POV Santana

Então... Esse era o fim. Frio e escuro, em algum lugar do atlântico. Levou certo tempo, de modo que arrepios percorressem diversas vezes meu corpo, lágrimas surgissem infinitamente em meus olhos e aquelas mesmas batidas no peito agitando-se mais e mais, numa agonia excepcional. Entretanto, pareceu bastar um único piscar de olhos para o Titanic ser totalmente engolido pelo oceano e sumir.

Aquele que diziam ser o maior e mais seguro navio do mundo.

Aquele apelidado de navio dos sonhos.

Aquele que não possuía botes o suficiente a bordo, pois ocuparia espaço demais nos corredores de lazer.

Aquele que as pessoas simplesmente fechavam os olhos e botavam sua total fé, pois nem Deus o afundaria.

Eis que todos são pegos de surpresa, do dia para noite...

Um acidente.

Uma fatalidade, sem igual.

O pranto nos olhos das mulheres daquele bote era instantâneo, verídico, como o meu. O pavor em assistir todo o caos era tremendo. Não era um filme, era real. Estava acontecendo há apenas quatro ou cinco minutos de distância. Porém, nenhuma delas queria remar e voltar para resgatar as pessoas que boiavam aos gritos à frente.

Não importava se eram seus maridos, irmãos, ou a classe mais pobre composta por homens, mulheres e crianças.

Todas estavam em choque, não pensavam.

Apitos soavam.

E, os botes, se organizavam um ao lado do outro. Alguns poucos levavam homens a bordo, já a grande maioria deles era composta por mulheres, crianças e marinheiros.

Brittany não saia de minha cabeça, ela não estava ali, em nenhum dos botes. Nenhum. Mas, tinha que estar bem. Nós íamos nos reencontrar. Aquilo não foi uma despedida. Não podia ser.

Não era.

Em um bote próximo ao meu, consegui enxergar Rachel e Mercedes sentadas. Suspirei, um pouco mais aliviada. Ao menos elas estavam bem.

Hey, ouçam-me! — Um marinheiro gritou, apontando uma lanterna para todos os botes. — Temos que voltar e resgatar aquelas pessoas! Por isso, quero transferir todas as mulheres desse bote para aquele ali, agora mesmo, o mais rápido possível! Arranjem espaço, vamos!

Finalmente.

— Graças a Deus... — Quinn disse, apertando os olhos. — Amém.

(...)

À medida que o bote que partiria em busca dos sobreviventes foi se esvaziando e o nosso enchendo, eu levantei em silêncio e deixei Lucy para trás perdida no tumulto, aproximando-me do mesmo. No curto caminho, enviei olhares a Berry e a Jones do outro lado, talvez elas entendessem o que eu estava prestes a fazer. Eu precisava voltar para lá com eles. E eu iria voltar. Não queria saber se permitiam ou não.

Eu simplesmente pulei dentro do bote, equilibrando-me ligeiramente.

A repentina calmaria no mar me preocupava.

O resgate não poderia demorar muito mais tempo.

— Moça, o que está fazendo, huh? — Um guarda interrogou-me, nada feliz. — Responda, por gentileza.

— Irei junto... — Informei-o, de cabeça erguida. — Quero ajudá-los. Eu preciso. Está bem?

— Ora, isso não é trabalho para mulher...

— Não me importa, eu não irei sair deste bote.

Indignado, ele se pôs diante a mim, e segurou meu braço.

— Ouça-me, senhorita, é melhor...

— Largue-a, Lynn. — Outro tripulante interrompeu-o, sério. Era o homem que havia sugerido a volta ao naufrágio. Aliviei-me. — Ela só quer ajudar, então, deixe-a ajudar, sim?

— Ok, Martinez... Tudo bem. — Ele assentiu ao outro e suspirou, soltando-me. — Depois não diga que não avisei.

Lynn se afastou, resmungando.

— Santana! — Era a voz de Rachel ecoando do outro bote, eu virei para vê-la. — Pegue!

Ela arremessou um cobertor para mim e sorriu, e eu acenei para ela de volta, agradecida.

(...)

O bote não andava numa velocidade tão rápida. O silêncio nas águas agora era absoluto. Abríamos passagem por entre corpos congelados, mortos. Mulheres, homens, crianças, idosos, bebês. Olhar para aquilo doía. Não sabia se eu seria capaz de apagar essas imagens de minha cabeça, algum dia. A pele das pessoas tinha a tonalidade azul, eu nunca vira algo assim antes.

