Acampamento Olympus
13 Cap. 12 - Família Jackson
Notas iniciais
Thomas William Jackson ou Tommy é filho de Peter Jackson* e Amelie Philips*. É o filho único do casal, o pai é empresário da indústria pesqueira cujo sócio, era o sogro deste. Tommy era o xodó da mamãe, mimado era uma criança insuportável. Os empregados não gostavam do garoto, às vezes queriam matá-lo. Ele tinha tudo que uma criança gostaria de ter, nunca teve que batalhar para ter o que queria. A mãe era culpada disso. Ela fazia todas as vontades do filho, mesmo que ele não merecesse. O pai, ao contrário, não tratava o menino com mimos. Se ele quisesse algo teria que merecer. Exigia que o mesmo estudasse para ter um futuro que lhe desse segurança.
O Sr Jackson não teve uma vida fácil. Ele veio de uma família simples, mas complicada. O pai era dono de barcos de pesca que lucravam muito. Ele desde pequeno foi ensinado que pra se ter um bom futuro teria que trabalhar duro. E assim foi. Ele estudava, trabalhava e ainda ajudava o pai nos negócios. Foi com a sua ajuda que eles prosperaram. Os Jackson tornaram-se a família mais próspera da localidade. Mas nem tudo foi um mar de rosas. O pai bebia e brigava com todo mundo. Numa destas brigas acabou morto por um desconhecido. Peter, que já havia terminado os estudos assumiu os negócios e com isso aumentando seu império.
O sócio de seu pai, o Sr Nero Philips*, juntou-se a ele em administrar a empresa. Ambos conseguiram levantá-la, visto que seu pai a estava arruinando. Peter casou-se com a filha de Nero, Amelie e tiveram o seu herdeiro. Thomas.
Amelie era uma mulher bonita. Loira, olhos azul mar, de porte elegante. Ela era secretária de seu pai e confidenciou-lhe seu interesse em Peter. O pai a apresentou ao sócio, que era solteiro, e os dois passaram a sair e serem vistos com frequência juntos. Com o tempo se apaixonaram e casaram.
Com o passar do tempo, após o nascimento de Tommy, Amelie começou a mostrar uma atitude arrogante. Tratava os empregados com desdém, os funcionários do escritório com petulância. As pessoas começaram a reparar que o Sr Jackson já não sorria mais. Ele estava sempre estressado e chegava até a gritar com alguns, coisa que ele não fazia antes. Ele sempre foi um bom patrão.
Os problemas surgiram depois que ele passara a viajar a negócios. Às vezes ele demorava em demasia, pois os compradores de seus produtos estavam sempre querendo que ele participasse de seus eventos. Quando voltava para casa encontrava um ambiente um tanto diferente do que tinha deixado. Os empregados sombrios, o filho retraído e a esposa bêbeda. Ele passou a perceber que Amelie já não ligava mais para o filho, vivia na rua, andando com amigas sabe-se lá pra onde. Um dia ele se encheu daquilo e resolveu tomar satisfações.
Era uma sexta feira, Amelie estava se aprontando para sair.
— Posso saber para onde vai? – perguntou ele.
— Sair, não tá vendo? – disse ela petulante.
— Sim, eu estou vendo. Eu perguntei para onde – perguntou ele novamente.
— Para a casa da Penny, vai haver um jantar para uma de nossas amigas que chegou de Paris – disse ela sem olhar pra ele arrumando o vestido.
— Humm – resmungou ele.
— Já vou indo – ela deu um beijo em seu rosto e saiu.
Ele ficou no quarto e foi até a janela e viu quando ela entrou no carro e saiu em disparada.
Ele ficou a noite toda esperando por ela. Estava sentado em seu escritório adiantando seu trabalho quando Tommy entra e pergunta pela mãe. O menino parecia que tinha acordado, pois estava de pijama e o cabelo negro todo despenteado.
— Sua mãe foi a casa de uma amiga. Você quer alguma coisa? – perguntou ao filho.
— Eu quero a mamãe – disse o menino começando a chorar.
