Academia Real ~ Admissão

2 O diamante rosa e o inesperado. ~


Notas iniciais
❥ Olá leitor! E sempre uma alegria ter alguém acompanhando algo que você criou com tanto carinho. Se você gostar, ou não, pode deixar um Comentário.

Após uma grande floresta fechada, uma pradaria se estendia como um tapete até um castelo que emergia da base de uma montanha, cercado por um largo canal artificial que seguia até um lindo lago, diversas pontes vermelhas que aparentemente seguiam para a floresta o cortavam.

Como uma pedra preciosa, um diamante rosa emergia da montanha. Escavada da rocha, assim era a maioria dos territórios feiticeiros, florescendo do inanimado. Desde nossa origem dentro da sociedade bruxa fomos forçados a ocupar os lugares que eles não queriam, mas tudo foi feito com tanto cuidado que ficou tão lindo que realmente não imagino um lugar melhor para se ficar.

Saímos em frente da ponte principal, que é feita de uma pedra clara, sendo uma ponte larga dois carros poderiam atravessar lado a lado. Todos teriam que atravessar a ponte por medida de segurança. Aquilo não era exatamente um castigo a paisagem era muito bonita, ao atravessar um grande portão de pudemos observar a entrada do palácio.

Minha avó me disse que inicialmente este não era o palácio real, mas como ninguém, depois da grande guerra, quis voltar para Valquíria decidiram ficar no palácio de campo das princesas. Esse é o motivo dele ser tão feminino.

— E os príncipes?

— Desde o inicio nossa sociedade sempre foi justa, homens e mulheres têm o mesmo direito. Ainda mais depois do grande sacrifício.

— A Rainha Anastácia. . . – deixei escapar um pensamento.

— O que tem ela menina?

Falou me olhando um pouco torto.

— Nada não, só estava pensando... um pouco alto.

A olhei assustada e ela começou a falar dos testes:

— Haverão vários dias de testes, espero que você tenha o seu quarto garantido.

— Claro vovó.

Chegamos a entrada principal, era um portão preto com detalhes dourados, o porteiro parecia um quebra nozes nos indagou:

— Sobrenome, por favor?

— Brocane.

Os portões abriram-se e então pude ver mais de perto as famosas “almofadas” entalhadas nas paredes e pintura de quase tudo em todo reino.

— Quarto 103, perto da estátua de querubim.

Fomos até o quarto. Quando cheguei minha bagagem já estavam lá, havia também mais três montes de bagagens que eram das minhas companheiras de quarto.

— Pegue as suas coisas e escolha a melhor cama, que tal aquela ali?

Minha avó falou apontando para uma cama perto da janela, desta podia-se ver os jardins frontais, os canais e as suas pontes transportadoras que nos levavam para os principais lugares dos reinos aliados. Fiz questão de arrumar as minhas coisas sem usar magia mesmo contrariando as ordens da minha avó. Depois disso, ela me levou para conhecer todos os lugares permitidos do palácio estávamos saindo da biblioteca quando...

— Esta biblioteca têm exemplares originais e cópias de quase tudo do mundo...

Estava prestando tanta atenção a ela que nem percebi um garoto que vinha correndo em nossa direção até que ele esbarrou violentamente em mim.

Enquanto me levantava, sozinha, estava imaginando que tipo de animal correria dentro do palácio real quando olhei a minha avó fazendo reverência eu o vi. Um garoto loiro que tinha o cabelo repicado e despenteado. Seus olhos eram de um azul puxando para o lilás e os seus traços eram finos, foi então que a minha avó puxou um pouco a minha saia. Então simplesmente abaixei a cabeça e pedi desculpas:

— Por favor… – respirei profundamente e muito indignada – me desculpe, estava tão distraída que... – não vi um animalzinho correndo em minha direção— por isso nem percebi que... Havia alguém... Desculpe-me.

— Quem deve pedir desculpas sou eu, estou tão ocupado que... Realmente... Desculpem-me, o que eu posso fazer por vocês?

Ele falou de forma tão simpática, que se ele fosse um vampiro eu poderia jurar que ele estava tentando, ou até mesmo conseguindo me encantar.

— Nada majestade, sua presença já é um presente enorme.

Foi isso que a minha avó falou ao beijar a mão dele em ato de respeito. Uma coisa que eu acho realmente nojento, como eu vou sabe onde colocou a mão antes de eu beijar? Passei essa.

