Notas iniciais
Boa leitura!!

– Eu tenho que ir, aquela mulher está me esperando. – Dissemos juntos. Um momento, ele estuda na Morgan High School também?

– O seu nome completo é Eren Jaeger? – Ele disse.

– Sim. E você é Armin Arlert? Estamos estudando na mesma escola?

– Parece que sim.

A mulher olhou em uma prancheta, nos encarou e gritou:

– Eren! Armin! Aqui! – E começou a balançar a placa para chamar a nossa atenção. Fomos até ela. – Meu nome é Hanji. Eu sou a coordenadora do colégio Morgan High School. – Ela deu um aperto de mãos em cada um de nós. – Por aqui. Tem um táxi nos esperando.

Nós entramos no taxi. Durante o caminho, Hanji nos contou sobre a escola:

– Ah, vocês irão amar a Morgan High School! Ela fica em uma ilha afastada da cidade. Temos acesso a ela por uma ponte, onde há guardas que prezam a segurança dos estudantes. Portanto, pessoas só podem passar por essa ponte comprovando que trabalham para a escola ou com a presença de um funcionário. É como uma fortaleza, praticamente. Mas não deixa de ser uma construção muito grande e bonita. Onde é a escola agora, antigamente era um castelo da época medieval. Mas é claro que foi restaurado e modificado. Por fora, um castelo monumental. Por dentro, uma escola perfeitamente comum.

“A escola recebe estudantes de todo o mundo, mas não é muito conhecida, porque preferimos discrição absoluta. É por isso que todos que conhecem a MHS são antigos estudantes ou fundadores e seus parentes. Por termos os melhores professores e a melhor infraestrutura do país, selecionamos os melhores estudantes. Nosso método de ensino visa ensinar individualmente, então as nossas vagas são muito limitadas. Recebem bolsa somente os melhores dos melhores, e os demais alunos têm excelentes contatos. Mas é claro que trabalhos em grupo não faltam, assim como em qualquer escola. Ah, sim, falta falar de como a escola funciona. Vocês devem saber que, em qualquer outro colégio, as aulas começam hoje. Porém, hoje temos uma programação diferente: vocês irão almoçar na cantina da escola, depois eu chamarei os nomes de todos os alunos novos. Vocês virão até mim quando forem chamados e eu lhes apresentarei a algum veterano, que lhes mostrará toda a escola e lhes informará todas as normas. Depois disso, vocês estarão livres para desempacotar suas malas e conhecerem melhor o seu colega de quarto. O jantar começará sempre, inclusive hoje, às sete horas e terminará às oito. Mas vocês serão melhores informados sobre isso quando chegarmos lá.”

Ela deve amar mesmo o seu trabalho, porque ela contava tudo com um inegável brilho nos olhos. Acho que ela só parou de falar para mostrar ao segurança da ponte o seu crachá. Ao vê-lo, ele abriu o portão e nos deixou passar.

– Ah, esqueci de falar que hoje, antes do almoço, todos os alunos novos irão conversar comigo para eu conhecê-los melhor e para terem uma avaliação psicológica, afinal, vocês só terão permissão para sair da escola nas férias de inverno e de verão, e preciso ter certeza de que tudo estará bem com vocês. Oh, eu mal posso esperar para ver como essas cabecinhas funcionam por dentro! – Ela nos olhou com intensa empolgação. O seu sorriso era estranho e ela tinha uma expressão sádica no rosto. Ela era, definitivamente, maluca. Mas eu gostei dela. – Vai ser tão divertido!

– O que, exatamente, você faz na escola? – Perguntou Armin. Se eu pensava que o sadismo dela não poderia aumentar, eu estava redondamente enganado. Ela parecia uma criança que descobriu que o Natal chegaria mais cedo.

– Oh, você quer mesmo saber? Bem, eu tenho doutorado em psicologia, então, além do meu trabalho de coordenadora, eu tenho a função de ajudar estudantes que enfrentam alguns problemas e encrenqueiros em geral. Escutá-los é simplesmente fascinante, entende? Eles são as minhas cobaias! É claro que eu também tento fazer o meu melhor para ajudá-los. É uma troca, na verdade, porque, através deles, eu consigo entender cada vez melhor como a mente humana funciona! Ela é muito complexa e exige estudos bem detalhados...

E ela continuou o seu monólogo. Enquanto ela falava, – é óbvio que eu não prestei atenção a nenhuma palavra que ela dizia – nós passamos pelo portão de entrada, que era de metal, com muitos detalhes. Havia duas gárgulas, uma de cada lado do portão. Passávamos por muitas plantas impecavelmente tratadas e podadas e uma imensa variedade de flores. Realmente essa ilha – que era a escola inteira – era muito grande. Passamos por uma estrada de pedras que chegava à escola, no centro do terreno, onde a distância de onde estávamos até a recepção dos estudantes era de aproximadamente cem metros. Eu nunca vi uma escola tão imponente e majestosa – é claro, se trata de um castelo. Mas escolas são escolas. Eu nunca vou gostar delas, não importa o que elas tenham para me persuadir a seguir o caminho “certinho”, eu nunca vou gostar de estudar.

Quando finalmente alcançamos a entrada do castelo, saímos do táxi. Hanji disse alguma coisa ao motorista, lhe entregou o dinheiro da corrida e ele foi embora.

– Meninos, vocês podem esperar junto com os novatos. Eu tenho resolver algumas coisas e já volto.

Eu falei para Armin:

– Sério que são esses todos os alunos novos? Tem só umas vinte pessoas aqui.

– Bem, você ouviu o que a Hanji disse: são poucas as pessoas de fora que têm conhecimento sobre a MHS, então não é uma grande surpresa que sejam só esses os novos estudantes.

