Notas iniciais
Isso é um pequeno resumo de um sentimento angustiante em que a personagem sente-se presa a um vício do qual não consegue, e nem quer, se libertar. De certa forma, pode não fazer sentido para alguns, mas para as pessoas que já estiveram presas a uma dependência sentimental a outra pessoa até mesmo para se sentir vivo entenderão.

❝ Porque eu quero beber desse doce néctar proibido e mergulhar nessa profunda ilusão.

E eu não me importo com mais nada.

Estou viciada em você.❞

Quando isso se tornou tão necessário? Quando eu me vi dependente de você para respirar?

Você... Você ao menos me conhece? Eu sei quem você é. Mas você sabe quem eu sou? Nós nunca nos encontramos, nunca pude olhar diretamente em seus olhos, ver o nascer de seu lindo sorriso ou o franzir de seu cenho quando estava bravo. Nossa relação foi criada por detrás de um véu obscuro, em tramas abstrusas. Tudo se realizava no escuro, nossa identidade era um mistério, nossas ações imprevisíveis e a tênue teia que nos conectava inexplicável.

Eu nunca esquecerei. Aquele momento, a primeira dose. O início de minha ruína.

Bastou experimentar, uma pequena quantidade de você, para que eu quisesse mais e mais e mais... Sempre mais e o “mais” nunca era o bastante para saciar minha sede.

Em pouco tempo eu estava totalmente viciada em você, dependente de cada fio de seu afeto, cada minuto de sua atenção.

Oh, e eu te amava. Ainda o amo desesperadamente. Um sentimento doentio e masoquista. Eu amo imaginar seu cheiro. Sua voz povoa meus pensamentos, é o combustível dos meus delírios mais febris. Tudo em você me entorpece, seus olhos cinzentos e nebulosos que escondem a mais singela crueldade, o seu sorriso sarcástico, o jeito adorável como me põe para baixo e me subjuga para ser o que você quer. Eu sei que você me faz mal, mas eu insisto em cair, o que eu espero afinal?

Use-me... É o que peço.

Minha... É o que diz.

Faça... Eu respondo.

Se eu fecho os olhos, vejo seu rosto. Em meus sonhos, posso alcança-lo. Essa mescla de realidade e ilusão leva-me aos limites da insanidade, faz minha cabeça girar e meu mundo estagnar. Por muito tempo fui alimentada por isso, mas já não é o bastante. Eu preciso de mais e mais. Mais do que você pode me dar, essa dose não foi o bastante. Meu corpo treme em reação a falta, posso sentir comichar e rastejar abaixo de minha pele: a necessidade de você.

Livre-me disso, eu rogo.

Não, é a resposta.

A abstinência é como chamas que devoram-me por dentro. Eu rastejo para te alcançar, mas você não está lá. Em minha mente, eu o vejo me dar às costas, privando-me desse prazer proibido. As labaredas me consomem, o calor é insuportável, sinto o sangue ferver abaixo da pele. Eu quero correr, fugir para bem longe desse inferno. Minha mente escorre, o raciocínio é bloqueado, a concentração perdida. Só há você num vazio negro onde as cores cederam. Eu não posso me mover, eu não posso ir para nenhum lugar onde você não esteja, pois, para mim, não existe um mundo sem você. Eu dependo de você, para me sentir viva.

Porque você é como uma droga e eu sou uma viciada, dependente do seu afeto, necessitada de sua atenção. Ficar sem você me traz a loucura e a agonia da abstinência. E eu sei que isso está me corroendo por dentro, mas eu não consigo me libertar. Não mais.

Me destrua. Faça-me sua. Alimente minha sede. Sugue minha alma. Tome minhas forças. Use meu corpo. Beba do meu sangue. Una-me a você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!