Academia Lótus
5 Novas Amizades
A noite foi longa, e a sensação foi a de que dormi quase um dia inteiro. Acordei por volta do meio dia. O sol entrava pelas frestas das cortinas, e pássaros cantavam lá fora. Demorei um pouco para me acostumar com a claridade, depois de coçar os olhos e me espreguiçar, me levanto da cama. Um bilhete de minha mãe está em minha cabeceira. Passo os olhos por ele rapidamente, bocejando.
Math,
Fomos até o mercado da cidade. Você estava dormindo tão profundamente, que resolvemos deixa-lo descansar mais um pouco. Estaremos em casa em breve. Antes que eu me esqueça, o diretor da escola ligou essa amanhã, e ele disse que está ansioso para a sua chegada. Suas aulas começam na semana que vem. E se quiser comer algo, tem ovos na geladeira. Frite-os.
Beijos,
Mamãe.
Um pequeno nervosismo nasce em meu peito. O diretor da escola havia ligado. Esse pensamento me deixa nervoso. Sou pego de surpresa, quando vejo que estou ansioso para o inicio das aulas. Embolo o bilhete e o jogo numa lixeira em meu banheiro. Tiro meu pijama amassado e entro debaixo do chuveiro. A água quente cai em minhas costas, fazendo uma massagem sensacional. Fico assim por um instante, e depois escovo meus dentes.
Depois de sair do chuveiro, volto para o meu quarto e escolho uma muda de roupas. Uma camiseta da minha banda favorita, calça jeans e um par de all-stars vermelhos. Desço as escadas correndo e vou até a cozinha. Lembro-me do bilhete de minha mãe e preparo os ovos.
Após comer os ovos mexidos mais gordurosos de minha vida, saio para o quintal da minha nova casa. Não havia reparado na noite anterior, mas o jardim estava decadente. Varias plantas e flores murchas e mortas. Somente uma arvore enorme permanecia em pé. Seus galhos eram longos, e seu tronco era bastante grosso. As folhas estavam começando a amarelar e a cair, devido ao início do outono. Depois de inspecionar o jardim, me sento nas escadas da entrada principal e observo a rua.
A rua é calma e tranquila, vários moradores estão fazendo suas tarefas diárias. Alguns estão regando o jardim e outros varrendo o quintal. Muitas pessoas que passaram na frente da minha casa me deram acenos de cabeças, sorrisos e alguns olás. Os cidadãos daqui são bastante acolhedores e simpáticos.
Depois de vários minutos observando a rua, e deixando os poucos raios solares que conseguiram vencer as nuvens, esquentar minha pele, o carro de meus pais encosta na entrada de casa. Meu pai, minha mãe e meu irmão saem do carro segurando várias sacolas.
– Precisam de ajuda? – grito do meu lugar.
– Claro. – minha mãe grita de volta.
Levanto-me e vou ajudar meus pais. Carrego algumas sacolas de compra para dentro, e depois ajudo minha mãe com o almoço, picando algumas cenouras. Depois do almoço, saio com uma bota de borracha e um par de luvas de jardineiro. E começo a plantar novas plantas no jardim.
Estou terminando de empilhar os vasos de plantas em algumas prateleiras, quando ouço uma movimentação do outro lado da rua. Corro para a entrada de casa a tempo de ver um cachorro dálmata enorme, e uma menina de cabelos castanhos em uma trança frouxa, correndo no meio da rua.
– Nina... Parada, agora! – a menina grita com a sua cadela.
A cadela continua correndo, e a menina já está ofegante. A menina com a trança para no meio de sua corrida e respira fundo, depois volta a correr numa velocidade impressionante. Em questões de segundos a garota alcança a cadela e a segura. Só percebo que elas estão a centímetros de mim, quando elas trombam em mim e eu caio de bunda.
– Nina, eu sei que você quer brincar, mas não deve fazer isso. Agora eu irei te soltar, e você irá ficar quieta. – a menina disse e soltou a cadela devagar. A cadela deu um gemido baixo e se sentou abanando o rabo.
– Ah, me desculpe. Não vi que você estava ai... – a menina se vira para mim, e me ajuda a levantar.
– Não, tudo bem. Já estou acostumado com tombos. – um sorriso surge nos lábios dela. A garota de perto é bonita, seus cabelos são castanhos e seus olhos tem uma cor mel. – Eu sou a Emma, e você? – ela disse estendendo as suas mãos para um cumprimento.
– Eu sou o Math. Muito prazer. – estendo minhas mãos, pegando as delas.
– Math... Gostei do seu nome. Você deve ser novo por aqui. Ah, antes que eu me esqueça, essa é a Nina. Minha dálmata. – Emma diz, e acaricia o pescoço de Nina. – Estávamos indo até a praça tomar um sorvete. Quer nos acompanhar? – Sou pego de surpresa. Ninguém me chamava para sair, e quando chamavam se arrependiam. Engoli em seco.
– É... Claro. – respondi. – Só irei guardar essas coisas. – Corri para a garagem nos fundos e guardei as ferramentas. Retirei as botas de borracha e calcei novamente o meu tênis.
Depois de guardar as coisas, acompanho Emma até a praça. Estamos caminhando na calçada de nossa rua, e Nina trota ao nosso lado.
– Ela é uma cadela bastante inteligente.
– Sim. Ela é demais, mas às vezes ela extrapola. Ainda bem que meu dom me ajuda. – Emma me responde.
– Dom? – perguntei.
– Sim, como quase todos por aqui possuem um. – ela disse calmamente, um vento bagunça alguns fios soltos de sua trança. – Ah, me esqueci, Math. Você é novo por aqui. Aliás, eu sou uma bruxa. E de qual espécie você é?
– Eu... – gaguejei. Não dava para acreditar que aquela garota doce, era uma bruxa. – Eu sou um mestiço. Meu pai é um vampiro e minha mãe bruxa.
– Que legal. – Emma parou abruptamente e me analisou. – Não temos muitos mestiços por aqui.
– Hum. – Concordo com Emma. – Qual é o seu dom, Emma?
– Eu tenho o dom de adquirir a habilidade de alguns animais, somente pensando nele. E também posso conversar com as animais. – Emma começa a andar novamente.
– Falar com os animais? – Minha boca formava um “o”. – Por isso a Nina te escuta perfeitamente, e por esse motivo você correu daquela maneira. – Emma dá um pequeno sorriso.
– Sim, eu descobri há pouco tempo. Quero que as aulas na Academia comecem, para eu aperfeiçoa-los. E você tem algum dom especial. – viramos a esquina, e a praça já estava visível.
– Não... Quero dizer, já aconteceu algo estranho, mas não sei se é um dom.
– Tenho certeza que desenvolvera seus dons, Math. Mas por enquanto vamos tomar um sorvete.
Nina corre em nossa frente e Emma a segue. As duas somem no meio das pessoas da praça. A praça está um pouco cheia, varias pessoas passeando e outras comendo sentadas nos enormes bancos de madeira. O ar estava fresco e as folhas das arvores caiam.
Encontrei Emma e Nina no caminhão de sorvete. Emma me lançou um sorriso e acenou para que eu fosse até lá. Tomamos sorvetes e depois jogamos frisbee com Nina. Voltamos para casa ao anoitecer, nos despedimos na porta de casa e ela continuou seu caminho com sua cadela a seguindo.
Paro na entrada de casa e as observo. E me lembro da tarde maravilhosa que passei hoje. E faço apenas uma prece em meus pensamentos: Por favor, que seja verdadeiro...
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