Abyss Of The Deep
2 Not alone
Notas iniciais
A garota ficou um tempo olhando para os dois lados, pensativa. Estava nervosa, com medo.
E seu peito doía.
Doía como se tivessem lhe arrancado o coração.
Colocou as mãos em seu peito, mordendo o lábio e fechando os olhos.
Ambos os lados tinham uma porta.
Porém, à sua direita, fora a porta, tinha uma mesinha com uma rosa nela.
Algo dizia que tal flor era importante naquele lugar, naquele momento.
Era uma sensação estranha, mas...
Era como se isso dependesse de sua vida.
Andou até lá. Seu peito ainda doía. Notou que letras estavam na parede, formando, diversas vezes, a palavra “venha”.
Olhou atentamente para a flor e, lentamente, pegou-a.
Quando segurou a rosa em suas mãos, seu peito parou de doer. Agora, a sensação de que tinham arrancado-lhe o coração havia sumido.
Com dificuldade, empurrou a mesa que estava em frente a porta e entrou no local. Lá, existia apenas um quadro de uma mulher sorrindo com os olhos fechados. Seus cabelos negros e um tanto quanto oleosos caíam, literalmente, sobre a moldura. E, em frente a essa mulher, uma chave azul estava caída no chão. Então, Ib decidiu pegá-la. Quando o fez, a mulher do quadro abriu a boca em um sorriso diabólico. Seus olhos eram assustadores. A pequena arregalou os olhos e saiu em disparada porta afora, fechando-a quando voltou ao corredor. Percebeu, então, que os “venha’s” que estavam escritos na parede haviam sido substituídos pelas letras que formavam a palavra “ladrão”. E agora, em um tom avermelhado.
Lentamente, ela caminhou até o outro lado do corredor, assustada com isso. Ficando em frente a essa outra porta, imaginou que aquela chave azul pertencesse a ela. Então, colocou-a na fechadura e, silenciosamente, abriu a porta.
Agora, o novo local onde estava era de um tom verde não muito vivo, mas não que também não era exatamente “morto”.
Ib achou o lugar um tanto quando engraçado, afinal. Tinham, colados, um quadro de uma joaninha na parede e, ao seu lado, outro quadro, mas de uma abelha. Outro de uma borboleta e, por fim, de uma aranha.
Mais uma vez, dois lados para ir. Decidiu seguir caminho pela direita. Entrou na porta que tinha ali, mas no estreito corredor, cujo qual encontrava-se agora, existia um abismo. Encostou-se na parede e viu que, do outro lado, tinha uma porta. Mas o buraco era largo de mais para ela pular... e se aquela fosse a saída daquele lugar?
Decidiu voltar e procurar algo que pudesse usar para passar ali. Andando pelo corredor, viu mais uma vez os quadros de insetos, esquecendo-se da mulher e de seu sorriso assustador que tinha visto agora a pouco. Continuou andando até o outro lado da sala.
– Hmm... parece que é outro corredor... acho que esse lugar esquisito tem corredores de mais... – falou a si mesma, começando a andar por ele.
E então, sentiu uma mão sobre seu ombro.
Era uma mão gélida e fantasmagórica.
– A-AAAAAAAH! – Gritou, dando alguns passos para trás, encostando-a na parede. Notou que aquela mão que a segurava saíra da parede.
E então, outra mão fantasmagórica em um tom negro abraçou sua cintura.
– M-ME SOLTA! – Gritava, desesperada e assustada, puxando aquilo para longe de si.
Quando conseguiu fazê-lo, desequilibrou um pouco, mas conseguiu correr a tempo antes de outra mão se fechar em uma grande mecha de seus cabelos castanhos.
Quando chegou no final do corredor, ela colocou as mãos em cima dos joelhos para respirar, já que elas tinham parado da aparecer.
Até que uma outra mão, na parede a sua frente, saiu de dentro daquela tinta esverdeada. Ela não conseguiu pegar Ib, mas fez a garota cair sentada no chão. Como as mãos não conseguiam sair da parede, nenhuma delas conseguiu tocá-la.
