O primeiro período das aulas obrigatórias tinha acabado. Todos os alunos tinham um intervalo de vinte minutos para pegar os materiais necessários para as próximas aulas em seus armários, comer algo, e descansar. Fazer as três coisas nesse tempo era impossível, mas alguns tentavam. Pedro era um deles. Quando saiu de sua última aula decidiu ir até seu dormitório, para verificar se a caixa onde guardava seus hq e mangás, ipod com séries e animês, e seu notebook que utilizava para jogar seus jogos online, estavam todos guardados em seu esconderijo.

- Pedro, não vai dar tempo. Já desperdiçamos dez minutos do intervalo conversando, e a caminhada até os dormitórios é de 10 minutos andando – Eduardo sabia que aquela era uma péssima ideia, e todos os alunos sabiam que chegar atrasado as aulas não era tolerado sem algum tipo de doença como explicação.

- Se eu corresse conseguiria fazer em cinco a ida, e cinco na volta.

- Com sorte você levaria esse tempo.

- Tudo bem! – Pedro estava quase aceitando que sua ideia era horrível, até que conseguiu pensar em algo para rebater as objeções de seu amigo — Eu poderia cortar caminho pelo bosque, e faria o caminho de ida e volta em menos de seis minutos.

Eduardo o encarou por alguns segundos, olhou bem fundo nos olhos negros de Pedro. Quando ele quer algo não tem nada que o impeça, fica cego. Parece que esquece de todos os riscos...

- É, não tem como argumentar contra isso. Só espero que seja bem sucedido nessa tentativa. Não quero que um dos meus amigos sendo prejudicado por quebrar o primeiro mandamento da academia.

Não se atrasar. Era este o primeiro mandamento. E nos últimos dez anos nenhum aluno tinha ido contra. Era dito que o aluno que se atrasasse seria expulso da academia, mas ninguém acreditava, pois um atraso não era algo tão sério. Mas ninguém nunca arriscou para saber qual seria a penalidade.

Pedro saiu correndo em direção aos bosques para chegar mais rápido em seu dormitório. Em menos de três minutos estava em sua porta. Quando entrou percebeu que a caixa estava sobre a sua cama, porém fechada. Mas uma caixa de madeira, não tão grande, em cima da cama de um estudante era sozinho algo suspeito. Segurou a caixa com as duas mãos e levou até seu guarda-roupa. Abriu uma das portas, onde ficava um espaço livre, com um pedaço de madeira para pendurar as roupas, e cinco gavetas na parte de baixo. Torceu o pegador da terceira gaveta para esquerda, depois empurrou o pegador da quarta para dentro, e o da última gaveta ele puxou. Quando terminou as gavetas se soltaram. Ele puxou a terceira, e as outras duas vieram juntas. O que ele tirou era apenas um pedaço de madeira imitando gavetas, que estava protegendo um espaço vazio, onde ele escondia a caixa. Aquele procedimento envolvendo o pegador das três gavetas era o que guardava seu segredo, caso alguém tentasse abrir aquelas últimas três gavetas. Sabia que não era tão seguro, pois caso desconfiassem do por que delas não abrirem, eles poderiam simplesmente quebra-las. Mas ele não era um aluno que chamava atenção, em nenhum ponto, tanto quanto de outros alunos, quanto dos funcionários da academia. Por isso confiava em seu esconderijo.

Guardou a caixa, e fechou o esconderijo com o falso grupo de gavetas. Quando olhou para o relógio que ficava acima de sua cama percebeu que tinha cinco minutos para voltar.

O percurso era de três minutos, assim tinha uma folga de tempo. Na volta resolveu apreciar a corrida. Pedro adorava a natureza, e frequentemente ia jogar ou ler dentro do bosque, encostado em alguma árvore. Enquanto corria, olhava para o céu e via como o dia estava bonito. A temperatura estava perfeita, nem tão quente, nem tão frio. Aquela vendo bagunçando seus cabelos negros era outro fator agradável de correr naqueles bosques. Em determinado momento perdeu-se dentro de uma onda de pensamentos. Eu poderia aproveitar muito mais o mundo se fosse mais velho, e estivesse fora da academia. Sim. A academia tem seus campos, mas estou preso aqui. Tenho que ver essa mesma paisagem diariamente. Gostaria de explorar novos lugares. Liberdade. Esses pensamentos o distraíram dos obstáculos do bosque. Quando voltou a olhar o caminho se desesperou, pois estava em sua frente uma árvore, a pouco mais de um metro de distância. Aquela colisão iria atrasar em muito seu percurso.

