Abraços Perdidos

11 No seu abraço encontro o rumo pra desafiar o mundo


Notas iniciais
mto obg à suzana_quintana, Marcela, Lio Cullen, Bel,
whatsername, Isa Salvatore Cullen, Eclipse She, LittleDoll. Marianas2, Ana Candeo, Agatha Roesler, Lili Swan, IsabellaF, elispreta, Belle Duchannes por comentarem *o* e um obg mais doq gigantesco à Lili Swan que me presenteou cm uma linda recomendação *--* E tbm à Lio Cullen, que fez uma recomendação linda, e eu, cabeçuda, esqueci de agradecer aq ¬¬' rs, desculpe-me pelo erro querida, e mto obg pela recomendação fofissíma *ooo*
capítulo veio rápido ,huh ? kkkk espero que gostem !

O cheiro de ovos com bacon e o som melancólico de Love Of My Life, do Queen embalaram o despertar de Isabella Swan que, descendo as escadas de forma lenta, deixou o coração de Edward apertado dentro do peito. Ele desligou o fogo e, depois de limpar as mãos num pano que estava pendurado no cós de sua calça, foi encontrá-la.

A música ainda tocava quando ele parou na frente da bailarina, levantando o queixo feminino e fitando aqueles olhos. Aqueles divinos olhos.

“Está bem?” Indagou num sussurro.

Bella apenas assentiu e sorriu minimamente. No entanto, suas olheiras roxas debaixo

de seus olhos não diziam isso; elas diziam que seus olhos não haviam se pregado depois que Edward saiu de seu quarto na noite anterior, deixando-a sozinha com seus fantasmas interiores.

“É... Estou com fome.” Ela disse, fungando ao se desvencilhar dos braços do médico.

Ele passou as mãos pelo cabelo, entendendo o recado, porque, mais difícil do que ter todos aqueles pesadelos, deveria ser relembrá-los depois.

“Fiz alguns ovos aí, sinta-se à vontade.” Disse, vendo-a pegar o prato que ele havia deixado na mesa e servindo-se do ovo mexido – única coisa que saía comestível quando feita pelas mãos do Doutor Cullen. “Hoje eu vou à tarde para o Hospital... E ficarei lá até depois da madruga. Semana de plantões.” Deu de ombros. “Você vai ficar bem?” Perguntou seriamente preocupado.

“Você seria um ótimo pai.” Bella riu. “Sim, sim, vá trabalhar tranquilo, não vou pular de nenhuma janela.”

Ele riu levemente, sem realmente achar graça, porque fazer piada com a própria desgraça nunca lhe pareceu o melhor método de diminuir, superar ou esquecer os problemas. Isso soava mais como uma coisa que Jasper faria.

“Eu não me lembro de você ter me dito alguma vez que queria ser médico.” Bella palpitou, colocando uma garfada de ovos na boca e fazendo cara de pensativa.

Edward bufou. “Você não lembraria nem se eu tivesse lhe dado um anel de brilhantes.” Murmurou.

“Oi?” Bella incitou.

Edward encarou-a encostada na bancada pia com o prato na mão. “Você nunca gostou de mim de verdade.” Disse, dando de ombros. “Nunca prestou atenção em mim ou em qualquer outra coisa relacionada.”

“Mas você tem que admitir que você era um pouquinho sem noção.” Riu, demonstrando com gestos a ironia; Edward acompanhou-a na risada, enquanto se servia do café da manhã. “Só que eu acho que, quando eu te deixei para ir pra França, eu deixei minha única chance de ser verdadeiramente feliz escapar.” Confessou, fitando-o profundamente nos olhos.

Edward ficou estonteado por um momento ao ouvir aquelas palavras que soavam tão sinceras, mas recuperou-se rápido, porque não podia deixá-la pensar que ainda era aquele adolescente que cairia facilmente em suas ladainhas.

“Por favor...” Bufou ele. “Você só diz isso porque me encontrou de novo e porque sua ida pra França foi pro brejo.” Disse francamente. “Quero ver se essas mesmas palavras sairiam de sua boca se você ainda estivesse lá, sendo a bailarina solista da companhia não sei das quantas ou se você não tivesse recebido proposta nenhuma e não tivesse desculpa para me deixar sozinho, sem nenhuma explicação. Queria ver como seria... Se você teria peito para encarar alguma coisa séria comigo, você e a sua mania de grandeza e todo seu orgulho e arrogância.” Terminou, assustado com o tanto de palavras que proferira.