Ela ficou ali parada, olhando para as mãos fantasmagóricas que tentavam tocá-la. Vagarosamente, levantou-se e ajeitou sua saia. Ela então, reparou que estava com dor. Era estranho, afinal, nenhum daquelas mãos havia feito mais do que lhe segurar.
Ib olhou para a rosa em sua mão. Uma das pétalas havia caído.
Ignorou a dor, e olhou para o lado.
Cuidadosamente, virou para a direita, onde ela pôde ver outra porta.
Mas, quando chegou até ela... estava trancada.
– Droga... o que vou fazer agora...?
Olhou para os lados, e viu um quadro de uma formiga. Esse, diferente daqueles outros que vira antes, parecia não estar colado na parede.
– Será que eu consigo usá-lo naquele buraco...?
Então, chegando perto dele, segurou-o, erguendo-o, e tirou o objeto da parede. Para ela, ele parecia ser pesado, mas na realidade era leve.
Andou novamente pelo corredor – agora mais para o “meio” dele, longe das paredes – com cuidado para não cair com a pintura da formiga, e voltou para o pequenino corredor com o buraco.
Ela observou o buraco um tempo, olhando para ser se conseguia avistar o seu fundo, o que foi em vão...
– Hmm... espero que dê certo... – disse, colocando cuidadosamente a pintura em cima do buraco, fazendo um tipo de ponte. – Se eu for correndo, talvez eu consiga passar e sair deste lugar estranho.
Então, tomou impulso e correu pelo quadro. Para seu alívio, ele não rasgou.
Mas, para sua surpresa, ela esmagou a formiga.
Agora, do outro lado, ela observava o quadro. A formiga que estava pintada nele agora estava com sangue nas laterais de seu corpo, e algumas patas desmembradas, como se alguém tivesse pego um chinelo gigante e esmagado o inseto.
Ib deu de ombros. Mesmo que fosse mais do que estranho, era irrelevante. Tocou a maçaneta da porta. Finalmente sairia dali...
Mas, afinal, estava errada.
Estava parada diante de outro corredor, da mesma cor de verde.
É... ela realmente não sairia dali com tanta facilidade...
Adentrou ele. Reparou que tinha uma chave no chão. Sua cor era verde. E, em frente a ela, um manequim preto de uma mulher sem cabeça, com um vestido vermelho. O mesmo que estava entre as várias esculturas na galeria.
– Bem... essa chave provavelmente abre aquela outra porta que eu vi... – disse, andando na direção da chave e pegando-a.
Logo, o manequim, de alguma forma, soltou um ruído, como se fosse um tipo de rosnado. Ergueu os braços. Ib deu um passo para trás. Começou a correr, com a escultura atrás de si. Passou por cima do quadro da formiga que, quando a pequena chegou ao outro lado, rasgou. O manequim, então, caiu no abismo.
Ib ficou olhando a escultura caindo, até desaparecer na escuridão.
– Assustador... – comentou.
Então, tomando novamente cuidado com as mãos que saíam das paredes, ela chegou novamente até a porta que encontrara junto com o quadro da formiga e colocou a chave na fechadura, que se abriu.
– Mas o quê...?
Ela olhou em volta. A sua frente, tinha um espaço em forma de peixe. Tal forma estava entre e um pouco abaixo de dois olhos de gato. E, talvez pudesse ser apenas impressão da pequena garota, mas...
As paredes foram construídas para terem o formato do rosto de um gato?!
Bom, não importava. Era, de fato, realmente estranho e ao mesmo tempo engraçado... mas, definitivamente, não era importante.
– Ótimo... dois lados para se seguir... isso já está ficando bastante repetitivo... – disse. – Ok, dessa vez vou para a esquerda – e o fez, deparando-se com uma sala um pouco grande, com algumas colunas dentro dela.
Na mais próxima da porta, um boneco palito com pequenos olhos vermelhos estavam desenhado. Quando Ib passou por ele, um barulho atrás de si, como se alguém tivesse jogado tinta na parede, foi ouvido.
Ela virou-se, e viu algo escrito em amarelo na coluna, um pouco abaixo do boneco palito.