Estavam petrificadas, sem vida. Junto a pedaços que sobraram do navio.

Tudo por conta de seguidos erros humanos.

Aquilo não precisava acontecer.

Era muita falta de preparo.

Mais cedo, enquanto eu e Brittany íamos até a primeira classe, algumas pessoas achavam que tudo não passava de uma simulação. Um simples treino, caso acontecesse de verdade. Quem dera fosse isso.

Bom, a fé deles os cegava, eu não poderia julgá-los. Sebastian talvez, não acreditasse na tragédia, batia os pés até o fim para dizer como o Titanic era inafundável, aposto. Mamãe eu não fazia ideia.

Meu estômago começou a revirar.

Deus.

Dava-me náuseas pensar em qualquer pessoa que eu havia conhecido na terceira classe morta. Eles, os cidadãos tão cheios de vida. Dançantes, alegres, livres, mesmo com tudo o que os cercavam. Nem chance eles tinham, pois nós e a segunda classe vínhamos em primeiro lugar.

Como se a importância da vida de alguém fosse medida por status, dinheiro.

Éramos iguais.

Eu não queria acreditar, minhas mãos começaram a tremer, de novo.

Nenhum movimento no oceano, a não ser o singelo balançar das águas. Um vento absurdamente frio bateu em minha face, arrepiou minha pele. E eu apenas, respirei fundo e mantive o cobertor nos dedos, pronta para envolver algum sobrevivente.

Eu não queria olhar, reconhecer rostos.

Mas, queria encontrar Brittany e Samuel.

— Verifiquem bem, ouviram?! — Martinez ordenou, apontando uma lanterna para os corpos. — Não deixem ninguém passar despercebido.

— E-eles estão mortos, senhor...

— Só... Abram caminho, com calma. — Continuou, abalado. — Cuidado, não os acertem. Devagar... Oh, Deus... Há alguém vivo aí?!... Alguém está me ouvindo?!... Demoramos demais.

O marinheiro olhou em minha direção.

— Perdão por ter de ver isso, senhorita... — Senti meus pés sem chão. Ele não estava desistindo, estava? Eu fiquei em silêncio e ele voltou a olhar para frente. — Continuem procurando! Vamos! Há alguém vivo aí?!

Os homens continuaram a remar, sem interrupções.

POV Brittany

Devido a minha audição, meus olhos despertaram-se automaticamente. Haviam voltado para nos resgatar, mesmo? Ou eu estava delirando? Ouvindo coisas inexistentes? Precisava descobrir.

Tentei respirar o máximo de ar que podia, enchendo os pulmões doloridos.

Meus músculos pareciam rasgar, tentava não me fixar nisso.

Levantei uma mão e a pus em meu irmão, à minha frente, balançando seu ombro.

— S-Sam? Sam? Acord-aa, Sam... He-ey... Vamos...

Minha voz não saia direito, falhava. Eu ofegava sem parar. Não tinha controle sobre isso.

Doía tentar aumentar o som da fala.

Doía mexer-me.

Doía ficar parada.

Doía respirar.

Continuei o cutucando, até perceber seus olhos cerrarem-se para mim. Seu cabelo estava coberto por gelo, assim como sua sobrancelha. Imaginei que também estivesse assim, já que sentia dor em muitos lugares, mas principalmente ali, na cabeça, onde eu mais tinha percepção.

As pontas dos meus dedos das mãos e dos pés eram pedra. Minha pele estava um pouco mais pálida que o normal. E, eu possuía uma enorme dificuldade de saber se realmente aquilo estava acontecendo.

O-o que foi, B-Britt?

— Eles... Eles, vo-oltaram, está-aa ouvindo? Es-s-tá? — Perguntei, mas seus olhos estavam quase se fechando, novamente. Engoli a seco. Depois, o balancei, outra vez. — Fi-que acordado, Sam.

— Estou acordado...

— Alguém me escuta?!... Hey!... Alguém?!

— Ouve?

Sam assentiu.

Si-im... Ouço.

Eu virei-me na porta e vi o bote se aproximar, apontando uma forte luz em direção aos meus olhos.

— Aqui... — Tentei gritar. — Aqui.

Acho-o que... Ele-es não vão ouvir... Britt.