O médico viu que os olhos da bailarina lacrimejaram com o verdadeiro soco na cara que ela havia acabado de levar, mas ele não se abalou; levantou o queixo e decidiu que não pediria desculpas. Não deixaria que ela – por mais fragilizada que estivesse – continuasse vendo-o como um adolescente bobo que aceitaria tudo sem abrir a boca.

“Talvez você tenha razão.” Disse ela, fazendo um muxoxo, vencida. “Mas é que... De verdade, faz muito tempo que eu não me sinto bem desse jeito que me sinto quando estou com você. Quando estamos conversando besteiras, ou tipo ontem...” Pausou, engolindo em seco. “Quando você me protegeu de tudo aquilo.”

Edward suspirou, porque naquilo ele, definitivamente, acreditava.

“Mas eu mereço mesmo toda a culpa por ter mordido a sua língua aquela vez.” Ele disse, mudando o rumo da conversa.

Bella o olhou surpresa. “Eu te perdoo.” Os dois riram. “E também merece a culpa por aquele passeio horripilante de bicicleta!” Fingiu sentir um calafrio ao lembrar.

“Ahh, mas você tem que admitir que foi divertido!” Edward disse, birrento e Bella sorriu, nostálgica, lembrando-se que não aproveitara nada daquele dia, sempre sendo escoltada por sua personalidade que sempre a impediu de aproveitar toda a simplicidade da vida e de só... Ser feliz.

“Aquela foto...” a bailarina começou, pigarreando constrangida ao notar Edward encarando-a curiosamente. “Aquela que você viu na minha mala...” Edward assentiu, incentivando-a a prosseguir. “Aquelas pessoas lá eram meus pais. Eles morreram quando eu tinha quinze anos e aí eu tive que viver com a minha avó materna até fazer dezoito e poder me mudar para a casa que eles haviam me deixado de herança em Baltimore.” Suspirou e engoliu em seco. “Foi ela que fez minha... Dedicação pelo balé crescer cada vez mais.”

Na verdade, Bella gostaria de ter se mudado para Baltimore assim que as duas pessoas mais importantes de sua vida lhe foram arrancadas daquela forma brutal. Porque, assim, jamais teria passado os três piores anos de sua vida junto de Marie, sua avó. Ela não fez sua dedicação crescer, ela impôs isso como condição para que a neta recebesse casa e comida. Ela tinha que ser perfeita, jamais poderia cair durante seus ensaios, ou aparecer com algum quilo a mais... Nunca, pois isso seria motivo suficiente para levar uma boa surra de Marie.

Bella tinha certeza que sua casca protetora e sua fixação pela perfeição e pelo sucesso começaram a crescer a partir daquela convivência com aquela perfeita ditadora.

“E por que você não quis me falar?” Edward indagou, fingindo-se de indiferente, mas sentindo uma felicidade imensurável por dentro ao ver que ela estava compartilhando suas coisas com ele.

“Eu só... Não estava acostumada com alguém realmente interessado na minha vida.” Deu de ombros, se desencostando da pia e sentando-se na cadeira ao lado de Edward.

“E o que aconteceu com sua avó?” Já que Edward não podia suprir suas necessidades de velha fofoqueira sabendo o que acontecera naqueles seis anos, ele pelo menos teria um consolo, descobrindo o que acontecera antes de se conhecerem.

“Não sei. Não me interessa.”

“Vocês não se davam bem?”

Bella suspirou e decidiu que devia pelo menos aquilo pra ele. Prosseguiu: “Ela era meio ditadora... Não sabia lidar com alguém que tinha acabado de perder os pais. Ela impunha as vontades dela e... Me maltratava com palavras, de um jeito que me fazia preferir sinceramente que ela me batesse.” Disse simplesmente.

Edward assentiu lentamente. Isso não supria sua curiosidade, mas já era um começo. E ele poderia ter desconfiado que ela havia sofrido alguma coisa desse tipo, porque ninguém cria aquela cortina de ferro em relação ao mundo exterior do nada. É claro que esse abuso mental provavelmente não era nada se comparado ao que ela sofrera na França.

Mas essa história, certamente, ficaria para outro dia.