“Brincar de esconde-esconde?”
Após lê-lo, o boneco desapareceu. Ib, então, notou que nas outras colunas, tinham uma cortina vermelha, com um tipo de “botão” em baixo delas, amarelo.
– Será que...
Ela aproximou-se da coluna ao lado da que estava a sua frente. Apertou o botão a cortina se abriu, mostrando o quadro de uma lua.
Mas...
Quando o fez, a luz daquela sala havia mudado para um tom esverdeado da moldura do quadro.
– Então eu... devo achá-lo... – falou a si mesma, olhando para as oito colunas que estavam ali. – Certo... não me importo de te procurar, então. Mas saiba que eu sempre ganho quando brinco de esconde-esconde...
A pequena, então, andou até a última coluna da fileira em que estava.
– Você está aqui?
Apertou o botão.
Mas não era o boneco palito quem estava no quadro da vez.
E sim...
Ela.
Ib arregalou seus olhos.
Era ela mesma, caindo.
Caindo, dentro de algo que parecia com um mar.
– Mas como...
Ela piscou.
O mar em que estivera quando entrou nesse mundo... era... era...
O mesmo que estava pintado ali, a sua frente.
Ib ficou alguns segundos parada ali, processando isso, até que lembrou-se do que estava fazendo até então, e tentou ignorar a estranheza daquilo.
Logo, ela pensou e pensou onde aquele boneco poderia estar.
– Ok... deixarei minha intuição me levar... sempre dá certo nas provas da escola.
Após dizer isso, fechou seus olhos, de braços cruzados.
– Espero que esteja ai mesmo.
Caminhou até a segunda fila de colunas, ficando de frente da segunda – da esquerda para a direita -, e apertou o botão.
A cortina se abriu, e o boneco palito estava em um quadro.
– Bingo – sorriu ela.
Logo, outra escrita em tinta amarela apareceu.
“Me encontrou, merece um prêmio”
E então, ouviu o barulho de algo caindo no fundo da sala. Olhou para ver o que era e, só então, reparou no quadro que estava ali. Era um peixe sendo cortado ao meio por um facão. Mas a cabeça do peixe não estava ali no quadro, e sim...
No chão?
Lentamente, caminhou até ali. Se agachou e, cuidadosamente, segurou a cabeça do peixe – que mais parecia um brinquedo de montar – nas mãos.
– Ah, que legal... o que vou fazer com essa coisa...? – Guardando o objeto no bolso de sua saia.
Logo, já que notou que não tinha mais o que se fazer ali, voltou para a sala com formato de rosto de gato. Ela, então, viu o espaço em forma de peixe que tinha na parede, abaixo dos olhos de gato.
– Espera... o que é isso? – Perguntou a si mesma, pegando a cabeça de peixe que estava em seu bolso.
Cuidadosamente, colocou ela naquele espaço.
– “Cabeu” certinho – falou. – Do jeito que ele lugar é estranho... acho que vai acontecer algo se eu achar a outra parte desse peixe...
Ib, então, seguiu caminho para a sala da direita.
Agora, esse novo lugar parecia mais com um tipo de depósito.
Tinha alguns manequins (iguais ao que tinha tentando pegar Ib na sala verde) ali, mas estavam imóveis, e usavam vestido azul – e, outros, sequer usavam vestido. Várias caixas, abertas e fechadas. Cinco estátuas um pouco maiores do que ela mesma de cabeças. Alguns poucos manequins brancos, igual os usados em lojas de roupas. Um grande quadro com a tela encostada na parede, uma pintura de uma rosa em um canto e, jogado no chão, uma pedra cinza. Parecia ser o mesmo tipo de pedra que havia sido usada para fazer aquelas estátuas de cabeças. Ela batia até sua cintura e era quadrada.
Ib deu a volta por ela e olhou o interior de algumas das caixas que estavam ali procurando a parte traseira do peixe, e as luzes piscaram.
– De novo...? – Falou, olhando para o teto. – Será que isso vai me levar pra casa, agora? – Disse, num tom de impaciência.
