Acampamento Olympus

46 Cap. 45 - Passeio e Caindo em Si


Quando desceram do ônibus eles caminharam alguns minutos até o destino. Era um parque de diversões.

— Eu sei que não é grande coisa, mas eu queria muito vir com você aqui – disse Percy. – Meus pais queriam trazer o Tyson pra cá, então eu pensei em trazer você também, o que acha?

— Eu nunca vim aqui, meus pais estavam sempre ocupados, por isso eu deixei pra lá – disse Nico. – Mas agora com você eu tenho certeza que vou me divertir – disse sorrindo.

— Então vamos nos divertir – disse Percy o puxando.

Os dois entraram no parque de mãos dadas foram em vários brinquedos, barracas de jogos e por fim às barracas de comida. Pegaram um hot dog e um refrigerante cada e se sentaram perto de uma árvore.

— Como foi o almoço com sua irmã? – pergunta Percy.

— Foi muito bom. Meu cunhado também foi. Ele se ofereceu pra me ensinar a dirigir.

— É mesmo? Eles sabem que você....

— Sim. A minha irmã sempre soube e o Esteban me tirou muitas dúvidas. Ele é psicólogo.

— Ah. E o seu pai, ele já sabe?

— Parece que sim, ele nos viu na escola – disse Nico sério. – E parece que não aceitou muito bem. Mas eu não to nem aí pra opinião dele – disse dando de ombro.

— Mas você disse que ele lhe pediu perdão. Será que ele não está querendo se aproximar de você? Talvez ele esteja arrependido.

— Pode ser. Depois de tanto tempo me deixando de lado ele vem com essa conversa. Pra mim é um pouco difícil aceitar. Mas eu suspeito que não seja por causa disso que ele esteja querendo fazer as pazes. Tem alguma coisa mais.

— Você acha?

— Sim, tenho certeza. O clima em casa anda muito estranho. Minha mãe quase não dirige a palavra ao meu pai. Durante as refeições todos ficam calados, ela só conversa comigo. Meu pai fica calado o tempo todo.

— Vai ver os dois brigaram, por isso esse clima carregado.

— Talvez. Mas isso já dura semanas e está ficando pior.

— Olha não se preocupa, briga de casal não dura pra sempre – disse Percy o consolando. – Vamos deixar os problemas de lado por enquanto, você quer ir em outro brinquedo?

— Melhor não, nós acabamos de comer e vai ser muito desagradável depois.

— É mesmo – disse Percy rindo. – Então vamos andar por aí e ver se encontramos meus pais e o Tyson.

— Vamos lá.

Os dois se levantam e andam de mãos dadas à procura da família Jackson.

No ínterim, Tommy e companhia estavam andando pelo parque quando avistam Percy e Nico que estavam distraídos rindo de alguma coisa.

— Olha lá o Percy e o Nico – aponta John na direção dos dois. – Que fofinhos! – fala caçoando.

— Idiota – diz Tommy acompanhando o irmão com o olhar. – Vamos segui-los.

— Pra que? – pergunta Robert. – O que pretende fazer?

— Nada ué. Só quero saber pra onde eles vão – diz com cara de inocente.

— Vão vocês, eu não vim aqui pra ficar seguindo ninguém, vou procurar minha namorada. Fui – disse Robert se afastando.

— Eu também, tchau – disse John saindo apressado deixando Tommy sozinho. Este torce a cara e segue o irmão.

Percy e Nico chegam até o carrossel em que Tyson estava. Sally o estava acompanhando no brinquedo e Peter os acompanhava do lado de fora.

— Pai – Percy chama.

— Oi filho, olá Nico – cumprimenta Peter. – Sua mãe está ali com Tyson – ele aponta.

Os dois garotos olham na direção do brinquedo onde Tyson todo sorridente estava montado em um cavalo marinho cinzento e nadadeiras coloridas. Sally estava ao seu lado. O garoto ao ver o irmão acena feliz e Percy retribui. O brinquedo para e as crianças descem. Tyson se joga nos braços do irmão que o põe no colo. Depois ele abraça Nico que retribui.

— Que bom que vieram – diz Sally. – Como vai Nico?

— Vou bem, obrigado – ele responde.

— Vocês já comeram? – ela pergunta.

— Um hot dog – disse Percy.