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“Sim, mãe, ela é confiável... Não, mãe, ela não vai ficar aqui pra sempre... Sim, mãe, ela vai arrumar um emprego... Não, mãe, não estou vivendo só de enlatados...” Edward Cullen revirou os olhos ao responder as milhares de perguntas que sua mãe fazia. Ele resolvera contar para Esme que tinha “visitas temporárias” em seu apartamento, mas censurara a parte que diria que essa ‘visita’ era, na verdade, alguém que tinha distúrbios depressivos. “Não! Não estamos dormindo no mesmo quarto!” Guinchou, chocado, e depois riu. “Não, mãe, você não vai ser avó... Olha só, preciso desligar, mais tarde eu te ligo, ok? Também te amo. Até mais.”

Balançou a cabeça e riu, desacreditado em ver como sua mãe nunca aceitaria que ele não era mais um bebê. Apesar de tudo, gostava disso. Vivia sempre muito sozinho, sem nenhum calor humano, e o trabalho quase sempre o consumia, daí ver que ainda tinha um suporte familiar e um colo para correr caso algo desse errado lhe dava um conforto indescritível.

Colocou todos seus trambolhos – notebook, jaleco, crachá – no braço esquerdo e fuçou no bolso de sua calça branca, pegando o molho de chaves e praguejando ao ver que sua miopia o atrapalhava de enxergar qual chave tinha uma ‘E’ sem ter que colocá-las quase dentro de seu olho.

Ao abrir a porta do apartamento, franziu o cenho com o silêncio que estava instalado ali. Sem música no último volume, sem televisão ligada sozinha... Somente o som de sua própria respiração.

Deixou suas coisas no sofá e, cautelosamente, avançou na sala e subiu as escadas. Não demorou muito para que visse a porta do quarto de hóspedes aberta e uma figura encantadora dando piruetas pelo local.

O médico encostou-se no umbral da porta e sorriu com a nostalgia que aquela cena lhe trazia: Bella, mesmo sem aquele vestido de tuli lilás, do qual ele se recordava adorar, estava esplendida em sua leveza, dando piruetas milimetricamente calculadas, na ponta dos pés, rodopiando em cima do tapete marrom com estampas de bichos; mesmo sem música e no local menos apropriado possível, Bella deixava claro o talento ímpar que tinha para fazer aquilo.

Entretanto, algo deu errado, o pé da bailarina virou-se e ela caiu no chão com um baque. Preocupado, Edward se retesou e se preparou para ir socorrê-la, mas, sem maiores dramas, levantou e endireitou a coluna, levantou o queixo e ficou elegantemente ereta, ainda de costas para ele e sem vê-lo. Edward sorriu, aprovando a atitude dela e torcendo para que isso se refletisse em sua vida também. Levantar-se depois das quedas e permanecer divinamente indiferente à rasteira.

Mas, subitamente, Bella começou a chorar. E, vencida, sentou-se no chão, colocando o rosto entre as mãos e tendo todo seu magro corpo sacudido por espasmos. Edward ainda a observava, chocado, quando ela levantou-se num átimo e pegou um dos vasos de flores colocados em cima da cômoda de marfim, jogando-o com ferocidade contra a parede.

O médico saiu de sua posição de observador rapidamente e adentrou ao quarto, pegando bailarina pelos ombros e impedindo-a de fazer alguma loucura. Bella se debateu, chorando todas suas tristezas e imperfeições em lágrimas gordas, e não se acalmou nem com o cheiro de segurança que tomou conta de si ao perceber que estava no colo de seu médico preferido, de todos que já havia conhecido naquela sua vida de nada.

“Chega, Bella!” Edward foi duro ao esbravejar, arrastando-a para a cama, onde jogou-a com força.

Deitado por cima daquele corpo ossudo e rodeado por fantasmas, Edward suspirou e percebeu que a rudeza não era o melhor modo de lidar com aquela situação. A bailarina ainda chorava, mas, ao passo que o médico a acariciava ternamente nas madeixas e a prendia de forma amorosa entre seus braços robustos e protetores, suas lágrimas se esvaiam e todo seu temor parecia ridículo.

Depois de um tempo, Edward sentou-se e puxou para seu colo, aninhando-a como um bebê. “Já passou?” Ele indagou, sorrindo normalmente ao fitar os olhos marejados da moça.

Ela esfregou os olhos e assentiu. “Sim... Obrigada.” Disse sinceramente. “E desculpe pelo vaso.”

Edward bufou e beijou-lhe a testa. “Não importa.” Desdenhou.

“Estou te dando muito mais trabalho do que o necessário...” Ela suspirou, resignada. “Eu só queria ser perfeita.” Sussurrou por final.

