Abra Cadáver
8 Cilada
Notas iniciais
Terça feira, Veela Café, 15h.
O local estava vazio, as cadeiras viradas em cima das mesas, a maioria das luzes apagadas. Em uma mesa solitária, estavam Adryan e Slughorn. O primeiro, despretensiosamente, bailava uma pequena garrafa de cerveja amanteigada nos dedos, o que fazia um ballet bem interessante. Já o segundo estava bem sério com as mãos firmes em um copo de licor de maçã generosamente servido até a boca. Nenhuma moça estava no palco.
— Eles desconfiam, Adryan – falou o professor apreensivo.
— Desconfiam, tranquilo. Pode desconfiar a vontade. Se eles comprovarem a desconfiança aí sim temos um problema.
— Você sabe que não funciona assim. Se eles desconfiam, já era. Você por acaso acha que aqui vai ter um tribunal para produzir provas? Me admira você falando isso.
— Slug, também estou desconfiado. Foram muitas bolas na trave durante o jogo. Não parecia real. Mas aconteceu.
— Os apostadores vão vir. Você sabe. Esse povinho daqui não tem muito o que fazer da vida, as partidas da escola movimentam muita grana nas apostas.
— Tá, mas já disse que não tenho nada a ver com isso. E só tem imbecil naquele time. Aliás, a escola inteira é um aglomerado de idiotas. Ninguém interferiu no resultado. Não tem ninguém mais vigarista que eu lá, te asseguro isso. Nenhum aluno interferiu no jogo.
Bling-bling. O sino do estabelecimento tocou com a porta aberta.
“Opa, ainda não abrimos! Volte as oi’da’noite!” bradou, Sra. Hilton, a velhota dona do estabelecimento que passava pano no chão.
— Gilda querida, desculpe incomodar, mas queria trocar uma palavra com os senhores aqui presentes. Se a senhora não se importar, claro – respondeu uma voz doce.
— Oh, Alvo! Por que não avisou que vinha?! Venha, esquente as mãos junto a lareira. Quer uma dose de gim com suco de laranja?
— Obrigado, Gilda, mas vou passar, está um pouco cedo – disse Dumbledore, tirando o chapéu e as luvas e entrando no recinto — Como disse, acredito que aqui estão algumas pessoas que queria bater um papinho. Mas aceito chá com biscoitos, se tiver. Ah, ali estão eles.
— Claro, Alvo, é pra já. Sinta-se em casa, querido.
Queixo de Adryan caiu. Nunca tinha estada com Dumbledore que não em uma sala de aula.
O bruxo, sem cerimônias chegou junto da mesa, puxou uma das cadeiras e se sentou.
— Prezados, boa tarde.
— Olá, Alvo. Ainda bem que veio — disse Slughorn e em seguida deu um gole generoso em seu licor.
Adryan, se sentindo completamente traído, fechou a cara.
Dumbledore quebrou o gelo.
— Sr. McLaren, não costumo encontrar alunos fora da escola. Mas o meu amigo aqui solicitou esse encontro.
— Nem sabia que o senhor frequentava esse tipo de lugar – respondeu asperamente — Sra Hilton, vou precisar de algo mais forte, um uísque por gentileza.
— Engraçado. Acho que ninguém com mais de trinta anos deve saber que Gilda foi professora de Herbologia de Hogwarts. Ah, a juventude… — suspirou Dumbledore.
— Ora, Alvo, sem devaneios, vamos ao assunto – resmungou Slughorn.
— Claro, amigo. Como quiser.
Nesse momento, Sra. Hilton trazia uma chaleira e um pote de biscoitos que serviu a Dumbledore. “Biscoitos de macadamia e gengibre, e chá de amora, querido”. E a dose de uisque para Adryan "sem gelo, como o jovem gosta".
— Bom, quadribol é um jogo que me é muito caro. Os acontecimentos da última partida da Sonserina levantaram a suspeita de fraude, como vocês devem imaginar.
Slughorn secou o copo de licor, e acenou com a cabeça. Ao mesmo tempo lançou um olhar de “te falei, porra” para Adryan.
— Professor Dumbledore, não tenho nada a ver com isso. Já que estamos aqui nessa espelunca, vamos falar de igual pra igual. Eu tenho uma reputação nesse vilarejo. Se eu me meter a interferir nos resultados dos jogos da escola, minha credibilidade vai pro espaço. Eu agilizo as apostas nos bares de Hogsmead.
— Adryan, se me permite chama-lo pelo prenome, não o acuso de nada, pelo contrário, quero que me ajude. Minhas suspeitas estão sobre o menino Riddle.
— O que tem aquele muleque esquisito? Ele é só um garotinho, nunca nem comeu ninguém, totalmente inofensivo.
—Sim, mas meu amigo aqui lhe deu uma Felix Felicis – falou Dumbledore, e olhou de esguelha para Slughorn, que fingiu que não era com ele.
— To sabendo. Slug pare de beber antes das aulas, porra – cresceu o rapaz loiro.
— Se quiser formalizar essa questão, leve ao Prof. Dippet, Adryan – disse secamente o professor de transfiguração – A questão não é essa.
— Tá, tá, o que quer de mim?
— Relatórios.
— Heim?
— Relatórios sobre o menino Riddle. Os vigaristas de Hogsmead suspeitam de Felix Feicis, pois souberam que um menino da Sonserina ganhou um frasco na aula de Poções. Sabe, o senhor não é o único aluno com contatos com o submundo bruxo. Outros garotos da escola também estão por aí. Só que te asseguro que não foi uso da poção.
A cabeça de Adryan não entendeu.
— Ainda não entendeu? – interrogou Slug.
— Deveria? – Adryan perguntou sincero.
— Suspeitamos que Riddle fez uma contra poção contra a Felix Felicis – falou Dumbledore comendo um biscoito — Isso é grave — e bebericou o chá.
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Joana gargalhou. “E o que tem demais uma contra poção?”
— Ah, eles falaram lá. Algo como caos pra economia, pros tribunais, sei lá – respondeu Adryan dando uma longa tragada em seu cachimbo, na porta das masmorras.
— Ah porra, esses caras levam quadribol muito a sério. Homens… -
— Nem sei, Jo. Não entendo essas paradas. Mas eles acham que o Tom pode fazer umas merdas, se não tiver ninguém vigiando o cara. Quadribol era só um pretexto. Vai que o muleque é um gênio do mal das poções?
— Não viaja. Visa fazer o que agora?
— Sei lá, madruga de terça pra quarta. Acho que vou ficar na minha, ir pro dormitório. Queimar umas brasas, chapar e cair na cama.
— Mas aí, Dumb na casa de promiscuidade. Que surpresa heim.
Adryan riu.
Por pouco tempo.
Edd voltava pra porta das masmorras todo ensanguentado.
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