Sam tinha razão. Criei coragem e rastejei meu corpo para fora do pedaço de madeira, onde nós boiávamos, e caí na água gelada, tentando mexer-me por lá. Queria fazer barulho. Dar sinal de vida. Movimentei os braços, nadando e provocando certo som na água. A qualquer momento poderia afundar, aquilo era angustiante.

Ver as pessoas congeladas daquela forma, em volta, era horrível.

Mesmo assim, meu coração não conseguia disparar.

Talvez meu corpo estivesse quase desistindo, por muito pouco.

— Ali, vejam! — Uma voz feminina, muito familiar gritou. — Há alguém ali!

— Homens, voltem!

O bote não demorou muito a se pôr perto de mim. Quando menos vi, estava sendo erguida da água por dois homens que, me colocaram sobre o barco, em segurança. Enfim, fora da água.

— Pierce! — Santana veio em minha direção, envolvendo-me num cobertor. — Meu Deus... Que bom... Que bom...

Sua voz, era a sua voz.

Reencontrá-la era como renascer, se renovar.

Eu olhei por entre o ombro dela e enxerguei Sam sendo colocado a bordo também.

Santana tinha o corpo tão quente, tão acolhedor.

Seu peito subia e descia energizado, contra o meu.

Meu corpo, por outro lado, tentando reconectar-se aos sentidos a todo instante. Tentando entender, de fato, o ambiente, reconhecer, reaprender. Era como se eu estivesse levando algum tipo de choque.

Era como se eu acordasse de um pesadelo.

Estava difícil esquecer todo aquele estado gélido de meus membros.

Minhas pernas, barriga, e pontas dos dedos começaram a formigar.

Não consegui dizer nada, e no momento em que Santana se afastou eu sorri, para aquele rosto tão lindo que, agora, estava coberto por lágrimas.

Es-stá t-tudo bem... — Passei a mão por seus cabelos e colei minha testa a sua, escorregando meus polegares em sua bochecha. — Eu disse que ia ficar... Vi-iu só? Eu disse.

Santana assentiu, e, posteriormente a um acentuado selinho, ela levantou-se.

— Venha para cá, Sam... — Chamou, ajudando-o a se sentar a meu lado, cobriu-o com o cobertor também. — Vocês precisam se aquecer. Vão ficar bem. Apenas, descansem.

Concordei e ela voltou a ficar perto de mim, desse modo, corpo a corpo, criamos um calor do qual precisávamos.

(...)

À medida que o bote buscava por mais sobreviventes, quatro pessoas, além de mim e meu irmão, foram resgatadas. Após terminarem de dar a volta pelo mar, cheio de corpos inanimados, o bote se juntou aos outros. Ali, nós esperaríamos por um milagre.

Os minutos passavam.

Os tripulantes usavam suas pistolas sinalizadoras, atirando no céu.

As pessoas mantinham-se em um silêncio ensurdecedor.

Era como se depois dali, não houvesse mais nada. Estávamos esperando para sobreviver ou morrer, como fantasmas. Até mesmo sobre o bote, era muito frio. O que nos mantínha vivos era calor humano.

Sam dormia de um lado.

Santana mantinha-se acordada de outro.

Eu passei a fitar seus olhos castanhos e ela notou, olhando para mim também.

— Você está melhor?

— Estou... — Respondi, vendo uma fumaça fria sair de minha boca. — Você está?

Ela balançou a cabeça, afirmando.

— E quanto a Quinn?

— Está bem também, em algum bote... Assim como Mercedes e Rachel.

— Que bom... — Eu me lembrei de Kurt e Blaine, além de todo o horror que ocorrera com tantas pessoas, e meus olhos incharam-se. — Venha aqui, por favor.

Eu puxei a morena para mais perto, em um abraço sincero e fechei os olhos.

Ela entendia o que eu sentia.

Não precisávamos de palavras para isso.

POV Santana

Com a luz do dia seguinte batendo em meus olhos, acordei. Minha mente tentava raciocinar, lembrando-me rapidamente de como havia ido parar ali, no meio do atlântico. O cheiro salgado do mar invadia meus pulmões, enquanto Brittany e Samuel encontravam-se adormecidos.

Era uma manhã fria.

Entretanto, não tão fria quando a noite.

A Pierce tinha a cabeça encostada no meu ombro, e respirava profundamente, como quem nunca tivera dormido tanto tempo antes. Havia um grande navio a frente dos botes aglomerados. Carpathia. Aparentemente, ele era nosso salvador.

