— Pessoal, essa será a aluna que os auxiliarão no ensino, Sakura Haruno. — Sai a apresentou, perante os colegas.

A rosada mesurou, sorrindo doce.

— Você é tão linda, por que se ausentou tanto do colégio? — Deidara se inclinou para frente, abrindo sorrisão o qual chegou a assustá-la.

— Arigatou pelo elogio, estive doente. — Justificou-se, seu sorriso doce decaiu para sem graça.

— Cuide melhor da sua saúde, ter-lhe por perto será muito bom. Nunca me senti tão empolgado para ter aulas de matemática.

Outros estudantes concordaram com Deidara, elevaram sorrisos e brilhos diferenciados nos olhares.

A Haruno começava a achar que passará por muito constrangimento com o loiro cabeludo. Ao pôr seus verdes esmeraldinos no Hino, saca que ele não compreende a malicia dos rapazes.

— Sou Sasori Akasuna. — Apresentou-se um ruivo se levantando e indo à rosada para cumprimentá-la. Ao contrário de Sai, notou perfeitamente o ar malicioso que exalavam. Deu uma encarada firme nos engraçadinhos até eles se sentirem ameaçados e se encolherem. Volveu-se à rosada, suavemente, verbalizando-a: — Trabalharei com você para ensiná-los.

Ela teve uma pitada de rubor, os olhos dele eram lindos, os traços do rosto muito delicados, alto, o ruivo possuía físico atraente.

— É um prazer.

— Igualmente. — O sorriso dele esbanjava cumplicidade.

*

*

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Quem começou a aula foi o Akasuna.

Sai sentou ao lado da porta, supervisionando.

Sakura se motivou pela experiência demonstrada por Sasori em ensinar e tratou com a mesma seriedade quando chegou sua vez. Sem interrupções, terminou sua aula muito bem.

Passaram para a sessão de exercícios.

A Haruno e o Akasuna aguardaram serem chamados caso algum aluno precisasse tirar dúvidas.

Na quietude da turma, a rosada parou a visão sobre o rapaz de cabelos negros e olhos ônix..... sim, era ele, Sasuke Uchiha.

Ele a fitava como um predador, sentado na última cadeira, no canto da sala.

— “Estranho, eu não o tinha visto antes... desde quando ele precisa de aulas de reforço? As notas dele são as melhores do colégio Senju....

— Professora! — Deidara sorria envergonhado. — Poderia vir aqui?

Desatenta ao loiro, seguiu firmando seus verdes no Uchiha.

— Eu ajudo. — O ruivo tomou a dianteira acreditando que Sakura incomodava-se com o olhar cobiçador do loiro.

— Aaaah.... mas eu queria a Haruno....

— Faz diferença? Que duvida quer tirar? Mostre-me logo. — Sasori engrossou a voz.

Deidara bufou, mas aceitou, precisava de ajuda de qualquer jeito.

O Uchiha levantou a mão, seus ônix cingindo a rosada.

Respirando fundo, a Haruno seguiu até ele.

— Qual o problema? — perguntou o mais séria possível.

— Você. — O olhar dele permanecia perigoso.

— Como?

— Pensei que havia sido transferida de colégio. Eu não sabia que esteve doente.

— Você nunca se atualiza sobre mim, fica sempre sabendo na última hora. – Engoliu a mágoa.

— Nós podemos...

— Não existe “nós”, não mais. Cansei de ser “a outra” por que não se contenta com sua namorada? –olhou para os lados, receosa quanto a possibilidade de alguém escutá-los. Diminuiu o som da voz. – Nosso envolvimento nunca deveria ter começado. Karin é uma pessoa esforçada, excelente estudante.... terá um futuro brilhante, você tem muito a ganhar com ela, não desperdice essa chance. – Tentou retornar para frente da turma, entretanto, o Uchiha segurou a mão dela.

— Fala sério? Você chorou inúmeras vezes por mim, será infeliz sem "nós".

— As coisas mudam.

— O Akasuna é uma mudança? Por isso baba por ele?

Sim, o Uchiha com seus ônix atentos, percebeu a atração expressada no rosto da Haruno quando ela fitava Sasori.

