Acalento
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Megumi sempre foi um homem um tanto fechado para falar sobre o que sentia, e isso incomodava um pouco Sukuna, até o chateava. Caramba, Sukuna era seu marido e Megumi poderia confiar nele pra tudo, então por que se fechar desta forma?
Já tentou perguntar para Megumi o que acontecia, e o esposo respondia que era só um pequeno estresse com seu pai. Mas Sukuna notava que algo estava realmente chateando o outro. Era tão frustrante não conseguir ajudar…
O relacionamento de Megumi com Toji era até razoável, mas sabia que não se davam tão bem assim. E claramente Toji não ia com a cara de Sukuna, o que ele particularmente não ligava, já que quem devia gostar dele, gostava. Mas sempre evitava qualquer conflito com o sogro, porque isso com certeza chatearia mais ainda Megumi.
Megumi começou a agir de forma estranha depois de ter ido à casa de Toji, alguns dias atrás.
“Amor, você tem certeza que não quer falar sobre? Você sabe que pode me contar tudo, não sabe?” disse o de cabelos rosados enquanto repousava sua mão na do marido, enquanto jantavam.
“Obrigado meu bem, de verdade… Mas sério, eu tô legal.” e fez uma pausa. “Isso vai passar, tá?”
Sukuna soltou um suspiro e aceitou. Depois de tomarem banho juntos, foram se deitar. O de cabelos rosados decidiu ler um pouco antes de dormir, enquanto Megumi, já exausto devido ao dia corrido na clínica veterinária, não demorou para adormecer.
Vez ou outra, o mais alto parava sua leitura para admirar seu esposo, e até fazia um carinho de leve em seu rosto delicado. Admirava também aqueles enormes e belos cílios de Megumi. Sukuna se pegou sorrindo neste momento.
Mais alguns minutos se passaram, e Sukuna percebeu que o outro se remexia mais que o normal agora. E as pausas na leitura para olhá-lo eram mais frequentes. Então Megumi começou a falar enquanto dormia.
“Não…” e isso fez o mais alto ficar atento, fechando o livro e colocando na cabeceira.
“Megumi?”
“Não, por favor…” ele murmurava, provavelmente estava tendo um pesadelo.
Sukuna sacudiu bem de leve seu marido, mas ele não acordou.
“Não faz isso, não vai embora…” ele agora chorava enquanto dormia.
O coração de Sukuna ficou apertado.
“Querido-”
“NÃO!” e assim Megumi levantou com tudo, finalmente acordando.
Sua respiração estava descompassada, por um momento ele ficou desnorteado, até que se virou e notou o esposo ali.
“Sukuna!” e se jogou nos braços dele, agora soluçando e tremendo.
O outro apenas o acolheu em seus braços, deixando que Megumi chorasse o quanto precisasse. Aninhou seus cabelos durante o processo também. Quando o choro de Megumi diminuiu, resolveu conversar com ele.
“Querido, o que aconteceu? Teve um pesadelo?”
“S-sim… Sukuna, tudo foi tirado de mim. Todos que eu amava me viraram as costas, inclusive você…”
“Eu nunca faria uma coisa dessas, meu amor.” Sukuna falou com preocupação.
“Eu sei, mas parecia tão real…” e chorou mais um pouco.
Demorou um pouco, mas Megumi agora havia parado de tremer.
“Está se sentindo melhor?”
“Um pouco, obrigado…”
“Quer conversar sobre o que aconteceu?”
“Sim, mas acho que sei porque tive esse pesadelo…”
“E por quê?” Sukuna já imaginava, na verdade.
“Eu e meu pai… Não tivemos uma boa conversa…”
É, era realmente o que Sukuna imaginava.
“O que aconteceu naquele dia, Megumi?” ele ficou sério, olhando nos olhos do esposo.
“Tudo estava indo razoavelmente bem, até que começamos uma discussão por algo bobo… E a briga foi crescendo...” ele começou. “Até chegarmos a citar minha mãe…”
Sukuna sabia que depois da morte da mãe de Megumi, Toji nunca mais foi o mesmo, e sequer foi exatamente um pai tão presente e amoroso para o filho.
“Meu pai até hoje não superou, entende?” e Sukuna fez que sim com a cabeça. “Então, eu joguei na cara dele que a morte dela não era desculpa para me tratar tão mal, que culpa eu tinha!? Eu me exaltei, e acabei falando que ele precisava seguir em frente e parar de se lamentar...”
E nisso, ele fez uma longa pausa, como se estivesse tentando impedir um choro de vir. Sukuna aguardou pacientemente, não parando o cafuné.
“Ai ele me deu um tapa.” ele por fim, falou.
“Ele o quê!?” Sukuna havia parado com o carinho e olhou sério para Megumi.
“Calma, por favor…” ele pediu.
“Como você quer que eu tenha calma-” e começou a ficar nervoso.
“Por favor, Sukuna!”
Sukuna parou por um momento, suspirou fundo e ascentiu.
“Certo… E além disso, ele disse ou fez mais alguma merda?”
“Bom, ele… Disse que eu era imprestável, e que merecia ficar sozinho.” havia uma tristeza profunda em seu tom.
Então havia sido aquilo. Se Sukuna não odiava Toji antes, agora odiava. Megumi chorou mais um pouquinho nos braços de Sukuna, que queria fazer algo para ajudar.
“Você sabe muito bem que não é e nunca será imprestável. Fico impressionado como você é incrível em tudo que faz, e como tem um bom coração.” isso fez Megumi corar de leve, Sukuna sorriu. “E além de tudo, é a pessoa mais bonita que conheço.”
“P-para, Sukuna…” ele agora sorria sem graça.
Sukuna agora o encheu de beijos enquanto o elogiava mais, Megumi ria envergonhado, mas sentiu seu coração aquecer. Aquele homem realmente era incrível.
“Vou fazer um chocolate quente pra você.” o de cabelos rosados disse, se levantando da cama.
E sentiu Megumi o abraçando por trás.
“Eu vou com você, não quero ficar sozinho.” e Sukuna apenas aceitou, claro.
O chocolate ficou pronto em poucos minutos, e Megumi foi bebendo aos pouquinhos enquanto conversavam sobre a situação com Toji, agora com Megumi mais tranquilo.
“Sabe, eu queria tanto me dar bem com ele… Mas entendo que também não sou muito fácil…” ele comentou.
“Bom, não posso dizer que gosto do seu pai… Mas respeito sua decisão e te apoio.” disse Sukuna, agora ao lado do esposo, dando um beijo em sua cabeça. “Sei que vocês em algum momento irão se resolver, e se eu puder ajudar em algo…”
“Obrigado, Sukuna. De verdade. Eu te amo.” e abraçou seu esposo.
Sukuna sentiu-se quentinho ao ouvir aquelas palavras de Megumi. Não que ele não soubesse que era amado de volta, mas era sempre tão bom escutar.
Depois, voltaram para cama e dormiram bem abraçados, não demorando para adormecerem, agora com Megumi bem mais calmo e feliz.
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