Abracadabra!

34 Amizades mais unidas


~23/09/2010

~15: 00h

Hinata usava vestido branco, tecido bem ajustado, a saia batendo no meio das canelas, gola alta e mangas contornando os punhos.

Lírios azuis estampados na veste e a borda era uma faixa da mesma cor que eles.

Ela sentava no colo do mágico vestido na camisa laranja e na calça com os suspensórios soltos.

Ele circulava a cintura dela, descansando o rosto no ombro feminino, sua outra mão erguia uma parte do vestido para acarinhar o joelho direito da noiva, queria o contato pele na pele.

— Vê esses três pontos no canto? Basta clicar em cima deles, daí aparecerão opções, aqui, viu? “Guia anônima”.

— Arigatou, pequena. — Ele beijou o pescoço dela e depois o ombro.

Aspirou o cheiro de sua amada, sentia-se nas nuvens.

Volveu a descansar seu rosto no delicado ombro feminino.

— Não compreendo. — Hinata se curvou, colocando o celular na mesa baixa e em seguida abraçou o pescoço do noivo. — Você foi um aluno muito inteligente, não se lembrava de algo simples como isso?

— Lie, quando tento lembrar de mim usando um celular ou um computador, aparece um borrão na minha memória. O mesmo vale para quando tento recordar do que eu estudava tanto.

O mágico realizou careta ao pensar em cálculos.

Sua cabeça doía só de tentar imaginar alguma fórmula numérica.

Hinata lamentou, pois aquilo era fruto de um trauma.

Eles se beijaram cheios de suavidade, controlaram-se para não reacenderem as chamas, restringiram-se ao amor adocicado, apenas carinho.

— Acha que fui melhor na segunda vez?

Ele perguntou, sua voz saiu abafada, pois em nenhum instante desgrudou seus lábios dos dela.

As mãos femininas passearam pelo peito do homem sobre a camisa.

Ela levou uma mão à orelha dele, brincou com a região molhe e geladinha do lóbulo.

Afastou sua boca lentamente, fitando-o amorosamente, respondeu em sua natural sinceridade:

— Foi, no começo é estranho, naturalmente fico úmida, mas parece que a penetração não ocorre fácil.

— Percebi, demoramos pra encontrar um ritmo de nossos quadris. Acha que devemos demorar mais nas preliminares?

— Lie, acho que cobramos tanto de nós que há momentos que perdemos o foco, foi bom usarmos o lubrificante, percebeu como melhorou? — os perolados brilharam, só de lembrar se empolgou, adorou ter essa experiência com seu amado.

— Vamos sempre comprar dessa marca. — Naruto concretizou um abraço de urso, em torno da fina cintura e teve seu queixo beijado pela azulada antes de ter sua boca raptada pelos lábios femininos.

— TADAIMA!!! — Hanabi adentrou o apartamento de braços abertos. Notou que sua irmã se sobressaltou no colo do mágico. Colocou sua mochila no chão ao lado da porta e se aproximou do casal, vendo a Hyuuga se erguendo sem jeito, sorriu-a provocante. — Interrompi algo de especial?

— Lie. Que bom que voltou bem. — Hinata disse e abriu os braços, corada, envolveu o pequeno corpo do qual sentira falta.

Retirou o touca amarelinha da cabeça pequena e beijou os cabelos pretinhos da menina.

— Cunhado, você ficará pra jantar? — Hanabi perguntou, adorando os beijinhos distribuídos sobre o topo de sua cabeça.

Naruto se levantou pensativo e prendendo os suspensórios.

— Estou com essa roupa desde ontem, primeiro irei à tenda para me trocar, depois posso voltar.

— Significa que dormiu aqui? — surpresa, Hanabi concluiu.

A azulada recuou ruborizada.

— Hai, sua irmã estava solitária, muita falta de você. — Naruto se encaminhou à porta, ao passar pelo lado da menor, agradou os cabelos da menina e se despediu da noiva com um beijo na maçã do rosto. — Até mais tarde.

— Não demora, tenho muita coisa pra falar da minha viagem! — Hanabi exclamou da porta, acenando ao loiro que andando pelo corredor retribuiu com um erguer de mão, mantendo-se de costas para ela.

Quando ele foi embora, o que restou para Hinata encarar foi um olhar sapeca da mais nova.

Fugindo daquela carinha desconfiada, moveu-se a mais velha, indo preparar um lanchinho da tarde e torcer para a caçula se distrair.

