Abrindo os Olhos de Mário Calderón
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Felipe e Fabio assustados saem correndo em disparada em direção a casa, deixando Mário para trás.
Eles abrem a porta que estava encostada e entram ansiosos.
Mario fica parado por alguns instantes sem saber o que fazer.
“Será que entrou algum ladrão?” pensou temeroso, e apesar de seu medo peocupado resolve seguir os garotos.
Os meninos já dentro da residência começam a gritar:
– Nanda! Nanda! O que aconteceu? — gritam os dois ao mesmo tempo.
Os meninos haviam encontrado a irmã caída no chão, gemendo de dor.
– O que foi Nanda? — pergunta Felipe ansioso.
– Por que você está chorando? — quer saber Fabio também preocupado.
– Ui! — geme Nanda, tentando se levantar sem conseguir — Acho que machuquei o joelho, quando caí, meninos. Vocês deixaram seus brinquedos jogados no chão, devo ter tropeçado neles e cai. — fala a irmã gemendo de dor.
Os dois meninos se entreolham tristes, sentindo um grande remorso. Por culpa deles sua irmã havia se machucado.
Mario observa a cena e detém os olhos naquela jovem.
Ela tinha os cabelos lisos e pretos como dos gêmeos, só que muito longos e nota que eles brilham intensamente sob a luz fraca do ambiente. Sua pele bronzeada e feições delicadas davam um belo contraste com seus longos cabelos.
"Ela é muito bonita!” — pensa Mario enquanto olha a jovem — Mas parece que tem alguma coisa diferente. Há algo errado com ela! Ainda não sei o que é, mas ela parece estranha... sua reação, não consegue se levantar... Teria se machucado gravemente?" — segue pensando e se adianta até ela, pegando no braço da jovem, tentando ajudá-la a se levantar.
– Venha que eu te ajudo. — oferece Mario educadamente.
A jovem se assusta e se encolhe toda.
– Quem é você? Não reconheço esta voz. — fala apavorada.
Mario fica surpreso com a reação da jovem.
– Nanda este é o seu Mario Caldeirão. Ele é nosso amigo. — explica Felipe à irmã.
Mario se adianta e corrige o pequeno:
– É Calderón.
Fernanda apruma os ouvidos tentando identificar aquela voz, porém sem sucesso.
– Mario Calderón? Vocês nunca me falaram que tinham um amigo com esse nome. — indaga Fernanda desconfiada.
Mario nota a desconfiança da jovem, mas preocupado com ela se adianta e pega em seu braço, ajudando-a a ficar em pé.
Nanda permite que ele a toque, mas com reservas, procurando manter-se o mais longe possível dele. Se é que isso era possível.
Quando a segura pelo braço, procurando mantê-la em pé, Mario olha rapidamente o ferimento da jovem e nota que há um sangramento no seu joelho.
Prontamente, coloca a moça sentada em uma cadeira e pergunta aos pequenos:
– Vocês tem em casa uma caixa de primeiro- socorros?
Felipe imediatamente sai da sala e volta em seguida com uma pequena caixa de sapatos, toda decorada com papel de flores vermelhas e lhe estende.
– É essa! Essa é a caixa que a Nanda guarda o
esparadrapo, o band-aid, o algodão e aquele líquido que arde. — fala Felipe olhando preocupado para a irmã.
– Aquele líquido é o metiolate e serve para desinfetar o machucado. — explica-lhe Mario.
O homem pede aos garotos que também lhe tragam água. Desta vez é Fabio quem se antecipa e traz uma tigela com água.
Nanda escuta o estranho dando ordens aos seus pequenos irmãos, surpresa com sua ajuda, mas ainda se mantém arisca e desconfiada.
Mario percebe o jeito dela, mas finge não notar. Em seguida lava as mãos no banheiro, que um dos meninos lhe indica onde é. Volta à sala e prontamente limpa o machucado que ela tem no joelho com algodão embebido em água.