Porém, sem que percebesse, uma das estátuas de cabeças, a que estava no meio, ficou com os olhos vermelhos, e começou a movimentar-se sozinha, como se fosse uma peça de xadrez e alguém estivesse mandando-a ir para alguma casa.
– Hm? Que barulho é esse? – Perguntou ela, virando-se para trás. Quando viu a estátua, ela gritou e acabou tropeçando nos próprios pés, caindo no chão.
A estátua aproximava-se mais e mais,a te que...
CRASH!
Ela acabou tombando quando tentou passar por cima da pedra que estava ali, e espalhou-se em vários pedaços. Ib se assustou com isso, mas quando reparou, algo azul estava perto de sua mão. Parecia ter estado dentro daquela estátua.
– O que é essa coisa? – Disse, olhando para o objeto que parecia ter estado dentro da estátua.
Cuidadosamente, olhou melhor. E então, abriu um largo sorriso.
Era a outra metade do peixe!
Ib pegou o objeto e saiu em disparada para a sala de gato. Chegou perto do espaço em formato de peixe e, assim como a cabeça, coube perfeitamente ali.
Quando encaixou as duas partes do peixe, os olhos do gato – que antes estavam em um círculo – afinaram-se, e ficaram vermelhos. Então, um som muito alto de miados e mais miados começou. Agora, na parte da parede onde estava o espaço com o peixe, sumia, em linha reta, formando um novo corredor, mas dessa vez estreito. Então, Ib, mais uma vez, seguiu caminho por ele.
O estreito corredor agora ficara maior. Na parede a sua direita, um quadro branco estava pendurado. Quando a pequena olhou mais atentamente, viu que, pintado de vermelho, estava o número “9” ali. Na parede a sua direita, uma boca estava, literalmente, ali.
– Esse lugar, realmente, é muito estranho... – comentou, seguindo adiante.
Agora, mais uma vez, ela encontrava-se em dois caminhos diferentes para seguir. Apontado para o lado esquerdo, lia-se uma placa escrita “The Liar’s Room”, e na placa apontada para a direita, “The Tree Room”.
– Ahn... – ela coçou a cabeça. – Acho que... a Tree Room parece mais “amigável”... – disse, andando pelo corredor da direita.
Em tal corredor, tinham algumas bonecas de pelúcia penduradas pelos tornozelos no teto. Uma delas, quando Ib passou ao seu lado, caiu no chão. Ela observou a boneca. Na roupa que ela usava, tinha, em cor verde, o número “18”. Cuidadosamente, ajeitou a boneca, encostando-a na parede. Quando chegou em frente a porta amarela com várias folhas de árvore desenhadas em volta dela, viu que precisava de uma senha para abri-la.
“vermelho X verde + roxo =”
– Isso parece... multiplicação e... adição... – disse, inclinando a cabeça. – Mas como é que eu vou saber a resposta?! Não tem como fazer uma conta com cores... – ela suspirou. Decidiu, então, ir até a Liar’s Room.
Após entrar na sala, viu seis quadros de pessoas nas paredes. Em baixo deles, tinha um texto. Mas... o texto dava coordenadas!
A pequena aproximou-se do quadro de uma mulher de cabelos longos, que usava um vestido marrom.
“Fique de frente para a estátua, dê quatro passos para o leste, depois dois passos para o norte. Essa é a resposta!”
– Resposta...? Estátua...? O que é isso? – A garota ergueu uma sobrancelha, confusa.
Logo, ela viu a porta que estava entre os quadros.
– Será que se refere a algo que tem aqui dentro? – E, após dizer isso, entrou.
Certa. A sala tinha uma estátua bem em seu centro, e vários buracos no chão, que estavam tampados por uma peça... “recortada” do chão.
O que aquele quadro dizia mesmo...?
Três para o leste? Não...
Ib pensou, até que lembrou-se.
– Quatro para o leste... – disse, caminhando buraco por buraco cuidadosamente. – E dois para o norte... – falou, andando dois passos para cima. – O que será que tem aqui...? – Ela puxou o pedaço de chão que estava ali, mas tudo que achou foi um número “4” tingido de roxo. – Mas... o que é is-- — porém, antes de terminar de falar, barulhos altos de cortes foram ouvidos na Liar’s Room.