— Espero vê-las no jantar de abertura.

Falou meio que... sorrindo. Parecia está satisfeito com algo.

— Eu também espero majestade.

E se foi a coisa mais perfeita do mundo, poderia roubar uma das enormes pinturas dele que tem no hall do castelo, se não jurasse eu iria passar um ano inteiro olhando para ele, a pintura!

— Atlas, o príncipe mais novo – disse a minha avó – e o mais bonito em minha opinião.

Quase falei: eu também acho vovó, ele não está procurando uma plebéia ou uma neta de uma condessa? Só que, neste momento passou bem acima de nossas cabeças duas criaturas Angeli Daemoniis.

São um tipo de criaturas que tem aparência de anjos e demônios, eles tem poderes parecidos com os dos seres Celestiais o que muda é a potência de sua força e que eles são totalmente independentes. Passaram voando tão rápido que desequilibramos, quase caindo com o deslocamento do ar.

— Este lugar está começando a lotar – A minha vó falou olhando para o rastro que os Angeli Daemoniis deixaram – vamos para o seu quarto ver a roupa com a qual você se vestirá.

— Você vai Vó?

Falei em um tom despreocupado, sendo respondida como sempre com uma patada.

— Lógico que irei, só para garantir com que você não faça mais nenhuma besteira.

Quando chegamos ao quarto as outras camas já estavam arrumadas, reparei que íamos ter um gatinho e antes que eu pudesse abrir a boca...

— Meaouw, boa tarde – falou um gato muito peludo e negro, sua voz era polida e arrastada, parecia que ele nunca ia para de falar “boooooooooaaaaa...”, mas quando o vi fiquei muito curiosa.

— Boa tarde, qual é o nome da sua tutora?

Minha avó é toda discreta, não acham? Tipo, “Oi, acabei de te conhecer, como é o nome do seu carcereiro?”

— Mackbells, Louranne.

Ele falou da mesma maneira grossa, polida e arrastada. Nossa! Como ele fazia questão de prolongar toda as sílabas.

— Legal – cortei a conversa – posso me trocar na sua frente ou você vai dar uma volta?

Falei o encarando e sendo respondida de forma sarcástica.

— Querida, porque você não usa o biombo? – É... Eu não tinha visto o biombo, deve ser da dona dele.

— Sim! Qual vestido? – perguntei e o gato sugeriu:

— Sugiro que você vá com a saia azul escura de cintura alta e esta blusa com babados verticais. Adorei esses detalhes na gola e combina muito bem com esse seu colar.

Ele falou arrastadamente de novo!

— Muito obrigada! Você é um charme – imitei na forma de falar.

— De nada, Meaouw. – dessa vez ele falou direito.

Vesti-me do jeito que ele tinha dito, eu não sou muito branca, mas me falta um pouco de sol, meus cabelos são ondulados, vão até a cintura, castanho escuros. Eu pensava que era só um jantar, então decidi pegar leve na maquiagem. Meu rosto é oval, olhos castanhos, dei uma leve esfumada nos olhos e terminei colocando um batom nude, calcei uns sapatos azuis turquesa.

— E então vó?

Falei arrumando a saia.

— E esse cabelo? Venha aqui!

Pensei que ela iria fazer como aquelas velhas de filmes que dão uma lambida na mão e passam nos cabelos das pessoas. Que nojento! Mas então ela não fez isso, ainda bem! Ela pegou duas mechas grandes da parte da frente e as juntou atrás em uma trança só e prendeu com uma semi jóia de prata, muito bonita.

O evento seria apenas um jantar de abertura simples e discreto, sem nenhuma abordagem agressiva da parte de meninos galanteadores, pelo menos era isso em que eu pensara.

— Sejam bem-vindos à Academia Real !

Falou a Rainha Romena da oitava geração matriarcal, funcionava assim, o primeiro que nasce é o herdeiro, seja ele homem ou mulher. Os outros assumiam cargos administrativos ou diplomáticos sempre com uma parcela importante.

A Rainha estava cercada da Guarda Real Avançada composta por aqueles Angeli Daemoniis que quase nos atropelaram mais cedo e a General Suzuki Oro Namagashi, detalhe: Ela não era oriental. E era bem ocidental, isso sim!