Peter suspirou. Levantou e foi até o filho. Quando tocou na criança ele percebeu que o mesmo estava muito quente. Colocou a mão na testa do menino, estava quente. Ele pegou o filho no colo e o levou para o quarto. Correu até o banheiro pegou a caixa de primeiros socorros e tirou um termômetro. Colocou embaixo do braço do menino e esperou o bip do termômetro dá sinal. Quando tocou ele retira e comprova a febre, 38°. Ele revira a caixa a procura de um antitérmico, mas não encontra nenhum. Ele pega o telefone e liga para o médico da família, o Dr. Apolônio Solaris*.
O médico atende.
— Alô, Dr. Solaris falando — fala o médico com um sotaque grego.
— Dr. Solaris aqui é Peter Jackson, eu preciso da sua ajuda.
— Pois não, Sr Jackson, como posso ajudá-lo?
— Meu filho está com uma febre de 38° e eu não tenho nenhum antitérmico aqui, o senhor poderia vir aqui, por favor?
— Claro que posso. Estarei aí em trinta minutos.
— Obrigado doutor.
Ele desliga o telefone e aguarda a chegada do médico.
Enquanto aguardava, ele resolveu ligar para a esposa, mas o celular dela estava fora de área ou desligado. Então ligou para a casa de Penny. Esperou até que alguém atendeu.
— Casa da senhora Penélope Huston.
— Aqui é Peter Jackson, marido da senhora Amelie Jackson, por favor, poderia chamar a minha esposa, é urgente.
— Desculpe senhor, mas não há aqui nenhuma senhora Jackson.
— Minha esposa me disse que estava indo para um jantar de boas vindas a uma amiga que chegou recentemente de viagem promovido pela senhora Huston.
— Houve um engano senhor. A senhora Huston está viajando desde a semana passada e só vai chegar amanhã.
— Me desculpe, acho que me enganei de telefone. Boa noite.
— Boa noite senhor.
Peter desliga o celular intrigado. Amelie mentiu? Para onde ela terá ido? Tentou o celular dela outra vez. Nada. Fora de área. Ela terá de se explicar. Ah, vai.
O médico chegou no tempo combinado. Peter o levou imediatamente ao quarto do filho.
— Pode entrar doutor – ele abre a porta e convida o médico a entrar.
O médico se aproxima da cama onde a criança estava deitada. Ele toca na testa do menino e constata o estado febril. Ele tira um abaixador de língua e pede para o menino abrir a boca.
— Agora Tommy abra bem a boca está bem? O tio vai olhar lá dentro.
O menino obedece e faz como o médico pede. Tommy já conhecia o Dr. Apolônio, por isso colaborou.
— Diga ahhh.
— Aaahhhh.
O médico colocou o abaixador de língua na boca da criança e com uma pequena lanterna olhou a garganta do menino que estava muito vermelha.
— Obrigado Tommy – disse o doutor. – Sente dor na garganta?
O menino assente.
Ele se dirige ao pai e diz:
— A garganta está ficando inflamada, por isso a febre. Mas para evitar que fique pior vou deixar esse anti-inflamatório. Dê 3 ml a cada 8hs, é o suficiente. Depois que ele estiver melhor pode suspender. Qualquer coisa me ligue.
— Obrigado por ter vindo doutor.
Depois que o médico foi embora, Peter volta para o quarto do filho. Ele vê que o menino voltara a dormir e então vai para o seu. Senta numa poltrona e fica pensativo. Nisso ele ouve o barulho de um carro chegando. Ele não se levanta e fica aguardando.
Amelie chega em casa toda desarrumada e meio bêbeda. Ela tira os sapatos e sobe as escadas até o quarto. Quando entra não vê o marido sentado no escuro. Ela se assusta ao ouvir a voz dele.
— Onde você estava?
— Ai que susto – ela diz pondo a mão no coração. – O que está fazendo aí no escuro?
— Onde você estava? – ele pergunta novamente.
— Você sabe onde eu estava. Na casa da Pen...
