Luke olhava para a paisagem que passava rapidamente, ele não conseguiria contar nem se quisesse o tanto de arvores e mato. Ele simplesmente odiava a ideia de ir para um acampamento, mas Soul Sacrifice não se compraria sozinho. Sim, Soul Sacrifice. O jogo cujo o jovem Luke estava pedindo a sua mãe a anos, até que ela disse que o daria se ele fosse para esse bendito acampamento. Ele queria estar jogando agora, mas se jogasse sua mãe nunca o deixaria levar qualquer aparelho tecnológico, já que são proibidos em todos os acampamentos que tinha conhecimento. Por isso o mesmo teve que esconder seus jogos em sua blusa jeans preta. Ele estava usando uma blusa branca por baixo podendo a deixar aberta sem deixar visível o volume dos jogos. Colocou em sua meia seu iphone, um pouco acima de seu all star preto e surrado; e seu querido Nintendo azul em sua cintura, entre sua calça jeans e sua blusa. Ele também podia ler um livro, mas só trazia consigo “As vantagens de ser invisível”. Realmente não esperava que seria tão rápido terminar de ler o livro.

— Filho eu sei que é estranho e difícil, mas eu estou fazendo isso para o seu bem. Os jogos te abduziram. – A mãe de Luke falou um pouco mal pelo seu estado “vegetativo”

— Eu sei mãe. – Luke deu um sorriso fraco e abriu o vidro do carro deixando os ventos bagunçarem seus cabelos castanhos escuros e o fazendo apertar seus olhos da mesma cor que seus cabelos. Depois de um tempo assim, ele fechou o vidro e deitou no carro, definitivamente abrir o vidro não tinha sido uma boa ideia. Agora a única coisa que ele podia fazer era dormir. Após alguns minutos ele se deu por cansado e adormeceu no carro. Quando foi acordado por sua mãe o dia já estava tarde, olhou em seu relógio e eram 18:15, esfregou seus olhos e ajudou a sua mãe a tirar suas coisas do guarda malas. Depois disso, deu de cara com uma mulher com aparência de 31 anos, ela tinha cabelos e olhos castanhos escuros, usava trajes típicos de acampamento: uma blusa social verde claro, shorts verde escuro, um sapato que Luke nunca soube o que era, meias longas e um grande chapéu.

Como estava ocupado arrumando um jeito de carregar suas malas e sua mochila, acabou não ouvindo a conversa de sua mãe com a mulher, e só prestou atenção nela quando sua mãe lhe deu um beijo.

— Já estou indo filho. – Sua mãe falou lhe dando um último abraço, ele passaria um bom tempo sem ver seus lindos olhos cinzas. Ele ficou observando ela entrar no carro antes de andar, por ser um pouco pequena, ele só pode ver a sua cabeleira loira entrando em seu Sportage preto. Sentiria saudades.

— Então você é o Luke, certo? – A mulher disse se aproximando dele sorrindo

— Sim, eu sou – Ele deu um sorriso gentil.

— Sua mãe me disse que você ama jogos. Prazer sou Violette, a organizadora do acampamento.

— Sim, eu gosto um pouco. – Concordou o rapaz sorrindo.

— Cadê? – Violette perguntou seria.

— Cadê o que? – Luke perguntou dando um sorriso sem graça.

— Os jogos – Violette falou sorrindo.

— Eu não trouxe nenhum. Eu não quero que meus jogos fiquem na mão de estranhos e os deixei em casa. – Falou o moreno serio.

— Você falou isso para manipular a sua mãe e ao acampamento para pensar que você não trouxe, mas possivelmente você os escondeu na mala ou nas suas roupas para passar pela segurança. – Violette disse como se fosse óbvio e ouviu Luke suspirar, tirando seu celular, Nintendo e seus jogos. — Bem melhor carregar assim não? – A organizadora disse andando deixando Luke um pouco para trás

— Como assim? Eu achava que era proibido.

— Eu nunca disse isso – Ela sorriu e ambos andaram até o lugar onde devia ser o centro do acampamento. Ele era cheio de caminhos de pedras, no meio havia uma fogueira já acesa e pronta. O fogo estava bem alto e mesmo a alguns metros de distância já dava para sentir a irradiação dele, haviam quatro cabanas em diagonais na lareira, cada uma pintada de cores diferentes, mas o formato de todas era o mesmo. Elas aparentavam ter dois andares, o que era impressionante para um acampamento.

