- Você está bem? – Eu insisti colocando um braço em volta de Frank, tentando conforta-lo.

Ele levantou a cabeça, eu me senti aliviado ao saber que ele não estava chorando, mas, mesmo assim, parecia nervoso.

- Frank?

Ele me olhou preocupado, pensando em alguma coisa. Ele se levantou apressado e foi até sua mesa, onde tinham pilhas de roupas. Eu fiz uma careta quando ele começou a mexer nelas e jogar algumas no cesto da lavanderia, ele estava tentando evitar o assunto.

- Frank – Eu disse de novo, tentando chamar sua atenção – O que tá acontecendo?


Eu fui até ele, peguei uma camisa de suas mãos e a joguei no chão.

- O quê tá acontecendo? – Repeti.

- Nada – Ele disse baixo, se abaixando e pegando a camisa que eu havia acabado de jogar.

- Não seja idiota, Frank, eu não sou cego, alguma coisa tá acontecendo!


- Quer saber qual o problema? – Ele disse alterado jogando a camisa em mim com tanta força que nem deu para a ver chegar e cair no chão – Esse é o maldito problema...


Ele deu um puxão em sua blusa revelando marcas roxas, vermelhas e amareladas pelo seu tronco.

- Feliz agora? – Ele cuspiu, pondo a blusa de volta e continuando a jogar as roupas no cesto.


- Como... Frank, você tem que contra para a escola sobre isso.

- O quê? – Ele disse me olhando sem entender.

- Quer dizer... Jason...

- Ah, cresce, Gerard! – Ele gritou, eu o encarei perplexo – Nem tudo é culpa daquele bastardo!

- Quem foi então? – Eu disse na defensiva.

Ele pegou a camisa que havia jogado em mim, ignorando o fato que doeu quando ele puxou e bateu com ela no na minha cara, e a colocou de volta na pilha.

- Você não vai acreditar em mim – Ele disse.

- Porquê não?

- Porque não vai! Ninguém nunca acredita.

- Experimenta.

Ele me olhou brevemente anted de decidir que ele não poderia esconder mais.

- Meu padrasto – Ele disse em voz baixa encarando a mesa.

- Quê, o cara que acabou de sair? — Eu o encarei confuso.

Ele balançou a cabeça.


- Mas… Mas ele me pareceu tão normal… — Eu comecei.

- Eu disse que você não acreditaria! – Ele gritou.

- Não, eu não disse isso!

- Mas era o que você pensou, não é?

- Frank, eu não… Ow! Porque diabos você fez isso?

Frank se aproximou, muito, com toda sua força, me fazendo bater a cabeça contra a parede atrás de mim.

- Eu não acredito que eu cheguei a confiar em você! – Ele gritou e se sentou no chão com as costas apoiadas na cama.


- O que isso quer dizer? – Eu perguntei ofendido, passei a mão na minha cabeça enquanto andava até onde ele estava.

- Você disse que queria ser meu amigo. Amigos confiam um no outro!

Eu me ajoelhei na frente dele.

- Me desculpa, tá bem? Mas eu sou novo nisso também. Eu nem me lembro da última vez que eu tive um amigo. E me desculpa se parece que eu não acredito em você, porquê eu acredito, só estou confuso.

Frank olhou para mim simpaticamente, e relutante, devo dizer.

- Ele é assim com todo mundo, educado de merda – Ele disse – todo mundo exceto eu e minha mãe.

- Ele faz isso com ela também? – Eu perguntei começando a entender de repente.

Frank balançou a cabeça.

- Com ela é pior porquê ela tenta me proteger. Eu sempre falo que ela não devia, mas ela nunca me escuta.

- Por... Porquê ele faz isso? – Eu perguntei tentando não parecer afobado.

- Porque ele é doido pelo controle! Eu acho que minha mãe não havia percebido quando ela começou a sair com ele, mas era uma coisa que ia aumentando com o tempo, ou coisa assim. Eu não sei, nem me lembro, faz muito tempo. Mas agora ela tem medo do que ele possa fazer se ela larger ele.

- Droga, Frank, eu... Eu não sei o que dizer...

- Você não tem que dizer nada.


- Mas eu quero te ajudar!

- Você não pode – Ele disse solenemente enquanto descansava a cabeça na cama, parecendo derrotado.