— Mentira – diz ele com a voz dura. – Eu liguei pra casa da Penny e disseram que você não estava lá. Vou perguntar de novo. Onde.você.estava?
Amelie estava pálida.
— Eu estava com a Penny na casa da Amber – mentiu.
— É mesmo? Engraçado. O mordomo da Penny me disse que ela está viajando desde a semana passada e que só chegará amanhã. Inventa outra.
Amelie engoliu em seco. Ela sabia que o marido odiava mentira.
— Eu... eu... – ela não conseguia falar. Viu o marido se aproximar, Amelie estava ficando nervosa. Ela ficou parada aguardando o que ele faria.
Peter não era homem violento e nem ciumento, mas odiava mentira.
Quando chegou bem perto da esposa, Peter a olhou nos olhos e perguntou:
— Por que mentiu? – ele perguntou calmamente. Pegando em seu cabelo o acariciando. – Eu ainda não ouvi a sua resposta, querida – disse ele.
Ela respirou fundo e disse:
— Eu não queria mentir, mas é que eu... eu sabia que você... não ia gostar de saber para onde eu fui e....
— E para onde você foi? – ele continuava acariciando o cabelo dela.
— Para o cassino – ela sentiu o marido pegar seu cabelo com força. – Para Peter está doendo.
— Então, você vai se divertir num cassino enquanto seu filho está doente – ele continua puxando o cabelo dela. – Mente descaradamente, e chega nesse estado deplorável, cheirando a bebida e com marcas roxas pelo pescoço – ele a larga repentinamente. – Como você é falsa Amelie.
— E você? Passa muito tempo viajando, sabe-se lá se vai mesmo a trabalho. Aposto que já tem outra – ela diz tentando se fazer de vitima.
— Ahh, então é por isso esses seus pitis? Eu viajo sim a trabalho. Eu trabalho pra dar uma vida melhor para você e o Tommy e você vem me dizer essa barbaridade? QUEM VOCÊ PENSA QUE EU SOU? – ele fala exaltado.
Amelie se encolheu. Justiça se faça, Peter não era nenhum mau-caráter. Ele sempre deu duro desde jovem. Ele prosperou graças aos seus esforços. Se não fosse isso, a pequena empresa que ele e seu pai construíram não tinha vingado. Amelie sabia disso. E foi o que chamou a sua atenção. A dedicação que ele dava a empresa e o seu otimismo. Por isso ele tinha muitos clientes que apreciavam seus esforços e sua abnegação.
Peter também era dedicado à família. Amava a esposa e o filho, nunca deixou faltar nada a eles. Talvez seja por isso que tudo estava desmoronando. Amelie largou o emprego quando se viu grávida. Ela não queria andar por aí com uma barriga enorme porque era constrangedor, segundo ela. Depois que Tommy nasceu, ela passou a se dedicar ao menino, fazia todas as suas vontades. Era tolo e mimado sempre agarrado às saias da mãe. Mas Peter nunca deixou de dar a atenção necessária ao filho, se preocupava com o menino que a mãe estava estragando.
Com o tempo Amelie passou a negligenciar o filho. Saindo todo fim de semana, sem dar satisfações. A criança passou a chorar constantemente perguntando pela mãe. Peter fazia de tudo para distraí-lo e tivesse um pouco de paz. Agora sabia o porquê da atitude da esposa. Mas isso não era justificativa.
— E você Amelie? Por acaso está me traindo? – ele perguntou olhando duro pra ela. – É por isso que está me acusando de traição?
Amelie estava pálida engolia seco. Ela não o olhava nos olhos.
— Então é isso – ele disse respirando fundo. – Se você queria ficar livre era só me dizer. Não precisava fazer todo esse teatro. Não precisava negligenciar nosso filho. Não precisava mentir.
Amelie o olhava perplexa.
— Ainda bem que o seu pai não está mais aqui para ver a sua decadência. Ele morreria de desgosto – ele disse a olhando com desprezo. – Eu vou dormir no quarto de hóspedes.
Saiu deixando a mulher aturdida parada no meio do quarto.
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