo – pequeno príncipe, era assim que ele te chamava quando você nasceu.
Nico olha para a mãe e abre um sorriso.
— Não consigo imaginá-lo falando desse jeito – disse rindo. – Não dá pra acreditar.
— Pois acredite seu pai também tem um lado sentimental – ela disse abraçando o filho. – Não vou lhe dizer o que tem que fazer o que você resolver terá o meu apoio, seu pai é um homem bom, caso contrário eu não teria me casado com ele.
— Eu vou pensar, mas e você mãe, o que pretende fazer? – ele pergunta.
— Não sei filho, mas é melhor você se preparar, não sei por quanto tempo essa situação ainda vai continuar – disse ela. – Não quero que se preocupe amanhã você vai viajar, não pense mais nisso – ela diz dando-lhe um beijo na testa. – Envie uma foto sua na praia.
— Pode ser desde que seja longe da água – disse ele se arrepiando.
— Ah Nico, qual é a graça em ir à praia e não entrar na água? – perguntou. – Além do mais o Percy vai cuidar de você.
— Eu sei – ele diz. – Tá bem, eu vou fazer esse esforço, prometo.
— Esse é meu filho – ela diz abraçando-o forte. – Eu vou me deitar, boa noite.
— Boa noite.
Quando ela sai, Nico fica pensativo.
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Na manhã seguinte, Nico já estava arrumado para viajar. Ele recebeu uma mensagem de Percy dizendo que passaria em sua casa para pegá-lo. Então ele pega a sua mala e desce esperando Percy na sala.
Enquanto isso, Paolo se arruma e também desce, encontra o filho arrumado com as malas prontas. Ele esperava o namorado que viria buscá-lo, ele estava distraído mexendo no celular. Paolo se aproxima.
— Bom dia – ele cumprimenta.
Nico levanta os olhos e diz:
— Bom dia – ele diz e volta a mexer no celular.
— Sua mãe ainda não desceu? – ele pergunta como quem não quer nada.
— Acho que não – ele respondeu evasivo. – Ou ela pode estar na cozinha.
— É. Maria sempre acorda cedo – ele comenta.
— É – diz Nico. – Pai – ele chama.
Paolo olha para o filho ansioso.
— Sim?
— Eu pensei muito no que conversamos ontem e... bem, eu acho que a gente pode voltar a ser pai e filho de novo – disse ele de cabeça baixa olhando para seus tênis.
Paolo deu um sorriso sincero e com olhos úmidos abraçou o filho que mesmo na defensiva retribuiu. Nico por sua vez, sentiu um calor gostoso, fazia tempo que não era abraçado pelo pai. A última vez foi antes do incidente no escritório, desde então ele passou a recusar os carinhos e os abraços do pai. Agora, ele voltava a abraçá-lo, no fundo sentia saudades disso.
Maria que estava descendo as escadas parou para olhar a cena em que pai e filho se abraçavam. Ela sorriu, finalmente Nico perdoou o pai. Pelo menos o filho estava com a vida resolvida, mas ela ainda teria que resolver a sua.
Pai e filho se desvencilham e sorri um para o outro.
— Obrigado filho, eu prometo que nunca mais vou tratá-lo mal – ele diz com os olhos ainda úmidos.
— Então você aceita o que sou sem sentir vergonha de mim? – ele pergunta.
— É claro que sim filho. Sua mãe tem razão quando disse que isso não mudaria nada, você ainda é meu filho – ele disse dando um beijo na testa de Nico.
— Obrigado pai – disse Nico sorrindo.
Maria desce sorrindo e se aproxima dos dois.
— Bom dia! – disse ela.
— Bom dia mãe – diz Nico abraçando a mãe.
— Bom dia Maria – diz Paolo sério.
— Vejo que os dois já conversaram – disse ela.
— Sim, Nico e eu já conversamos e já resolvemos tudo, não é? – perguntou Paolo olhando para o filho.
— Sim, está tudo resolvido – disse sorrindo.
— Que bom, estou feliz por vocês – disse ela sorrindo.
A campainha toca e Maria vai atender.
— Deve ser o Percy – disse Nico pegando a mala.
— Eu o acompanho – disse Paolo.
Percy conversava com Maria enquanto esperava Nico.
— Bom dia senhora Di Angelo, o Nico já está pronto?
— Sim, ela já vem. E você como está?
— Eu vou bem.
— Percy – Nico chega e lhe dá um abraço.
— Vamos?
— Boa viagem aos dois e cuide do meu filho – disse Maria a Percy.
— Pode deixar senhora Di Angelo – disse Percy sorrindo.
— Eu levo sua mala – disse Percy pegando a mala e colocando no porta-malas.
— Mãe, pai até a volta – diz Nico se despedindo dos pais.
— Boa viagem filho – disse Paolo abraçando-o.
— Mãe.
— Até a volta e divirta-se – disse ela.
Nico corre para o carro onde a família Jackson o esperava.
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