*

*

*

*Diário de Hinata*On*

Okaa-san, Naruto e eu aproveitamos os dias em que Hanabi esteve fora, percebi que há coisas que se tornam mais gostosas na ausência da minha irmã, entendi que precisarei de espaço para curtir com meu noivo.

Acho que é comum na vida de casal.

Isso não quer dizer que vejo minha irmã como estorvo, somente sei que aproveitarei o quanto puder os momentos com meu futuro marido quando existirem ocasiões em que ela terá que se ausentar.

No período entre final do ensino médio e inicio de faculdade, providenciarei uma agenda na qual reserve um tempo só meu e do Naruto.

Por enquanto, voltamos com nossa agenda normal que inclui Hanabi: Passeios, brincadeiras e aulas de mágica.

É maravilhoso, somos uma família unida e feliz.

Em relação as aulas de mágica, apresentamos vários números às crianças que visitam a tenda, principalmente Konohamaru, Udon e Moegi, os amigos que Hanabi fizera no parque e que são o público mais frequente de Naruto.

Eu queria que tudo permanecesse nesse clima bom até o final do ano, entretanto, alguns alunos estão sabendo sobre o otou-san. Não precisei pensar muito e saber que foi Karin, ela não está mais frequentando as aulas.

Sakura suspeita que ela voltará quando todo o colégio estiver sabendo dos rumores e fingirá que não sabia de nada, alegando que estava doente.

Já esperávamos que ela não se aquietaria por muito tempo.

Naruto desconhece o que acontece no colégio, Sakura disse que eu deveria contar a ele, fiz ela jurar não dizer nada.

Por mais que Karin esteja agindo dessa forma, ela se entregou muito ao Naruto, se ele souber dessa discordância entre mim e ela, ele pode alimentar inimizade contra ela.

Eu não quero isso, okaa-san.

Posso aguentar olhares, fofocas e até desprezo de alguns desconhecidos, contanto que eu siga cercada pelos meus amigos, sinto-me segura.

Só preciso aguentar até o final do ano, falta pouco.

*Diário de Hinata*Off*

*

*

*

~01/11/2010

~Segunda feira

Na rotineira andança ao colégio, Hinata ocupava a mente com cálculos para a primeira prova de novembro.

Chovia forte quando saíra do condomínio, por meio do celular dissera às amigas para se despreocuparem em buscá-la.

Não dera tempo de elas insistirem, partiu de seu lar, mal se despedindo da irmã.

Protegeu-se com capa de chuva amarela e sombrinha alaranjada.

Encolheu os ombros, sempre nos momentos, nos quais percebeu o clarão do raio, seguido pelo troveja segundos posteriores.

Os pingos enfraqueciam quando avistava o prédio da instituição educacional.

Custando dez metros para atravessar os portões, Hinata foi detida por um trio de estudantes o qual claramente não se importava com os pingos a ensoparem suas vestes.

— É ela mesmo. — O aluno do meio crispou os lábios. — Miserável.

— Impressionante, a cor dos olhos é essa própria. — Reparou a única garota do trio, do lado esquerdo do outro.

— Cadê seu pai? — indagou o garoto do lado direito.

A perolada hesitante observou cada face, desconhecia-os.

A única certeza era a que o visual deles entregava, os uniformes do mesmo colégio.

Não demorou para Hinata entender que eram mais alunos a descobrirem sobre Hiashi Hyuuga, o escândalo no mundo empresarial.

Apertando o cabo do guarda chuva com força, questionou de volta:

— Quem... são?

— Sou Michiru, filho do empresário da House’s Kyoto. Estudo no turno da noite, mas fiquei sabendo que há uma Hyuuga estudando durante as manhãs. — Ele era o maior dos três, obeso, touca vermelha cobrindo seus cabelos lisos e curtos. — Sabia que o seu velho fez meu pai investir em um péssimo negócio? Meu pai não recebeu retorno algum e por causa disso a única forma de eu ganhar um carro quando eu completar maioridade será se meu pai ganhar na loteria! Pois ele não tem condições de recuperar tudo o que perdeu por causa do seu velho mentiroso!

— Lamento muito. — Hinata passou a segurar o cabo da sombrinha, com as duas mãos. — Eu, quando criança, não esperava que ele se desguiasse tanto da conduta que tinha antes de okaa-san morrer. — Abaixou o olhar. — Vocês não foram os únicos prejudicados por eles, acreditem.

