Abracadabra!

24 O passado de Naruto (parte 3)


Comecei a ver Naruto bem menos quando os trabalhos da faculdade se acumularam.

Frequentemente, eu perdia a hora dos nossos encontros virtuais.

Habituei a deixar mensagens pra ele e quando possível lia as respostas compreensíveis do jovem Namikaze, então nossa comunicação se estabeleceu por e-mail.

Meu grupo social aumentou, fiz questão de marcar presença em todos os compromissos aos quais me convidavam.

Eram pessoas que não me transmitiam temor, nem desconfiança, nossa convivência era sadia, considerada normal entre universitários.

“Nem parece a garota esquisita no tempo de colégio, ainda bem que era só uma fase.” Falou okaa-san, certa vez.

Fiquei no total de três meses sem falar com Naruto através da cam, e a preocupação me entregava dores de cabeça, pois ele parou de responder aos e-mails.

Imaginei que estivesse magoado, chateado por perder metade da “plateia” dos shows de mágica.

Afinal, a outra metade era a Karin.

Complementando minha preocupação, duas semanas atrás encontrei nas notificações uma chamada de Karin, liguei de volta, no entanto, fiquei sem respostas.

Cheguei ao meu limite, decidi viajar para Takayama.

Okaa-san brigou comigo por achar que isso atrapalharia minhas obrigações com a faculdade, porém, ignorei as palavras dela, há tempos que essa mulher não me era autoridade.

Eu a amava, mas aprendi a conduzir minha vida sem me rebaixar.

Justo na noite que eu preparava as malas, o professor Minato me ligou avisando que Naruto desaparecera.

De certeza empalideci.

— Há quanto tempo ele está desaparecido, Sr. Namikaze?

— Há menos de dois meses. — Notei o cansaço na voz, de alguém que passou noites em claro.

— Tudo isso! Por que não me avisaram?! — me revoltei.

— Eu sinto muito, Kushina quer que o caso se mantenha em segredo para não voltar à mídia, então, onegai, não entre em contato com nenhuma autoridade, precisamos evitar que as fotos do nosso filho apareçam em cartazes ou jornais.

Não falarei nada, prometo.

Agradecido. Eu realmente achei que essa situação se resolveria e que eu não precisaria avisá-la, mas... Karin também sumiu, ela saiu para procurar Naruto, um dia depois do sumiço dele. Eu preciso perguntá-la, se você sabe de alguma pista, algum lugar que os dois quisessem muito visitar?!

Uma sensação pesada cedeu sobre mim.

Requeri um tempo pra dizer algo.

Bem... ela me ligou duas semanas atrás, mas eu estava ocupada e não atendi, liguei de volta, mas... nada. Eu lamento Sr. Namikaze. Eu queria muito ajudá-lo.

Meu coração tremulava.

Um jovem que não tinha uma boa condição de saúde mental.

E uma criança.

Os dois sozinhos por aí, sujeitos a qualquer perigo, daquele mundo cruel.

Agonia.

Escutei a respiração lamentosa do pai de Naruto, assim como eu, o professor precisou de um instante pra continuar a alçar voz.

Karin não quer voltar para casa sem ele, a mãe dela está adoecendo de tanta preocupação, não imaginamos onde ela esteja passando as noites.

— Lamento professor Minato, se eu souber de algo a respeito dela o avisarei com certeza. — Pressionei a palma da mão contra a testa, muita coisa girava na minha mente. — Mas se tratando de uma criança... deviam chamar a polícia!

— Eu sei, mas Kushina...

— Esqueça o que a tia Kushina quer, Sr. Minato! É uma criança! Informe logo as autoridades, não sabemos se ela conseguiu encontrar Naruto. Sabe-se lá se não caiu em mãos erradas. E se quando me ligou foi tentando pedir ajuda?

Karin é inteligente, ela saberia que deveria ligar logo para a polícia.

— Continua sendo uma criança, em situação de medo, pode não raciocinar como se deve.

Há alguns detetives particulares que paguei, por enquanto, deixe tudo em segredo.... eu imploro, Shion. Novamente, sinto muito não informá-la antes, muito mesmo.

Encerrou-se a ligação.

*

*

*

— Naruto passou a adolescência longe das poucas pessoas que o amavam. Era um homem, quando finalmente reapareceu em nossas vidas.

Shion parou de narrar, sobrando dúvidas aos outros, exceto Karin.

Contemplava as feições do amigo mágico.

Permaneceu acariciando a lateral do rosto do loiro.

Inimizada com o silêncio, Sakura questionou:

— Ele foi até vocês?

— Lie, na verdade, eu o encontrei sem querer.

— Onde? — os esmeraldinos brilharam, ansiosos.

— Em Quioto, trabalhando em um circo. No dia, eu nem esperava encontra-lo, quis visitar o lugar porque o ambiente circense me lembrava dele. — Fechou as pálpebras sorrindo um pouco. Visualizava aquele dia especial. — Naruto usava cartola, capa, luvas e uma varinha, sua roupa de mágico estava completa, ah e uma máscara prateada permitindo apenas a boca e as narinas de fora. — Espaçou as pálpebras, fitando os verdes rotundos. — Adivinha o que ele me disse quando me viu?

A rosada sorriu um pouco.

— Você acredita em magia?!

Em igual tempo, as duas citaram a famosa fala.

Sasuke se direcionou a Karin:

— E você, onde estava depois que saiu para procurá-lo?

