Com o tempo Carollyn e eu fomos nos tornando mais próximas, sim nós éramos quase...amigas. Eu nunca pensei que diria isso, onde eu fui parar?


Enfim, hoje era para ser a grande corrida das bigas, eu estava me arrumando para ir encontrar Carol no Chalé 20, porém quando saí de meu chalé eu quase congelei. Fiquei boquiaberta. Estava nevando, no acampamento! Voltei correndo para dentro do chalé e troquei de roupa rapidamente colocando algo que me aquecesse.


Finalmente saí novamente e encontrei Carollyn me esperando impaciente na frente do chalé.


– Atrasada. – disse.


– Mas estava nevando! – argumentei.


– Que seja. – ela revirou os olhos – Vamos.


Segui-a até o chalé 20, onde nossa biga estava, entrei lá e coloquei meu casaco em um cabide próximo da porta.


Carollyn me guiou até uma pequena sala onde ela guardara a biga no dia anterior, olhei para ela.


– Ei, está preocupada com o que? — perguntei solidariamente, argh! Eu estou doente.


– Não é nada, vamos só discutir nossas estratégias.


Encarei-a me concentrando e, em questão de segundos, eu consegui invadir suas memórias.


Uma das coisas mais curiosa sobre as memórias é que o centro de memórias de cada um parece uma árvore genealógica, sem brincadeira. É uma confusão de memórias e tudo mais.


Procurei entre suas memórias mais recentes, ela matando a Gwen, depois falando com a Gwen, seu último pote de Nutella...Ei! Mas a Gwen não tinha morrido? Voltei naquela memória e peguei-a me concentrando ao máximo para explora-la.


Basicamente a "Gwen" dizia que voltara para assombrar Carollyn e depois se transformara numa versão maligna da Taylor Swift e falou algumas coisas sobre conjuradores. Seu nome era Evangeline, mas logo disse que estava no acampamento como Rose, a nova instrutora de esgrima filha de Ares. Tudo bem, isso é...sinistro? Ter uma não-meia-irmã no acampamento que é prima-da-minha-quase-amiga.


Voltei a realidade e me apoiei em uma bancada que tinha ali perto.


Carollyn fez o mesmo e logo me encarou com raiva.


– O que você fez comigo? – perguntou furiosa.


Baixei os olhos, mas para ela não foi o suficiente.


– O que fez comigo? – perguntou novamente, mas dessa vez o fez usando seus poderes.


– Invadi sua mente e peguei uma memória sua. Quem é Evangeline?


– Uma...prima. – disse ela incerta.


– Disso eu sei, quero saber mais.


Ela bufou e se sentou na biga, fiz o mesmo e Carol começou a contar a história sobre Evangeline. A história era muito triste e parecia que ela realmente tinha sofrido muito ao lado dessa prima. Fiquei surpresa, a Taylor Swift Maligna realmente sabe como estragar a infância de alguém.


Depois de horas lá eu tentei consolá-la, mas ela me mandou para fora com uma voz chorosa. Saí correndo, com medo do que poderia acontecer.


Fui até o lago e fiquei surpresa ao ver que estava congelado, quero dizer, TODO o lago estava congelado e é um lago bem grande.


Uma garota de cabelos negros e roupas claras de inverno que destacavam ainda mais os cabelos como as asas de um corvo estava caminhando em direção ao acampamento.


Me escondi quando ela olhou em minha direção, porém acho que ela percebeu minha presença, pois disse:


– Saia de trás da árvore, porque eu já te vi. – disse ela.


Saí lentamente, me preparando para qualquer ataque.


– Quem é você? – perguntei.


– Holly, filha de Quione. – respondeu sem rodeios. – E você?


– Sammy, filha de Ares.


Ela riu e sumiu no meio da neve.


– Buh! — disse sua voz atrás de mim.


Virei um pouco assustada e lá estava Holly.


– Eu queria ficar aqui, mas estou procurando uma garota chamada Carollyn Black, conhece?


Ah deuses! Por que é sempre a Carol?


– Chalé 20, o mais próximo da floresta. — deixei escapar.


Ela sorriu, mesmo que parecesse um sorriso comum, tinha algo de sádico nessa garota. Mas antes que eu pudesse mencionar ela sumiu novamente na neve.


Voltei para o meu chalé e encontrei Rachel, o oráculo, sentada na minha beliche.


– Ei! Rachel, essa é a minha beliche... – comecei.


Mas ela não prestava atenção, de sua boca vazava uma fumaça verde, entendi o que deveria fazer. Corri até ela e a segurei para que não caísse.



A filha da guerra e a filha da magia caminham juntas


Pelo Caminho Sinuoso do Tártaro


No meio de amores e traições


Três pessoas as acompanharão


Mas cuidado semideusas!


Porque o inverno está chegando e a noite é escura e cheia de terrores


E no fim ela desmaiou.


Fui obrigada a levar a ruiva até a Casa Grande, eu estava pensando na profecia. Provavelmente as filhas da guerra e da magia eram eu e Carollyn, o inverno está chegando? A noite é escura e cheia de terrores? O que quer dizer? Ah deuses! Eu preciso contar para Carollyn.


(...)


Depois de deixar Rachel na Casa Grande e contar para

Quíron o que havia acontecido, fui até o Chalé de Hécate e fui entrando esbaforida sem nem bater na porta.


– Bater na porta serve para isso, sabia? – perguntou Carollyn em um tom sarcástico, mas logo percebeu minha expressão. – O que houve dessa vez?


Bem, hora de contar para ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.