Com um rosto bem angular e simétrico, seu cabelo era roxo e o corte, um corte reto que lembrava os antigos egípcios, ficava bem acima do ombro. Ela usava uma blusa branca e uma calça de alfaiataria preta, uma coisa que eu achei muita falta de decoro, mas era necessário para uma locomoção rápida, com umas botas muito lindas de combate. Nossa! Ela era tão branca que era quase cinza. Logo pude registrar que a rainha continuava a falar:

— Amanhã, vocês terão o dia de descanso. Os testes começarão na segunda-feira e a sua duração é indeterminada. Apenas os melhores entrarão na Academia Real, os demais poderão cursar nas escolas e Academias Particulares de Alto Grau. É muito importante que vocês estudem... — Falou enfatizando — para que todos possam viver confortavelmente no destino ao qual escolheram. Então... — dando uma pausa, observando a todos nós, continuou com um semblante de alegria em seu rosto — desfrutem com sabedoria o dia do amanhã.

Gostei do discurso da Rainha Romena. A sua pele é levemente bronzeada, tinha cabelos cor de cobre ondulados, seu rosto oval destacava seus olhos lilás, a marca de sua família, com um vestido perolado que destacava sua beleza em seu manto vermelho. Estando simplesmente perfeita para a ocasião.

A Sua primeira ministra era uma moça, por volta dos vinte e cinco anos no máximo, negra, seu rosto era angular ela tinha um nariz largo, seus olhos eram incisivos de precisão cirúrgica lábios grandes pintados de vinho. De beleza impar, tinha cabelos muito cacheados e muito volumosos.

O Salão de festas estava organizado da seguinte maneira, o trono estava na frente e três patamares acima, de modo que a Rainha tinha a visão de todo o salão. Os dois tronos reais estavam centralizados, mesmo que o Rei não estivesse presente no evento sua presença estava sendo representada. Enquanto isso, a família Real se organizava em mesas de frente para a nobreza, de costas para a Rainha e de frente aos convidados. Dois patamares abaixo, as mesas dos convidados se organizavam perpendicularmente à Rainha e realeza em fileiras. As mesas centrais eram ocupadas pelas família mais ricas e importantes, as outras pessoas nas mesas colocadas lado a lado de acordo com seu grau de importância até as extremidades, sendo que os príncipes e as princesas tinham a permissão de sentar onde desejarem, foi então...

— Com licença?

Olhei para cima e me levantei quase que imediatamente, Pensei: “Ó... Meu Deus! O Príncipe Atlas veio sentar-se ao meu lado?”

Ainda um pouco constrangida e de boca entreaberta respondi.

— Claro.

Respondi ainda um pouco assustada, e com um estalar de dedos apareceu um lugar bem a minha direita, isso, e centenas de garotas me amaldiçoando. Ele puxou a minha cadeira por cortesia e depois sentou em seu lugar.

Quando todos se acomodaram os Gnomos nos serviram, é incrível como os Gnomos dominam o mercado de eventos e Buffet. Foi aí que ele olhou para mim com aqueles olhos azuis-lilás, puxou conversa:

— E então qual é o seu nome?

Ele me indagou enquanto terminava de limpar a boca com um guardanapo.

— Suzanne Brocane – falei, me controlando para não soar idiota ou frio demais, ele sorriu para mim e como resposta.

— Bonito – Tá, não sei o que ele quis falar com isso, ele se virou quase que imediatamente para minha avó e falou – A senhora deve ser a condessa de Brocane.

— Sou sim – ela sorriu para ele de uma maneira com a qual eu nunca tinha visto antes, nossa, como os “ares” mudam as pessoas não é? Foi um sorriso com os olhos e que charme! – Pela sua idade, vai tentar a vaga este ano majestade?

— Atlas, por favor. Vou tentar sim. – deu um sorriso cordial e repentinamente virou seu olhar para mim – Suzanne, qual é a sua especialidade?

Poções, Poisons — soros e venenos feitos a partir deles – e a minha arma é arco e flecha.

Minha avó e a sua perfeita discrição.

— Ela poderia usar adagas, mas ela tem medo. – fui interrompida por minha avó que juro que se fosse em outro lugar, com outras pessoas provavelmente diria: “Deveria usar adagas, contudo você é uma covarde e burra"

— Eu estou treinando vovó – falei com profundo desprezo – como eu tenho mais experiência com arco e flecha, não vou arriscar adagas.