— Que bom que você entende, então nos dirá onde ele está? — o outro garoto se apresentou: — Meu nome é Tsuki, sou irmão mais novo de Michiru, ele pode querer vingança, mas eu só quero justiça. Seu pai deve arcar com as consequencias, cumprir alguma pena que o faça trabalhar para devolver pelo menos metade do que fez nossa família perder.

— Não me apresentarei, só quero saber onde está seu pai. — A garota dissera, cruzando os braços e batendo de modo impaciente o pé no chão molhado. — É como meu amigo aqui disse, esse homem há de fazer algo para nos recompensar depois da merda que fez.

— Ele foi embora, dessa vez pra sempre. — Quando Hinata respondeu, percebeu que nem doía mais aceitar aquele fato. — Eu também quero que ele pague pelo que fez. Cuido sozinha de minha irmã...

— Mas os Hyuugas são uma família grande. — Tsuki comentou, levantando o arame dos óculos, do trio era o único que mantinha controle sobre sua raiva. — Grande e rica.

A azulada abaixou a sombrinha, os chuviscos em cinco minutos estariam todos cessados.

— Éramos uma família pequena. Sempre fomos. — Hinata reforçou. — Nunca soube de outros parentes.

— Uau, seu pai é um filho da puta mesmo. Escondeu da própria família os Hyuugas que moram no exterior. — Michiru gargalhou um pouco. — Ele deve estar morando com um deles.

— Hyuugas no exterior? — Hinata não achou fácil assimilar tal informação. — Onde escutaram que somos uma família grande, sobre parentes no exterior?

— Algum problema Hinata? — a Haruno cruzou os portões, sendo seguida lado a lado por Sasori e Rin.

Atrás dos três, vinha Sai com seu olhar analisador.

— Vamos galera, o pai não liga nem pra filha, ela não nos servirá de nada. — Michiru se afastou e logo foi seguido por Tsuki e a garota, nenhum do trio se preocupou em tirar a dúvida da Hyuuga.

O trio estava de uniforme, pois pretendiam entrar no colégio a procura da perolada, todavia quando a avistaram, o objetivo foi adiantado. Contudo, não deu em nada.

Mas ficariam de olho.

— Não sei não gente, acho melhor ficarmos atentos, ela pode estar blefando. — A garota do trio olhou para trás de forma desconfiada, e moveu o dedo indicador e o maior em direção aos próprios olhos e em seguida, aos perolados.

Estou de olho em você”.

A mensagem era clara, todo mundo entendeu.

— Você tem que falar pro Naruto. — Sakura abraçou a amiga Hyuuga pelo ombro.

— O que Naruto poderá fazer? — Hinata dera de ombros, pensativa quanto aos tais parentes. — Acabo de saber que posso ter uma família Japão afora.

— O quê??? — os amigos perguntaram em uníssono.

— Vamos pra sala. — A Hyuuga dissera, fechando a sombrinha.

Precisava tomar um pouco de água e descansar.

Havia até esquecido que teria prova.

*

*

*

~Alguns dias atrás.

De pijama azul claro de inverno, seu rosto sustentava apenas três espinhas, ao menos uma coisa melhorou nas últimas semanas.

Dali a poucos dias crer que se livrará delas.

Encontrar a posição perfeita de descanso se tornava amplo desafio, a dor de cabeça a incomodava e as batidas incessantes na porta acertavam horrivelmente seus ouvidos.

Ansiava que sua mãe ou seu pai se convencesse de que dormia, porém as batidas prosseguiram até o momento que não agüentou:

— Quero descansar! Prometo que desço para comer depois!

— Sou eu, Ino. Seus pais me permitiram vir ao seu quarto.

O coração da Yamanaka disparou em ritmo diferente.

— Sai?

Empurrou as cobertas e os travesseiros, escorregando para fora da cama.

Descalça correu à entrada do quarto, e quando segurou a maçaneta, paralisou-se.

Pensamentos tristes lhe esmagaram a impedindo de mover um único centímetro.

Recolheu o braço, mergulhando de novo na sensação deprimente que a consumia.

Virou de costas à porta, desceu ao chão, sentando de pernas dobradas, pousando as mãos em cima dos joelhos.

Tanto tempo isolada, conheceu a própria realidade glacial.

Admitia a si mesma que não conquistara nenhum firme laço afetuoso no colégio.