Os botes se direcionavam a ele.

Iríamos embarcar em outro navio, enfim, após o trauma.

Nesse ponto, não sentia mais segurança alguma.

(...)

Ao nos deslocarmos para o Carpathia, eu, Brittany e Sam, tentamos localizar a Berry, a Lucy e Mercedes. Quinn foi a mais fácil de encontrar em meio à multidão, já que seu bote estava a minha vista quando ela o deixava. Rachel e Jones apareceram algum tempo depois.

Ahn... Creio que isso lhe pertença. — Berry direcionou-se a mim, sem graça, com um caderno em mãos. — Bom, mais ou menos. Quando você saiu correndo do corredor seguida de Quinn, achei que acharia vocês em seu quarto, então isso apareceu. Sebastian sequer me reconheceu no corredor, não acreditava no que estava acontecendo.

Oh, Rachel, muito obrigada... — Era o caderno da Pierce. — Mesmo.

Ela sorriu e eu a abracei.

— Fico feliz que está bem.

— Eu também...

— Você... Sabe o que aconteceu com eles?

A Berry negou e eu assenti. Talvez um pouco mais aliviada do que antes, por ter pelo menos perguntado. Voltei ao encontro dos Pierces e Quinn.

— Olhe... — Cutuquei Brittany, escondendo seu pertence nas costas, antes de revelá-lo. — Rachel achou seu caderno.

Boquiaberta ela apanhou seus desenhos, quando os revelei e emocionou-se.

— Isso é muito importante para mim... — Ela sorriu para Berry e acenou com a cabeça. — Rachel, certo?

(...)

Depois de se isolar por um tempo, Mercedes veio ao nosso encontro, oferecendo-nos o conforto de sua casa para nós nos restabelecermos de alguma forma por lá. Embora, sem dúvidas, ela quisesse companhia também, pela perda de seu marido e trauma de ter assistido tudo o que assistiu. Éramos como uma família agora.

Uma família unida por acidente.

Uma família unida por linhas muito, muito tortas.

Eu nem imaginava como agradecê-la por tanta bondade.

Nossos nomes completos foram anotados, um a um.

Pierce. Fabray. Berry. Jones.

Queriam ter noção de quantas pessoas haviam morrido. Tanta história sob o mar, apagada. Esquecida.

Eu não fazia ideia se Sebastian, Biff, ou mamãe haviam sobrevivido.

Eu preferia não saber.

Aquele era um recomeço. Uma linha tênue que separava passado do presente... Do futuro... De tudo.

Meu sobrenome agora era Pierce. De Quinn voltara a ser Fabray. Lopez, McIntosh, ou o que quer que fosse, morreram junto ao Titanic. Nossos nomes seriam aqueles do papel, dali para frente.

Antes de chegarmos à Nova York, Brittany revelou as outras que era uma garota.

Nenhuma a julgou. Nenhuma a condenou.

Nenhuma sequer interrogou-nos, sobre nós.

Nossa proximidade.

Nosso relacionamento.

Nada.

A loira só queria ser ela mesma. Por sorte, elas a entendiam. Todas elas buscavam isso, eu buscava isso. Ao pôr seus pés nos solos americanos, Brittan ficaria para trás também, para dar lugar à verdade. A Brittany Susan Pierce.

Minha namorada.

Meu amor.

POV Brittany

Meses depois...

Nós não tínhamos casado, pois isso era impossível. Ninguém além de Mercedes, Rachel, Sam e Quinn sabiam sobre nós. Nem poderiam saber. Era perigoso, proibido. Um pecado aos olhos de muitos. Todavia, Santana carregava meu sobrenome nos Estados Unidos da América, como se fossemos casadas.

Desde o naufrágio.

Desde quando juramos nunca mais nos separar.

Desde as juras e mais juras de amor, aos prantos.

A casa de Mercedes era grande, e tinha espaço de sobra. Ela insistia para todos nós a chamarmos de nossa casa também. Aparentemente, ficaríamos lá para sempre. E mesmo assim, eu, Santana e Quinn saíamos todo dia juntas para trabalhar em uma indústria têxtil, enquanto Rachel cuidava da casa e pensava em se tornar enfermeira, Sam trabalhava em um bar e Mercedes investia seu dinheiro em empresas e artistas. Seu olhar era ótimo. Daí surgiu um interesse dela em vender meus desenhos.

