Notas iniciais
Olá lindinhosss! Como estão?
Espero que gostem do capítulo!

No dia seguinte eu tentei me isolar. Digo “tentei” porque de fato, não consegui. Parece que o destino estava conspirando para eu encontrar a todo momento quem eu não queria ver: Luke e Percy. Primeiro eu tive que ficar uma manhã inteira no estábulo com algumas tarefas, as quais Luke também estava participando. Evitei a conversa, e disse que estava indisposta.

A tarde inteira eu encontrei com Percy sem querer. Parecia que quanto mais eu tentava me esconder, mais a gente se via. E para variar, ele sempre estava acompanhado de Rachel.

De noite, no chalé, eu fiquei meio sensível (valeu TPM), e acabei perguntando a Thalia o que estava martelando na minha cabeça há um tempo:

– Percy está ficando com Rachel?

A minha melhor amiga olhou para mim lentamente.

– Bom... Eu ouvi falar que eles estão bem juntinhos, mas não sei até que ponto. Por enquanto ninguém sabe se eles estão ficando, mas os boatos rolam, né.

Assenti com a cabeça, mesmo com a resposta não ajudando muito.

– E por que a senhorita me perguntou isso?

Levantei a cabeça para pensar melhor... Por que raios eu tinha perguntado aquilo? Eu e Percy estávamos brigados e eu estava evitando ele, que nem gato fugindo de cachorro.

