Acampamento Júpiter
2 Capítulo II
– Então o plano é o seguinte – disse enquanto eu e minha amigas íamos para o Campo de Marte – Eu cavo um buraco na terra e me escondo até o fim dos jogos de guerra. Vocês deem seus jeitos.
– Carol – disse Maria séria; estranho – Todas nós temos uma coroa mural.
– Obrigada por me lembrar – resmunguei.
– É a sua vez de ganhar uma, Carol! – exclamou Lucky.
– Filhos de Mercúrio não ganham coroas murais – disse com raiva – Filhos de Marte, de Fortuna, Júpiter e todos os outros ganham, mas os de Mercúrio não. Nós nascemos para ser os bobos da corte.
– Carol, nunca mais diga isso – falou Lucky – Hoje, você vai invadir aquela fortaleza, vai derrubar aqueles idiotas e vai ganhar uma coroa mural!
– Sua mãe vai me ajudar? – perguntei.
– Eu vou te ajudar – disse sorrindo – Eu também posso atrair sorte, sabia? E Maria vai lutar conosco.
– Uma chance de detonar alguns otários? – perguntou Maria – Estou dentro, bitches.
– Então, repita comigo – disse Lucky – Eu vou ganhar a coroa mural.
– Eu não vou ganhar a coroa mural – disse num suspiro.
– Carol!
– Certo, certo – disse – Eu vou ganhar a coroa mural.
– Ótimo – sorriu Lucky – Que armas você trouxe?
Eu estava carregando o elmo debaixo do braço, o gládio preso á direita da cintura, dois pilos nos bolsos do casaco e o púgio no lado esquerdo da cintura.
– Ótimo – disse Maria aprovando – Uma filha de Mercúrio fortemente armada, ninguém tem chance.
Ri enquanto colocava o elmo na cabeça e checava se minha armadura estava devidamente amarrada. Jason e Reyna estavam circulando no céu com seus pégasos; Reyna estava rindo de alguma piada que Jason contara.
– Valentine acertou em cheio ali, hein? – perguntou Maria com um sorriso de canto.
– É – concordou Lucky – Eles realmente são fofos juntos.
– Boa sorte, Wings – disse Octavian passando com mais alguns dos amiguinhos idiotas – Vai precisar.
– Querido, não sei por que você se acha tanto – disse colocando as mãos na cintura.
– Nossa! – exclamou Lucky – Chamou de querido, vai rolar barraco!
– Se eu bem me lembro – continuei – A semideusa aqui sou eu, você é só um legado.
– Eu sou o áugure do acampamento – defendeu-se Octavian.
– Ah sim! Isso é tão importante – disse – Você mata bichinhos de pelúcia.
Octavian rolou os olhos e saiu andando junto com os seus idiotas de estimação.
– Maldito Cosplay de Malfoy – disse entre os dentes.
– É o que de quem? – perguntaram Maria e Lucky juntas.
Joguei o cabelo para trás.
– Affs, esses trouxas – disse – Me irritam profundamente.
– Sem Harry Potter, por favor – pediu Lucky.
– É, nós estamos indo lutar. Sem Harry Potter – disse Maria.
– Eu vou aproveitar que meu pai é carteiro e vou pedir para ele me dar a carta de Hogwarts – disse com os olhos brilhando.
Lucky e Maria reviraram os olhos enquanto Jason gritava para todos:
– Os jogos vão começar em cinco minutos! Ajeitem-se e façam suas estratégias!
– Têm algum plano que não envolva o fracasso da Quinta Coorte, de novo? – perguntei.
Maria estudou o campo e a fortaleza de pedra com seus olhos castanhos. Eu mesma comecei á olhar naquela direção, então...
– Achei – disse com um sorriso – Uma falha na defesa da muralha. Eles estão tão confiantes que deixaram aquele canto sem proteção. Eu sou rápida, Lucky vai nos dar sorte e Maria vai derrubar qualquer um que entrar na nossa frente.
Lucky sorriu orgulhosa.
– Agora parece uma líder – disse.
Trombetas de guerra cruzaram o acampamento. Os da Quinta Coorte avançaram, os da Terceira e Quarta simplesmente ficaram olhando com desprezo e rindo. Os canhões de água explodiam, jogando campistas para os lados.
– Lucky, acho melhor sua mãe estar de bom humor – disse.
Saquei o gládio e comecei á correr com Lucky e Maria. Como filha de Mercúrio, eu era extremamente veloz e consegui me desviar dos tiros dos canhões de água e das flechas (claro, Lucky estava nos dando muita sorte, porque não tive que lutar com ninguém).
– Maria, Lucky, peguem Aníbal – mandei confiante.
– Você vai sozinha? – perguntou Maria.
– Vou – disse – Vão logo!
Ouvi Lucky e Maria subirem em Aníbal, que deu um grito alegre, mas não olhei para trás. Corri até o ponto sem proteção, somente para descobrir que aquela desgraça tinha sim proteção.
Assim que pisei, a terra desabou e cai em um poço de terra de pelo menos cinco metros de profundidade.
– Dampnas! – praguejei em latim enquanto dava um murro na parede de terra — Quod primum et cohortis secundae explodere! Maledictus filii Gorgones!
– Nossa – ouvi uma voz lá de cima – Que boca suja. Quem está aí?
Dois olhos azuis como o anoitecer apareceram na abertura do buraco.
– Oh! – disse Bruno – Olá Carol!
– BRUNO ME TIRA DESSE POÇO! – gritei.
– Ah, infelizmente eu não posso – respondeu Bruno – Eu sou da Segunda Coorte, lembra?
– Me tire daqui se não vou mandar a Lucky tirar toda a sorte da sua vida! – ameacei.
– Tudo bem, tudo bem – respondeu jogando uma corda – Não fique brava.
Bruno DarkLight era filho de Latona, deusa do anoitecer. Ele tinha olhos azuis escuros, pele pálida e cabelos negros.
– Obrigada – disse me levantando e pegando meu gládio – Não vai tentar me deter?
– Não, estou cansado do Octavian se gabando – disse Bruno dando de ombros – Vai lá e ganha essa parada.
– Valeu – agradeci voltando á correr.
Depois de passar pelo túnel debaixo da fortaleza, eu escalei os muros.
– Ei! Olhem ali! – gritou um – O que ela está fazendo ali?
– Abram fogo! – ouvi a voz risonha de Octavian. Ah, eu ainda mato esse aí.
Comecei a escalar mais rapidamente enquanto desviava de flechas e tiros de água. Águias gigantes estavam circulando o céu, na esperança de que eu não ia conseguir e elas teriam que me levar.
– Ah, eu vou conseguir, seus urubus gigantes – murmurei ficando de pé em cima da muralha e abaixando para escapar de uma flecha flamejante.
Comecei á lutar com os que estavam ali; a maioria estava perplexa demais para se defender direito. Derrubei todos, dando ás águias algum trabalho.
Olhei para baixo, para o campo. Todos estavam me encarando perplexos.
– Estão esperando o que? – gritei, minha voz ecoando por todo o campo – Ataquem!
– Ataquem! – gritaram Dakota e Gwen repetindo a ordem.
Os integrantes da Quinta Coorte soltaram um grito de guerra e avançaram.
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