— Com Naruto. Logo na primeira noite, longe de casa, ele me encontrou, ele sabia que eu iria atrás dele. Ele me levou para conhecer uns amigos. Artistas de rua. Eles pretendiam montar um circo. E Naruto pretendia partir com eles. Passei três dias com eles e depois retornei para casa, mantendo segredo. Na minha mente de criança, eu via o lado sonhador da coisa, e admirava Naruto, por ele ir atrás do sonho dele. Mas conforme fui crescendo, comecei a sustentar um peso na consciência, por ver o sofrimento que devorava minha tia e o marido dela. Quando Shion trouxe a notícia de que Naruto trabalhava em um circo, fui visitá-lo. No circo havia muitos funcionários, os que iniciaram o sonho de montar o circo, junto com Naruto, ainda faziam parte do grupo.

— O circo acabou? Por que Naruto vive sozinho, aqui no topo da colina? — a Haruno interrogou.

— O circo continuou, inclusive, faz muito sucesso. Chama-se, "Os jinchuujirikis", devem ter escutado falar. Porém... Naruto não acompanhou o circo, pois no ano que o reencontrei, ele teve que ser demitido. Cheguei a conversar com o dono, sobre o motivo, e ele me explicou que Naruto estava ficando cada vez mais incontrolável. O modo como ele se estressava, quando via, por exemplo, crianças chorando e pais repreendendo-as. Faltava pouco para ele agredir os adultos. Se não fosse um ou outro funcionário vigiá-lo, algo de ruim teria acontecido. E o dono achou melhor retirá-lo do circo, antes que trouxesse má fama para o circo.

Shion suspirou e observou ao redor:

— Naruto ficou arrasado, mas ao saber desse lugar, armou sua lona aqui. Ele não ligou para a lenda do mágico. Inclusive, eu acho que ele quis morar aqui, por saber que já existiu um circo nesse lugar.

— Bem, quanto tempo mais ficaremos por aqui? — Sasuke questionou e fitou o loiro. — Ele precisa ser internado.

— Lie, ele não merece ficar internado. — Shion contrapusera.

— Qual é... ele tentou pular da colina! — o Uchiha argumentou.

— Sasuke, se você não calar a boca, eu mesma te jogarei da colina! — a Haruno exclamou já parada diante o moreno, estalou os dedos da mão direita, provando que seria capaz de cumprir a ameaça.

Enraivecido, ele cruzou os braços.

— A pior coisa que pode acontecer ao meu primo é voltar a ser internado. — Seus vermelhos cintilaram um pouco. — Minha tia não aguentaria vê-lo novamente internado, o pai de Naruto tampouco, passar por essa situação outra vez acabará com eles, acabará com toda nossa família.

— Então permitirão que ele continue vivendo sozinho aqui, que ótima ideia. — O Uchiha soou sarcástico.

— Desde que Naruto passou a morar na colina fiz um acordo com ele, corrigindo, eu e os pais dele fizemos um acordo. Naruto poderia viver aqui, não iriamos incomodá-lo, contanto que aceitasse o medicamento. — Karin olhou para sua mala. — E estava dando certo... até hoje, cometi um erro grave, ficarei mais atenta para não errar as datas da aplicação.

— Você... se mudou de Takayama pelo primo? — a rosada fitou a ruiva.

Tardiamente, considerou sua pergunta boba, pois a resposta era evidente.

— Moro, aqui em Quioto, com minha tia e o Sr. Minato, eu durmo no quarto que foi de Naruto.

— Ele pode ter poucas pessoas que conhecem a situação dele... — Shion apertando delicadamente a mão do loiro encostou os dedos dele em sua maçã direita — mas são poucas com as quais ele realmente pode contar.

— Estou indo, dessa vez pra valer. — Sasuke se encaminhou à saída.

Karin agarrou o meio do braço dele e em seus vermelhos se presenciou um aspecto ameaçador.

— É melhor que não diga nada a ninguém, Sasuke.

—Não me envolverei mais, pra mim já deu. — Ele garantiu.

Ela soltou o ex-namorado e o viu partindo da tenda.

A Haruno meneou a cabeça envergonhada de si mesma por ter sido apaixonada por ele.

As três permaneceram na tenda, aguardando Naruto despertar.

Karin e Shion alguns momentos depois iniciaram uma conversa, a rosada preferiu manter-se afastada e vagou pelo interior da tenda, parou no local onde participou do número de mágica.

E abaixou-se apalpando o piso, vendo de perto pôde perceber que existia um sólido e transparente plano corrigindo o piso.

Shion se interessou:

— Aconteceu algo?

Os vermelhos se fixaram na rosada.

— Nada. Digo, acabei de desvendar o truque do Naruto, enquanto ele segurava as minhas mãos, me trouxe para essa região... ele ficou no nível mais baixo do chão, e eu nesse nível alto e transparente, naquele momento me deu a impressão de que eu flutuava.

Karin questionou:

— Decepcionada?

— Lie, não ligo que tenha sido truque. Realmente acreditei que estivesse flutuando. Essa é a maravilha de acreditar na magia porque você sente que pode. — Seus verdes se lançaram ao inconsciente mágico. — Foi o que aprendi.

— Ele ficará contente em escutar isso. — Karin dissera.

— Naruto está conseguindo atrair mais pessoas especiais para a tenda dele. — Satisfeita, Shion falou.