E foi aí que Edward teve seu coração baleado por compaixão. Ela, desde sempre, fora obrigada a viver uma vida de aparência e de extrema perfeição, sempre tendo em sua mente que aquilo era o certo e que nada mais poderia ser feito, e ter que encarar a realidade de que a perfeição não existe em ninguém, muito menos em si e em sua atormentada alma, era, em absoluto, uma tarefa muito mais do que árdua.

“Você é perfeita pra mim.” Ele confessou seriamente, olhando-a nos olhos. “Sempre foi. A única certeza que eu tenho é de que você é a bailarina mais perfeita de todas. E a mulher mais maravilhosa também. E eu tenho orgulho do que você é.” A voz grossa e máscula do médico penetravam nos ouvidos da bailarina como a mais doce melodia, fazendo-a ter uma imensa vontade de agarrá-lo e lhe dizer como ele era um sonho bom que havia mudado o tom de sua vida.

No entanto, ela emudeceu e só conseguiu, depois de encarar o homem por vários minutos, totalmente fascinada, deitar-se no peito vigoroso e suspirar, desejando que Deus tivesse um segundo de piedade e nunca mais fizesse aquele conto de fadas no qual vivia desmoronar.

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“Ela é um tipo uma deusa, cara.” Jasper suspirou do outro lado da linha. “Juro pra você, não há no mundo outra mulher igual àquela.” Edward riu; dar uma de bobo apaixonado era a única coisa que faltava no currículo de múltiplas personalidades de Jasper Whitlock. “Ela manda minha sanidade para as alturas, não consigo ser nada mais do que um capacho daquela deusa quando estou junto dela... Você não faz ideia de como é.” Edward bufou, porque sabia sim; já havia vivido aquela situação e poderia garantir ao amigo que não era nada agradável.

“E como é o nome dessa feiticeira?” Riu-se, ajeitando-se na cama.

“Alice.” Edward podia apostar que, naquele momento, Jasper ostentava uma cara de sonhador ridícula. “Alice Brandon.”

Edward quase se engasgou com a saliva e, depois, passou a rir descontroladamente. O mundo era um grande mestre filho da puta no que dizia respeito à ironias inesperadas. “Jura mesmo?”

“Sim, por quê?” O outro indagou, desconfiado.

“Ela também dançava junto com a Bella naquela companhia e, olha só, dividia a casa com ela quando as duas moravam em Baltimore! Mas eu nunca imaginei que fazer Direito fizesse o gosto dela.” Ponderou, confuso.

“E, pode crer, meu filho, ela faz direito mesmo!” Jasper riu de sua piadinha infame e Edward apenas revirou os olhos. Jasper sempre seria Jasper.

“Traga-a também para Nova York, quando você vir me fazer aquela visita que me deve há quase dois anos.” Propôs.

Jazz riu. “Pode deixar. Mas e aí, como está a situação da sua bailarina maluca?”

Edward suspirou. “A mesma coisa de sempre. Ela me contou ontem que viveu três anos com uma avó autoritária que não permitia que ela passasse dos 40 quilos.”

Jasper soltou um silvo de surpresa. “Isso explica a fixação dela pela perfeição. Parece que os traumas vieram desde os primórdios, hein?”

“Pois é. Ela sofreu desde muito antes de ir pra França, mas é claro que o que aconteceu lá foi muito pior do que tudo.”

“E o que você pretende fazer?”

“O que você quer que eu faça?” Indagou retoricamente, bufando. “Vou apenas deixá-la aqui em casa, até que se sinta preparada pra ir enfrentar o mundo lá fora. Eu também não posso esperar que isso aconteça de uma hora pra outra. Ela está frágil demais, Jazz, você nem faz ideia do quanto.”

“Sinto muito, nem sei o que dizer.” Soltou um muxoxo. “Cuide dela, Edward. Mostre que ainda a ama, tente fazer isso do jeito certo agora... Esqueça de tudo de banal que aconteceu anteriormente e mostre que o amor que você tem para dar a ela vale muito a pena.”

Edward ficou calado, absorvendo as palavras sábias de seu melhor amigo. Ele tinha razão, porque ele nunca havia ficado confuso quando aos sentimentos que nutria pela bailarina; desde o começo, sabia que ainda amava e, se em algum momento sua cabeça ficou um pouco confusa, era porque ainda tinha ressentimento pelo o que ela havia feito anteriormente. No entanto, ouvindo a palavra banal retumbar em seu cérebro, o médico percebeu que não tinha sentido nenhum nutrir aversão ao passado, porque fora algo tão ordinário quanto começar a abominar sua própria mãe por ela não ter feito sua comida preferida na noite de Natal. Ele mesmo nutrira ilusões acerca do que tinham; ela, por sua vez, sempre fora honesta e nunca lhe disse que iriam se casar e ter filhos, para depois ir embora, esquecendo suas promessas. Fora ele mesmo quem criara essas fantasias.