- Por favor, Frankie...

Ele me olhou com uma expressão completamente miserável que eu achei que meu coração fosse quebrar naquela hora, naquele lugar. Eu fui até sua direção, sem realmente perceber o que fazia. Imagino que fosse meu subconciente agindo sozinho, mas o que quer que seja, Frank parecia desesperado por contato. Eu senti meus lábios se chocarem determinadamente contra o canto de sua boca. Ele foi desviou assustado, seus olhos estavam enormes enquanto ele tentava entender o que eu havia acabado de fazer. Não foi surpresa a maneira como ele reagiu, já que eu mesmo me assustei. Eu nem mesmo faço assim, ou eu não achava que fazia até agora.

Meu rosto continuou perto do dele, aparentemente como se eu quisesse mais. Frank ainnda parecia abismado, mas seus olhos oram se acalmando enquanto ele continuava a me encarar. Nós só ficamos lá por um Segundo, ou até mesmo menos, mas pareceu uma eternidade. Eu senti uma mão tocar meu rosto e descer para meu queixo e, antes que eu percebesse o que estava acontecendo, seus lábios estavam firmes contra os meus de novo. Nossos lábios se tocaram hesitantemente, sem certeza do que nós estávamos fazendo e porque. Eu escorreguei minha lingual por seu lábio inferior tentando aprofundar o beijo, mas Frank tinha parado com todos os movimentos. Eu me separei dele com relutância e vi seus olhos mirarem em direção a porta. Sua mão achou meu peito e, gentilmente, me empurrou, então eu caí de volta na minha posição de joelhos. Aquele garoto sentia o cheiro do perigo em milhões de milhas distantes.

Teve um sonoro baque na porta do quarto, eu pulei assustado quando a porta se abriu. O padrasto de Frank estava lá mais uma vez com toda sua maldade. Minha opinião sobre ele mudou tão rápido em tão pouco tempo e agora cada gesto dele contra Frank me faziam sentir doente, principalmente quando ele o chamava de “Frankie”.

- Frankie, o jantar está pronto – Ele disse nos encarando sentados no chão – Seu amigo tem que ir embora. Não demore, tá bem?

Frank concordou para o tapete e esperou que o padrasto saisse, o que ele fez, permitindo os músculos de Frank relaxarem.

- Eu te acompanho até a porta – Frank disse, se levantando do chão e olhando para mim miseravelmente.

Eu segui seus movimentos e me levantei e olhei para ele como se o desafiasse.

- Eu não… Não posso ir, quer dizer, o quê vai acontecer com você se eu for embora?

- Vai ser pior pra mim mais tarde se você ficar – Ele disse, eu suspirei.


- Você não pode se acostumar a isso.

- É, claro…Nós não podemos sempre ter o que queremos, podemos?

Esse é o tipo de situação com a qual eu não sei lidar. Se eu deixar o Frank provavelmente apanharia logo que eu saísse, e, se eu ficasse, só seria pior pra ele depois. Eu não podia ficar lá pra sempre afinal. Eu não queria ir para lugar algum, eu realmente queria ficar e falar com ele sobre música, filmes e livros, também queria saber o que aquele beijo tinha significado para ele, mas, em geral, eu só queria saber a opinião dele sobre tudo e todos. Eu queria conhecer ele, o que é estranho, já que eu costume odiar todo mundo. Mas, ultimamente, eu decidi que agora não era a hora certa.

- Eu te vejo na escola amanhã? – Eu perguntei e ele concordou.

Eu o segui até o andar de baixo para a porta da frente no final do corredor, olhei para as fotos nas paredes de um Frank mais novo sorrindo enquanto passávamos.

Ele segurou a porta aberta para mim e eu sai da casa sem vontade.

- Você vai ficar bem – Eu sussurrei e seus lábios formaram um leve sorriso, que me lembrou da sensação que eu tive ao beijá-lo.

- Te vejo amanhã – Ele disse em voz baixa antes de fechar a porta entre nós.

Eu joguei as mãos nos bolsos e andei pela tarde fria, rezando para que ele ficasse bem.

Notas finais
Gente, desculpem a demora, tô tão cheia de coisa pra fazer, nem parece que eu tõ de férias.
Mais alguém tá com muita dó do Frank ou sou só eu?