Verifica o ferimento e percebe que não foi muito grave, apenas grande esfolado no joelho esquerdo.
Assim que limpa o sangue do ferimento, pega um algodão limpo e despeja sobre ele o metiolate, ou como disse Felipe, “o líquido que arde”.
Mario nota que a jovem faz força e aguenta firme a ardência do líquido em contato com a pele delicada.
Fica admirado com a coragem da jovem e acredita que esta reação é para que seus irmãos não fiquem mais preocupados ainda com ela e também para não demonstrar fraqueza diante dos irmãos pequenos.
Depois de tudo desinfetado, Mario coloca dois band-aids e se dá por satisfeito, até que ficou bom o curativo que fez! Para alguém sem experiência, havia se saído bem.
– Pronto, não foi nada grave, só um joelho esfolado. Agora está tudo bem! — fala ele sorrindo.
Os meninos ficam aliviados e felizes em ver que o desleixo deles não tinha tido consequências mais graves.
Correm a abraçar a irmã, que continua sentada e ao mesmo tempo falam:
– Desculpa Nanda! Foi nossa culpa!
– Nunca mais vamos ser assim tão descuidados! De agora em diante vamos guardar sempre os nossos brinquedos!
Fernanda abraça carinhosamente os irmãos.
Quem olhasse aquela cena veria de longe o imenso amor que unia aquelas três criaturinhas.
Era um quadro emocionante!
Mario sempre tão desligado em relação aos sentimentos humanos, apenas quando lhe interessava, sente um nó na garganta.
Havia simpatizado muito com os garotos.
Coisa que jamais havia lhe acontecido. Nunca foi muito ligado em crianças, aliás, nunca teve a oportunidade de ter um contato mais íntimo com nenhuma delas. Sua vida de trabalho e boemia não o permitia.
Felipe e Fabio sorriem satisfeitos olhando de Fernanda a irmã querida ao seu mais novo amigo Mario Calderón!
Para eles a amizade com um homem assim tão elegante, simpático e prestativo era um motivo de alegria. Ainda mais um amigo que havia ajudado a querida irmã, era um acontecimento sem igual. Eles olhavam para ele com admiração e reconhecimento.
Seria exagero dizer, mas para Fabio e Felipe Mario Calderón se tornara um herói!
Todos ficam em silêncio com suas reflexões.
Fernanda percebe o silêncio e constrangida sente que precisa falar algo.
– Muito obrigada! — fala a jovem meio sem jeito, estendendo a mão para cumprimentá-lo, mostrando educação.
Mario então se dá conta que a moça estendeu a mão alheatoriamente, como se não soubesse a direção onde ele estava.
Olhando com mais atenção
ele percebe claramente o que havia de errado com ela.
Aquela sensação de quando a viu se confirmara nesse momento.
Mario pega na mão de Fernanda e olha diretamente para os olhos dela.
Infelizmente suas suspeitas se confirmam: os olhos dela que eram castanhos amendoados como dos irmãos, pareciam parados e sem vida.
Mario tem então a triste confirmação:
FERNANDA É CEGA!
"Como não havia percebido antes? Que triste! Uma moça tão jovem e tão bonita!"- pensa Mario consternado.
– Muito prazer repete a jovem! Eu sou Fernanda Hernandes, a irmã destes dois pirralhos. — fala em tom carinhoso esta última palavra, tirando Mario de seus pensamentos.
Este fica meio sem jeito por não ter respondido antes e por só agora ter percebido a deficiência da jovem.
– Ah! Muito prazer Fernanda! Eu sou Mario Calderón. — fala apertando a sua mão delicada e tentando ser o mais natural possível.
– De onde vocês se conhecem? — pergunta Nanda curiosa.
Pegos de surpresa, os irmãos tentam pensar em algo para responder o mais depressa possível.
– Ah!... A gente conhece o seu Mario... lá da escola. Não é verdade?- fala Felipe olhando para o seu irmão e para Mario como se pedisse com os olhos que eles confirmassem a mentira.