Mas ele não colidiu com árvore, não da forma como imaginou, pois uma de suas pernas tocou a árvore antes, e outra logo depois. Ele estava andando na árvore. Mais dois passos, e um impulso para trás, fazendo seu corpo girar, e finalmente aterrissar na terra fofa, em pé. Continuo parado naquela posição por alguns segundos, sem reação.

C-como assi... O q-que aconteceu? Como eu fiz isso?!

Chacoalhou a cabeça na tentativa dos pensamentos se organizarem, e conseguir ter uma ideia do que acabara de acontecer. Adrenalina! Só pode ter sido isso.

Alguns metros de onde estava tinha um pequeno lago. Decidiu ir até lá, jogar um pouco de água no rosto, e ver se conseguia ficar calmo. Ajoelhou-se na beira do lago, e colocou suas mãos na água. Juntou suas duas mãos em formato de concha para pegar um pouco de água e jogar em seu rosto. As gotas escorriam por seus cabelos, agora molhados, e seu rosto. Conseguiu acalmar-se por alguns instantes. Foi quando olhou para seu relógio e viu que tinha apenas dois minutos pra chegar a sala de aula.

Antes de voltar a correr, deu uma última olhada para a água que ainda estava em movimento.

Pai?! Não podia ser seu pai, pois seu pai tinha quarenta e cinco anos, já a imagem no lago parecia ter vinte. Olhou para trás e para os lados certificando-se que era o único no local. Finalmente entendeu quem era o garoto no lago. Sou eu! Suas pernas ficaram fracas, e ele caiu lentamente para trás. Seu corpo agora era estranho para ele. Deitado entre terra e grama, levantou uma de suas mãos para poder olha-la, e percebeu que aquelas não eram mais a mão de um garoto de doze anos, sim a mão de um homem. Mas ao invés de ficar nervoso e sem reação, sua respiração começou a estabilizar, e sua calma retornou. Agora conseguia racionar melhor sobre os acontecimentos recentes.

- Não posso ir até a sala mais. Não desse jeito, ninguém irá me reconhecer. – até sua voz tinha mudado. A voz de adolescente tinha sido substituída por uma voz grossa e grave, cheia de segurança. – Também não posso ficar aqui com essas roupas que mal me servem. Preciso descobrir o que aconteceu comigo, e reverter isso de alguma forma.

Ele apoiou suas mãos na terra, e impulsionou para levantar. Olhou para baixo e percebeu que sua camiseta estava apertada em seu corpo, e não cobria seu abdômen inteiro. Tirou ela e segurou em uma das mãos. Já a calça poderia continua usando como uma bermuda grande. Uma dor começou a incomodá-lo, vinha de seu pé. Foi obrigado a tirar o tênis por causa da dor, e segurou o par na mão livre.

Deu as costas para o lago e começou a andar em direção aos dormitórios. Então sentiu outra dor, dessa vez em seu corpo inteiro. O ápice da dor foi quando chegou ao seu cérebro, que provou-se ser impossível de suportar, soltou o tênis e a camisa e colocou as duas mãos em sua cabeça, pressionando com força na tentativa de conter a dor. Mas a dor continuava, e seu corpo ficava cada vez mais fraco. Finalmente cedeu e deixou seu corpo cair em direção ao chão. Mas como tinha perdido senso de direção seu corpo caiu dentro do lago. Segundos depois seu corpo estava tocando o fundo do lago, que não possuía mais que um metro de profundidade.