— Temos isso em comum não é? Somos atraídos por ruivos.

Ele afrouxou os dedos e ela aproveitou para se afastar, retornando para frente da turma.

*

*

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Voltava para casa com o semblante abalado.

Segurando a pasta com as duas mãos na frente do corpo.

Algumas mechas rosa caindo sobre a face.

De vez em quando se voltava pra trás, temendo que Sasuke a seguisse.

— Sakura-chan! — Rock Lee surgiu no caminho da Haruno, oferecendo algodão doce. — Rosa, da cor do seu cabelo, quer?!

— Lie, arigatou. — Notou a presença de Tenten que parou ao lado dele, aparentemente, incomodada. — Estão em um encontro?

— Haha, lie! — a Mitsashi negou, desenhando no rosto, o quão a suposição era absurda. — Fomos ao parque de diversões depois do colégio. — Ergueu o braço, apontando à roda gigante, o único brinquedo do parque avistado de onde estavam. — Mas o parque de diversões funciona apenas durante as manhãs. Porém, um senhor muito bondoso que vigia o lugar, nos deixou passear por lá, até nos deu algodão doce.

— Para ser específico, fomos visitar o mágico que mora na tenda no topo da colina. Mas desistimos da ideia e acabamos visitando o parque que é perto. — Lee complementou a explicação e lambeu os beiços açucarados.

— Um mágico no topo da colina? A colina é abandonada pelo que lembro.

— Uuhhh Ainda não sabe das novas sobre o mágico? — Lee energético mexeu todo o corpo, gesticulando bastante enquanto falava: — Ele está habitando a colina faz algum tempo. Estão dizendo que é um homem perigoso e faz as pessoas desaparecerem. Vimos até a Hyuuga descendo a escada que leva para a tenda, estava muito assustada e nos disse que ele é um doido.

— E ainda falou que perderíamos tempo indo lá. — Tenten acrescentou, lembrando da cara de Hinata.

— Bem... eu tenho que ir, nos vemos amanhã. — A história desinteressou a Haruno e continuou andando. — Arigatou, por avisarem...

— Nos vemos no colégio, estou feliz que esteja melhor Sakura-chan! — Lee acenou com o algodão doce.

*

*

*

Sakura desconheceu os motivos, os quais a levaram ao parque de diversões, simplesmente, mudou de caminho depois de se encontrar com Lee e Tenten.

Refletindo por mais tempo, concluiu que evitava conversar com a mãe tão cedo, pois quando entrasse em casa seria bombardeada por perguntas da senhora Haruno.

Era fofo, tanto sua mãe, quanto seu pai, esforçavam-se em ter uma relação próxima com ela.

Mas por enquanto, queria ficar sozinha, e se recuperar do dia que teve.

— “Cheiro de pipoca na manteiga”. — Olhou para os lados, não avistou nenhum vendedor. Passeou pelo parque. Quando cansou, entrou na carruagem do carrossel e repousou ali, fechando os olhos. — “Não adianta, não consigo esquecê-lo”.

O coração cheio.

A mente pesada.

*

*

*

Minutos de choro silencioso fizeram-na adormecer.

O carrossel lentamente se moveu até estabelecer a velocidade normal.

Acordou assustada.

— Quem está ligando o brinquedo?! Pare!!!

Obedecida, o carrossel cessou. E da carruagem, ela enxergou um senhor saindo detrás da máquina que coordenava os movimentos.

— Testo o funcionamento..... — O velho explicou-se de sorriso pequeno, envergonhado.

— Pensei que o lugar estivesse vazio.... — Fez menção de descer da carruagem.

— Pode ficar aí o tempo que quiser.

— Não quero que tenha problemas com seu trabalho.

Contudo, ela teve preguiça de sair, requeria mais tempo fora de casa, em algum lugar onde pudesse repousar e a carruagem era perfeita para esse objetivo.

— Não será trabalho nenhum. — O velho assegurou. Subiu no carrossel e sentou num dos bancos da carruagem, frontalmente à Haruno. — Vamos dar algumas voltas, pela nossa infância haha.

