Os lábios quentes de Jean tomavam os meus enquanto ele ainda estava ajoelhado à minha frente. Apesar de amar os beijos de Jean que me deixavam sem ar, não conseguia apreciá-los como antes e era nisso em que pensava enquanto o meu polegar alisava aquela aliança em meu dedo, não me permitindo sair daquela realidade. Eu havia acabado de dizer sim de novo aquele homem que eu amo, mas por que estava em dúvida sobre este sentimento? Por que não estava sentindo bem, se disse sim segura da minha decisão?

Jean sorria para mim, tocava em meu rosto e me dava mais alguns beijos pelo rosto enquanto eu sentia que estava assistindo de fora aquele momento.

— Quando vamos ver seus pais? — Questiona Jean, animado — Eu estou de licença do trabalho por mais alguns dias, então eu estava pensando… que tal aproveitarmos esse momento e ir visitar os seus pais?

— Você está mesmo bem para viajar? Não é cedo demais?. — Questiono mordendo meus lábios em seguida, pois já esperava a bronca que viria da parte do Jean que segurava meus braços firmemente.

— Você me curou, meu amor. Te amo tanto, Catarina, que você não é capaz de imaginar. — Declara Jean que volta a me abraçar.

Por um momento senti meu peito aquecer com aquelas palavras de Jean, mas somos interrompidos por algumas batidas na porta: era a governanta entrando com uma bandeja nas mãos contendo uma jarra de suco e mini sanduíches. Claro, acompanhando a governanta da casa, Tereza com um sorriso falso no rosto ao mesmo tempo em que se aproxima de nós.

— Vejo que vocês se resolveram e reataram o noivado. — Diz Tereza encarando a jóia em meu dedo. Acredito que em seu íntimo desejava que minha mão queimasse, pelo menos era o que seus olhos demonstravam intensamente. Ela nos encara então continua com seu sorriso estático. — Eu fico muito feliz por isso e desejo sempre a felicidade de vocês.

— Obrigada, Tereza. — agradeço seguindo o seu ritmo.

— Sim, mamãe. A Catarina é tão maravilhosa que está me dando uma nova chance de ser o homem mais feliz do mundo. — Reforça Jean que segura em minhas mãos.

— Então podemos voltar a programação de organizar o casamento de vocês? A data está cada vez mais perto e ainda tem muita coisa para ser feita e…

— Não se preocupe. — Digo interrompendo Tereza. — Os planos mudaram, Tereza.

— Como assim? Não vão mais casar? — Questiona Tereza surpresa, faz um sinal para a governanta deixar a bandeja em um mesa ao canto e logo se retira.

— Nós vamos, mamãe. — Afirma Jean que respira fundo. — Mas não como estava antes… A Catarina quer montar o nosso casamento a maneira dela.

— Ela concordou com as nossas decisões e… Catarina não tem como mentir que estava ficando lindo.- Diz Tereza que cruza os braços.

— Realmente Tereza, estava virando um belo casamento… Mas não era o meu casamento. — Digo ficando em pé e a encarando. — Era como você queria e como você escolheu… Até mesmo o meu vestido que eu queria escolher com a minha mãe, você quem decidiu.

Eu olho para ela de cima a baixo, respiro fundo deixando o peito estufado e rosto erguido. Estava me sentindo forte e capaz de enfrentar tudo e todos.

— Só que agora será do meu jeito e na data que eu escolher. — finalizo.

Tereza estava com o rosto vermelho, ela sorria com os lábios, mas seus olhos demonstravam claramente que alegria não era seu verdadeiro sentimento.

— Você está de acordo, filho? — Questiona Tereza procurando amparo do filho.

Jean levanta, me envolve pela cintura com seus braços e a responde.

— Se a minha noiva quer desse jeito… Eu concordo. — Diz Jean. — Mas ela aceitou ajuda da profissional da Lígia então fique despreocupada mãe.

— Tudo bem… — Diz Tereza passando a mão pelos seus cabelos, nervosa.

Ela parecia estar bem triste, sai de cabeça baixa da varanda até fechar a porta do quarto. Por um momento fico triste e me sinto mal de privar ela daquele momento, afinal o Jean é o único filho dela, ele ainda vai se casar pela primeira vez e tudo que ela queria era fazer o melhor para o filho dela. Por outro lado estava sendo ruim por ela não querer participar apenas, mas sim controlar toda a situação e ser tudo como ela deseja sem levar em conta a opinião alheia. Depois de um tempo me senti aliviada de ser daquela maneira, se não ela nunca me daria vez ou voz nas decisões do meu próprio casamento.