Uma pessoa aproximou-se do lago, usando um boné, e uma jaqueta com o capuz sobre sua cabeça, escondendo sua identidade. Abriu o zíper da jaqueta, e tirou a manga do braço esquerdo, revelando seu braço totalmente branco, exceto por uma tatuagem no ombro, uma pena. Os músculos de seu braço eram fortes, e definidos, o que indicava que aquela pessoa era homem, e não era uma criança, ou adolescente. Afundou seu braço inteiro dentro do lago e puxou Pedro. Não foi necessário esforço algum para consegui puxa-lo inteiro para fora do lago. Guardou seu braço molhado dentro da jaqueta e a fechou. Virou para o bosque e desapareceu entre as árvores.

O anoitecer chegou, acompanhado da movimentação nada comum na Academia. Todos estavam a procura de um aluno que não tinha aparecido após o primeiro intervalo das aulas. Diversos grupos de procura foram organizados para procura do aluno. E os alunos foram orientados a permanecer no auditório. Ninguém explicou o porquê daquele procedimento.

Dentro do auditório foram formados diversos grupos de conversa, para passar o tempo. Quase todos os grupos estavam conversando sobre assuntos aleatórios, pois não conheciam muito bem o aluno que tinha desaparecido. Somente um grupo, com seis alunos discutia sobre Pedro, pois ele era amigo de todos eles. O mais apreensivo de todos era Eduardo, que estava sentindo-se culpado por não ter sido mais firme e impedido seu amigo de voltar ao dormitório.

- Precisamos ajudar o grupo de buscas.

Isabela estava extremamente nervosa com toda a situação, e odiava não poder fazer nada para ajudar.

- O que poderíamos fazer? Nem sabemos onde ele esta, Isa – Júlia também estava com os nervos à flor da pele, mas fazia de tudo para demonstrar calma, e manter os ânimos dos membros do grupo.

- E nem podemos sair daqui. Eu já tentei abrir a porta do auditório, mas está trancada, e a única forma de abrir é com o código que só os professores possuem. — Logo quando foram direcionados para o auditório e trancaram a porta Rafael tentou abrir a porta para falar com algum professor e tentar convence-lo a deixa-los participar das buscas.

Dois integrantes do grupo não participavam da conversa. Eduardo era um deles. Ele estava preso em seus pensamentos sobre como deveria ter agido mais cedo com seu amigo. O outro era Joshua, que tinha voltado da enfermaria após o primeiro intervalo. Após isso tinha trocado poucas palavras com todas do grupo. Não se sentia disposto de compartilhar o que havia acontecido mais cedo. Na realidade não conseguia explicar de uma forma plausível o acontecimento, o que era outro motivo para guardar aquilo para ele mesmo, até ter uma noção melhor do que dizer.

- Eu tenho quase certeza que consigo passar pela segurança daquela porta – Breno tinha total certeza disso, já tinha feito antes. – Assim poderíamos ir em busca do Pedro.

Todos se olharam.

- Sim, poderíamos fazer isso, Breno.

- E-eu acho que sei onde ele pode estar pessoal. – após ficar minutos pensando em como era um péssimo amigo, percebeu que aquilo não levaria em nada, e que de todas as pessoas do colégio ele era o mais provável de saber onde Pedro estava.

- E por que não disse nada até agora, Dú? – Júlia sabia que Rafael ia exagerar nas palavras caso fizesse algum comentário sobre a demora de Eduardo para fornecer essa informação que era muito importante, então falou antes que ele pudesse formular qualquer frase.

- D-desculpa... – ele disse, olhando para baixo, sentindo vergonha de si mesmo – Ele deve estar no bosque três, foi a última vez que o vi. É o bosque que separa o dormitório masculino das salas de aula do bloco B.

- Precisamos ir pra lá agora! – Rafael e Júlia disseram juntos.

Todos se levantaram e foram em direção a porta, que ficava no canto de frente ao palco. Sua posição fazia com que nenhum dos alunos que estavam sentados nas primeiras fileiras pudessem ver o que os seis estavam tentando fazer.

Breno foi até o dispositivo para inserir o código, e gesticulou para que seus amigos dessem uma distancia de onde ele estava. O procedimento era simples, inserir o código. O procedimento difícil era descobrir o código que estavam utilizando dessa vez. Felizmente não precisava se esforçar muito dessa vez, pois um dos prêmios recebidos do professor Paulo, foi um código universal para as portas da Academia, exceto seu laboratório.

