No dia em que eu saí de casa
Minha mãe me disse:
Filho, vem cá!

Pessoalmente, eu acho essa música é muito sem noção. Porque no dia em que eu sai de casa para ser treinada com Lupa, minha mãe me disse: “JÁ FOI TARDE!” Te amo, mãe.

Acho que devo falar um pouco da minha mãe. Meus pais se conheceram quando mamãe foi presa por roubar um banco e meu pai por... Sei lá! Ele é o deus dos ladrões, deve ter roubado alguma coisa aí...

Mamãe é a mulher mais doce do mundo... Só que não. Vocês acharam que eu fui criada por alguém doce? Até parece. Minha mãe é quase tão V1D4 L0K4 quando eu, gente.

Levantei da minha cama e saí do alojamento.

– E aí? – perguntou Carol animada – O que vamos fazer hoje? Arco e flecha? Esgrima? Mendigar como faunos? Tentar matar o Octavian?

– Tantas opções tentadoras – disse sorrindo – Mas eu estava pensando em tirar uma com a cara da Lucy por ela gostar do Octavian.

Carol deu seu sorriso maligno nível 8.

– E não – completei – Nós não vamos usar o Aníbal.

Carol fez biquinho.

– Por quê? O Aníbal é tão legal! – exclamou.

– Não – disse – Enfim, vá buscar o Octavian que eu vou buscar a Lucy.

– Pode deixar.

Eu segui para um lado enquanto Carol foi para o outro. Saí andando procurando Lucy, o que não seria difícil, porque ela sempre está cercada de coisas belas da natureza, como borboletas e passarinhos.

Mas então, achei Octavian carregando meia dúzia de armaduras.

– O que, em nome de Mercúrio, você está fazendo? – perguntei.

Octavian me encarou descrente.

– Estou fazendo bolos, não vê? – perguntou sarcástico.

– Há há – ri falsamente – Você é tão engraçado, Oc.

– Oc? – repetiu.

– É um apelido fofinho – disse.

Octavian deu um sorriso vitorioso.

– É mesmo? – disse – Seria uma pena se aquele seu apelido se espalhasse pelo acampamento de novo.

– Não faria isso – disse com os olhos arregalados.

– Será? – perguntou sorrindo maliciosamente – Será mesmo, Cacau?

Só um aviso para quem me chamar de Cacau:

EU QUERO QUE VOCÊ QUEIME NO TÁRTARO, SEU FILHO DE UMA GÓRGONA QUE DÁ A BUNDA NA ESQUINA!

– PERDEU O MEDO DE MORRER, LOIRA AZEDA? – gritei.

– Ah, Cacau – disse contendo o riso – Não fique estressada.

Saquei o gládio, dei um passo para a frente e foi aí a merda toda aconteceu. Octavian tropeçou quando viu o gládio, eu tropecei em uma pedra (MALDITAS PEDRAS) e cai em cima do Octavian.

Como se isso não fosse desgraça o suficiente, nós... Hãn... Isso é estranho demais para ser escrito ou narrado de qualquer modo. Digamos apenas que aconteceu um contato... labial.

Levantei rapidamente.

– JUNO QUE TE PARIU, OCTAVIAN! – gritei corada – VOCÊ... E... ESSA PEDRA! URGH!

Octavian estava quase tão perplexo quanto eu.

– Eu... Você... Eu fui agarrado! – exclamou.

Dei um tapa na cara daquela bicha louca.

– O CARALHO QUE FOI! – gritei. Respirei fundo mais algumas vezes – Isso nunca aconteceu, entendeu?

– Isso o que? – perguntou fingindo-se de desentendido.

– Ótimo – disse – Agora me acompanhe, porque eu estou planejando uma pegadinha com uma amiga minha que...

Parei a frase quando pensei na Lucy. Ela vai me matar.

– Enfim – disse me recompondo – Você tem que convidá-la para sair.

– Por quê? – perguntou Octavian – Você acabou de me agarrar e eu tenho que convidar uma garota para sair?

Dei outro tapa na cara do áugure do acampamento.

– Eu não te agarrei – sibilei – E a Lucy é filha de Vênus.

Isso bastou para convencê-lo. Octavian me seguiu pelas ruas de Nova Roma silenciosamente. Encontramos com Carol e Lucy; essa última corou quando viu Octavian.

– Oi Octavian – disse Lucy tímida.

Octavian olhou Lucy, olhou confuso para mim, então olhou de novo para Lucy.

– Olá – disse Octavian – Eu... Hãn?

– Como Apolo conseguiu ter um legado tão retardado? – perguntou Carol – Apolo é legal!

– Apolo se apaixonou por Jacinto – disse.

Carol me olhou furiosa.

