Absolution - Glitter-gulch
6 Capítulo 6
Notas iniciais
não...NÃO TEM CENAS DE SEXO NESSE CAPÍTULO!
Chapter Six.
Minhas mãos já estavam ficando grudentas enquanto andávamos pelo corredor. Nem mesmo era um dia quente, mas só por estar de mãos dadas com alguém já estava me deixando nervoso. Eusimplesmentenãofazia “aproximação-humana”, nunca.
Eu nem sabia qual aula que eu estava matando pra fazer isso, eu não lembrava meus horários bem o suficiente, mas ao menos eu tinha certeza de que não era Artes. Nós nos abaixamos quando passamos pelas portas dos laboratórios, assim Frank não seria visto. Eu não sei porquê, mas eu fui o levando até passarmos a Cafeteria deserta e chegarmos em um pequeno espaço tão familiar para mim. Eu soltei a mão dele e fechei a porta atrás de nós me apoiando contra ela para aprender a respirar de novo.
- Você está bem? – Eu perguntei, Frank sentou em uma pedra na minha frente e voltou a esfregar seu rosto com as mangas novamente.
- Hm, aham, eu acho... – Ele respondeu olhando para suas mãos, evitando me encarar.
- Eles te machucaram, ou... – Eu gaguejei, percebendo que eu realmente me importava com ele.
- Eu estou bem, sério – Ele insistiu, recusando olhar para mim.
- Tá bem... – Eu me afastei da porta e me aproximei – Posso sentar?
Frank apenas levantou os olhos para mim e deu os ombros. Eu fui até lá e me sentei perto dele, apesar de não muito perto.
- Posso perguntar uma coisa?
- Hm, claro – Ele disse, esfregando os pés no chão para se distrair.
- Bem, porquê você estava chorando? Quer dizer, se Jason não te machucou e… Bem, alguma coisa aconteceu ontem a noite?
- Eu não quero falar sobre isso – Ele disse em voz baixa, parando de mexer os pés e me olhando como se estivesse prestes a implorar.
- Tudo bem, eu só… As vezes é bom falar sobre as coisas, Frank.
- Eu nem te conheço – Ele disse, o que é verdade, mas ironicamente ele me conhece melhor que ninguém.
Eu me virei para ele rapidamente, não sei porquê, talvez para ele escutar com mais atenção, acho.
- Olha, Frank, eu sei que eu não sou a pessoa mais legal do mundo – Eu disse, Frank pareceu segurar um sorrisão antes de eu continuar – mas eu não sou... Mau. Eu só… Quer dizer… Eu só…”
- Não gosta de pessoas – Frank terminou e eu balancei com a cabeça.
- Eu nunca fui muito social e eu só... Não sei como interagir muito bem. Então quando alguém vem falar comigo... Ou tentar me conhecer, eu... Eu afasto elas. Assim eu...
- Não se machuca – Frank terminou a frase novamente, eu suspirei.
- Como você faz isso? – Eu perguntei confuso.
- Faço o quê?
- Como você sabe o que eu estou pensando?
Ele olhou para mim e deu os ombros.
- Eu sei lá, acho que... Acho que a gente pensa igual. Eu nunca fui muito de fazer amigos também.
- Mas você fez amigos… O Mikey… Ontem – Eu lembrei, mas ele balançou a cabeça.
- Sem intenção nenhuma, mas ele meio que… Me “bombardeou” – Ele disse rindo e suas palavras me fizeram sorrir.
- É, quando ele enfia alguma coisa na cabeça ele normalmente não desiste. Eu peço pra ele se acalmar se você quiser.
- Não, quer dizer, é legal… Ter alguém que queira falar com você, não é?
Eu concordei, Frank se abaixou para pegar uma pedra. Eu fiquei lá por um momento, o vendo tentar acertar as pedras nos vasos de flores.
- Você não precisa ficar aqui comigo – Ele disse, quando uma das pedras finalmente caiu em um vaso – Você pode ir para a sua aula se você quiser.
- Eu prefiro ficar aqui com você – Eu respondi – quer dizer, aqui for a, em geral… — Eu terminei a frase incoerentemente, balançando a cabeça.
Frank pegou mais um punhado de pedras, mas agora me ofereceu algumas. Eu estendi a mão e Frank as soltou na minha palma. Ele se abaixou para pegar mais algumas para ele, mas soltou um ganiu de dor. Eu olhei para ele assustado, mas ele continuou jogando pedras na parede.
- Hm, você acabou de ganir? – Eu perguntei, sem muita certeza de que minha mente estava me enganando.
Ele não respondeu, só continuou a atirar as pedras.
- Frank? – Eu perguntei mais uma vez e ele olhou para mim soltando as pedras – O que tem de errado?
- Eu... Eu só… Minhas costelas estão doendo, só isso – Ele disse como se não fosse grande coisa.
- Merda, eu vou matar o Jason – Eu disse sentindo a raiva crescer em mim, eu lancei as pedras contra o chão.
- Não – Ele se apressou – Não foi o Jason.
- Bem, foi um deles, dá no mesmo. Você não pode deixa-los fazer isso!
- Não foi nenhum deles! Frank disse, sua voz parecendo cada vez mais preocupada.
- Bem, então quem foi? – Eu perguntei confuso, Frank puxou sua camisa para baixo. Ele voltou a arrastar os pés no chão e olhou para baixo.
- Ninguém, isso não importa – Ele disse com a voz muito baixa, o que me deixou triste.
- Claro que importa. Mas, hm, se você não quiser falar, tudo bem. Eu não vou te forçar, nem nada... – Eu respondi, secretamente desejando que eu pudesse ajudá-lo com o que quer que seja que estivesse acontecendo.
- Você quer sair? – Frank sugeriu de repente.
- Eu tenho artes hoje – Eu disse estupidamente, soando como se eu me importasse – Mas... Hm... Porquê não?! – Eu me apressei.
- Quer companhia? – Eu perguntei, notando só mais tarde o quê eu havia acabado de dizer.
Ele acentiu e mordeu seu lábio inferior nervosamente.
- Você não tem que ir, Gerard, quer dizer, se você quiser ir para a aula de artes... E, bem, você nem me conhece.
- Vamos – Eu disse me levantando, o sangue subindo à cabeça.
Frank olhou para mim e sorriu quando viu que eu não estava brincando.
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