- Breno, sente-se. Vamos conversar.

Finalmente o prêmio. Breno pensou.

- Não posso oferecer apenas um prêmio para você após sua magnifica atuação no desafio. Muito menos o prêmio que daria para o aluno que conseguisse, pois você superou o que eu tinha solicitado. Por isso irei te dar algo especial. – O professor pegou uma bolsa que estava ao lado de sua cadeira, e colocou em sua mesa. Revirou-a por alguns segundos e retirou duas caixas pequenas. – Primeiro preciso saber se posso confiar em você Breno, pois o que te darei é algo que, caso descubram, você e eu seremos mandados embora da Academia. – Para Breno o assunto parecia estar tomando um rumo mais sério do que esperava, mas o sorriso estampado no rosto de Paulo o tranquilizava.

Mesmo assim ele precisou refletir um pouco sobre a proposta, pois não queria correr o risco de perder a oportunidade que tinha sido dada para ele de estudar naquele local. Mas por outro lado, o prêmio deveria ser algo muito importante, e provavelmente algo extremamente tecnológico vindo dele.

Breno não abriu a boca para responder, apenas balançou a cabeça em afirmativo.

Ele pegou uma das caixas e abriu, lá dentro estava um pedaço de vidro fino. O professor juntou dois dedos e o deslizou sobre o vidro. Enquanto deslizava números e letras azuis, surgiam. Um código.

- Tenho duas dúvidas. Você que desenvolveu esse dispositivo? E qual a utilidade do código?

- Sim! Eu que desenvolvi, é foi bem simples. – ele deslizou o vidro pela mesa até o lado oposto da mesa, onde Breno estava. – Já a outra pergunta, esse código serve para exatamente tudo.

Ele inclinava-se cada vez mais em direção a mesa, enquanto o professor explicava a necessidade de possuir aquele código, e como fazer para os números desaparecem, evitando ser pego. Aquele assunto tornava-se mais interessante a cada segundo. E, além disso, nada do que estava ouvindo de seu professor era algo que um aluno comum deveria saber. Começava a entender porque Paulo era o professor favorito de todos os alunos.

- Segundo prêmio. – desta vez não abriu a caixa, apenas a empurro para o centro da mesa. – Dentro desta caixa estava um pendrive contendo toda a minha biblioteca de livros sobre robótica. Sei que você tem interesse por esta determinada área. Pode pegar a caixa.

- Mas eu não poderia ler esses livros na biblioteca professor?

- Esses livros não.

Essa foi a última frase que os dois trocaram. Breno ainda tinha perguntas para fazer, mas o gesto indicando que voltasse ao seu lugar foi o suficiente para encerrar a conversa.

Deslizou seu dedo no vidro, fazendo o código aparecer. O digitou no dispositivo, e ouviu um barulho indicando que tinha funcionado. Seus colegas aproximaram-se. Joshua se adiantou mais do que os outros.

- Vamos voltar pro nossos lugares, os instrutores estão voltando. – sua voz estava séria.

Todos olharem para ele, e tiveram a mesma lembrança, da primeira aula do dia, onde Joshua avisou que o professor iria chegar, e tinha acertado.

- Rápido!

- Vocês voltem. Eu vou ficar aqui pra inventar uma desculpa sobre a porta. Eles com certeza vão querer saber quem a abriu. – o tom de Rafael não deixava espaço para discussões sobre isso, por isso todos voltaram para seus lugares, e ficaram olhando o que iria acontecer.

Quatro professores entraram no auditório. Um deles, o que abriu a porta, olhou para Rafa com um olhar severo, era o professor Sidney. Poucos alunos tiveram a oportunidade, ou sorte, de vê-lo sorrindo. Tinha cabelos brancos, e preservava uma barba saliente em seu rosto. Mas quem falou foi o que estava ao seu lado, professor Lucas, um senhor com um pouco mais de cinquenta anos, possuía ombros extremamente largos. Sua idade não tinha prejudicado em nada seu físico, pois mantinha músculos fortes em todo seu corpo. Ele era responsável pelas aulas de hipismo, esgrima e boxe tailandês. Também fazia parte da comissão de professores da Academia. Essa comissão era composta pelos professores mais notórios da instituição. Seu intuito era de desenvolver projetos e estratégias de melhoras as aulas, e ao ambiente de estudo.