A data do casamento foi adiado para início do ano que vem, mas ainda não escolhi um mês, pois queria decidir isso com a minha mãe, as datas festivas do fim do ano estavam próximas e decidimos que iríamos passar o natal com a minha mãe e o ano novo com os pais dele. Com relação ao meu pai, não havíamos conseguido encaixar uma data para visitá-lo entre as festas, pelo menos era isso que eu tinha concluído enquanto pesquisava algumas igrejas do estilo que eu desejava em Mato Grosso do Sul, quando o Jean sentou do meu lado, enchendo meu rosto de beijos apaixonados:

— Ourinhos… — fala Jean em meu ouvido — Eu e você, amanhã, que tal?

— Oi? Como assim? — pergunto , surpresa.

— Eu estava pensando — começa Jean — Sua família é toda de lá, certo?

— Sim… — confirmo sem entender — Exceto minha mãe e a irmã dela…

— Nosso casamento será no mês que vem — continua beijando meu rosto. — Então precisamos nos apressar se queremos que todos os nossos convidados compareçam ao nosso casamento.

— Jean… Lembra que eu disse que gostaria de marcar a data após conversar com a minha mãe? — recordo segurando a mão do Jean — Eu não falei com ela ainda sobre… o nosso casamento. Além disso, não quero chegar lá e jogar na cara dela que sua única filha vai se casar e já com a data estabelecida.

— Eu sei, eu sei… — repete Jean respirando fundo. — Porém, você precisa entender que eu acho que a data deveria ser algo que o casal deveria escolher, sabe?

— Sério? Achava que você não se importava muito com isso. — digo surpresa.

— Eu me importo , tanto que escolhi o dia do casamento dos meus pais, mas você o rejeitou. Sem contar que você precisa levar em consideração que os meus convidados possuem seus tempos muito restritos. Os melhores meses para eles seriam dezembro, que você já descartou, ou janeiro, mas pelo visto é um mês que nem passa pela sua cabeça. Imagine se você marcar o nosso casamento em março… meu pai estará fazendo especialização fora do país no próximo ano e minha mãe irá acompanhá-lo. Eu entrarei sozinho na igreja.

— Eu entendo, mas eu também acredito que as pessoas que quiserem estar lá e dividir conosco esse momento, estarão. Seja 800 convidados ou só eu e você.- reforço tocando em sua mão a qual ele afasta rispidamente.

— Fora que se adiarmos muito, pagaremos o dobro por tudo o que definimos para o casamento. Estamos tirando a oportunidade das outras pessoas por não definirmos a data. — Reforça Jean passando a mão pelos cabelos.

— Eu sinto muito por não poder ajudar com as despesas… Não sabia que isso estava pesando tanto pra você. — Digo, triste. — Olha, a gente pode cancelar tudo isso agora… E deixar para casar no final do ano...

— Não é isso, Catarina! — fala Jean me encarando, irritado —Eu sinto que você está fazendo exatamente o que acusou a minha mãe.

— Sério?

— Sabe, eu também faço parte desse casamento e também quero coisas minhas nele. Porém, você se adonou de tudo e eu me sinto um banco… Só sirvo para pagar as coisas que você quer!

— Uau, essa foi pesada. — comento, surpresa. — Eu jamais faria isso com você.

— Pois é, mas é assim que eu estou me sentindo — afirma Jean, sério. — Igual agora, dei uma ideia de ir vermos o seu pai, começar a entregar os convites e você já está dizendo que não. O quanto isso é diferente do que minha mãe fez?

— Tudo bem… — Começo pensando em tudo o que ele disse pra mim. — Primeiro, que desejo que você participe de tudo em nosso casamento, amor. Porém não me sinto pronta para me casar em Janeiro…

— Por que não? — Questiona Jean.

— Porque primeiro eu quero receber a benção dos meus pais…

— Tudo bem, vamos pedir a benção do seu pai amanhã, aproveitamos e convidamos a sua família e no natal a da sua mãe. Ainda sobra tempo para nos casar em janeiro.

— Jean, mas…

— Catarina, eu estou pronto para me casar. — Afirma Jean — Eu te amo e estou pronto para me casar. E se você quiser mesmo se casar comigo, amanhã nós iremos para Ourinhos. Está na hora de agilizarmos o nosso casamento.