O primeiro tinha mais janelas que os outros, o que o deixava mais iluminado. A sua pintura tinha algumas partes brancas e outras sem pintar, tendo o marrom de madeira como cor, porém isso não a deixava com aparência de mal cuidada, pelo contrário. Acima da porta, tinha um emblema com um roedor no ouro.

A segunda era verde claro e escuro, toda listrada, o que dava um pouco a impressão de ser uma base do exército, e em seu emblema tinha a imagem de um lagarto.

O terceiro era azul e roxo. As cores pintavam toda a cabana, ela também eram listrada, só que cada listra tinha as duas cores, Luke havia contado cerca de 30 centímetros azul e trinta roxo. Em seu emblema, tinha uma figura de uma coruja, e diferente dos outros, o ouro dessa era branco.

O quarto e último era uma cabano xadrez de vermelho, laranja e derivados, e tinha em seu emblema um tigre.

— E onde eu vou dormir, no chão? – Perguntou um garoto com um tom brincalhão e irônico que tirava qualquer arrogância da frase.

Ele tinha cabelos loiros platinado e olhos azuis bem fortes e profundos. Ele tinha um porte físico ótimo e estava usando um casaco de couro com uma blusa dos Rolling Stones, a sua calça jeans era um pouco apertada o que mostrava o torneamento de suas pernas, e tinha várias correntes entre bolsos da frente e de trás. Ele também usava um tênis de mola um pouco surrado, sua voz parecia ter, naturalmente, um tom de deboche e desdenho.

— Talvez. Você fara uma prova para ver aonde ira ficar, Simon. Facinho

— Só se for para você que sabe as respostas. Esse acampamento deve estar cheios de possíveis alunos de Harvard loucos para ter atividades extra curriculares. – Falou Simon em um tom de deboche e se sentou em um tronco de madeira perto da fogueira com sua mochila atrás de si, esse lugar era entranho, mas Simon não tinha dúvidas de que ele seria melhor do que sua casa com seu pai.

Depois de um tempo sozinho, Simon não conseguiu conter um sorriso. Era incrível como todos estavam enturmados, menos um cara que na opinião dele era um boboca jogando jogos e uma garota de estereótipo filhinha do papai tentando carregas suas três malas de rodinhas. Ele olhou para frente onde tinha seis pessoas colocando mesas e cadeiras em um lugar vazio do local, e em trinta minutos tudo já estava pronto e todos lá com uma prova de 10 questões na mão, o que o fez ficar profundamente irritado, não foi lá para estudar, mas sua irritação acabou (ou pelo menos parte dela) quando viu que as perguntas eram pessoais e nenhuma sobre histórico familiar.

A garota de estereótipo filhinha de papai, que descobriu se chamar Emma, havia sido a primeira a terminar a prova. A única coisa que podia acontecer era ela ficar em um grupo ruim e apelar para a diretoria para a trocar, afinal, era provavelmente a mais rica de lá.

Assim que ela levantou ela deu mais um tapa na sua coxa para matar um pernilongo e suspirou. Já estava de noite e começou a esfriar lá, ela abaixava sua saia rosa toda a hora para a cobrir mais, porém ela não saia da metade de suas coxas, sua blusa de seda branca não adiantava de nada se não fosse para a impedir de sentir calor e suar como uma porca, e bem, seu pequeno casaco branco que ela mesma havia feito não esquentava muito. Ele era um versão mais descolada em forma de casaco daqueles sobretudos que as mulheres costumavam usar. Era muito menor e batia na sua cintura, era um pouco mais cheio, mas a maioria era de tecido que não servia para esquentar. A loira tentava andar sem ser desajeitada para a fogueira onde ao sul da mesma havia uma mesa com jantar, mas sem sucesso. Usar um salto 15 definitivamente não havia sido uma boa ideia.

— Eu vou morrer aqui em três dias! – Falou virando seus olhos verdes tentando puxar suas malas pela grama e se equilibrar em seu salto, uma missão quase impossível, mas ela era uma Gremory e não desistiria.