Fabio concorda prontamente:
– É verdade! Ele trabalha lá na escola! — incentiva a mentira com mais detalhes.
Mario fica sem ação. Não gosta nem um pouco de participar desta mentira e ainda mais de enganar uma pobre moça cega.
– O senhor trabalha lá na escola onde os garotos estudam? — pergunta-lhe Fernanda desconfiada.
Felipe e Fabio olham ao mesmo tempo para Mario e lhe suplicam com o olhar para que ele confirme a história.
Sem alternativa, Mario suspira e concorda com pesar:
– É verdade! Eu trabalho na escola dos garotos.
Nanda ainda tem dúvidas, parece desconfiar daquela voz. Parece que o timbre não combinava com o que ele dizia. Para ela aquele homem não estava sendo nem um pouco sincero. E seus irmãos então, sabia de longe quando eles mentiam!
Fernanda suspira, no íntimo sabe que os três estão mentindo. Mas por ora aceitaria aquela explicação.
De repente lembra-se de um fato importante:
– Meninos e a dona Edite, onde está? Ela não foi com vocês a padaria como lhe pedi?
Felipe e Fabio se entreolham, só agora se dão conta que deixaram a pobre mulher sozinha na padaria enquanto discutiam na pracinha defronte ao estabelecimento. E tudo por causa de um chocolate!
Felipe como sempre ia se adiantando, ia abrir a boca para contar mais de uma de suas histórias mirabolantes, quando abrem a porta de repente e entra uma senhora de uns 65 anos toda esbaforida e nervosa.
– Ah! Vocês estão aqui seus pestinhas! Depois que lhes dei os chocolates e fui ao caixa pagar não vi mais vocês, o que aconteceu? Por que vieram embora sozinhos? Estava muito preocupada com vocês!
Fabio e Felipe se entreolham meio sem graça e desta vez é Fabio quem se adianta:
–Ah! Desculpa dona Edite, é que vimos o nosso amigo na pracinha, o seu Mario e ele nos acompanhou até em casa.
Felipe sorri para o irmão satisfeito e concordando:
– É mesmo nós vimos o seu Mario na praça e fomos cumprimentá-lo e acabamos esquecendo da senhora. Desculpa dona Edite.
– Desculpa dona Edite! — repete Fabio imitando o irmão.
Só então a velha senhora se dá conta da presença do estranho.
Mario percebe que está metido em mais uma confusão daqueles dois garotos e fica sem graça.
– Ah! Desculpe-me! — fala dona Edite sem jeito — Eu nem me apresentei. Bom mas ainda está em tempo. — continua a senhora com simpatia — Eu sou Edite Trindade, eu e meu marido Alfredo, somos vizinhos e amigos de Nanda e destes dois danadinhos, há muitos anos! — fala olhando para os dois garotos que estão meio sem graça e depois estendendo a mão para Mario.
Este com muita educação aperta a mão que dona Edite lhe estende e fala:
– Muito prazer! Eu me chamo Mario Calderón.
Apresentações feitas, Fernanda ainda está desconfiada da história que os irmãos lhe contaram, eles sabem que ela jamais permitiria que eles saíssem sozinhos e ainda mais voltassem na companhia de um estranho.
E a voz daquele estranho denotava dúvida e inquietação.
Nanda não permitira que seus dois irmãos a enganassem, pois era responsável por eles e dependia dela a educação que lhes dava. Sempre os ensinou que a mentira era algo ruim e que quando a gente perde a confiança em alguém jamais a recuperaria.
Respira fundo e fala aos irmãos:
– Meninos, toda esta história está muito mal contada. Exijo uma explicação, e que seja verdadeira, senão vou ficar muito brava com vocês. — fala Nanda demonstrando impaciência.
Os garotos se entreolham, no fundo sabem que a irmã tem razão. Não gostariam que a irmã tão querida ficasse nervosa e desconfiasse deles.