Perdera muito tempo no último ano colegial, forçando amizade com Karin, apenas para ficar perto do Uchiha que nem a olhava.

Rin e Sai eram os mais próximos de uma amizade verdadeira.

“Porém, nenhum dos dois veio atrás de mim.”

— Ino? — a voz soou acompanhada de novas batidas na porta.

“Até agora.”

Rin a convidou quando se encontraram no shopping, contudo Ino se ausentou de coragem para ligar ou visitar a amiga.

Alimentou o pensamento de que naquela ocasião, a Nohara só demonstrou preocupação por pena ou por educação.

“Ela estava se divertindo com Sakura no shopping...”

— Onegai, Ino. Deixe-me entrar.

— Por que veio?

— Saudades. Eu não sabia distinguir a sensação diferente quando eu pensava em você. Até que chegou um momento que começou a doer o meu peito. Percebi que a vontade de vê-la aumentava. Interliguei uma coisa a outra.

Os azuis lacrimejaram.

— Aprendi a conversar com as pessoas de forma melhor. Tenho mais entendimento sobre as ações dos outros, Ino.

— Entende mesmo? — a loira sorrir, as saudades que sentia do Hino a estremeceu.

— Você se interessava pelos problemas de Hinata para não focar nos seus. — Provou ele.

A Yamanaka surpreendida, dolorosamente, assumiu:

— A meia-calça.... hai... é verdade...

Tudo começou com a meia-calça da Hyuuga.

Foi uma coisinha tola, mas uma desculpa para se distrair da inveja, do incomodo e qualquer desagrado que se coletava na mente ou no coração pela situação que vivenciava.

— Hinata, Sakura, Rin e Sasori me sustentam em um relacionamento de reciprocidade. — Desabafou ele, encostando as mãos na porta. — Eu não sou mais considerado estranho. Tenho um grupo de amigos.... estou gostando disso Ino, quero que você faça parte dessa nova etapa da minha vida.

— Parabéns Sai... — Choradeira dissera. — Eu desejo que tudo continue dando certo a você.

— Significa que será minha amiga?

— Por que quer ser meu amigo? — limpou uma lágrima que deslizou veloz pela fina pele.

— Por que... eu mudei, sou uma versão melhor de mim mesmo, você pode fazer o mesmo. Quero presenciar isso, ajudá-la a isso... onegai. Se você não voltar a conviver comigo, como faço pra curar essa saudade? Eu não gosto dessa dor no peito, acho que não tem remédio pra isso a não ser sua presença.

A Yamanaka colocou as mãos sobre os lábios e derramou mais lágrimas, alçou-se e abriu a porta, pulando no colo do amigo que a envolveu pela cintura, de modo instantâneo.

*

*

*

Atualmente.

A prova passou “voando”, a Hyuuga respondera as questões estando no “automático”.

No intervalo, permaneceu na sala, pouco comendo do lanche que Sai compartilhou com ela.

Seus perolados sérios se imergiam em imagens da mente, buscando continuamente alguma pista de tais parentes no exterior.

Alguma mínima lembrança de uma menção que pudesse ajudá-la.

— “Esses parentes sabem que existo? Sabem o que otou-san fez? Sabem do que a okaa-san morreu? Okaa-san... a senhora conhecia a existência deles?

Perdia a paz de segunda feira, ocuparia sua cabeça com interrogações sem respostas.

Rin sentava de pernas cruzadas, em cima da mesa da azulada.

Sakura arrastou uma cadeira e se assentou ao lado da perolada.

As três almoçavam, a Nohara buscara seu almoço no refeitório e a Haruno trouxera de casa.

Sai pediu licença e se retirou para ir ao banheiro.

Kiba guerreava com bola de papel e pedaços de giz contra seus amigos no fundão da sala, ao se enjoar decidiu ir lá fora.

Passando pela mesa da Hyuuga, ele sorriu maldoso, provocando-a:

— Aê Hinata, escondendo de todo mundo que é de sangue nobre. É por isso que não dá pra ninguém né, não quer misturar seu sangue.

Ela ergueu as sobrancelhas, escutara seu nome, todavia, não prestou atenção no que foi dito.

Vendo que se tratava do Inuzuka, achou melhor ignorá-lo, ele era repleto de piadinhas.