Depois de um tempo ela chegou na mesa e colocou em um prato o que iria comer: uma fatia de pão integral, um pouco de manteiga, empadinhas de frango, um iogurte e um suco de laranja

— Olá – Ela falou se sentando perto da única pessoa que também tinha acabado a prova

— Olá – A garota sorriu, definitivamente ela era o que Emma gostava de classificar como um desperdício de cabelo, seu cabelo era mais falso que nota de seis reais na mentalidade da loira. Ele era incrivelmente longo e pintados em um degrade de diversos tons de azul, onde no fim ele chegava a ser quase loiro platinado, seu cabelo fazia contraste com seus olhos azuis extremamente claros, suas bochechas eram rosadas, como se estivesse em um lugar frio. Ela em si era muito branca e tinha um corpo invejável, na opinião de Emma quase tão bom quando o dela. Ela usava uma regata verde água, com uma jaqueta de couro, calça jeans preta e rasgada e cuturno preto com spakes.

— Prazer, Rosalya Martins

— Emma Whasa Gremory – Emma sorriu, ela olhou que o prato de Rosalya era um pouco diferente do seu, tinha diversos muffins de cores diferentes, um copo de leite e biscoitos. Não sabia como Rosalya tinha aquele corpo.

Ambas conversaram por pouco tempo, e depois Emma foi andar um pouco. Elas eram muito diferentes em tudo, mas Emma ainda tinha esperança de encontrar alguém para conversar sobre a semana de moda em Milão, ou sobre a melhor técnica de fazer babados em um vestido, mas antes de ir a caça precisava saber onde dormiria e onde ficava o chuveiro, pois ela precisaria de um banho muito longo para passar seus cremes. Sua pele parecia de um pêssego rachado por causa daquele bendito repelente. Depois de quarenta minutos os organizadores chamaram a todos para lá, eles já haviam corrigido as coisas.

E nesse momento Rosalya se animou, queria saber qual tinha sido a sua nota no teste. Por mais que não demonstrasse, estava muito feliz por estar lá, aquele acampamento era um componente extracurricular perfeito, e por isso era muito caro, mas ela tinha ganhado um bolsa, o que a deixou muito mais animada e feliz.

Portanto queria ficar na posição mais alta desse teste, pois isso mostraria o seu valor.

— Quero que saibam que essa pequena “prova” não tem resultado, era só para sabermos como dividir vocês – Um organizador disse. Seus cabelos eram aparados em corte militar e ele tinha penetrantes olhos castanho claro, era Scott o organizador que a trouxe para lá. Nesse momento Rosa não pode deixar de dar um suspiro de alivio, pelo menos isso não era algo avaliativo, mas agora todos sabiam como ela era.

— E nós juntamos com seus antecedentes escolares, junto com a ficha de inscrição e a descrição dos pais para termos a melhor divisão possível – Continuou um outro organizador, o que fez a azulada suar frio.

Eles já sabiam tudo sobre todos, mas depois relaxou pois sempre fora muito bem elogiada pelos professores, até certo ponto pelo menos, não gostavam muito de seu jeito sempre debochado e desdenhoso, principalmente porque a azulada não conseguia deixa de revirar os olhos pra tudo.

— Bem, cada casa é um time, e cada time tem um animal que representa meio que uma classe diferente. O chalé xadrez, é o chalé que representa os mamíferos e é representado por um tigre, esse é o grupo tigre... – Violette começou a falar, porém Rosalya não prestava atenção em nenhum dos nomes, que não fosse o dela.

O grupo verde, representava os lagartos, e era o time lagarto. O marrom e branco representava o grupo dos roedores, era o grupo marmota. E o ultimo era o grupo rapina que representava as aves, como era o último e ela ainda não havia sido selecionada, seu nome estava lá:

— O grupo rapina tem como integrantes; Emma Whasa Gremory, Luke Cortez Ross, Rosalya Martins e Simon Bedoya Agüero – Assim que terminou Viollete, todos os grupos tinham se juntando e começaram a discutir

"Ótimo" era a única palavra que Simon pensava para descrever seu time. Ele tinha o viciado em jogos, a princesinha do papai e a rebelde azulada, que era a melhor deles na sua opnião.

— Sou o Simon – Ele disse puxando assunto

— Emma – A princesinha falou

— Rosalya, mas me chamem de Rosa – A rebelde falou, e depois disso Simon olhou para o cara que devia ser o Luke, ele diferente de todos, não falou nada, ele só via seus olhos totalmente focados em seu console portátil.

