Above The Law [EM HIATUS]

6 Capítulo 6 - Documentos


Notas iniciais
Neste capítulo conhecemos um pouco do passado conturbado de Augusto e como suas ações no passado refletiram no presente. Além disso, Alison dá um passo importante nesse capítulo que a pode colocar em vantagem em relação a Arthur de tal modo que as investigações possam ser afetadas.

Era manhã, Augusto levantou inquieto em seu chalé. Teve uma péssima noite de sono, e apenas vinha em sua cabeça lembranças da última vez em que viu Melissa e Jane. Viu uma foto das duas e pegou.

“- Papai, papai, aonde o senhor irá? – perguntou a pequena garotinha negra, porém de cabelo lisos.

— O papai vai fazer uma viagem importante meu amor. Mas ele já volta logo, tudo bem? – disse Augusto, agachado segurando a mão de Melissa.

— Volta logo papai. Eu não gosto de ficar longe de você. – respondeu Melissa antes de dar um abraço em Augusto.

— Eu também minha filha, mas o papai promete que quando voltar ele irá passar todo o tempo livre dele com você, tudo bem? – disse Augusto. Após dizer isso, Augusto se despediu de Melissa dando um beijo em sua testa. Foi então falar com Jane, que mais afastada, via a cena.

— Você tem certeza disso? – perguntou Jane com um olhar preocupado

— Eu preciso fazer isso amor. Eu preciso ir atrás dessa história. – respondeu Augusto

— Alguma coisa está me dizendo que isso não vai acabar bem. Você está mexendo com pessoas muito poderosas Augusto. – disse Jane ainda aflita

— Eu não vou conseguir simplesmente fingir que não recebi aquele e-mail. Tento voltar em cinco dias, ou menos. Minha preocupação é com você e Melissa.

— Eu e Melissa iremos ficar bem. Você que tem que se cuidar. – disse Jane

Os dois olharam um no olho do outro. Jane estava preocupada com o que poderia acontecer a Augusto. Seu coração estava apertado, pois Augusto havia lhe dito sobre a ameaça de Alison.

— Eu te amo. – disse Jane com lágrimas no rosto e logo após isso beijou Augusto.

— Eu também te amo. Eu volto logo, prometo. – disse Augusto a Jane

Augusto então após se despedir de sua filha, saiu da antiga casa em que morava. Enquanto estava no jardim, recebeu uma ligação.

— Sr. Kyle? – perguntou uma voz feminina doce doutro lado da linha

— Ele mesmo. – respondeu Augusto

— Aqui é a Amanda que está falando. Tudo certo para a sua viagem para Nova York? – perguntou Amanda

— Sim, com certeza. Saí de casa ainda agora. Estou indo ao aeroporto. – respondeu Augusto

— Ótimo. Eu tenho certeza que você vai se interessar muito pelos documentos que eu tenho em mãos. – disse a mulher”.

Augusto olhava firme para foto de Jane e Melissa enquanto essas memórias vinham em sua cabeça, parecia estar em transe, até que pegou o seu telefone e decidiu ligar para Tyler.

— Detetive, desculpe ligar a essa hora. Incomodei-te? – perguntou Augusto

— De maneira alguma. O que você quer? – perguntou Tyler

— Quero conversar, tenho informações importantes sobre a Alison. Informações do interesse de vocês. – respondeu Augusto olhando para os documentos em sua escrivaninha.

— Ok. Já estou indo aí no chalé. – respondeu Tyler.

Tyler então desligou a chamada e falou com Jean.

— Jean, temos trabalho a fazer. – disse Tyler, levantando-se da cadeira onde estava sentado, fechando o seu laptop e colocando seu paletó.

— Ele te ligou? – perguntou Jean, servindo uma das canecas de café que estava em sua mão.

— Sim. Vai nos passar informações sobre a Alison – disse Tyler pegando uma das canecas e tomando o café.

— O que será que ele quer nos dizer? – perguntou Jean

— Não faço ideia, mas deve ser algo grande para ele mudar de ideia assim de repente. – respondeu Tyler pensativo.

* * *

O relógio na escrivaninha marcava 9:00 a.m. Arthur, ainda sonolento abria os seus olhos e deitado na cama olhava ao seu redor no quarto. Parecia não entender ou lembrar onde estava, quando então se virou para o lado e viu que estava no apartamento de Alison, mais especificamente em sua cama, com ela. Percebeu que estava nu e pensou:

“Não acredito que eu fiz isso. Eu fui longe demais.”

Decidiu pegar seu celular e mandar mensagem para Tyler, queria saber se a investigação havia avançado. Pegou sua calça que estava jogada no chão, a vestiu e levantou-se para pegar o celular.

“Como estão as investigações?” – enviado por Arthur Matthews

“Acredito que hoje irá avançar um pouco. Iremos conversar com o Augusto” – enviado por Tyler O’Green

“Não vai acreditar onde estou... No quarto de Alison.” Enviado por Arthur Matthews

“Então, rolou?” enviado por Tyler O’Green

“Sim rolou. Mais tarde entro em contato, ela pode acordar a qualquer momento.” Enviado por Arthur Matthews

Arthur não percebeu, mas enquanto conversava com Tyler, Alison já tinha acordado e estava com os olhos quase fechados, espiando o que Arthur estava fazendo. Arthur decidiu ir fazer um lanche para os dois, precisava encenar o pretendente interessado. Alison levantou-se da cama assim que Arthur deixou o quarto. Trancou a porta sem que Arthur ouvisse e pegou seu celular, porém não conseguiu acessar o celular pois o mesmo estava com senha.