— Cai fora. — Rin colocou seu almoço ao lado de sua coxa e prendeu as mãos na cintura. Ao contrário da Hyuuga, não gostava de deixar barato. — Fica mexendo com ela porque percebeu que não conseguirá pegá-la.

— Oooooh. — Dois dos garotos que antes brincavam com Kiba, fizeram surpresas expressões e sorriram ansiosos para uma treta.

O Inuzuka fechou a cara, olhou para seus amigos, um deles confirmava as palavras de Rin:

— É verdade cara, cansamos de te ouvir elogiar o corpo dela, só faltava ter sangramento nasal como acontece nos animes. — Soou a risada dos amigos.

— Ela pode ter peitão, mas é esquisita, parece uma garota cega. Já estou pegando outras faz tempo. — Defendeu-se Kiba, convencido e aparentemente, despreocupado.

— Que estranho, não parecia pensar assim quando babava no lugar onde Hinata trabalha. — Sakura foi a próxima a argumentar. — E isso foi há uns quatro dias atrás.

— Meninas, onegai, ignorem. — A Hyuuga se avermelhou por notar que havia em torno de sete alunos espalhados pela sala assistindo a conversa.

— Eu precisava apenas elogiá-la, queria ela na minha lista. — O Inuzuka não deixava se afetar. — Não preciso gostar da cara pra provar do corpo, mas eu me enjoei, não vale à pena.

— Não vale à pena nada, você que não teve sucesso e desistiu hahahaha. — Rin cutucou a ferida. — Quem você anda pegando? — jogou-se de pé no chão, espalmando uma mão na mesa e outra permanecida na cintura.

— Algumas minas por aí, você não conhece. — O sorriso de Kiba falhou um momento, no entanto, ele tratou de reatá-lo e firmá-lo.

— É que não conheço nenhuma garota que tenha saído com você. Não daqui do colégio. Sabem o que dizem de ti? Que só é bonito, mas que se comporta como moleque. É por isso que nunca está na preferência das garotas.

— Ooooohh. — Os dois garotos querem ver o circo pegar fogo.

— Eu não deixava. — Atiçava um deles.

— E você? Nunca vi saindo com algum garoto daqui. — Kiba a encarou, mortalmente, perdendo seu sorriso.

— Sempre estou recebendo convites sabe, mas no momento não estou priorizando isso. — Rin ficou de lado pra ele, pegando seu celular e estendendo seu braço para que o Inuzuka visse na tela as várias mensagens diárias recebidas. — É claro que quando as aulas terminarem eu vou me esbaldar, já você não sei, a única coisa que lhe sobrou é ficar enchendo o saco da Hinata.

— Mandou bem. — Sakura bateu palmas.

— Ela acabou com , cara. — Um dos amigos dissera rindo.

O outro apoiou uma mão em seu ombro enquanto também ria.

— Por que estamos falando de relacionamentos aqui? Não afim da Hyuuga, não mais! Perdi o interesse, eu só gosto de zoar. Mas já que veio em defesa dela por algo besta, espero que ela faça como o pai e lhe prejudique fazendo você perder toda sua fortuna!!!

A azulada colocou a mão no colo, um semblante abatido exibiu.

— Quem é o pai dela?

Uma garota questionou à colega, sentadas em seus lugares próximos da porta.

— É Hiashi Hyuuga, você ainda não soube? Um tranbiqueiro que causou vários prejuízos a empresários importantes... — A colega segredou, em voz rouca.

— Kiba Inuzuka. — O Otsutsuki surgiu na porta da sala de aula. Tornara-se o novo centro das atenções. — Acompanhe-me.

— Toneri... — A perolada murmurou.

— O quê que tu quer? — Kiba bufou, enfiando o mindinho no ouvido direito. — Arf, agora deu de caírem em cima de mim hoje.

— Venha. Se não estiver com medo. — Toneri antes de virar-lhe as costas, avisou: — Esperarei no corredor.

— Ooooh. — Os dois garotos se entreolharam ansiosos para um fight.

O Inuzuka se enraiveceu constrangido, não temia o Otsutsuki, foi atrás dele, provando às testemunhas que não se acovardava.

— Vamos espiar.

Vamos-vamos!

Os amigos de Kiba combinaram em segui-lo de longe.

Sakura, Rin e Hinata trocaram olhares desentendidos.

Sai entrou na sala, após o banheiro aproveitou para ir à biblioteca e trouxera de lá três livros.

Atualizou-se do ocorrido na sala.

Como representante de turma precisava resolver esse problema.