E ali, ela era outra pessoa e ele também. Ele não precisava esconder seus sentimentos ou reprimi-los, porque aquilo tudo não iria ser uma extensão de outrora. Seria uma história completamente nova.

“Essa garota te deixou inteligente.” Edward zombou, depois de alguns segundos de silêncio.

“Eu sempre fui.” Jasper bufou, convencido. “Hey, cara, eu tenho que desligar, amanhã vou me levantar antes do galo.” Gemeu. “Até mais, se cuida.”

“Até, Jazz. Digo o mesmo.” Edward riu antes de desligar, porque quem mais precisava de cuidados ali era, definitivamente, Jasper, não ele.

Suspiro, se remexendo na cama, já prevendo que ele não pregaria olhos naquela noite.

Ele já tinha a resolução em sua cabeça que não iria mais abafar seus sentimentos pela bailarina, mas e o depois? Isso não fazia nenhuma diferença significativa em sua situação. Iria se declarar para a bailarina? Com certeza isso soava muito mais do que precipitado.

Grunhiu, puxando seus cabelos; Bella era um furacão que, novamente, aparecia para bagunçar sua vida. Da primeira vez, ela lhe mostrara os prazeres carnais, mostrara sentimentos que nunca havia sentido e mostrara como eles eram bons... Fizera-o encarar a decepção e a percepção de que o mundo não é cor de rosa, tampouco sustentado pelas ilusões de seus habitantes.

E, agora, voltava, tornando sua vida um tumulto novamente. Tirando-o do marasmo de sua vida de médico certinho e mostrando que há coisas muito melhores pra se viver.

Repentinamente, gritos altos e acabrunhados preencheram o silêncio no apartamento de Edward. E ele nem precisou pensar muito para saber de onde vinham. Apressadamente, ele se livrou das cobertas – preocupando-se em vestir uma calça dessa vez – e correu rumo ao quarto de hóspedes.

Nem deu tempo para si mesmo de ficar observando aquela cena mais do que cruciante e já logo rompeu pra dentro do quarto, como um raio de tão rápido, rumo à cama, pegando o pequeno corpo que convulsionava e o protegendo em seus braços.

Não disse nada, apenas segurava a bailarina o mais forte que podia, acarinhando-lhe os cabelos e beijando-lhe a pele exposta pelo pijama de moletom cinza, até que, lentamente, os tremores foram cessando, juntamente com o choro copioso.

Ela abriu os olhos e o fitou, assustada e aliviada, talvez só percebendo naquele momento que tudo não passara de um pesadelo.

“Hey...” Ele sorriu para amenizar. “Sono agitado, hã?” Brincou.

A bailarina olhou em volta, como que tentando se localizar e, depois, suspirou aliviada e enterrou o rosto na curvatura do pescoço do médico. “Obrigada.” Disse, a voz baixa e trêmula.

“Pare com isso.” Edward bufou. “Quer voltar a dormir?” Indagou, acarinhando-lhe as bochechas.

Ela negou. “Quero tomar um banho, estou grudando.” E realmente estava; ela estava até com a blusa empapada de suor.

“Tudo bem.” Ele colocou-a de volta na cama e levantou-se, deparando-se, então, com o olhar atemorizado e perdido dela. “Quer que eu lhe traga algo?”

“Você poderia...” Ela mordeu os lábios, receosa. “Ir comigo? Só me acompanhar, por favor... Eu estou com medo.”

Edward a esquadrinhou e notou como ela se assemelhava a um ratinho assustado naquele momento; jamais imaginaria que presenciaria a cena de Isabella Swan com medo de ir até o banheiro sozinha e ali ele viu o quanto ela precisava de proteção e o quanto sempre precisou, mesmo negando e mantendo a pose de arrogante.

“Claro.” Suspirou. “Eu vou.”

Ela sorriu minimamente e se levantou; foi até a cômoda e abriu uma das gavetas, remexendo nas pouquíssimas roupas logo escolheu outro par de moletons, certamente dois números maiores.