Felipe e Fabio se aproximam dela e cada um pega em uma mão da irmã.
– Desculpa, Nanda! — fala Felipe de cabeça baixa.
– Desculpa, Nanda! — repete Fabio imitando o irmão, como sempre.
– Qual de vocês vai me contar a história verdadeira? — pergunta a jovem, agora com a voz mais calma, pois o contato com os irmãos a deixava com o coração amolecido.
– Eu conto — fala Felipe arrependido — Quando a dona Edite nos deu um chocolate para cada um, eu comi o meu e peguei o do Fabio.- confessa o garoto — Aí ele ficou bravo e correu atrás de mim e fomos parar na pracinha de frente a padaria e começamos a brigar e aí apareceu o seu Mario para nos apartar.
Mario fica sem graça com o olhar de dona Edite e por ter participado desta mentira dos garotos. Não gostava nem um pouco de ter enganado a jovem.
"Que situação! Definitivamente hoje não é o meu dia de sorte." — reflete ele.
– Mas o seu Mario não teve culpa nenhuma. — completa Felipe. Ele ajudou a gente a voltar pra casa.
– É verdade! — fala Fabio — O seu Mario apenas nos ajudou. Ele não tem culpa de nada!
– Não fica brava com ele Nanda! — continua Felipe — Ele é nosso amigo!
Mario se surpreende com a solidariedade daqueles dois pirralhos. Só este gesto fez o seu dia de repente ficar melhor. Definitivamente gostava daqueles dois pestinhas!
Se sentindo ainda mais culpado Mario pensa em pedir desculpas, mas quando começara a balbuciar um pedido de desculpas, Fernanda o interrompeu.
– Seu Mario devo lhe avisar que Fabio e Felipe são crianças que estão sobre minha responsabilidade e apesar da minha deficiência faço questão de cuidar muito bem deles. Jamais os deixaria saírem sozinhos a essa hora da noite, tanto é que sempre peço a ajuda a dona Edite. — fala Nanda em tom de desabafo.
Mario sabe que ela está coberta de razão e se arrepende por ter tirado conclusões precipitadas, achado que ela era irresponsável e relapsa.
Felipe e Fabio com lágrimas nos olhos e arrependidos correm a abraçar a irmã. Nanda os abraça e os beija carinhosamente e depois fala, procurando disfarçar a emoção:
– Meninos lavem as mãos e ponham os pratos na mesa. Vamos jantar! Já é tarde!
Os meninos prontamente obedecem a irmã mais velha.
Mario nota a jovem se levantando da cadeira e se mexendo na pequena sala com desenvoltura.
"Ela nem parece que não enxerga! Sabe direitinho onde estão as coisas aqui e acolá." — pensa admirado.
– Bem Fernanda eu vou embora agora, me desculpe por alguma coisa.
Nanda se vira rapidamente em direção àquela voz.
– O senhor não gostaria de jantar conosco? — fala por educação, mas no íntimo torcendo para que ele não aceitasse o seu convite.
– Ah! Fica vai! — falam os dois garotos ao mesmo tempo.
– Meninos o seu Mario deve ter algum compromisso. — diz Nanda, no fundo pedindo a Deus para que aquele homem não ficasse, pois ainda estava desconfiada dele, ainda mais depois da mentira que participara com seus irmãos.
Mario percebe que a jovem não quer que ele fique, mas gostaria de desfrutar mais um pouco da companhia daquela pequena família, mas ao mesmo tempo gostaria de provar a comida de Nanda, estava curioso em ver como ela se saía na cozinha apesar da deficiência.
– Não tenho nenhum compromisso e acho que posso ficar, se não for nenhum incômodo? — pergunta Mario olhando para Nanda.
Esta fica sem graça, mas por educação lhe responde:
– Tudo bem seu Mario, não é incômodo nenhum.
Os meninos ficam eufóricos!
Dona Edite percebe a reação deles e a maneira como olhavam o novo amigo com admiração.