Abro meus lábios, mas Jean nem ao menos esperou qualquer resposta minha. Fico sozinha com todas as acusações que ele me fez.

***

Quase um ano se passou para eu voltar a cidade onde cresci. Sai daqui com um misto de sentimentos e não regressei diferente. Quero dizer, fisicamente estou bem diferente, bem como a companhia também é diferente: saí de braços dados com a minha mãe e agora voltei segurando a mão do meu noivo que dirigia tranquilamente pela avenida principal. Porém com relação aos meus sentimentos, eles continuam confusos.

A cidade não era tão grande, então em poucos minutos já estávamos estacionando na frente da minha antiga casa. Apesar da extrema necessidade de pintura, ainda era possível ver o tom rosa das paredes externas, o portão da garagem que também era o de acesso a casa e estava prestes a cair , agora caiu de vez e estava encostado no muro permitindo que pudéssemos ver a porta de madeira descascada.

Apesar de não ter mais um portão delimitando o acesso à minha casa e ela ser o meu lar, não me sinto confortável e por isso bato palmas da calçada na esperança de que meu pai venha nos atender.

Então, eis que surge uma figura que realmente fugiu de todas as minhas expectativas: uma mulher de cabelos pretos desgrenhados com um cigarro nos lábios e de cara emburrada. Talvez um pouco mais jovem que a minha mãe, mas sua aparência não ajudava muito a confirmar isso. Ela me analisa dos pés a cabeça e então se aproxima ajeitando o pano de prato em seu ombro:

— Oi. — Cumprimento sem graça — O Sebastião ainda mora aqui?

— Sebastião? — pergunta a mulher franzindo a testa. — Depende de quem pergunta…

— Eu sou Catarina, a filha dele. — Digo com um sorriso mais receptivo.

— E eu o Jean, o genro dele. Ele está ou não? — Questiona Jean já demonstrando uma leve irritação e desprezo por aquela mulher.

— Não está… — responde a mulher baforando a fumaça em nossa direção, claramente provocando nós dois. — Aliás, ele nunca está… Dorme aqui às vezes, mas o verdadeiro lar do seu querido papai é o bar. Mas você já deve saber disso…

— Onde fica esse bar? — pergunta Jean , sério.

— Depende… — começa tragando novamente o seu cigarro.

— Depende do quê? Será que você consegue falar como gente? — Questiona Jean se aproximando da mulher a ponto de deixá-la intimidada.

— Depende do bar que vai aceitá-lo. — responde a mulher amedrontada. Ela me encara. — Isso é tudo o que sei. Então se puder ir embora, agradeço.

— Essa casa é da minha noiva também. — fala Jean — Quem não deveria estar aqui é você.

— Eu sou a mulher dele e se não saírem daqui, chamarei a polícia.

— Jean, vamos embora — peço se aproximando dos dois. O Jean estava prestes a sair do controle e eu não poderia permitir que ele fizesse isso. — Por favor.

Ele se aproxima mais um pouco da mulher e então toma o cigarro das mãos dela e joga no chão , pisando com toda força. Puxo seu braço mais uma vez e então ele finalmente volta a si e entra comigo dentro do carro.

— Que mulher desprezível. — Comenta Jean batendo a porta do carro com toda força. — Uma mulher dessa merece porrada todo dia para aprender o seu lugar.

— Esqueça, ela não é importante. — Digo colocando o cinto. — Vamos, eu sei quem pode nos dizer onde ele está.

***

Tia Janice abre o seu portão de metalão com as mãos na cabeça ainda surpresa com a minha visita. Ela me abraça efusivamente:

— Minha querida, mas que surpresa maravilhosa! — fala enquanto segura meu rosto entre suas mãos. Então se afasta segurando nas minhas mãos dizendo. — Venha, vamos entrar.

A casa da minha tia é muito bem arrumada, mas ainda assim simples demais sob o ponto de vista muito bem explícito de Jean que observa a tudo com certo desconforto, ainda mais quando se senta no sofá forrado com uma capa florida. Minha Tia Janice então aparece com uma bandeja ocupada por um pacote de biscoito de água e sal, margarina e uma jarra de formato de abacaxi com suco.

— Como está diferente, está tão bonita! Linda, toda linda e bem arrumada. — Elogia minha tia.

