Acampamento Das Aberrações
2 Até Nunca Mais, Gatlin!
Notas iniciais
Estou tão animada para essa fic!
Nesse capítulo, apresentando a nossa queridíssima bad girl! kkkkk Espero que gostem!
/Carol
POV. Carollyn Black (Anteriormente conhecida como Harley Black)
O grito matinal da governanta me acordou. Êta mulherzinha insuportável. Hoje é última de aulas, será que não posso bolar aula?! Eu bem poderia fazer isso. Ser uma Sirena tem lá suas vantagens.
Levantei-me da cama e saí empurrando os outros para entrar no banheiro. Eu moro no Orfanato Municipal de Gatlin, que é o segundo pior lugar da cidade depois da escola. Maldita cidade, onde todos são iguais e previsíveis.
Por isso odeio mortais. Amor? Igualdade? Gentileza? Há! São tão ingênuos!
Olhei-me no espelho e os olhos dourados brilharam, quase sufocando o azul. Sim, eu sou uma Conjuradora das Trevas, porém ainda existe algumas vezes em que os meus antigos olhos azuis voltam à tona. Um belo disfarce. Não tem como explicar para os mortais que meus olhos tornaram-se dourados do nada no meu aniversário de 16 anos – que, por acaso, foi a dois meses atrás.
Troquei de roupa, coloquei os óculos escuros e saí do banheiro. As pessoas me deram passagem, como se eu fosse perigosa.
Oh, espera... Eu sou! Poderia mandar todos eles se matarem, só por diversão, mas não tem tanta graça ver pessoas morrendo. Você tem que matá-las para ter graça. Tomei um café da manhã razoável, peguei minha mochila preta e fui para os fundos do orfanato para pegar meu veículo mortal.
Ah, sim. Essa é a grande piada da cidade! A menina Black esquisitona tem uma moto! Que absurdo! Ultraje! Todos aqui odeiam acordar com o barulho do motor de uma moto turbinada ás sete da manhã.
E é exatamente por isso que eu mantenho a minha querida moto.
Liguei-a, coloquei o pé do acelerador e saí pelas ruas. As pessoas me olhavam com um misto de nojo, raiva e medo.
Meus pais, você deve estar se perguntando. Meu pai – um brilhante Ilusionista das Trevas -morreu quando eu tinha um ano e meio, e minha mãe é de paradeiro desconhecido. Descobri que eu sou uma Conjuradora com a ajuda do recluso da cidade, Macon Ravenwood, que também é das Trevas, mas se comporta como se fosse da Luz. Ridículo.
Não se pode mudar quem você é. Pessoas não mudam, só fingem que são diferentes agora.
Quando cheguei à Jackson High School, estacionei perfeitamente ao lado do carro da enjoada Emily Asher, fazendo-a me olhar com medo.
- Black – ela cuspiu.
- Olá, querida – cumprimentei com um sorriso sarcástico – Como vai?
- Bem – ela respondeu fingindo educação – Só com um pouco de sono.
- Ah, claro que sim. Quem trabalha na esquina até tarde da noite não pode acordar cedo na manhã seguinte, não?
Antes que ela formulasse uma resposta, levantei-me da minha moto e saí em direção ao colégio. Os garotos torciam o pescoço para olhar em minha direção, mas eles realmente não são dignos de atenção.
Qualquer um que prefira Mc Marcinho á Nirvana não tem o meu respeito.
- Harley! Oi! – exclamou Tony vindo até mim com suas muletas.
Tony Greengrass era tipo... Meu melhor amigo. Ou pelo menos, eu não tinha um interesse especial em matá-lo. Ele havia entrado na Jackson esse ano e simplesmente sentou-se na minha mesa no primeiro dia de aula.
Pediu para morrer.
Mas então ele me ofereceu um pedaço de chocolate... E bem, eu não resisto a chocolate.
Tony é o único na cidade que insiste em continuar me chamando de Harley, sendo que meu nome agora é Carollyn. Sabe, Harley é o nome de batismo, mas Carollyn é o que eu recebi após a Invocação. Segundo o idiota, “não entendo porque seu nome mudou de um dia para o outro, então vai continuar sendo Harley!”
- E aí? – disse dando um soquinho afetuoso em seu braço – Pronto para o último dia de aula nessa droga?