Entretanto, priorizou outro assunto, um bem recente:

— Garotas, o que acham melhor ganhar de presente, chocolates ou pingente?

— Pingente.

— Chocolates.

As respostas se diferiram e em igual tempo, respectivamente, ditas por Sakura e Rin as quais se fitaram e se desabrocharam em risos.

— Hinata? — Sai queria a opinião dela.

A Hyuuga mantinha sua visão presa à porta.

Torcendo pra que Toneri não se excedesse.

— Hina-chan. — Sakura a abraçou pelo ombro.

Gomenasai Sakura-chan, o que disse?

— Eu não, o Sai, ele perguntou se você acha melhor ganhar um pingente ou chocolate.

— Hu... não é meu aniversário.

As amigas riram.

— Pretendo presentear uma pessoa, somente quero uma orientação para saber qual dessas opções é a melhor. — Sai esclareceu.

— Hum, acho que depende da ocasião. — Hinata respondeu ponderada. — Não tem como comprar os dois?

— Possuo dinheiro pra um pingente ou chocolates. — O Hino fez mais um esclarecimento. — É pra receber a Ino, ela voltará amanhã pra nossa sala de aula.

*

*

*

As meninas surpresas observavam interrogativas o Hino, manteve ele curto sorriso de satisfação.

A surpresa de Rin abriu espaço para leve tristeza, lembrando-se do reencontro com a Yamanaka no shopping, esperançou que ela lhe ligasse ou visitasse sua casa, porém, nada. Quis saber:

— O que aconteceu com ela?

— Ela mudou de turno, vem estudando durante as tardes. Estou visitando ela desde a semana passada. Da última vez que fui vê-la manifestou o desejo de querer estudar comigo, de novo. — Seus ébanos realçaram sereno fulgurar. — Acho que ela não se dá bem com a solidão.

Solidão.

A Hyuuga pusera uma mão no peito, por alguns segundos. Sugeriu:

— Podemos preparar um almoço especial para o retorno dela.

Sai gostou da ideia.

As amigas dilataram as pupilas.

— Hina-chan. — A Haruno teve seus esmeraldinos brilhando. — Mesmo depois de Ino ter tentado lhe prejudicar?

O semblante da Nohara decaiu.

— Não entendi por que ela tentou algo contra mim. Mas se não tiver a mesma intenção de antes, ela merece ficar com vocês. Eram amigas antes, não é Rin-chan? E Sai-kun sente saudades dela. — Sorrir imaginando que será muito melhor que todos se desse bem.

Rin lagrimou, querendo encher a Hyuuga de beijos.

— Fui amiga de Ino antes de entrar no colégio, nos separamos por algo bobo, não tem mais sentido estarmos distantes. — Sakura admitiu envergonhada: — Meu orgulho foi quem falou mais alto e me impediu de ir vê-la até hoje.

— Conhecendo a Ino, ela também é orgulhosa. — A Nohara concluiu. — Posso afirmar que você não foi a única responsável por esse distanciamento.

A Haruno assentiu, ela e a Yamanaka eram iguaizinhas, por isso um dia foram melhores amigas.

— Estou agradecido por vê-las à vontade quanto a Ino. — Sai se curvou. — Quero muito tê-la de volta perto de mim, suas aprovações me fazem sentir bem.

Hinata sorriu alegrada pelo amigo.

Sakura o achava fofo.

— Deixe disso, menino. — A Nohara espalmou no ombro dele. — Pode ter melhorado em muitos aspectos, mas não se livra de todo esse formalismo.

As amigas riem.

— Acho que o formalismo de Sai-kun o torna fofo. — A Hyuuga opinou, Rin assentiu, em concordância.

O Otsutsuki reapareceu na sala de aula desacompanhado do Inuzuka.

As duas meninas sentadas próximo da porta interromperam seus cochichos e de longe acompanharam, por meio da visão, Toneri se aproximar do grupo da Hyuuga.

— To... Toneri-kun, o que fez com Kiba? — Hinata questionou-o.

— Fisicamente, nada. Ele não a incomodará mais com o assunto de seu pai. — Calou-se, sem mais detalhes.

— Você pode calar alunos de outro turno também? — Rin se interessou.

— Tem alguém de outro turno incomodando Hinata? — as pupilas de Toneri, tornaram-se frenéticas.

— Lie, nada com o que se preocupar. — A perolada negou, abanando as palmas voltadas para o Otsutsuki.