– ISSO É PASSADO! – berrou – ELE SÓ ESTAVA CONFUSO NAQUELA ÉPOCA!

– Tudo bem, tudo bem – disse levantando as mãos em um sinal de rendição – Eu não tenho preconceitos. Tanto que convivo com o Octavian.

– Então, Lucy – disse Octavian dando um sorriso tão sedutor quando o Aníbal – Que tal você sair comigo esse final de semana?

Os olhos de Lucy brilharam assim como os meus brilham quando eu roubo alguma coisa muito legal.

– Claro – respondeu sorrindo – Vai ser ótimo, Octavian!

– Então, até – sorriu Octavian como Aníbal novamente e saiu satisfeito.

Lucy parecia flutuar de felicidade.

– Eu morri e fui para o Elísio? – perguntou sorrindo apaixonada.

– Na verdade – disse – Parece que você morreu e foi para o Tártaro, porque para sair com o Octavian...

Lucy foi saltitando para o seu alojamento, provavelmente indo escolher a roupa para o encontro no fim de semana. Só um detalhe: Hoje é terça-feira.

– Não sei se fico triste ou feliz – disse Carol – Feliz pela Lucy estar com quem ela gosta, ou triste por esse alguém ser o Octavian.

– Triste – disse – Porque não dá para ficar feliz com isso.

* * *

– AH MEUS DEUSES, COMO É BOM SER VIDA LOKA! – cantava Yasmim enquanto nós estavamos no jardim de Baco.

Sinceramente, é estranho pensar que aquela estátua gorda, de fralda e soltando água pela boca é pai da minha amiga.

Yasmim e eu estávamos sozinhas no Jardim de Baco, que é um lugar bonito. Muitas videiras (comida de graça), borboletas, uma fontezinha com a estátua do Baco e flores.

– UHU! – gritou alguém.

Então, esse mesmo alguém pulou em cima de mim e me jogou no chão.

– QUEM FOI O FILHO DA...

– Oi, Carol!

– Ah, oi Sammy – disse levantando-me – Não era necessário me jogar de cara no chão.

– Era sim – confirmou a ruiva – Enfim, só vim avisar que a Reyna está chamando geral lá na praça da cidade.

– Para a Bat-Carro! – exclamou Yasmim.

– Não seria... Hum... Bat-Uva? – perguntei.

Yasmim me encarou.

– Não é porque eu sou filha de Baco que tudo que eu toco é roxo ou de uva!

E ela estava usando essa roupa. Bem, não se pode esperar muito de uma filha do deus da loucura.

Yasmim e eu seguimos Sammy em direção á Praça de Nova Roma. Lá estavam Jason e Reyna, junto com todos os outros campistas e legados.

– Olá, com licença – disse abrindo caminho – Com licença... Com licença... Sai da frente, fracassado!

Quando todos se ajeitaram e ficaram em silêncio, Jason pigarreou.

– Olá, pessoal! – disse ele – Bem, só queremos informar que nesse final de semana, Júpiter permitiu uma visita ao Olimpo!

Enquanto todos comemoraram, Lucy exclamou exasperada:

– Jason!

– O que? – perguntou o loiro.

– Não dá para eu ir no final de semana! Eu tenho um super encontro! – e dito isso, ela sorriu para Octavian.

– Ela realmente gosta dele – disse Savera – É cada louco nesse mundo. Seu pai a abençoou demais, Yasmim.

– Eu sei – confirmou a filha de Baco – Ele não deveria ter feito isso...

– Bem, você terá que remarcar o encontro para outro dia, Lucy – disse Reyna – Não é todo dia que Júpiter permite uma visita ao Olimpo, não podemos perder essa magnífica oportunidade por conta de um encontro de uma filha de Vênus.

Lucy fez uma cara de ofendida e saiu pisando duro da praça.

– Que tenso... – disse Maria, que sempre queria ver o circo pegar fogo.

– E eu tenho um aviso – disse Reyna – Durante nossa visita ao Olimpo, não quero que aconteça nenhum acidente – ela olhou para mim – Entendido?

Todos me encararam.

– Claro! – exclamei – Se algo der errado, culpe a filha de Mercúrio! Porque não culpam a Lucky? Ela é filha da deusa da sorte!

– Obrigada, amiga – disse Lucky revirando os olhos.

No fim, todos aceitaram que eu não faria nada de errado durante nossa vida ao Olimpo.

Há! Pobres iludidos...

Notas finais
Carol: Alguém tem um enxaguante bucal feito com água do Rio Estige?

Nath: Podemos procurar o Jason! Ouvi dizer que pequenos impulsos elétricos no cerebro tiram lembranças ruins! Ou seria estimular a inteligência? Não me lembro ao certo...

Jason: UHU! ELETROCUTAR TODO MUNDO!

Carol: Hãn... Acho melhor não...