— Obrigada, tia. — Agradeço corada. Afasto-me ao escutar o Jean respirar fundo atraindo atenção de nós duas.

— E quem é esse rapaz tão bonito? — Pergunta minha tia, curiosa.

— Esse é o Jean. — Respondo segurando na mão dele que aperta a minha levemente, uma forma de incentivo para as minhas próximas palavras. — Meu noivo.

Os olhos de minha tia quase saltaram de seu rosto após as minhas palavras. Ela encara minha mão e encontra minha aliança de noivado muito bem posicionada.

— Meus parabéns. — Felicita minha tia segurando a minha mão. Ela vira seu rosto em direção a porta gritando. — Marilia, Cristina, venham já aqui.

Minhas duas primas aparecem rapidamente na porta encarando Tia janice sem entender o chamado. Elas são dois anos mais novas do que eu, mas a Marília já é juntada com um rapaz e tem um filho, enquanto Cristina fica indo e voltando com o mesmo namorado de escola.

— Sua prima vai se casar! — revela Tia Janice as duas que se sentam na sala, surpresas.

— Parabéns. — Comenta Marília sem muita empolgação olhando para a minha mão. — É biju?

— Não. — Respondo sem tirar meus olhos em Cristina que senta o mais próximo possível do Jean, conhecendo o jeito dela, sei bem de suas intenções. E acredito que minha tia também, já que fala o seguinte:

— Cristina!

— Sim, mãe — responde minha prima.

— Vá chamar seu Tio Sebastião e diga que a filha dele está aqui em casa. — Pede minha Tia Janice me encarando — Com o noivo.

— Onde ele está? — pergunto encarando minha tia.

— Sem dúvida em um bar que ainda não conhece sua reputação. Vou trazê-lo aqui acho que é melhor do que levar o seu noivo até… lá. — comenta Tia Janice

Cristina sai da sala e leva consigo toda a calma que estava comigo.

***

Jean encara seu relógio de pulso pela quinta vez em menos de vinte minutos. Sua ansiedade não é menos que a minha que tento aliviar mexendo em meus cabelos. Então escuto o portão de minha tia se abrir, vozes levemente alteradas e então passos vindo em nossa direção.

— Cat! — Cat! — grita meu pai entrando na sala. Ele praticamente me ergue do meu lugar me abraçando fortemente — Que saudades!!!

Ele me afasta do seu abraço e me observa atentamente, posso ver no canto de seus olhos, lágrimas que ameaçam cair pelo seu rosto. Ele não mudou nada, nem mesmo o cheiro alcoólico que sempre tomou conta do espaço por onde ele entrava.

— Pai, quero apresentar a você meu noivo, Jean. — Digo apresentando Jean. — Jean, esse é o meu pai, Sebastião.

— É uma honra conhecê-lo, senhor. — Fala Jean que se levanta e estende sua mão para o meu pai.

— Deixe disso, rapaz. — Fala meu pai evitando a mão de Jean e o abraçando. — Sei que veio aqui para pedir a minha benção e claro que não posso fazê-lo sem antes conhecer o homem com quem minha filha pretende se casar. — Fala meu pai se sentando — Diga, você faz o que da vida, rapaz?

— Sou médico. — Responde Jean sentando ao meu lado — Bom, residente.

— Bom, muito bom — comenta meu pai sorrindo — Um médico definitivamente cuidará muito bem do meu maior tesouro… ou melhor o único.

— Como vocês se conheceram? — pergunta Cristina tocando no antebraço do Jean.

Ele sorri e começa a contar todos os detalhes da nossa história, claro omitindo os últimos acontecimentos, na verdade todos os acontecimentos ruins da nossa tão breve relação.

— Então, naquele jantar eu tive a certeza de que ela é o amor da minha vida e não poderia deixar que ela escapasse. — Continua Jean atraindo atenção de todos na sala. — Então a amarrei com esse belo solitário que mandei desenhar especialmente para Catarina. — finaliza me encarando.

Suas palavras trazem o sorriso para os meus lábios e um conforto para o meu coração. Sinto-me a mulher mais sortuda do mundo por tê-lo ao meu lado.

— Você tem algum irmão, ou primo para nos apresentar ? — pergunta Cristina arrancando risos de todos nós.

Após o lanche, ajudo minha tia com a louça enquanto meu pai pediu para conversar a sós com o Jean

— Estou tão feliz por vocês — repete minha tia lavando os copos.