— Uns alunos a pararam antes de entrar no colégio, mas não aconteceu nada. — A Nohara revelou.

— Ela está preocupada com a possibilidade de ter parentes no exterior. — Sai informou.

— Ela não quer contar para Naruto sobre o que está passando no colégio, cansei de insistir. — Sakura adicionou.

— Valeu pessoal. — Hinata ironizou.

— Uau, Hinata Hyuuga sendo irônica. — Sasori dissera, enquanto contornou o grupo, indo parar ao lado da namorada, abraçando-a pelo ombro. Observou cada membro do grupo, captando um clima diferenciado. Questionou-os: — O que aconteceu?

A azulada se despreocupou em respondê-lo, permitiu que seus amigos o fizessem.

Empós o ruivo escutar a explicação dividida entre Rin, Sakura e Sai, o Akasuna colocou a mão no queixo, mostrando-se pensativo antes de dizê-los:

— Desde quando eu soube de Hiashi Hyuuga pesquisei a fundo sobre a polêmica, mas não foi um caso famoso na mídia, são mais comuns comentários a respeito no ramo empresarial de imóveis. Acompanhei um amigo em uma das empresas que Hiashi envolveu e ouvi bastante.

Todos se atentaram mais, principalmente Hinata.

— E o que ouviu? — Sai quis saber.

— Soube que há Hyuugas morando na França. Hizashi e Neji Hyuuga. Respectivos irmão e sobrinho de Hiashi Hyuuga. — O Akasuna coçou a cabeça. — Juro que não sabia que Hinata desconhecia essa informação. — Fitou a perolada totalmente desconsertado. — Você nunca os mencionou, pensei que fosse rejeitada por eles... então nunca tive coragem de citá-los, acreditei que fosse um assunto sensível.

— Não culpo por você pensar assim... — Ela compreendeu. — Se eles souberem ou sabem da minha existência, também creio que não quererão me acolher, eu seria sinônimo de problemas.

Toneri cruzou os braços, virando-se às duas garotas que antes sentadas próximas da porta, haviam se erguido e chegado perto para escutarem do que falavam, contudo, bastou um olhar demoníaco do Otsutsuki para espantá-las.

Elas saíram quase correndo para fora da sala.

A Haruno abraçou a Hyuuga por trás, consolando-a.

Rin segurou as mãos de Hinata. A Nohara frisou:

— Se eles não a querem, nós queremos.

A azulada a sorrir, apaixonada pela amiga. Trocou doces olhares com ela e com a Haruno.

— Soube algo a mais desses parentes? — o Hino questionou o Akasuna.

— Lie, só que moram na França e nunca foram responsabilizados pelo que Hiashi fez, apenas investigados.

— Quererá conhecer seus parentes franceses? — Rin seriamente indagou à perolada. — Não importa o que decida escolher, estamos aqui.

A Hyuuga observou cada amigo presente, um véu de tranquilidade sobre seu corpo.

Recuperando sua paz mental respondeu:

— Estou bem, prefiro continuar como estou.

*

*

*

Acompanhada dos amigos, Hinata regressou ao lar após as aulas do dia.

Descansaram, comeram e conversaram durante meia hora.

Em certo momento, Sai se afastou das amigas para ensinar Hanabi a desenhar algumas paisagens.

Aproveitando esse tempo, Rin abordou certo assunto, diminuindo, o volume da voz:

— Como andam as coisas entre você e Naruto? — sentou de ladinho, do lado direito de Hinata sobre o futon.

A Haruno também encurtou a distância entre ela e a perolada, sentando do lado esquerdo da própria.

A azulada corou, entendendo imediatamente o que a Nohara e notavelmente, Sakura, queriam saber.

Apertou as mãos sobre o colo, sentada de joelhos.

— Prosseguimos bem... parece que Hanabi está entendendo que eu e o Naruto precisamos de privacidade, é por isso que ela não pergunta o porquê de não irmos com vocês para passear.

Desde que as amigas souberam da primeira relação sexual da Hyuuga, revezavam-se para passar um tarde com Hanabi.

Cada uma saía com a menina uma vez na semana o que acabou por aproximá-las afetivamente.

— Essa menina é esperta, ela saca rápido. — Rin comentou, pondo seus olhos na direção de Sai e da pequena Hyuuga.