Ela tinha um plano: para vendê-los bastava usar a imagem de outro alguém.

Outro alguém, especificamente, um homem.

Poucos comprariam arte de uma mulher, infelizmente.

Mas, isso não era de todo o mal. Meu irmão era minha nova imagem, ao menos. Ele passou a ir a eventos como se fosse o autor de tudo.

Eu estava feliz por isso.

Nossa vida nunca seria normal, mas aquilo era muito mais do que eu havia esperado. Mercedes era viúva. Rachel solteira. Quinn noiva de Sam. Eu namorada de Santana.

Ela, minha melhor amiga.

Todos os dias o que me dava energia para levantar era seu rosto, seu sorriso.

Sua personalidade forte, e resmungos repentinos de vez em quando.

Fazer valer a pena nunca esteve tão implícito em minha vida, minha nova vida.

Embarcar no Titanic havia sido a melhor coisa que eu havia feito na vida.

Ensinara-me a amar. Ensinara-me a aflorar a empatia. Ensinara-me a sobreviver, e também me ensinara que família não é composta apenas por sangue, mas sim de muito carinho, zelo, empatia, tentativa e erro.

Não poderia ser mais completa.

Sam nunca mais ousara tocar em meus cabelos, então eles já estavam na altura dos ombros, talvez um pouco mais.

Eu abri os olhos, sorridente, espreguiçando-me e não achei Santana ao meu lado na cama. Estranho. Normalmente acordávamos uma a outra. Era totalmente fora do normal ela não estar ali. Um vazio tomou conta do meu coração, por um momento.

Queria dizê-la “bom dia”.

Saí do quarto, de camisola, descendo escadas vazias em direção à sala de estar, enquanto esfregava os olhos sonolentos e tentava não cair, ao passo que pisava meio torto no chão.

Não era muito seguro levantar tão abruptamente, eu imagino.

Não parecia ter muita luz no céu.

Era dia, afinal?

A casa estava bem silenciosa desde que Mercedes, Sam e Quinn saíram em uma viagem, por causa das pinturas.

E esse, era o primeiro final de semana sem eles por ali.

Rachel deveria estar dormindo ainda.

Ninguém a vista.

Percebi o cheiro de comida no ar, e sem pressa, direcionei-me nessa direção certeira.

— Oi... — Disse, ao notar Santana em frente ao fogão. — Tudo bem, San?

Aquela situação não era muito comum. Suponho que era um sonho, sim? Eu observei a mesa de café da manhã posta.

— Oi, Britt-Britt! Bom dia... — Ela me respondeu, aproximando-se e me dando um beijo. — O que foi, amor?

Santana riu, alegre.

— Foi você que fez isso?

— Ah, então... A Rachel andou me dando umas aulas de culinária nos últimos dias... E agora resolvi fazer algo sozinha, antes que ela acordasse e me desse uma série de ordens. Você sabe quão chata ela pode ser. Olha, eu acho que eu já estou preparada. Só não tenho certeza porque ela não estava aqui falando.

— Já amanheceu? — Indaguei confusa, abrindo um sorriso com sua animação. — Quer saber, não importa...

— Quer experimentar?

— Claro.

— Ótimo! — Ela envolveu minha mão a sua e fez-me sentar em uma cadeira. — Pronto, sirva-se do que quiser. Eu fiz sopa de legumes. Cozinhei ovos. Arroz... — Ela olhou para o fogão e levantou-se. — Pão.

Wow, quase uma chef...

Ela riu e eu me servi, esperando ela sentar-se para comer.

— E então? — Santana perguntou-me, esperançosa. — Como está?

— Maravilhoso...

— Está sendo sincera mesmo, Britt?

Eu suspirei. Claro que estava. Claro.

— Eu te amo sabia?

— Não mude de assunto!

— A comida está esplêndida, e eu te amo muito... — Deixei a cadeira para trás e me inclinei para beijá-la. — Muito, muito.

— Eu também te amo... — Ela sorriu e arqueou uma sobrancelha em seguida, dando um salto da cadeira. — Preciso contar isso para a Berry!

Notas finais
Fim ♥ Minhas outras fanfics Brittana: — Destino ou não (+18; concluída) — Our Hands Tied (+18; concluída) — The Proposal (+18; concluída) — Nós (+18; concluída)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!