- Estou – respondeu animado.
- Sabe oque seria legal? – perguntei enquanto nós subíamos as escadarias da escola – Ver a peruca do diretor sair voando para comemorar o início do verão.
Tony riu – ou baliu. Sua risada parecia tanto com um bode que chegava a ser estranha.
Entramos na escola, pegamos as coisas em nossos armários e enquanto ele ia para sua aula de Inglês, decidi bolar aula mesmo. Saí pelos fundos da escola, corri até o Lago/Piscina Municipal, guardei meus óculos na mochila e deitei-me na grama debaixo de uma árvore. Fiquei observando as folhas. Jurei que elas estavam movendo-se conforme minha vontade.
- Bolando aula – ouvi uma voz atrás de mim – De certo, Atena está desgostosa com você agora.
Levantei-me e olhei para trás. Era uma mulher de olhos azuis, cachos castanhos arruivados, rosto pálido e lábios vermelhos. Usava um esvoaçante vestido lilás, uma tiara com uma lua crescente e segurava um cajado de madeira.
Era assustadoramente parecida comigo.
- Quem é você? – perguntei desviando o olhar para meus olhos dourados não serem vistos.
A mulher veio até mim, colocou-me de pé, pousou sua mão em minha bochecha e olhou no fundo dos meus olhos. Odeio quando fazem isso.
- Impressionante – ela sorriu – Sua magia está mais avançada do que imaginava. Consegue deixar seus olhos totalmente azuis?
Fiquei pasma.
- Hãn... Não – respondi desconfiada. Seria ela uma Conjuradora das Trevas? Não, seus olhos não eram dourados.
- Claro que consegue! – exclamou a mulher – Vamos, respire fundo e lembre-se de como eram seus olhos antes dos 16 anos.
Fiz o que foi requisitado. O motivo? Não sei. Só queria ver até onde aquela maluquice iria. Respirei fundo e lembrei-me dos meus antigos olhos azuis.
A mulher misteriosa sorriu.
- Pronto.
Olhei na superfície do lago e vi dois olhos azuis me encarando, com somente um leve brilho dourado. Voltei-me para a mulher, olhei no fundo de seus olhos e disse com a voz mais doce:
- Quem é você?
E ela teve a capacidade de rir de mim!
- Que graça! Tentando usar seus poderes de Sirena em mim, filha? – perguntou risonha – Eu sou Hécate, querida, deusa grega da magia.
... Oi?
- Desculpe? – perguntei.
- Você é uma semideusa, Carollyn – disse Hécate – Os deuses gregos ainda existem e tem filhos com mortais. Você é minha filha com Patrick. Você é uma semideusa, ao mesmo tempo em que é uma Conjuradora. São raros os meios sangues com poderes “extracurriculares”, por assim dizer.
- Então... Você é minha mãe?
- Sou.
- Existem mais semideuses como eu?
- Sim.
- Eu vou embora de Gatlin?
- Aposte esses seus olhos dourados que vai.
- ISSO! – gritei. Adeus, simplórios!
Minha “mamãe” disse que Tony era um bode e que ele me levaria para o tal Acampamento Meio Sangue, em Nova York. Foi uma viagem muito chata de táxi. Pena que não pude levar minha moto, mas eu posso roubar outra quando chegar lá...
* * *
- Chegamos – disse Tony – Estou tão animado!
Eu estava encarando aqueles pés de bode. Era muito estranho ver aquilo.
O taxista não cobrou nada pela viagem de cinco horas (eu não disse que ser uma Sirena tem suas vantagens?) e saiu em disparada pela rua. Quando eu e Tony nos aproximamos do acampamento, várias pessoas se aproximaram para me olhar.
Sei que sou sexy, mas um de cada vez, por favor.
Vi uma menina ruiva com olhos verdes me encarando, junto com um garoto loiro com olhos cinzentos que tinha um poço de baba escorrendo do queixo.
- Pessoal! – exclamou Tony para a multidão – Essa é Carollyn Black, filha de Hécate.
Os murmúrios cresceram. Revirei os olhos. Bando de mortais idiotas. Quero só ver quando eu mandar um deles se jogar de um penhasco...
Acho que vou até gostar desse lugar.
Notas finais
Temos 13 leitores, e eu espero que todos deixem um review, por favor.
Beijos!
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