– Sei lá. Eu acho que... Ah Thalia, me poupe de perguntas difíceis.


~~~



– Oi tia Annie – Francisco apareceu, de mãos dadas a Percy.


– Olá Francisco – eu sorri, fingindo estar procurando Megan – Alguém viu a Megan por aí?

– Estou aqui! – ela apareceu do outro lado do pátio – Oi Francisco, oi tio Percy!

– Oi Megan – os dois responderam.

Francisco puxou um assunto com Megan, e ela o puxou para longe de mim e de Percy. Estava anoitecendo, e aconteceria mais uma prova entre Água e Fogo, e dessa vez teríamos que trabalhar em dupla com as crianças. Apenas tínhamos que esperar mais cinco minutos para dar dezoito horas para começarmos a trabalhar. A prova duraria quatro horas, precisávamos construir um projeto com maquete para uma nova área do acampamento, algo que ainda não existia e que queríamos ver no próximo ano.

Percy começou a assoviar, enquanto eu enrolava e desenrolava uma mecha de cabelo nos meus dedos. Estávamos tecnicamente perto, mas nossos corpos pendiam para lados opostos, mostrando o desconforto de ambos.

– Dezoito horas! – alguém gritou longe.

Megan e Francisco se aproximaram de nós.

– Tivemos uma ideia. Há um depósito com várias coisas boas para montarmos uma maquete, eu e Francisco descobrimos de manhã. – Megan disse, puxando meu braço – Acho que ninguém mais sabe disso, então vamos rápido antes que alguém descubra.

Eu e Percy fomos puxados até um aglomerado de pequenos chalés distantes da Cabana Principal, onde não havia ninguém circulando. Os chalés não eram usados por ninguém, acho que eles eram usados como depósitos para todos os tipos de coisas que o acampamento precisava.

– É aqui – Francisco e Megan pararam na frente de uma porta de um chalé pequeno.

Eles abriram a porta, e estava tudo escuro por dentro.

– Ah, parece que não tem luz – Megan disse – Vai lá dentro para a gente, Annie?

– Mas e se tiver aranhas?

– Deixa que eu vou – Percy revirou os olhos e entrou no chalé, com a lanterna do celular.

– Ei – eu disse, entrando também – Eu posso pegar as coisas.

– É melhor você voltar, antes que encontre alguma teia por aqui... – ele abafou um riso.

– Você é tão engraçadi...

A porta bateu atrás de nós. Tentei abrir, mas não consegui.

– Megan! – eu gritei – Abra a porta.

– Estamos tentando – Francisco disse de um jeito estranho, ele estava rindo? – Está emperrada.

– Vamos, abram... – Percy se aproximou da porta, e tentou abrí-la sem sucesso.

– Não... Conseguimos... – Megan enrolou – Daqui a pouco a gente volta!

– Megan! – eu bati na porta – Megan?

Droga, droga, droga. Que droga.

– Francisco? – Percy gritou repetidamente.

– Quer parar de gritar? Ainda não percebeu que isso foi armado?

– Han? – ele jogou a lanterna na minha cara.

– Com certeza eles trancaram a gente aqui. – eu espremi os olhos – As portas não emperram do nada!

– E por que eles fizeram isso? – ele desviou a lanterna para a parede.

– Sei lá.

Na verdade, nós dois sabíamos. Megan e Francisco não queriam que nós ficássemos brigados, e nos trancar em um depósito foi a ideia mais brilhante que eles tiveram.

Percy examinou o lugar com a lanterna. De fato havia algumas estantes com caixas cheias de materiais muito úteis para uma maquete. Havia também uma pia, um sofá de couro de dois lugares e alguns apetrechos de jardinagem.

Percy se sentou de um lado do sofá. Fiquei um bom tempo remexendo nas caixas, mas comecei a cansar.

– Você não vai sentar? – Percy quebrou o silêncio.

– Estou ok, se quiser pode deitar. – eu tentei desviar a resposta.

– Não quero deitar – ele disse – Tem espaço para dois, pode sentar.

Eu ia recusar, mas meu pé reclamou, então sentei ao lado de Percy, tentando mater a distância, sem sucesso. Nossos braços ficaram encostados, o sofá era apertado. Percy desligou a lanterna do celular.

Ele se remexeu em seu lugar, e acabou encostando a perna na minha.

– Então... – nós dois falamos ao mesmo tempo.

– Pode falar – eu disse.

– Primeiro as damas – ele disse com uma voz de quem estava sorrindo.

– Ok... – eu ajeitei meu cabelo, sei lá porque, afinal estava escuro, e só tinha uma brecha de luz da fresta da porta – Eu...

Suspirei. Anda, Annabeth, fala logo.

– Achei umas coisas bem legais nas caixas. Já tenho uma ideia do que posso construir.

– Ah. – ele disse bem desapontado.

– Na verdade... – eu segui o impulso em um fôlego – Eu queria pedir desculpas por ser grossa com você. Eu to na TPM, e acabo descontando as minhas coisas nos outros. Me desculpe.

Prendi a respiração, esperando a reação de Percy. Aquele escuro era bom por não mostrar a minha cara cor de tomate, mas era ruim por não mostrar a reação de Percy.

– Eu também ia pedir desculpas a você. – percebi que ele virou a cabeça para mim – Não devia ter insistido em um assunto particular seu.

– Tudo bem. – eu virei o rosto para ele, sem saber ao certo o quanto estávamos distantes.

Percy soltou um suspiro de alívio, e eu pude sentir seu hálito bater em minha bochecha.

– Amigos de novo? – ele perguntou, como se estivesse sorrindo.

– Claro! – eu sorri também.

Percy moveu o braço e acabou pousando sua mão em cima da minha. Contive meu impulso de me mexer, para que ele não se acanhasse. Sua mão era firme e quente, ao contrário da mão de Luke. Sinceramente? A mão de Percy era melhor...

O que é isso, Annabeth? Tá ficando doida? Afastei os pensamentos da comparação de Luke e Percy. Mas continuei com a mão imóvel.

Percy continuou com a mão em cima da minha, e começamos a conversar sobre nossos projetos da maquete. Quando me dei conta, Percy estava acariciando a minha mão gentilmente, enquanto falava animado sobre o telhado que ele queria fazer no salão de jogos que ele criaria com Francisco. Era um movimento involuntário da parte dele, mas mesmo assim, era bom. Algo que Luke nunca fizera comigo.

Com mais um tempo de conversa, eu pude retribuir o carinho em sua mão, e tentei fingir que era involuntário. Aparentemente ele não percebeu.

Ouvimos a porta se destrancar. Megan e Francisco apareceram, e nós nos levantamos, separando as mãos.

– Já estão de bem? – Megan perguntou com um sorriso brincalhão, enquanto saíamos do depósito.

– Estamos – Percy disse – Vocês são muito danados.

– Só achamos que vocês dois combinam – Francisco comentou – Sem brigar.

Eu sorri meio boba. Eu estava feliz por voltar a ser amiga de Percy.

– E então, vamos construir as maquetes? – Megan perguntou.

– Vamos.

Notas finais
Espero o review de vocês :D