— Obrigada, Tia. — agradeço guardando a louça do escorredor — Espero que possam ir.

— Bom, depende de quando será — responde Tia Janice — Vocês já sabem quando?

— Ainda não… O Jean quer em Janeiro, mas eu preciso ainda da benção dos meus pais — respondo, evasiva — E a senhora imagina qual foi a minha surpresa ao encontrar uma mulher na nossa casa.

— Ah sim, Maria — fala Tia Janice — Bom, você não pode culpar o meu irmão de seguir em frente. Aliás, foi sua mãe quem o deixou no pior momento da vida dele.

— Quando ele quase bateu nela quando minha mãe descobriu quase perdeu a nossa casa por dívida de bar — recordo, irritada.

— Mas não perdeu — rebate minha tia terminando a louça — A casa de vocês continua lá, seu pai continua lá… foram vocês que decidiram abandoná-lo… Ou melhor, sua mãe.

— Tia, não quero falar sobre isso — digo balançando a cabeça — Não vim aqui para recordar o passado, mas para falar do meu futuro.

— E sua mãe está de acordo com o seu futuro? — completa minha tia cruzando os braços.

— Vamos visitá-la no Natal — respondo.

— Então ela ainda não sabe? — pergunta minha tia — Conhecendo sua mãe, ela não vai gostar nada disso. Acho bom preparar o seu príncipe para a fera que ele enfrentará.

— Isso já aconteceu, tia. — revelo triste — E não foi nada bom.

— Então se preparem, pois será muito pior. — comenta minha tia.

— Cat- Cat ! — chama meu pai da sala.

Entro na sala e encontro Jean guardando sua carteira no bolso enquanto meu pai está com um sorriso de orelha a orelha:

— Catarina, meu amor… Você realmente soube escolher um homem digno para se casar — comenta meu pai animado.

— Fico feliz em ouvir isso do senhor — diz Jean me encarando.

— Senhor não, Sebastião — corrige meu pai — Ou Tião, já que seremos da mesma família agora.

— Saiba que Catarina é tudo pra mim e que sou capaz de tudo por ela, Sebastião. — continua Jean — De tudo.

— Ótimo — fala meu pai — Então você tem a minha benção, mais do que isso, você tem a minha vida, Jean. Cuide dela com cuidado — reforça meu pai.

***

— Eu estou tão feliz que deu tudo certo hoje. — Digo animada fechando as malas.— Por viajar com você e ainda vamos passar natal com a minha mãe. Sabe, amanhã quero levá-lo para um tour pela cidade, sei que é pequena, mas saiba que temos lugares ótimos...

O telefone de Jean toca, ele sai de perto de mim para atender. Quando retorna seu semblante era sério, de alguma maneira eu sabia que aquela ligação poderia mudar nossos planos.

— Catarina eu não sei nem como te dizer isso… Mas eu não vou poder ir. Estou há muito tempo afastado do trabalho e eles precisam de mim. — Diz Jean passando a mão no rosto.

— Tudo bem, cancelamos a tour de amanhã e iremos direto para Belo Horizonte. — respondo.

— Eu não poderei ir a casa da sua mãe — reforça Jean, sério.

— Mas é natal, nosso primeiro natal juntos...Jean não tem como você conseguir ir pelo menos no dia? — Sugiro.

— Óbvio que não, Catarina. Já fiquei tempo demais por um motivo irrelevante… — Ele para olha para mim e respira fundo.— Aliás, eu tenho de ir agora. Eles precisam de mim.

— Então é melhor irmos. — Digo ajeitando minha mala.

— Não, é melhor você ficar e aproveitar a sua família. E depois você segue o que combinamos e vai para Belo Horizonte. — Sugere Jean — Eu vou daqui direto para São Paulo.

— De carro? — Questiono. — Que loucura.

— Só mais uma das loucuras que aconteceram nesse final de semana. — Rebate Jean.

— Bom, quando nos veremos de novo ? — Questiono.

— Não tenho ideia.

— Pelo menos o ano novo comigo? — Digo.

— Talvez. — Diz Jean pegando a mala dele de cima da cama.

Jean se aproxima de mim, me dá um beijo na testa e sai rapidamente. Estava com tanta pressa que não pude me despedir direito, não entendi o porque daquela correria toda, ele simplesmente entrou no carro e foi embora.