A boa senhora só observa, não tece nenhum comentário, resolve então ir para a cozinha para ajudar Nanda com as panelas.
Fabio e Felipe já colocaram os pratos e talheres sobre a mesa e satisfeitos indicam um lugar para que Mario se sentasse, assim que ele senta, os meninos sentam cada um do lado dele contentes.
Mario não sabia por que, mas simpatizou com aqueles dois meninos, desde a primeira vez que os viu na praça. E percebia agora que eles também se afeiçoaram a ele.
Já com a irmã, o relacionamento havia começado mal, com mentiras e dúvidas, notava que ela ainda desconfiava dele e por isso ficava também meio sem jeito com ela.
Felipe e Fabio conversavam animadamente com o visitante e enquanto isso dona Edite falava com a Fernanda na cozinha.
– Ah! Nanda, se eu fosse uns trinta anos mais nova! Que gato esse seu Mario, menina. — fala a senhora toda empolgada.
– A senhora acha dona Edite? Me descreva como ele é, então. — fala Nanda em tom levemente interessado, mas sem demonstrar interesse.
– Ele é alto, magro, moreno claro e quando fala, meu Deus! Aparecem duas covinhas no seu belo rosto. Se veste elegantemente com terno de tecido fino.
– Impossível dona Edite! Então a senhora acha que esse homem- fala abaixando o tom de voz, para que não escutem na sala — não tem nenhum defeito?
Dona Edite também abaixa o tom de sua voz e responde:
– Para não dizer que não tem nenhum defeito ele tem sim.
– E qual é? — pergunta a jovem toda curiosa.
Dona Edite se empolga com a curiosidade da jovem e completa:
– Nanda o único defeito que vi no rosto lindo deste seu Mario Calderón, foi um machucado nos lábios, está bem inchado e pelo visto ele se machucou recentemente.
Fernanda fica mais apreensiva ainda com o estranho.
– Dona Edite será que ele se meteu em alguma confusão e apanhou?- questiona a jovem preocupada.
– Não acredito minha filha, ele tem os modos muito finos. Deve ter sido algum acidente. — fala a senhora tentando tranquilizá-la.
Enquanto as duas colocam as comidas nas travessas dona Edite se achega a Fernanda e lhe diz no ouvido, para que não seja ouvida por mais ninguém.
– Será que ele é casado?
Fernanda dá de ombros.
– Dona Edite, se ele é toda esta maravilha que a senhora descreveu, deve ser casado com certeza, senão for deve ter algum problema. — fala Nanda desconfiada.
Dona Edite não se dá por vencida.
– Pois na hora em que estivermos todos comendo, assim como quem não quer nada, eu vou perguntar a ele. — fala decidida a boa senhora.
Assim que colocam as travessas sobre a mesa, dona Edite e Fernanda se sentam também.
Mario observa os pratos que serão servidos: arroz, feijão, salada de tomates e alface, bife acebolado e batatas fritas.
"É uma comida simples, mas o cheirinho está muito bom!"- pensa Mario que não havia comida nada desde o almoço.
Dona Edite ajuda Nanda a servir os garotos.
– Eu não quero salada! — diz Felipe.
– Eu não quero cebola!- retruca Fabio.
Fernanda com carinho e paciência explica aos meninos:
– Tudo o que tem na mesa é um alimento importante para a saúde meninos. Vocês tem que comer um pouquinho de cada coisa.
Mario acha muito importante a explicação e fala aos garotos:
– Estão vendo como sou forte? É por que eu como de tudo o que tem na mesa.
– Sua mãe falava assim também com o senhor, seu Mario? — pergunta-lhe Felipe.
– Ela era assim como a Nanda? – insiste Fabio.
À simples menção da palavra mãe, deixa Mario sem ação.
"Se eu tivesse uma mãe como a Fernanda, talvez eu fosse uma pessoa melhor!"- reflete Mario tristemente.
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