- Meu caro aluno, se bem me lembro esta porta estava trancada quando saímos. Pode me informar quem a abriu. – aquilo não era uma pergunta, muito menos um pedido, mas sim uma requisição. Professor Lucas estava ordenando que Rafael informasse o que tinha acontecido.

- Professor. – ele não tinha ideia do que dizer para convence-lo. Sabia sempre o que dizer para convencer seus amigos, mas com professores era outra coisa. – Infelizmente não tenho uma resposta para isso. Alias, uma resposta até tenho, só não é possível explicar o que aconteceu. Eu e meus colegas ouvimos um barulho vindo da porta, e eu decidi vir até aqui ver o que tinha acontecido. Quando cheguei percebi que a porta estava destrancada. Decidi ficar próximo dela para caso algum aluno também notasse o acontecido, e tentasse sair do auditório, eu o impediria. – as palavras fluíam de sua boca, e percebia que a expressão dura do professor era substituída por um projeto de sorriso. – Espero que esta atitude não prejudique minha imagem com a Academia, professor. Eu só tinha a intenção de ajudar. Mas uma coisa posso dizer, ninguém aproximou-se dessa porta além de mim.

- Entendo.

Com esta palavra o assunto foi encerrado. Todos os quatro professores passaram por Rafael, e dirigiram-se até o palco. Ele juntou-se ao seus amigos e antes que perguntassem explicou o que tinha acontecido.

- Consegui enrola-los o suficiente para você hackear o sistema de câmeras e apagar o momento que fomos até a porta, Breno?

Quando ouviu o que Rafael disse, ele virou com uma expressão de espanto no rosto.

- C-como.. O-o que.. – Breno parou e respirou, tentando organizar seus pensamentos. – Como você sabe que eu fiz isso?!

Não conseguiu formular uma resposta imediata para aquilo, ele simplesmente sabia.

- Ora! Era óbvio que você faria isso... Você fez isso, não é?

- Sim! O tempo de sua conversa foi o suficiente.

Nenhum dos amigos entendeu como aquele “plano” tinha sido bem sucedido. Primeiro por não ter existido um plano. Segundo pela sintonia entre as ações dos dois colegas.

- Caros alunos! Procuramos o aluno Pedro dentro dos limites escolares, exceto nos bosques. Iremos realizar buscar noturnas, mas para isso faremos novos grupos, pois não são todos os professores que tem disponibilidade para isso. – professor Lucas falava com uma voz calma, na tentativa de não aumentar os ânimos dos alunos com aquela noticia.

- Antes de continuar a busca, queremos perguntar novamente se algum de vocês tem ideia de onde esse aluno poderia estar? – quem falava era professora Carla, com sua voz doce. Seus cabelos loiros misturavam-se com os brancos, e seus olhos azuis já não tinham o mesmo brilho. O que era mais que o normal, pois já passava de seus sessenta anos. Mas continuava sendo uma mulher charmosa, e adorável.

Eduardo surpreendeu os professores levantando sua mão. Dois deles indicaram para que ele fosse ao palco.

- O que você sabe? – não existia gentileza naquela pergunta.

- Mais cedo ele, o Pedro, me disse que iria cortar caminho pelo bosque 3, o que separa o dormitório masculino das salas de aulas do bloco B, para conseguir ir ao dormitório e voltar para as aulas mais rápido e não se atrasar. Imagino que se ele esta em algum lugar da academia, aquele bosque é o lugar.

Os professores viraram as costas para ele, e trocaram sussurros entre si. Um deles, Fitz, olhou para trás com um olhar de reprovação, que fez Eduardo sentir-se pior do que já estava. A conversa entre os professores durou alguns minutos. Quando a conversa acabou três deles foram em direção a porta do auditório. Lucas, o professor que ficou, gesticulou para ele voltar ao seu lugar.

- Podem voltar ao que estavam fazendo anteriormente, alunos. É bem provável que encontraremos o garoto. Após isso estarão livres para deixar o auditório.