Academia de Alquimistas

12 Capítulo 12 - Pico das Batatas


Notas iniciais
Meus Fãns eu cheguaaaaay iéé!!

Meus pais estavam me esperando na entrada da floresta assim como Charles havia dito, e tinham uma expressão num misto de preocupação com alivio, o segundo por saber que eu estou bem, mas o primeiro por saber o que vem pela frente.

— Mamãe – Abracei-a com força

— Oh, estávamos tão preocupados com você! – Ela suspirou aliviada – Que bom que está bem...

— Charles, tem certeza de que ela precisa ficar aqui? – Meu pai perguntou sério – Você pode treina-la em nossa casa, perto de nós...

Pela primeira vez pensei nesse fato, eu devo ficar aqui nesse internato e aprender a controlar não sei o que dentro de mim, mas como o próprio nome já diz, um internato significa se afastar deles... se afastar na minha família... Não é como se fosse o paraíso viver lá, mas eles são meus pais, não tem como eu não ser apegada a eles, e ainda tem meus amigos da escola, como eles estão reagindo ao meu sumiço? Que eu saiba o Charles não tem serviço de aviso aos amigos...

— Não creio que seja uma boa ideia... – Charles falou sincero – Apesar de lá ela estar com vocês, também estará em um chamariz certo... Seus inimigos já sabem onde vocês dois vivem, ficar próximos é um convite aberto... – Ele olhou para mim um momento – Além disso, vocês correm perigo perto dela, e acho que ela não deseja isso.

Ponto para ele, minha presença é um risco.

— Ela irá passar as férias com vocês, a estadia dela aqui será como uma escola, um internato normal, só que ela irá aprender magia e coisas que vocês humanos não entendem nem ensinam em sua grade. – Ele falou da forma mais educada possível.

Acho que me separar um pouco deles pode até ser bom...

— Está tudo bem pai... – Olhei para ele – É como uma escola normal

— Só que com constante risco de morte. – Ele falou ríspido

— Nós entendemos que você já está na idade para lidar com isso querida... – Minha mãe tentou ser gentil – Mas o que já vimos acontecer com você... Só não queremos que se repita...

— Não acho que irá – Michael e Kevin chegaram próximos a nós, eles tinham esperado um tempo antes de vir para me dar privacidade. – Vejam, foram eles que me salvaram lá no hospital. – Puxei os dois pelos braços – Eles ajudaram vocês também, só que vocês estavam dormindo.

— Oh, E quais são seus nomes – Minha mãe falou gentil

— Kevin – O menor se pronunciou tímido, logo apontando para o outro – E este é Michael.

— Obrigado por cuidarem de nossa filha – Meu pai disse agradecido

— Bom, acho que já conseguimos o que queríamos não? – Charles soltou rapidamente – Vocês precisam pegar o próximo voo e eu preciso leva-los até lá então...

— Ok Charles, nós já vamos – Minha mãe sorriu – Até mais minha querida, se comporte.

— Tchau minha filha.

— Tchau...

Em poucos minutos eles desapareceram em meio a algumas árvores que circundavam a floresta, me deixando sozinha com os meninos, que ainda estavam paralisados pela surpresa de conhecer meus parentes.

— Eles até que aceitaram rápido, não? – Kevin perguntou incrédulo

— Eles só questionaram por ser o trabalho deles de pais... – falei num suspiro

— Como assim? – Michael perguntou

— Posso dizer que minha relação com eles não é cheia de flores e arco-íris... – Eles me olhavam curiosos, bom não tenho nada a esconder... – Meu pai estava dando uma de sério e preocupado, mas na verdade ele é apenas um bêbado briguento na maioria das vezes, enquanto minha mãe... Ela não é essa gentileza de pessoa, isso foi o ápice de sua falsidade...

— Por isso você aceitou tão bem sua estadia aqui? – Michael comentou incerto

— No geral... Fazer o que, eles ainda são meus pais...

— Bom... ainda temos bastante tempo de sobra antes que fique escuro, quer ir em algum lugar? – Kevin perguntou mudando de assunto

— Acho que quem tem que decidir aonde vamos são vocês, afinal sou a novata aqui!

— Então... Michael? Você lembra onde ficava aquele lugar?

— Qual? O Pico das Batatas ou A Planície do Refri?

— O Pico das Batatas – Kevin respondeu rápido

— Me sigam – Michael falou orgulhoso

Nós caminhamos pelas redondezas da floresta até encontrarmos uma trilha antiga, que possivelmente deixou de ser usada a décadas, ela seguia por um trecho onde o relevo se elevava, logo não haviam muitas árvores e começava a aparecer mais grama do que matéria morta, até alcançarmos o topo, onde a grama dava espaço para um terreno de pedra lisa com algumas rachaduras.

Delas jorravam a mais transparente nascente, que seguia fina até uma leve vala em formato de concha, que se partia na ponta formando uma linda cachoeira que caia uma média de 5 metros dentro de um lago, este que abastecia as águas do rio que possivelmente viria a circular a Academia.

O Sol começava a se por, deixando o céu com um tom amarelado, sendo refletido naquela água reluzente e cristalina, havíamos nos sentado na ponta da pedra e ficamos observando o espetáculo que a natureza fazia à nossa frente.