— Isso não é comida, venham, vamos comer de verdade – ela diz arrastando os garotos até um restaurante ali perto. Peter que só observava sorri. Ele pega Tyson no colo e segue os três.

Tommy que havia seguido o irmão observava tudo de um lugar um pouco afastado para não ser notado. Ele viu que Percy e Nico chegaram perto de um carrossel onde seu pai estava em pé olhando na direção do brinquedo. Viu quando Peter os cumprimentou e quando o brinquedo parou viu que Tyson pulou nos braços de Percy que retribuiu o abraço e depois o garoto abraçou Nico que também retribuiu. Sally, sua madrasta saiu de braços dados com Percy e Nico enquanto Peter seguia sorridente atrás com Tyson no colo. Tommy sem perceber começou a lagrimar, ele estava se sentindo só e desamparado. Mas refletindo em tudo isso ele mesmo foi o culpado dessa situação. Quando estava morando com o pai, ele, pela primeira vez se sentiu amado. Foi bem recebido pela família do pai. A madrasta, Sally era muito simpática, seus dois irmãos lhe deram as boas vindas.

— Seja bem-vindo irmão, meu nome é Perseu, mas pode me chamar de Percy – disse o cumprimentando.

— Obrigado. O meu é Thomas, mas pode me chamar de Tommy – ele retribui.

— O meu nome é Tyson. Pode me chamar de.... – ficou pensativo – Tyson.

Todos riram.

— Prazer em conhecê-lo Tyson – ele disse sorrindo.

Tommy simpatizou logo com Tyson, mas com Percy as coisas foram diferentes. Ele notava o quanto seu irmão mais novo era achegado com ele e Percy por sua vez retribuía o carinho de seu irmão por dá atenção a ele. Ele via que Tyson imitava Percy em tudo. Quando este estava fazendo o dever, Tyson trazia seu material escolar e se sentava ao lado do irmão fingindo que estava escrevendo. Percy olhava para o lado e sorria. Isso acontecia porque era Percy quem cuidava dele, por isso o menino era muito apegado ao irmão, na escola Tommy reparava que Percy era admirado principalmente pelas meninas. Toda vez que ele aparecia elas o acompanhavam com o olhar até ele sumir da vista delas. Ele viu quando uma garota tirou discretamente uma foto do irmão sem que ele notasse. Desde então Tommy ficou enciumado por causa de Percy. Depois disso começou a tratá-lo mal. Sally, mãe de Percy já havia notado a mudança de comportamento de Tommy. Uma vez ela o chamou a parte e perguntou o que estava acontecendo.

— Nada.

— Como nada? Você anda tratando o Percy muito mal. O que ele te fez?

— Já disse nada.

— Eu vou ficar de olho em você garoto. Nunca encoste um dedo no meu filho se ainda quiser morar nesta casa.

— Está me ameaçando senhora?

— Não, só estou avisando.

— Você não é minha mãe pra me dizer o que fazer.

— Não, não sou, mas eu sou a esposa de seu pai, e você está sob meu teto é bom que você ande na linha para o seu próprio bem Tommy.

Daí em diante Sally não tirava os olhos de Tommy principalmente quando Percy estava por perto. Mas nem sempre Sally poderia vigiá-lo, Tommy aproveitava essas oportunidades para hostilizar Percy. Mas o mesmo sempre conseguia escapar das investidas dele até o dia em que o pegou no acampamento. Desde então ele achava que tinha finalmente intimidado o irmão, mas não foi isso que aconteceu. No primeiro dia de aula quando viu Percy abraçado a um garoto ele viu que o irmão nem se intimidou com os alunos que viam aquela cena. Viu quando umas garotas os rodearam e pediram autógrafo, e o comentário de outras a respeito do “casal” da vez. Mesmo diante disso, Percy continuava o garoto mais popular do colégio e até seu namorado que antes era ignorado passou a ser notado.

Tommy enxugou as lágrimas com raiva de si mesmo por estar se sentindo assim. Pensando bem, era melhor que ninguém o associasse com o irmão, pois não queria ser apontado por aqueles que não viam essa situação com bons olhos como o irmão da bichinha mais popular do colégio como eles chamavam. Com esse pensamento ele foi à procura de seus amigos.

Notas finais
Até o próximo,