Sete pessoas estavam naquela sala, cada um ocupando um espaço do lugar. Todos vestiam jaquetas, e tocas escondiam seus rostos, sendo impossível saber quem era homem, e quem era mulher. Exceto pela voz. A sala não possuía lâmpadas, o que iluminava o lugar eram os fios de luz que entravam pelos buracos das madeiras que tampavam as janelas. Seu chão era dominado por terra, e algumas plantas. Nela havia algumas mesas, e cadeiras, mas poucas, deixando um espaço grande livre. Em uma das paredes havia metade de uma lousa, mas que tinha perdido sua utilidade, graças a água da chuva, vinda do vazamento no teto logo acima. Um dia aquele lugar tinha sido uma sala de aula.

- Por que, H? – a voz que falava era feminina, e pertencia ao encapuzado que estava encostado na parede, ao lado da porta.

- Você sabe bem, F.. Era o que ele gostaria que fosse feito. Eu só fiz antes que ele desse a ordem. – dessa vez a voz vinha do canto oposto da sala, era uma voz masculina. Ele estava sentado em cima de uma mesa escolar enferrujada, e suja, com os braços cruzados.

Um deles saiu do lugar dele e aproximou-se do que acabara de falar. Ficou parado a sua frente por alguns segundos. Levantou sua cabeça permitindo que fosse visto a cor de seus olhos. Pretos. E falou.

- Ele iria querer isso... Ele iria querer que você aparecesse para dois dos projetos mais preciosos dele, e interferisse logo no inicio do experimento. Fazendo com que eles troquem o foco do desenvolvimento para ir atas de você.

H insinuou que iria falar, até que foi interrompido por uma das mãos de seu colega segurando seu pescoço.

- Não diga nada! Você errou. – sua voz não expressava nada mais do que calma, e desprezo. – Agora eles irão desconfiar de que há alguém por trás de tudo isso.

Após dizer a última palavra, o soltou. E voltou para seu lugar. Nenhum dos outros presentes na sala tinha se movido durante aquele acontecimento. Na verdade, exceto os que falaram, eles não se moveram em nenhum momento, estavam estáticos em seus lugares. Foi então que a porta se abriu.

Todos os sete foram para o centro da sala, formando uma linha de frente a porta. Uma silhueta negra entrou na sala. Estava utilizando um chapéu. Quando fechou a porta, o tirou, mas não foi possível identificar seu rosto, pois a iluminação não chegava onde estava.

- Essa conversa vai ser rápida. Ouçam apenas. – sua voz era grossa, e firme, mas jovial. Deveria ter trinta anos, ou um pouco mais. – Um de vocês fez algo sem meu consentimento. Não se preocupe, pois não teve sérias consequências esta atitude. A única diferença é que precisaremos mudar a estratégia de jogo. Seis de vocês irão monitora-los, já o um restante ficará comigo, pois exercera uma função diferente nesse tabuleiro. Esse um será você H.

Ele colocou uma mão em seu peito, indicando que aceitava aquela decisão, e afastou-se do grupo, até chegar ao homem que falava.

Era aparente que alguns daquele grupo não tinham concordado com a decisão tomada, mas eles deveriam ouvir agora, apenas isso. Por isso seguraram seus ânimos e continuaram parados em linha, ouvindo.

- Você seis façam o que eu disse. Em nenhum momento saiam de perto dos experimentos. Inclusive quando se transformarem, mas tomem cuidado para não serem notados. Lembrem-se, as habilidades deles já são surpreendentes no estado zero. Quando evoluírem eles serão capazes de senti-los caso sejam descuidados. E eles vão evoluir. – ele olhou para os sete, e indicou que saíssem.

Quanto todos saíram, e a porta voltou a fechar-se ele virou-se para H e voltou a falar.

- Já a sua missão será um pouco mais interessante. Todas as informações estão neste caderno. – ele tirou um pequeno caderno, sua capa era marrom, provavelmente feito de couro, e tinha uma fita amarrado em volta, e entregou para H. – As instruções são bem vagas, mas por um motivo, para deixar livre sua criatividade. Nós dois sabemos que esse é seu ponto forte. – ambos sorriram.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.