Ele me olhou tão docemente que eu poderia me jogar aos seus braços.

Ao final do jantar, as mesas centrais foram retiradas, ficando um longo espaço para danças, mas como todos os seres importantes da sociedade estavam lá, ninguém quis arriscar de primeira. Até que os Silva, feiticeiros do México, começaram com o cortejo imperial, é uma dança muito antiga que existe desde tempos medievais e se parece muito com quadrilhas juninas.

— Quer dançar? – Atlas me perguntou.

— Posso? – Passei a bola para a velha para não dar uma de desesperada e ela me olhou com uma cara do tipo: “Você tem idiotia? Vá logo, JÁ!”.

Me levantei e ele me puxou até a fila. Começamos a dançar e o tempo foi passando tão rápido que de repente estávamos ao som de Lady Gaga, acho que já tinha passado várias horas noite adentro quando fomos pegar umas bebidas e acabamos conversando na sacada. Conversamos sobre a vida, sobre os outros convidados…. Até que uma voz misteriosa atrás da cortina falou:

— Atlas, é falta de educação um anfitrião dar atenção a um só convidado.

Na penumbra não vi quem era, então já iria tomar as dores...

— Também é falta de educação ofender uma convidada mãe.

— Oh! Desculpe-me eu não a tinha visto. – Já deu pra saber que era a Rainha – Suzanne, não é? Nossa, como você está linda! Ficou igualzinha a sua... – hesitou por um momento engolindo um pouco de saliva – Mãe.

— É... – Ficou óbvio que eu fiquei sem jeito, nunca tinha visto a minha mãe, minha avó escondeu a maior parte das coisas dela, abaixei minha cabeça em reverência – Me desculpe por ficar tanto tempo com o Príncipe, Majestade.

— Não, não há problema, mas acho que a festa já acabou. Só têm vocês aqui.

Foi aí que me toquei que tinha abandonado a minha avó.

— Minha avó. – estava saindo quando ela me segurou pelo braço.

— Ela já foi e deixou isso para você – com um estalar de dedos apareceu a minha bolsa e uma carta em suas mãos, ela me entregou.

— Muito obrigada, Majestade – falei, fazendo uma pequena reverência.

— Vá para o seu quarto, já esta muito tarde e muito obrigada.

Ela me deu um sorriso cúmplice que eu não entendi.

Me despedi de Atlas oferecendo a minha mão para um aperto e antes que eu percebesse ele me puxou e me deu um abraço, sussurrando em meu ouvido.

— Jardim Suspenso, meio-dia, ok?!

Respondi com um sorriso e fui para o meu quarto. Quando cheguei ao corredor do meu quarto havia uma grande confusão, as meninas conversavam aos gritos. Mostrando roupas, sapatos, penteados, fotos. Quando eu entrei em meu quarto me deparei com o gato em cima da cama da sua suposta dona.

— E então princesa, como foi a noite? Vai me contar tudo! Meaouw.

— Foi boa gato – falei um pouco, me despindo, já tirando a blusa. O gato pareceu assustar-se.

— Uma lady não pode se portar assim!

— Que besteira gato! Você nunca foi à praia? Vou tomar um banho. – Falei jogando minhas roupas em cima de minha cama – onde está a Louranne?

Ele demorou um pouco para responder e falou com um pouco de indignação, eu só não sabia se era por minha causa ou por causa da Louranne.

— Deve estar ficando com algum garoto.

— E a outra garota?

— E eu é que sei? Tenho cara de porteiro?

Saí para o banheiro sorrindo, tomei banho e troquei de roupa. Lá mesmo penteei meu cabelo e fui para a janela, apenas as luzes das ruas e dos canais estavam acesas. Fiquei observando por um tempo, pensando no que havia acontecido, depois fui para a minha cama.

— Gato, qual é o seu nome?

— Salém.

Falou lambendo as patas. Incrível como esse tipo de gente nunca fala seu nome verdadeiro.

— O de verdade.

Falei fitando-o com uma cara de incredulidade.

— Stuart

— Fique aqui comigo – Falei o chamando para a cama – vou te contar o que aconteceu.

Não sei se contei tudo, acho que adormeci.

Notas finais
Se você quiser saber mais sobre esse universo... tenho uma fic (inacabada) sobre as pontes vermelhas. Fique a vontade para explorar mais um pouco. Se você gostou, viu algum erro não hesite em falar!