Ib assustou-se e ficou ali, imóvel, olhando para a porta. Logo após alguns minutos, decidiu ir ver o que havia acontecido.
– Mas... i-isso...
Todos os quadros estavam cobertos por sangue, e todas as pessoas das pinturas seguravam duas espadas, e abaixo delas escrito “LIAR!”. Exceto por uma mulher.
O quadro da mulher de vestido marrom, agora, não possuía nada escrito – ou, se tivesse algo ali, o sangue estava cobrindo -. Ele estava rasgada e parecia ter mais sangue naquela mulher do que nos outros.
– M-meu Deus... – falou a pequena, para si mesma. Então, decidiu sair de lá, pois definitivamente, não queria descobrir o que havia acontecido ali.
– E agora...? O que farei...? – Dizia Ib naquela sala, pensativa.
Voltou à porta com folhas de árvores. Cruzou os braços e observou.
– Vermelha... vezes verde... mais roxo... certo Ib. Pense... o que você encontrou nesse lugar...? – E, lentamente, ela dizia para si mesma o que havia encontra por ali. — ...E um quatro... roxo... – quando pronunciou essa parte, arregalou um pouco os olhos. Sabia o que aquilo queria dizer! Ib podia não conhecer algumas palavras que lera por lá, mas era muito boa para raciocinar e descobrir enigmas.
Aquilo era, obviamente, multiplicação com adição. E o resultado certamente abriria a porta. Eram três números... e ela havia achado os três números!
O primeiro era o nove, que havia encontrado no quadro, quando entrou na sala. Ele era vermelho.
O segundo era o dezoito pintado de verde na camisa da boneca.
E o último, o quatro que roxo que havia achado na Liar’s Room.
– Muito bem... agora vejamos se estou certa... – por sorte, era boa em matemática, então não foi foi difícil descobrir o resultado. — ...Vai dar cento e sessenta e dois, com mais quatro... cento e sessenta e seis – sorriu, digitando o número. Então, a porta se abriu.
Quando entrou lá, se deparou numa sala com várias árvores. Mas, em uma, lá no fundo, tinha uma, apenas uma, com uma única maçã.
– Ahn...? – Ela ficou sem entender. Mas, quando viu a fruta, lembrou-se da boca que estava na parede. – Será que... se eu lhe der essa maçã... – ela colocou a mão no queixo. Logo, pegou a fruta e voltou para o local onde a boca estava. – Hmm... está com fome? – Disse, dando a maçã para a boca, que, quando se abriu, devorou a maçã num instante.
– Hmm... está saboroso. Eu deixarei você passar agora. Entre na minha boca – e abriu-se suficientemente para a garota passar.
– Hm... c-certo, eu acho... obrigada. – Um pouco desconfiada, ela passou pela boca, entrando em uma sala vermelha, que formava um U. Não havia nada lá, a não ser, do outro lado da sala, uma outra porta. – Hm, legal – disse ela, um tanto desafinada, e entrou lá.
A sala ainda era vermelha, um formato de H. Nos cantos da sala, quadros. No meio, uma porta – mas que, infelizmente, estava trancada.
– Bom... acho que a chave deve estar aqui em algum lugar... – disse, olhando os quadros, até que percebeu algo familiar. – Ei... esse quadro é... o da Lady In Red – ela sorriu ao vê-lo, havia gostado dele.
Por pouco tempo.
A mulher havia saltado da parede. Sua cintura pra baixo grudada pra dentro do quadro.
– A-AAAAAAH – gritou a garota, que havia caído no chão. Antes de pensar em fugir, ela percebeu que de trás da moldura, havia caído algo vermelho e brilhante.
A chave.
– D-droga... – dizia, rastejando para trás, enquanto a Lady In Red vinha até sua direção e pensava em como pegar a chave. – J-já sei... – ela se levantou. – VENHA ME PEGAR! – Gritou para o quadro, e então, correu pela sala.
