Abstinência

1 Capitulo Único


Notas iniciais
Agradecimento especial a minha beta Red Rose, porque sem ela essa fic não teria saído.

Tetsuhiro estava muito chateado naquela noite após o expediente, apesar de que, chateado não era a palavra correta para descrever o seu estado de espírito naquele dia. Fazia um pouco mais de um mês que ele estava em Hamamatsu e estava sem previsão de volta. Alguns imprevistos na empresa acabaram com os seus planos e nem sabia quando sairia de folga novamente. Tudo o que ele queria era voltar para Nagoya e para o seu sempai. A comunicação por telefone, mensagens e e-mails já não eram o suficiente. A vontade de abraçar e beijar o seu sempai até Souichi bater nele ou se derreter em suas carícias estava o matando e consumindo seu pouco juízo. A saudade do seu tirano estava o destruindo aos poucos.

Essa saudade estava o deixando com o astral muito pra baixo, o seu desempenho no trabalho entrando em declínio e a falta de seu típico entusiasmo estava começando a preocupar os seus colegas. Por isso naquela noite logo após o término do expediente, Morinaga foi interceptado por seus companheiros de equipe antes de chegar à saída do prédio. Então veio o convite.

Há pouco mais de uma semana, um aconchegante barzinho abrirá nas proximidades da empresa. Morinaga havia escutado vários elogios sobre ele e até tinha curiosidade de ir visitá-lo, mas sempre que olhava o bar, ele se lembrava do seu amigo confidente Hiroto, o que por consequência o fazia recordar do seu amado tirano o que acabava deixando ele mais pra baixo e com mais saudades. A insistência irritante de seus companheiros acabou o convencendo a ir. Ele ainda não estava muito seguro com a ideia, mas refletindo um pouco uma cervejinha e um pouco de conversa fiada depois de um dia realmente estressante de trabalho não iria machucar.

Chegando lá ele acabou se surpreendendo com o que encontrou o clima do local era aconchegante e agradável, logo ele entendeu o entusiasmo de seus colegas. Era bem diferente do bar de seu amigo e o desconforto inicial foi embora logo em seguida. Moringa se manteve razoavelmente distraído e quase esqueceu completamente o motivo de suas aflições. Pelo menos até ele reparar a funcionária que estava atrás do balcão servindo e preparando as bebidas.

O sorriso travesso, a agilidade com as mãos, a beleza da moça em geral era hipnotizante. Realmente encantadora, mas não foi exatamente isso que havia prendido à atenção de Morinaga, foram os cabelos da moça, os seus longos fios lisos e platinados presos em uma trança que chegava a sua cintura. Longos fios platinados assim como os dele. Assim como os do seu amado tirano.

*

Sua imaginação começou a correr inocente no início, e ele começou a imaginar Souichi no lugar dela servindo bebidas e como seria o seu comportamento com os clientes será que ele manteria a mesma fachada amigável e o sorriso travesso a noite toda ou acabaria envolvido em uma briga com algum cliente? No final do turno ele estaria tão radiante quanto estava atrás do balcão ou voltaria ao seu humor rabugento de sempre? O segundo cenário começou a passar por sua mente e com isso várias soluções para o mau humor de Tatsumi. A primeira ideia foi uma bebida e uma refeição quentinha, Seu sempai sempre ficava mais relaxado depois de uma boa refeição acompanhada de uma cerveja. Um banho quente foi a segunda ideia, nada melhor depois de um dia exaustivo e estressante, seu tirano parecia outra pessoa mais relaxado e flexível até mais amigável.

Só que esse cenário o fez lembrar-se das vezes que flagrou Tatsumi saindo do banho somente com uma toalha envolta nos quadris, os cabelos se agarrando a pele molhada, e isso o levou a outra memória, uma menos inocente e não muito adequada para se ter em publico. Lembrou-se de como os cabelos de seu sempai ficavam espalhados sobre o travesseiro, alguns fios se agarrando a pele úmida de suor, das bochechas tingidas com um tom rosa fazendo a fachada tirânica cair e se transformar-se em algo mais...

Perdido em pensamento não percebeu que seu olhar ficou fixo tempo suficiente para a bartender notar, ele congelou completamente quando sua atenção foi retribuída com um sorriso tímido e um aceno. O gesto fez Morinaga cair em si, e seu rosto ficou completamente vermelho de vergonha.

Vergonha que não passou despercebido por seus colegas quando eles perceberam qual era o alvo do teu olhar.

Antes de passar por mais algum constrangimento desnecessário Morinaga se despediu do grupo com a desculpa de ter bebido demais e voltou para casa e deu o dia por encerrado.

Chegando a casa, foi direto enviar uma mensagem para seu sempai, perguntando como o dia dele tinha sido, e julgando pelas respostas curtas e diretas (e mais grosseira do que o normal), o estresse habitual de Souichi parecia estar nas alturas. Por um momento Morinaga desejou que o seu atual colega de quarto fosse a fonte dessa raiva. Porém esse pensamento foi embora tão rápido quanto chegou. Afinal, aguentar a fúria de um Tatsumi no laboratório era uma coisa, ter que aguentar isso fora dele não era mais fácil.

Mesmo que o assistente em treinamento Tadokoro Shouta não fosse gay, o charme natural de Souichi era muita tentação para se ignorar.

A ideia dele dividindo o apartamento com um dos assistentes ainda o deixa aflito.

Por alguns instantes Moringa desejou que a razão do seu estresse aumentado fosse que ele também estivesse sentindo saudades. Não só dele, mais das coisas que só ele era autorizado a fazer.

Sonhar não custa nada.

(Mal sabia ele que dessa vez suas fantasias não eram tão fantasiosas).

Notas finais
Se você leu até aqui, muito obrigada!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!