— Que merda, você vai falar alguma coisa, ou o jogo te abduziu e colocou um holograma? – O loiro falou irônico –

— Um grupo com quatro pessoas, onde os nossos nomes foram falados a alguns segundos atrás, e três pessoas falaram seu nome. Realmente é uma missão impossível usar o bom senso para saber o meu. – Se manifestou Luke sorrindo com escarnio, o que irritou Simon, que revirou os olhos e disse:

—Inteligente como você é Luke, deve ter percebido que em nenhum momento perguntei se seu nome era Luke. Agora se eu não sabia se você era uma pessoa ou um holograma não é culpa minha.- Simon fez questão de enfatizar o "Luke" na primeira vez, coisa que fez Rosa ganhar simpatia por Simon, que também ganhou simpatia por ela com o sorriso sarcástico e malicioso que ela fez. Depois disso ela ficou séria novamente:

— Existem pessoas que não sabem valorizar a chance que tem – Rosalya comentou – Eu quase morri para ter uma bolsa aqui e você desperdiçando sua chance única. – Esse comentário fez Simon gostar ainda mais de Rosa, ela estava lá porque queria e era tão boa que passou em algo que muitas pessoas queriam. Ele não pode evitar dar um sorriso meigo na direção de Rosa, que sorriu de volta tão meiga quanto ele. Nesse momento Rosa pensou: "Ta na cara que o Jack Frost vai ser meu melhor amigo de acampamento." E Simon também pensou algo bem parecido, ja que eles foram os únicos com quem se deram bem.

— Que bom que você passou, agora eu preciso de trocar a roupa do meu personagem. Eu finalmente cheguei em uma cidade para fazer isso. Se me derem licença, conversem entre si. – Luke falou abrindo uma opção de seu jogos que dava inúmeras roupas enquanto Simon e Rosa viravam o olho em conjunto.

— Você falou roupa? – Emma perguntou se aproximando dele e vendo o console – A que você está usando é bonita, mas enjoativa – Ela começou a falar apontando opções de roupas legais, o que revoltou Simon ainda mais.

— Atenção – Violette gritou, fazendo Luke fechar seu console – Nós testamos seus limites por provas, e nós faremos a primeira prova agora! Bem, as cabanas de acampamento são conquistadas, e até conquista-las vocês estão a mercê da natureza. – Todos haviam se aproximado dela, e agora ela falava mais baixo. Atrás dela tinha uma grande mesa redonda com 24 itens diversos.

— Vocês vão se separar. Time tigre vai pro norte, marmota leste, lagarto oeste e rapina sul. Vocês andarão duzentos metros, onde tem um círculo da cor de sua cabana que representa o lugar onde dormirão, lá tem 2 itens já escolhidos. — Aqui nós temos 16 itens diferentes, 5 deles estão interligados com um principal, e um em questão está interligado com 3. Cada campista poderá escolher 1 para usar. Em outras palavras cada time terá 4 itens. Vocês tem oito minutos para discutirem, pensarem e pegarem seus itens

Simon deu um longa analisada em tudo, e em sua mente quatro itens seriam legais, uma mochila que aparentava estar cheia, um machado, uma corda e um binóculos. — Podemos usar o princesinha e o nerd para termos itens bons – Sussurou Rosa para Simon

— Que cruel, gostei. De fato, essa é a única utilidade deles.– Sussurou Simon de volta, fazendo Rosa rir – A mochila, o binoculo, machado e corda então?

— Pode ser – A azulada concordou

— Vocês não vão pegar seus itens? – Uma voz perguntou alta. Era a de Luke. Ele tinha uma sacola com algumas ferramentas básicas, uma caixa escrita, aparelhos estragados e um dispositivo falando, bateria de carga média.

— Nós já pegamos – Emma disse com um tecido branco, que pela descrição tinha 500 metros e um kit de costura

— Vocês fizeram o que? – Simon gritou em um misto de surpresa e irritação enquanto Rosa bate a mão na testa pensando que não poderiam haver dois seres humanos mais idiotas que eles.

"Num tempo de mudanças drásticas, são os que aprendem que irão possuir o futuro. Os cultos geralmente encontram-se equipados para viver num mundo que já não existe."

-Eric Hoffer