— Digam, por que vocês falaram “Pico das Batatas”? – Perguntei curiosa

— Bom, é uma história engraçada... – Kevin riu de leve

— Quando encontramos esse lugar – Michael começou a contar – Nós tínhamos acabado de fugir de uma aula de campo que estávamos tendo próximo daqui, e tínhamos trago um saco de batatinhas que tínhamos pego da dispensa...

— Como não estou surpresa – Ironizei

— A diferença é que era o último saco que tinha sobrado – Ele fez uma cara de admirado – Era ouro... Mas aí, quando estávamos comendo as últimas...

— Escutamos o grito do nosso professor atrás de nós – Kevin completou – Ele estava nos procurando e estava com raiva

— E aí o palerma se assustou e deixou o saco cair...

— Que triste! Eu teria pulado atrás dele pra tentar pegar!

— Foi o que fizemos – Michael assentiu com a cabeça enquanto falava sério – E nós aprendemos uma brincadeira muito divertida de se fazer aqui

— Você não quer tentar? – Kevin levantou num pulo com um sorriso no rosto

— Eu adoraria, mas não acha que já está tarde para pular dentro d’água?

— Pular dentro d’água? – Os dois falaram juntos – Como assim? Tá maluca?

— Ué? Vocês nunca pularam de uma cachoeira? – Perguntei surpresa com a surpresa deles – Não é recomendado pois lá embaixo pode ser raso demais e aí você pode até morrer mas...

— QUE? – Kevin gritou de supetão – Vocês pulam de cachoeiras só pra cair na água lá embaixo? Com risco de se quebrar e morrer?

— Vocês humanos são interessantes – Michael riu

— Ora, então o que vocês estavam falando? Pular e não atingir? – Eu ri de leve – Quero tentar.

Nesse instante eu levantei seguida do Michael e olhei para baixo, era uma queda boa, valia a pena tentar, os dois rapidamente sem eu entender direito bateram um jokenpo e o mais velho perdeu, logo se aproximando de mim.

— Pra que isso?

— Pra você não cair lá embaixo com o risco de se quebrar e morrer – Michael falou rindo

— Vamos? – Kevin tinha um sorriso travesso na cara, o mesmo que eu faço quando quero fazer alguma besteira.

O mais alto passou o braço na minha cintura e se atirou comigo do pico, ao lado do Kevin... Acho que a maior diferença do que eu estava pensando é que estávamos indo de cabeça para o fundo, o que deixou tudo mais divertido, pois antes de atingir a água, as asas dos dois surgiram e fizeram a curva para frente... Estávamos voando próximo a água, mas sem tocá-la, bom, tirando quando eu encostei a minha mão nela.

— Por sorte nós conseguimos alcançar o pacote antes dele cair na água, então fizemos essa manobra, e saímos voando de volta ao nossos dormitórios – Michael falou enquanto voava me segurando

— Foi bem no dia anterior a nossa expulsão – O menor acrescentou

— Considerando que vocês só duraram dois dias... – Brinquei

— Culpado – Kevin riu – Que tal voltarmos à cidade? Agora que já está mais escuro as luzes devem estar muito bonitas.

— Boa ideia – Michael concordou

Logo estávamos voando em direção a cidade, paramos um pouco antes para que as pessoas não vissem as asas dos meninos, parece que eles são tímidos em relação a elas, nota mental de perturba-los depois com isso.

A cidade estava animada e bem iluminada, haviam crianças brincando em todos os cantos, a alegria reinava naquele lugar, em um largo cruzamento havia uma espécie de praça, e no seu centro estava um grupo de músicos tocando e dançando, as pessoas em volta ou acompanhavam de maneiras únicas ou conversavam entre si.

— Que lindo! – Falei espontânea – O feriado já aconteceu mas a cidade parece que ainda está em festa!

— Parece não, ela está, e amanhã é o último dia – Michael explicou – O feriado de eventos celestiais é muito esperado e comemorado aqui, pois foi a data de fundação da cidade.

— Como você sabe tudo isso? – Questionou Kevin

— Aaron contou há muito tempo, se você prestasse atenção em tudo que ele explicasse saberia

— Se eu fizesse isso meu cérebro explodiria – Ele desviou o olhar, logo voltando a olhar de maneira implicante – Assim como aconteceu com o seu.

— Ora seu – Michael tentou ataca-lo enquanto riamos.

— Vamos! – Interrompi o ataque rindo – Vamos nos aproximar

Ficamos na praça próximo aos músicos, conversando e aproveitando da música que era totalmente cultural, enquanto nos divertíamos com algumas piadas ou tentativas feitas pelo Kevin.

A noite passou rápido e logo a festa estava acabando, já tínhamos comido e conversado, e até mesmo tentado dançar a dança típica do festival que alguns dos moradores amigavelmente tentaram nos ensinar. Nos divertimos e conhecemos alguns deles, logo estávamos indo para nossos dormitórios, mas dessa vez os meninos foram para o quarto deles e eu para o meu, pois todos estávamos muito cansados.

Notas finais
Olha, sequência que legal não? PS: Crianças não façam isso em cachoeiras, ou vocês podem cair lá embaixo com o risco de se quebrar e morrer, deixem alguém tentar primeiro pra ver se é seguro XD