O brinquedo retornou a girar.

Serena a voz feminina saía:

— Rsrs... nossa infância que descanse em paz. — Como queria voltar a ter problemas de criança.

— Haha nossa infância sempre estará conosco, mas diga-me rosadinha, por que choravas? Nada de mentir, seus olhos estão vermelhos.

A Haruno suspirou. Decidiu não ser detalhista na resposta:

— Problemas... eu pensava em alguns que tenho, só isso.

— Problemas de amor?

É, pelo visto era um daqueles velhos que adoravam puxar assuntos, principalmente, com os mais jovens.

— “Eu não sei se é amor”. — Reparou na aliança do idoso. — O senhor é casado.

Veria se ele se incomodaria, sendo ela querendo saber da vida pessoal dele.

— Ela morreu primeiro que eu. — Assentindo respondeu fitando a aliança amavelmente.

A revelação rápida e sem qualquer sinal de incômodo surpreendeu a colegial.

— Lamento.... viveu muito tempo com ela?

— Anos maravilhosos. — O velho entregou a resposta, como o ser mais feliz do mundo.

Sakura pusera seus verdes pra fora do brinquedo, contemplando o que podia da paisagem giratória.

— Teria a amado se ela escolhesse outro homem?

— Absolutamente. Machucaria meu coração nunca tê-la, mas o certo é desejar a felicidade do próximo. — Também começou a apreciar a vista rodopiante. — Ah, como adoro o meu parque haha!

A Haruno sorrir um pouquinho.

— E se o senhor pudesse se envolver com ela... mesmo estando com outra pessoa, arriscaria?

Por dentro, a colegial estava assim:

Estou desesperada buscando conselho de um estranho idoso viúvo!!!

— Haha, quer dizer traição? Doer-me-ia vê-la viver com outro, mas me doeria vivenciar um amor com ela enganando outra pessoa.... o amor me machucaria nas duas formas, e se for para me machucar, que me machuque fazendo o certo.

O bom humor dele era constantemente elevado.

— Então.... o senhor preferia vê-la feliz com outro.

— Hai. Eu lutaria buscando minha própria felicidade sem guardar magoa e me sentir bem por minha amada estar feliz. Mas fui presenteado, não tive que viver um amor enganoso... passa por uma traição, rosadinha?

Ela se agradou pelo apelido carinhoso. Endireitou a boca, rápido. Pensando na própria situação era torturante.

— Afastei-me da minha melhor amiga.... ou.... não sei se o que tínhamos era amizade verdadeira. Gostávamos de um garoto e quando caímos na mesma turma que ele, disputamos a atenção dele. Acontece que ele não escolheu nenhuma de nós.

— E ainda disputam a atenção dele?

Ela meneou a cabeça.

— Ino, minha ex-amiga, quis reatar nossa amizade depois que ele começou a namorar, mas não me sinto segura com ela, nós duas nos magoamos, nos falamos coisas horríveis durante nossa rivalidade. E...

O velho retirou um lenço do bolso do macacão e ofereceu para ela.

As lágrimas saíam e a Haruno as notou tardiamente.

Em seu silêncio, agradeceu-o, sorrindo-o brevemente.

Era estranho que estivesse à vontade para relatar sobre seus problemas.

Talvez por que na sua vida pessoal se ausentava um confidente.

E o bom humor do velho a confortava de certo modo.

E ele não fazia parte de sua vida pessoal, se ele comentasse com alguém sobre sua história, ninguém de sua vida saberia.

Poderia desabafar com ele.

— Vocês são tão jovens, estão ganhando experiência com os erros. Qual o problema de tentar ao menos uma vez se reaproximar de uma amiga?

Sakura amassou o lenço em suas mãos.

— Porque... enganei Ino... o garoto do qual nós duas gostávamos, Sasuke, quando começou a namorar, me envolvi com ele, longe de olhares públicos.

O velho do parque não a julgava, procurava tirar dúvidas.

— Se encontra apaixonada por ele?