– Bem, pelo menos a “conversa” com a Hanji vai terminar mais cedo e logo vamos poder almoçar.

– Alguém aí falou em almoço? – Eu não acreditei no que vi. Uma garota de cabelo castanho amarrado veio até nós, comendo uma batata.

– Onde você conseguiu essa batata?

– Tinha uma porta lateral aberta que tinha um cheiro gostoso de comida! Aí, quando ninguém estava olhando, eu roubei essa batata. – Ela deu um sorrisinho mostrando a sua culpa. – Mas e aí, quando é o almoço?

– Eu acredito que a Hanji vai querer falar com cada um de nós separadamente para nos conhecer e depois estamos livres para almoçar.

– Oh, droga. – Disse ela, dando uma grande dentada na batata. – De qualquer forma, meu nome é Sasha. Bem, pelo menos a “conversa” com a Hanji não vai demorar e logo vamos poder comer à vontade. E vocês são...

– Meu nome é Eren.

– Eu me chamo Armin. – Ele disse, se encolhendo um pouco. Eu nunca vi alguém com tanta baixa autoestima. Como alguém tão inteligente pode não ter confiança?

– Bem vindos à Morgan High School! Meu nome é Hanji e eu sou a coordenadora da escola. Antes do almoço eu quero conversar com cada um de vocês em particular, para nos tornarmos amigos! – Ela disse isso de braços abertos e sorrindo de orelha a orelha. – Vocês podem se sentar nos bancos aqui perto. Venham até mim conforme eu chamar. – Ela pegou uma lista. – Arlert, Armin.

Armin corou violentamente e foi até Hanji, que o levou para dentro da escola. Depois de uns cinco minutos, ele retornou.

– E então? O que ela perguntou?

– A Hanji me perguntou sobre como eu estava me sentindo por ter vindo estudar aqui e por ter que ficar longe da família por tanto tempo, só isso. Foi como uma sessão no psicólogo, nada assustador. Aliás, foi até entediante.

Hanji chamou mais umas oito pessoas antes de mim. E finalmente:

– Jaeger, Eren! – Eu fui ao seu encontro. Ela me levou a uma sala dentro do castelo.

Eu esperava tapetes vermelhos, grandes lustres e castiçais, porém não havia nada disso. Por dentro era uma escola comum e sem graça, apesar de seu imenso tamanho. Havia um grande corredor com muitas portas em cada lado. Perdi a conta de por quantas delas nós passamos, até que entramos em uma à esquerda.

– Sente-se, Eren. – Eu obedeci. – É bem simples o que eu vou pedir, tudo bem? Eu só não quero que nenhum de vocês, confinados aqui, acabem ficando como o Johnny, de “O Iluminado”. – Ela deu uma risada. – Calma, eu estou brincando. É só para avaliar a sua condição emocional e ajudar se for preciso, afinal, você ficará um bom tempo sem ver a sua família, então talvez precise de apoio. Como você se sente a respeito de ter vindo para cá, onde é tão longe de casa?

Eu expliquei como eu achei estranho a minha mãe ter, repentinamente, decidido me mandar a outro país para estudar, principalmente a essa fortaleza. Mas, para mim, não havia problema em me distanciar tanto dela, desde que eu pudesse ligar para ela de vez em quando. Ela disse que eu podia ligar quando eu quisesse. Por fim, acrescentou que eu parecia estar bem, mas, se eu estivesse triste ou solitário, ela ficaria feliz em ajudar. Eu fui liberado e Hanji me acompanhou de volta.

Eu encontrei Armin lendo um livro em um banco. Sentei-me ao seu lado e, juntos, esperamos pelo término da avaliação psicológica e fomos à cantina, lugar que Hanji disse ser no térreo, indo pelo corredor da direita até encontrar uma porta dupla aberta, onde comeríamos.

Quando chegamos à cantina, havia sete mesas longas. Tinha também uma espécie de palco, que eu deduzi ser para darem avisos e para entretenimento. Os estudantes veteranos sentaram-se nelas, e eu pude perceber que, em cada uma delas, os alunos tinham idades diferentes.

– Eu acho que cada mesa é para uma série ou ano específico. – Disse Armin. – A mesa do primeiro ano deve ser a quinta. – Nós sentamos à quinta mesa.

– Hanji apareceu no palco, acompanhada por um homem alto, loiro e com cara de ser bem chato.

– Sentem-se às mesas. Cada mesa pertence a uma série. Localizem-se. Quero apresentar aos calouros o diretor da MHS, Irvin Smith. Enquanto vocês almoçam, ele dará alguns avisos.

– Bem vindos à MHS. Como a Hanji disse, eu dou o diretor dessa escola. Agora lhes informarei sobre as normas escolares. Todos os alunos deverão obedecer ao toque de recolher, que é às nove horas da noite. Depois desse horário, estudantes fora do dormitório serão advertidos. – Ele começou a tagarelar e não parou até que todos terminassem de comer.

No final do almoço, Hanji retornou ao palco e disse:

– Agora, todos os veteranos pertencentes ao Grêmio Estudantil mostrarão a escola aos alunos novos. – Vários estudantes se levantaram e foram ao palco. – Novatos, por favor, se levantem. – Obedecemos.

Hanji começou a nos chamar, um a um, para nos encontrarmos com os nossos “guias”. Logo chegou a minha vez. Eu me dirigi ao palco e uma garota muito bonita, de cabelos negros e curtos, disse, sorrindo:

– Olá, Eren Jaeger. Eu irei lhe mostrar a escola hoje. – Aquele rosto... Eu já vi em algum lugar. – Não se lembra de mim? Meu nome é Mikasa Ackerman.


Notas finais
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Kissus