Academia De Mutantes (em espera)
14 Um Desgraçado Reencontro Familiar
Notas iniciais
Entrei com facilidade. Essa era outra coisa boa na CMG, não tinha muito policiamento em relação à entrada de meninas em dormitórios de meninos e vice-versa. Se alguém quisesse fazer merda, fazia, mas depois ia ter que limpar a merda gerada. Isso ficou confuso, mas acho que deu pra entender.
Aqui vai uma pequena descrição do Dormitório Shadow: ele, diferente dos outros dormitórios da CMG, não era todo cheio de equipamentos supertecnológicos e coisas de ultima geração. As paredes não eram branquinhas, e o carpete do chão não cheirava a novo. Na verdade, o Dormitorio me lembrava mais como uma casa mal-assombrada que eu fui quando mais nova. A tinta da parede descascava, com varias marcas de vazamento por toda a sua extensão. O chão, de madeira, rangia quando eu pisava e toda a construção cheirava a mofo.
Fui até o quarto marcado com o numero 13. Conhecendo o meu irmão, aquele só podia ser o quarto dele. Além disso a maior parte dos outros quartos era marcado com 666, e meu irmão não era tão demoníaco assim. Que eu soubesse, pelo menos.
No fim, aquele era seu quarto mesmo e ele me recebeu lá dentro. (Não sem antes checar se eu não tinha trazido ninguém, se eu tinha uma escuta ou câmera escondidas, gravador, e ainda ficou nervoso com o fato de eu ter trazido o celular. Fazer o que, irmão paranoico é pra isso né?). Depois de o que pareceu meia hora de pura paranoia, ele finalmente me deixou sentar numa cadeira para conversarmos.
-E então, Jason, — Comecei. – Você queria falar comigo?
-Sim, mas... eu não sei por onde começar, então vamos pelo começo. O que você sabe sobre esse lugar? – Eu expliquei tudo o que aprendi e que as meninas tinham me contado. Ele parecia apreensivo.
-Certo, primeiro de tudo eu preciso que você acredite em tudo o que eu digo certo? Não irei contar nenhuma mentira, prometo, tente confiar em mim sendo seu irmão, mesmo que nós não nos vejamos faz muito tempo. – Eu concordei, embora meus instintos dissessem para eu simplesmente sair correndo dali e nunca mais voltar. Digamos apenas que meu irmão não teme exatamente um histórico de confiabilidade muito grande.
Basicamente, isso foi o que ele me explicou: Os grupos de mutantes, os rebeldes, que todos me ensinaram a odiar eram na verdade o contrario do que eu sabia. A CMG, na verdade, queria “dominar o mundo” com os mutantes, o seu verdadeiro objetivo é criar um mundo formado apenas por mutantes, ás vezes forçando os humanos à se reproduzirem com os mutantes e levando à alguns mutantes serem perseguidos como “serial killers”. Os rebeldes apenas lutavam contra a CMG e tentavam reparar o estrago feito. O problema era que, como a CMG era muito maior e mais forte do que qualquer grupo rebelde vencia muito mais facilmente a qualquer confronto. Além do mais, os rebeldes eram divididos em “gangues” que muitas vezes brigavam entre si, e se enfraqueciam.
Meu irmão, que era da gangue Cold Winter, foi para a CMG como “espião” e sua missão era conseguir novos recrutas para sua gangue. O problema é que ele tinha de ser muito cuidadoso, senão poderia ser descoberto e então expulso do campus, ou até torturado para descobrirem informações sobre os rebeldes.
-E é aí que você entra. – ele explicou. – O fato de eu estar nesse dormitório é que eles não confiam totalmente em mim, assim como quase todos os outros nesse prédio. Basicamente essa construção foi feita para delinquentes, garotos no geral que não merecem a confiança dos instrutores. Você, irmãzinha, seria perfeita para se instalar na CMG e ganhar a confiança de todos. Pelo visto, os instrutores e colegas já tem grande afeição por você. Tudo o que precisa fazer é chamar os seus amiguinhos para o “nosso lado força”.
-Você está sugerindo que eu simplesmente arrisque as minhas amizades para ajudar uma organizaçãozinha de mutantes. – O que ele dizia era totalmente revoltante. Ali era o único lugar onde eu tinha conseguido amigos, me sentido segura e ele sugere que eu arrisque jogar tudo isso fora, para ajudar ele, que desapareceu por todos esses anos. – Não mesmo! Eu não vou trair os meus amigos!
-Egoísta! – ele respondeu com raiva – Só porque você nunca conseguiu amigos, sendo essa aberração esquisita que você é e agora esses estranhos querem ser seus amiguinhos, você larga totalmente o seu irmão, que, caso você não saiba, passou esses anos sofrendo mais que você. Você sabe o que e é certo, mas não quer admitir isso, porque é uma egoísta!
Eu não ouvi o resto do que ele estava falando, porque comecei a chorar e saí em disparada do quarto. Eu não gostava que me vissem chorando, isso fazia com que eu me sentisse fraca. Eu chorava, em parte porque eu sabia que o que ele estava dizendo estava certo, e em parte porque eu não podia assumir isso. Eu simplesmente corri para trás de um montinho de terra que tinha ali perto e me escondi atrás dele, limpando o choro na manga da blusa. Acho que fiquei tanto tempo ali que dormi, e só acordei bastante tempo depois, quando a noite já tinha caído completamente. Fui acordada por alguém que me cutucava levemente nas costas. Era Jack. O que diabos ele estava fazendo ali? Foi o que eu perguntei a ele, que respondeu:
-Meu dormitório é logo ali, — ele apontou para o Shadow – o que você está fazendo aqui? Você está chorando, Adams? – Ele tinha pegado o costume de me chamar assim, pelo sobrenome. Então Jack era do Dormitório Shadow também, o que ele teria feito para ir parar lá.
-Isso não é da sua conta, Starks. – Respondi. Tenho que admitir que a proximidade de seu corpo no meu me excitava um pouco.
-Bom, é melhor você se apressar, o toque de recolher é daqui a 15 minutos. – O que? Eu dormi por tanto tempo assim? Me despedi de Jack, um pouco relutante, pois ele parecia realmente preocupado comigo, com o fato de eu ter chorado (own, que fofo. Quero dizer, até parece que ele realmente se importava comigo. Pff, ele só se importava como um amigo, certo? Amigos se preocupam quando os outros choram, eu acho.).
Fiz o meu caminho correndo para meu prédio (chamado de Heaven). Ao chegar lá, encontrei três garotas animadas querendo me contar todas as fofoca que eu havia perdido. Como se eu não tivesse mais do que me preocupar...
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