— Eu rompi nosso caso, mas sei que Sasuke não me deixará em paz. E sim... sinto que estou apaixonada, porém talvez eu não saiba o que é esse sentimento. Quando comecei a me envolver com Sasuke, pensei que seria questão de tempo até assumirmos nossa relação em público, mas ele revelou que iniciou o namoro com Karin... ele prometia que terminaria com ela, que seria temporário, mas esse dia nunca chegou. O tempo foi passando e cada vez mais ele unificava a relação dele com a namorada.

— Você não quer causar mal a Karin, também se sente ruim por não contar isso para Ino.

A Haruno assentiu.

— Com todo esse conflito, adoeci, mas agora me recuperei e voltei para o colégio.... eu sei que Sasuke vai me perseguir. Tenho medo de não resistir a ele. Nós terminamos e voltamos várias vezes.... nossa relação só dá voltas....me alimento com as promessas dele, ficamos bem, depois não suporto mais a situação, daí brigamos, nos separamos.... mas quando a saudade aperta, basta ele me procurar para começarmos tudo de novo. Só que nosso ultimo rompimento está durando mais...

Quanto tempo levará para voltar à roda? Retomar o ciclo vicioso desse relacionamento prejudicial?

— E o que Sasuke pensa de Karin?

— Ele diz que foi pressionado pelos pais a pedi-la em namoro. Ela visitou várias reuniões importantes na casa dele. Sasuke pertence a uma família de empresários e Karin também. Ela impressionou os pais dele, é uma pessoa grandiosa.... Sasuke uma vez disse que quando essa fase passasse, enfrentaria os pais dele e terminaria com ela... mas como eu disse, esse dia nunca chegou. — O lenço se tornou uma bola amassada entre suas palmas.

— O que a perturba são suas palavras que são sufocadas, precisa fazer Sasuke ouvi-la de verdade. Se não colocar um basta de forma autoritária, nunca se livrará desse tormento.

— Sasuke é persistente.

— Seja mais, você é inteligente acredito, não deixe seu sentimentalismo impedi-la de arquitetar. Se o tanto que Sasuke exige é tempo, o faça entender que o tempo passa, enfie na mente dele que o seu tempo pra ele... acabará. — Passeou a mão no braço do assento da carruagem. — Estamos dando voltas nesse carrossel, eu particularmente adoro isso, mas sei quando parar. Essas voltas me alegram... mas se eu me estender aqui, estarei perdendo meu tempo, além desse brinquedo tenho outras coisas que constituem minha alegria de viver, e eu tenho que apreciá-las, meu tempo na Terra está acabando.

Ele se curvou e alcançou o lenço que a rosada distraída deixou cair.

Os verdes brilharam, o resquício das lágrimas.

— Eu... quero descer.

— Falou algo, rosadinha?

— Quero parar com as voltas!

O carrossel cessou.

O carrossel que se tornou sua vida, seu relacionamento... também parará com as voltas deles.

O velho desceu primeiro e depois ofereceu a mão para a colegial para ajudá-la a descer, porém Sakura sorriu e saltou ao solo.

Endireitou a coluna sugando fortemente o ar pelas narinas, muito confiante.

Tanto tempo sem falar com alguém, sem desabafar, ela acabou encontrando o remédio naquele estranho ser gracioso.

— É um ótimo ouvinte e conselheiro. Digo, motivador, é assim que o defino.

— Arigatou. Então como ótimo conselheiro, deixe-me dizer... você deveria visitar o mágico da colina, os dois se darão muito bem. Ele te ajudará mais do que eu, tenho fé.

— Mágico.... — Olhou na direção da colina, mas não enxergava a tenda de circo. Andou em frente indo ao meio do parque. Descobriu que precisava subir em um lugar alto se quisesse avistar a tenda. — Encontrei dois colegas que me disseram sobre o mágico, mas... — Virando-se para encarar o velho, ele se ausentava. — Hum... senhor?

O procurou por um tempo, porém desistiu, sem querer demorar mais, resolveu retornar pra casa.

Outro dia visitaria o mágico, poderia ser arriscado para qualquer outra pessoa, porém ela confiava muito no velho do parque, deveria estar louca, mas confiava!