Hinata lamentou na mente, lembrando-se da inocência da irmã, quando ela lhe perguntara se estava grávida, pois escutara dos coleguinhas que mulher casa quando engravida.

— “Ela cresce tão rápido...

— Poderia detalhar mais? — Rin questionou, desabrochando seu sorrisinho assanhado. — Acha que vocês dois já são.... profissionais?

— Oh... não sei qual é o nível de profissional, mas da ultima vez.... — Hinata primeiro deu uma olhadinha para se assegurar de que a caçula não escutava. — Não usamos o lubrificante.

Rin tapou a boca e espaçou suas pálpebras.

A Haruno rosadinha no rosto entendia a amiga.

— Sasori e eu não quisemos usar isso. Mas pense numa felicidade que foi quando percebemos que entramos totalmente em sintonia na cama, queríamos se pegar até no colégio. — Agitara-se inteiramente no seu interior.

— Sakura-chan. — Hinata abaixou o rosto, constrangida.

— Puxa que inveja, quero muito conhecer alguém para passar essas experiências. — A Nohara apertou as mãos e seus orbes brilharam como estrelas.

A azulada torceu pela amiga:

— Rin-chan, tenho certeza que encontrará em breve, é muito bonita e vários meninos lhe querem.

— Inclusive você bem que poderia dar uma chance para alguém dos seus contatinhos, afinal o fim do ano está próximo, podemos sair em casais. — Sakura espalmou as mãos no futon e aproximou seu rosto ao da Rin. — Aposto que Sai ficará com a Ino.

Os perolados da Hyuuga mais velha reluziam.

— Huuum... pensarei. — A Nohara considerou.

Mais tarde, na hora da despedida, eles se reuniam diante da porta com exceção de Hanabi quem se encontrava mais distante.

— Perdoe-nos, sabemos que você reserva esse horário para estudar. — O Hino se desculpou, enquanto punha seus calçados para ir embora.

— Nada disso, Sai-kun. — Hinata o abraçou, rápido. — Não faz mal só hoje, ainda me resta tempo para estudar antes de ir pro trabalho. Adorei a companhia de vocês. — Olhou para Hanabi que se embelezava diante o espelho. Sorriu. — E minha irmã adorou as dicas de moda da Rin.

— Ela vai arrasar corações. — A Nohara se orgulhava.

Havia feito cachos nos cabelos pretinhos e naturalmente lisos da Hyuuga menor.

Sakura envolveu o corpo da perolada em um abraço, depois foi a vez de Rin e Hinata, logo Hanabi se aproximou para se despedir dos amigos da irmã, e atualmente seus.

As Hyuugas acenavam pra eles, enquanto iam embora pelo corredor do condomínio.

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A tarde acolhia frio maior do que o frio do dia anterior.

Sakura e Rin decidiram visitar o mágico.

Entraram na tenda, ansiosas.

O interior do espaço jazia escurecido, porém conseguiram distinguir pela luminosidade de duas velas sobre o centro da mesa um homem sentado de costas pra elas.

— Naruto! Eu e Rin viemos treinar alguns truques contigo....

O mágico depressa se levantou.

De costas para as recém-chegadas fugiu ao fundo da tenda, ocultando-se na escuridão.

— O que deu nele? — a Nohara interrogou assustada com a atitude.

Era necessário abrir melhor a entrada da tenda, liberando, totalmente, a claridade da tarde.

— Naruto? O que há? Por que se esconde? — Sakura preocupara-se.

O mágico retornou, todavia usando máscara e segurando um bambolê.

Apressado, ele assoprou as velas e a tenda escureceu inteira.

Silencioso começou a girar o bambolê que ganhara luminosidade rosada.

As colegiais sorriram, tiveram a atenção prendida pelo movimento a ser feito com o objeto.

— Como ele consegue girar todos eles? Formou um circulo de bambolês dançantes! — Rin verbalizou maravilhada. — Quero aprender esse número.

Não obtinha o enxergar da figura do mágico.

Era como se os objetos girassem sozinhos no ar.

— Adorei as cores, Naruto! — os verdes chamejaram, como verdadeiras esmeraldas sob a luz do sol, mesmo estando na semiescuridão.

— Que cores? — o N. Uzumaki chegou à tenda trazendo sacola de pães. Deixando que a claridade se apossasse, completamente, do espaço contornado pela lona, compreendeu o que ocorria e disse: — Fazendo seu primeiro show, parabéns, Sasuke.