Os dois, então, foram até o banheiro e ela o puxou para que entrasse também. Meio encabulado, ele a acompanhou e, vendo que ela não conseguia se despir sozinha devido aos ossos quebrados que ainda não haviam voltado totalmente ao lugar, ele colocou as mãos másculas na barra da blusa fina com estampa de algum time de futebol e, sem nunca quebrar o contato visual com ela, passou-a por cima da cabeça feminina. Não ousou descer os olhos para observar-lhe os seios, mas, não podia negar, estava entorpecido pelo momento que estavam vivenciando; porque, antigamente, quando faziam amor, nem se dignavam a olhar-se nos olhos e o que faziam não soava nada romântico, tampouco íntimo, como estava acontecendo naquele ato relativamente simples.

Edward só notou que havia ajudado-a a tirar a calça quando ela se afastou, indo, completamente despida, até o chuveiro.

O médico ainda observou-a por alguns segundos, vendo-a fechar os olhos, realizada, ao receber os respingos de água, e decidiu que deveria sair, do contrário ficaria louco e sua ereção lhe transporia as calças.

Ele se sentou do lado de fora e ficou esperando-a, com a cabeça entre os joelhos, por pouco mais de cinco minutos, até que ela abriu a porta do banheiro, já vestida com outro moletom, que dessa vez ostentava uma estampa do Pernalonga.

“Pronta para voltar pra cama?” Indagou-lhe, decidindo que ela ficava esplendida no pós-banho, com os cabelos marrons presos naquele coque mal feito e parcialmente molhado, e as bochechas avermelhadas por conta da quentura da água.

“Sim.” Ela não estava certa daquilo e o medo estampado nos orbes fez o âmago de Edward revirar-se.

O médico aproximou-se dela, o bastante para sentir a respiração quente chocando-se contra o seu rosto; elevou sua mão até as bochechas e passou a fazer círculos ali, calmamente, apenas passando confiança e desfrutando do momento. “Eu vou estar aqui.” Garantiu.

“Eu sei.” Ela sussurrou, os olhos fechados, as mãos flácidas ao lado do corpo, completamente rendida.

E não haveria bomba nuclear que fizesse Edward parar. Porque ele havia esperado seis anos por aquele momento, por aqueles lábios, por aquela mulher...

Lentamente, então, o homem escovou seus lábios nos dela e experimentou um contato mais aprofundado, sendo prontamente aceito pela mulher que, num sinal de que estava querendo aquilo muito mais do que ele, colocou suas magras mãos na nuca masculina, puxando os cabelos ali contidos, pedindo mudamente que ele parasse logo de ser tão cauteloso.

Edward, por sua vez, entendeu o recado rapidamente e adentrou à boca dela com sua língua, muito mais experiente do que outrora, fazendo-a soltar um gemido de puro contentamento. Edward desceu suas mãos até a cintura e envergou para si, enquanto Bella, por sua vez, passava as mãos pelo peito másculo, sentido todo seus corpo se arrepiar com aquele contato. Cada pedacinho de seu corpo grudado a cada pedacinho do corpo dele... Os corações, acelerado no mesmo ritmo... Gritando para o outro como os sentimentos eram mútuos...

Quando o ar lhes foi necessário, as bocas ávidas se separaram e os olhos, igualmente confusos e deleitados, se encontraram.

Edward pensou que levaria um soco no estômago e, sem dar tempo para que a bailarina pensasse nisso, a estreitou em seus braços, inumando seu rosto no pescoço ossudo, sentindo o cheiro de seu sabonete masculino, que, naquele momento, tornava-se o seu aroma favorito.

A bailarina, sem nem titubear, retribuiu o braço, deitando sua cabeça no peito rijo e sorrindo. Enormemente. Plenamente. Certa de que, se estivesse naqueles braços e sentindo aquela ternura de que tanto necessitava, poderia enfrentar o mundo.

Notas finais
eae ? heheheh poisé... como vocs viram, a Bella já sofre mto antes de ter ido pra França e por isso ela tem essa casca protetora que, claro, se intensificou cm tudo qe deu errado por lá... por mais qe sejam errados, ela tem motivos pra ser assim tão fria. Mas vcs viram que o médico consegue dobrá-la, não é ? literalmente falando ;9 kkkk
meninas lindas, eu posso lhes trazer o próximo na segunda ou na terça, mas tudo, claro, depende dos reviews lindos e das recomendações tbm *o* kkk vocs não fazem ideia do quanto é bom ler uma, é tipo levar uma injeção de ânimo kkkkk
é isso aí, espero que gostem e comentem e qe as fantasminhas saiam da moita e façam uma pobre autora feliz o/ kkk
um ótimo restinho de semana pra vocs queridas, e até mais ;****