Acampamento Das Aberrações
8 Sentimentos. Oh, Que Desgraça.
Notas iniciais
/Carol
POV. Carollyn Black (Anteriormente conhecida como Harley Black)
– Harley Black. Você está expulsa do acampamento. Deve sair agora. — disse Zeusa seriamente. Ao seu lado Drew sorria maldosamente, aquela vaca mal comida!
Ah, não! Essa Zeusa Fabulosa não me chamou de Harley!
– Me obrigue – disse desafiadoramente.
Eu já fui expulsa de lugares demais para ser intimidada por esse cara. Quem ele pensa que é? [N/Sammy: Zeus, Senhor dos Céus e Deus dos deuses?] Dane-se!
Zeus cerrou os olhos, veio até mim, segurou meu braço e “aparatamos” na Sala do Conselho Olimpiano. 11 deuses me encaravam, e Afrodite tinha o rosto escondido em um lencinho, tentando estancar as lágrimas.
– Olá – sorri – Olimpianos. Eu sou...
– Nós sabemos quem você é – disse Hera revirando os olhos – Estamos aqui para julgá-la, expulsá-la do Acampamento e possivelmente mandá-la para o Tártaro.
– Quem vota em expulsá-la do Acampamento Meio Sangue? – perguntou Zeus.
Todos levantaram as mãos, menos Ares e Héstia.
– Guerra é sempre bom – comentou Ares casualmente.
– Não creio que tenhamos que ser tão radicais – disse Héstia timidamente – Sabe, Carollyn não fez nenhum mal.
– Ela está controlando meu filho! – exclamou Atena.
– Ninguém mandou seu filho ser um bocó – sorri sarcástica. Atena parece querer me enforcar.
– Viram? – perguntou Zeus – Ela é insuportável!
– Façamos um acordo – disse Héstia. Ela virou-se para mim e disse com uma voz doce, o que é raro para mim – Carol, você pode voltar ao Acampamento Meio Sangue se jurar pelo Rio Estige que não vai fazer nenhum mal aos campistas e vai parar de controlar o filho de Atena Benjamim.
Só não rolei os olhos porque, por mais que não pareça, gosto quando as pessoas são gentis comigo.
– Eu juro pelo Rio Estige – suspirei. Trovões soaram.
– Decreto que esta reunião está encerrada – disse Zeus ficando de pé.
Pisquei e quando abri os olhos, estava na frente do Chalé 6. Era noite, deviam ser umas dez da noite. Bati na porta, Benjamim atendeu.
– Oi, Carollyn – ele sorriu. Ele tem um sorriso tão bonito...
Se ainda sobrasse alguma bondade dentro de mim, eu até ficaria com pena.
– Ben, eu tenho que te dizer uma coisa – falei – Não dá mais para nós ficarmos juntos. Acabou.
A luz alegre nos olhos cinzentos apagou-se.
– O que? – sussurrou perplexo.
– Isso mesmo, estou terminando com você – disse – Boa noite.
E saí andando em direção ao Chalé 20, sem olhar para trás.
POV. Annabeth Chase
Quando terminei de escovar os dentes, fui para minha cama e no caminho, me deparei com um choroso Benjamim deitado em sua cama. Seus soluços eram de quebrar o coração.
– Ben, o que foi? – perguntei sentando-me ao seu lado.
Suas lágrimas meio que abafaram as palavras, mas em geral, entendi que Carollyn Black havia terminado com ele.
– Oh, Ben – falei fazendo carinho em seus cabelos ainda mais claros que os meus – Não deveria ter se metido com ela, querido. Ela é má, Ben, e pessoas más não tem dó em nos machucar.
– Mas eu... Eu gosto dela, Annie – soluçou ele, começando a se acalmar.
– Você vai encontrar alguém muito melhor que ela, garanto – disse sorrindo. Sequei suas lágrimas, dei um beijo em sua testa e deitei na minha cama.
Se não eu, quem vai cuidar dos meus irmãos?
POV. Carollyn Black
Coisas estranhas aconteceram depois que dei um pé na bunda de Benjamim. Primeiro: Eu não consegui dormir. O que é muito estranho, afinal, eu sempre durmo muito bem – principalmente depois de espalhar um pouco de tristeza e infelicidade por aí.
E eu senti algo... Novo? Comecei a pensar nos beijos – mesmo que falsos – que trocamos, nos seus sorrisos sinceros, na risada contagiante, nos cabelos loiros bagunçados e nos olhos cinzentos, como o céu antes da tempestade. Pelo o que eu li por aí, isso se chama culpa. Eu não gostei, achei irritante.
De manhã, me vesti como sempre, optei por deixar os olhos dourados e usar óculos escuros (olheiras horríveis podem estragar minha fama de sexy, fazer o que?) e saí do chalé. Sem sinal de Lou, deve estar com aquela namoradinha filha de Deméter dele. O café da manhã me pareceu sem gosto e o suco pareceu amargo. Laranja é o sabor de suco favorito do Ben, já reparou que está tomando isso?
Tratei de jogar o suco de laranja fora e tomei água mesmo. Meus olhos voaram para a mesa de Atena. Por quê? Porque você quer vê-lo, e dane-se o Rio Estige. Benjamim não estava lá. Bem, eu não ligo.
Como era domingo, podíamos fazer o que quiséssemos no acampamento, então fui andar um pouco. Mas foi aí que eu percebi que tinha que ter ficado trancada no meu chalé o dia todo.
Benjamim estava rindo e de mãos dadas com uma garota colorida demais (que depois lembrei ser Anne Colours) andando pelos campos de morango. Ele parecia feliz e alegre, com outra garota. Senti um aperto numa parte de mim que sempre achei que não existia.
Meu coração.
Oh, vamos lá, Carollyn! Não seja idiota! Você não vai cair nessa besteira de amor de novo! Creio que se lembra da última vez?
Como não lembrar?
Exato. Então esqueça Benjamim e continue seu caminho.
Mas não segui meu caminho, fiquei ali parada. Sammy aproximou-se de algum lugar.
– Olá – ela disse – Ouvi que terminou com o Bem. Foi a condição dos deuses, não é?
– É – respondi baixo, ainda olhando para a cena.
A ruiva seguiu meu olhar e sorriu ao ver o casal.
– Eu que os apresentei, Anne é uma amiga minha – disse ela alegre, me deu uma cotovelada leve e brincou – Hey, ciúmes?
Lembre-se da sua muralha, Carollyn. A muralha que te impede de sentir e, principalmente, de sofrer. Lembre-se: Você tem que ficar dentro da muralha, se sair, estará perdida.
Bufei para Sammy.
– Por favor, Hellthorne – falei com desdenha — “O sentimento é um defeito encontrado no lado perdedor” – Loki.
Ela deu de ombros. Não fazia ideia da guerra interior que eu travava.
Chega! – berrou meu lado racional – Benjamim, o filho de Atena, morreu para nós! Ele não é importante!
Eu o acho importante – disse timidamente o lado emocional.
MAS EU NÃO!
E agora, eu ficava na indecisão. Quem estava certo? O meu lado racional, ou emocional?
Fale com o autor