Lady In Red rastejava atrás da garota, quase pegando-a. Então, Ib deu a volta na sala, chegando até a chave, se agachou rápido e, por muito pouco, conseguiu pegá-la.
– ISSO! – Disse, colocando a chave na fechadura. – VAI, ABRE LOGO! – O quadro vinha em sua direção.
Mais perto.
A chave não girava.
Não encaixa.
Ela vinha mais perto.
Quase tocando seu pé.
Tão próxima.
– CONSEGUI – gritou, abrindo a porta abruptamente, entrando na sala e, rapidamente, fechando-a. A mulher batia com força na porta. O coração de Ib estava acelerado.
– Essa... foi por pouco... – ela respirou fundo e desencostou-se da porta quando parou de ouvir a mulher com suas batidas e rosnados.
Logo, Ib percebeu que o quarto era pequeno, com algumas estantes cheias de livros, e uma porta no final da sala.
– Haha... quer ver que ela está trancada também? – E, como disse, estava. – Bom... talvez as chaves estejam nos livros. – E logo, pegou um da estante e o abriu, começando a lê-lo. Era sobre uma menina que estava em uma festa de aniversário de sua amiga falando sobre algo. E depois, a primeira garota havia ido para casa e algo havia acontecido, e depois...
“CARRIE CARELESS AND THE GALETTE DES ROIS”
– Parabéns Carrie! Feliz aniversário!
– Obrigada!
– Agora coma o bolo para encontrar o Gallete Des Rois.
– Gallete Des Rois? O que é isso?
– Tem uma moeda dentro do bolo. Se você comer o pedaço com essa moeda, significa que você é uma pessoa feliz!
– Parece divertido!
*NHOM NHOM*
– A-ah...
– O que foi Carrie?
– M-minha barriga... e-engoli algo e-estranho...
– Haha, Carrie! É apenas a moeda! Não se preocupe, você ficara bem...
– Filha, você viu a chave do escritório?
– Eu a deixei em cima da mesa mãe.
– Mas ela não está aqui... apenas uma moeda... vou procurar pela casa...
– ...Uma... moeda...? O-o que... o que eu fiz...
– Haha, bom, vou aproveitar que estou com a faca que cortamos o bolo da Carrie para pegarmos a chave novamente!
...
– Acheeeeeei!
Nessa página, a garota e a ponta da faca estavam cobertos por sangue.
A amiga de Carrie havia a matado para pegar a chave...
– Que barulho é esse? – Disse Ib, guardando o sinistro livro. – Veio da porta... – e andou em direção até ela.
A porta, agora, estava aberta.
– I-incrível... – falou, entrando no local.
Mais uma vez, era uma sala vermelha com duas portas de cada lado. Decidiu ir até a porta da esquerda.
Era outra sala, com o chão com mais ou menos cinco pétalas azuis de rosa no chão. E em um texto escrito “The Lady In Blue” em baixo de um lugar onde provavelmente tinha um quadro. E uma porta.
– Aonde será que isso vai dar...? – Mesmo que estivesse com medo, era uma garota bastante curiosa.
Mas, quando entrou lá, viu uma mulher, idêntica a Lady In Red, com vestido azul, com o corpo para fora do quadro, olhando para uma rosa azul, que estava ao lado do pé da garota.
– O que é isso...? – Ib pegou a rosa.
Mas não foi uma boa ideia.
Lady In Blue rosnou e começou a se rastejar na direção dela.
– S-SOCORRO! – E, novamente, ela começou a correr.
Quase tropeçando e caindo, saiu pela porta na qual entrou e saiu por ela, fechando a porta na cara da Lady In Red. Mas essa parou de arranhar a porta mais rápido.
– O-ok... outra porta...
Andou lentamente na direção da porta. Percebeu que sua rosa vermelha tinha quatro pétalas, e a rosa azul tinha dez. Parecia sentir que estava segurando não apenas sua vida, mas a vida de outra pessoa junto...
Calmamente, abriu a porta, e deu um pequeno grito quando entrou no corredor.
Respirando com dificuldade, um garoto estava desmaiado no chão.
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