— Merda, ele estava falando com alguém, mas quem? – disse Alison em voz baixa.

Decidiu colocar o celular onde estava, destrancou a porta e voltou para a cama.

“Uma hora eu descubro essa senha, e daí descubro o que esse investigador está tramando”

Arthur então voltou para o quarto, Alison fingiu estar despertando àquela hora.

— Bom dia meu bem. – disse Arthur

— Nossa... Ser acordada assim? Com café na cama? – disse Alison mostrando estar surpresa

— Toda mulher merece ser acordada assim, como uma princesa. – disse Arthur colocando a bandeja de prata sobre a cama

— Assim você me acostuma mal. – disse Alison rindo

Apesar de modesto, era um delicioso café da manhã. Tinha brioches com queijo gruyère em um prato, geleia de amora em uma tigela e uma jarra com suco de laranja sobre a bandeja.

— Não sabia que ainda por cima você era cozinheiro. – disse Alison, servindo-se.

— Digamos que eu tenho meus segredos. – respondeu Arthur dando um beijo em Alison e se servindo em seguida – Apesar de nossa noite ter sido perfeita, eu tenho que me arrumar, pois preciso estar na delegacia daqui a pouco. Estou atrasado.

— Eu acho que vou querer repetir a dose. – disse Alison com um olhar envolvente para Arthur

Arthur após comer levantou-se da cama, e foi a suíte para se arrumar para o expediente.

— Como eu queria entrar nesse chuveiro com você. – disse Alison na porta do banheiro, olhando provocante para Arthur.

Arthur deu um sorriso maldoso para Alison, mas pediu para que ela fechasse a porta. Enquanto Arthur tomava seu banho, Alison planejava algum modo de invadir o celular do investigador.

“Tem que ter um jeito de eu descobrir com quem ele estava falando.” – pensou Alison mexendo no celular. Lembrou-se então de uma coisa que Arthur havia falado para ela no último encontro.

“A quanto tempo sua esposa faleceu? – perguntou Alison durante o jantar no bistrô, enquanto tomava sua taça de vinho.

— Faz tempo, foi há oito anos. 20 de outubro de 2008. – respondeu Arthur

— Bastante tempo para ficar no casulo. – respondeu Alison”

“Só pode ser isso.” – disse Alison pensando em voz alta.

Alison então testou a data como senha, conseguindo desbloquear o celular e Arthur. Alison ficou procurando algum vestígio no celular de Arthur sobre uma possível investigação e quando finalmente encontrou a pasta de mensagens de Tyler, Arthur acabara de sair do banho. Alison então novamente bloqueou o celular e escondeu o celular em sua bolsa enquanto Arthur tomava banho.

“Pelo menos agora já sei o que procurar exatamente.” – pensou Alison.

Arthur acabou de se arrumar, despediu-se de Alison e foi para o departamento. Como saiu apressado do apartamento, acabou não dando falta do seu celular. Acreditava que seu plano estava dando certo.

“Preciso continuar próximo a Alison, conseguir informações mais de perto, e na hora certa, dar o bote.” pensou Arthur enquanto dirigia.

* * *

Tyler e Jean após tomarem seu café-da-manhã onde estavam hospedados se dirigiram até o chalé de Augusto. Novamente tocaram a campainha, como tinham feito no dia anterior, e foram novamente recebidos por Augusto, que desta vez estava com uma postura diferente. Tinha um semblante angustiado, cansado de esconder a verdade.

— Entrem, por favor. – disse o jornalista, recebendo os policiais em seu chalé. – Sentem-se. Eu vou contar toda a verdade a vocês. – disse Augusto, pedindo para que Jean e Tyler sentassem em uma das poltronas xadrez enquanto ia no seu escritório pegar o documento que tinha visto na noite passada. Augusto novamente olhou os documentos em sua mão, suou frio e respirou fundo pensando:

“Coragem, Augusto. Chegou a hora da verdade. Você precisa fazer isso.”

Augusto então com os documentos em mão voltou para a sala onde estava Tyler e Jean.

— Eu vou contar tudo do começo. – disse Augusto se explicando e relembrando tudo o que acontecera naquela época — Na época eu descobri alguns escândalos envolvendo a JCorp. Lavagem de dinheiro, sonegação fiscal... Crimes cometidos por empresas, mas o que eu não imaginava era que tudo aquilo era só a ponta do iceberg. Até eu receber esses documentos. – disse Augusto mostrando os documentos em sua mão.

— E o que tem demais nesse documento? – perguntou Jean

Augusto então começou a explicar aos detetives enquanto as memórias vinham em sua cabeça.

“Um jovem Augusto havia acabado de chegar a NY. Saiu do aeroporto local e pegou um táxi indo até a cafeteria que havia marcado com Amanda. Augusto então chegou ao local e se deparou com uma mulher loira, de cabelos cacheados, com óculos escuros, e um belo corpo, porém que estava escondido debaixo de um blazer e camisa social. A mulher acenou para Augusto. Era ela, Amanda Jones. Augusto então se dirigiu até a mesa e cumprimentou a jovem mulher.

— Então você é a Sra. Jones. Prazer, Augusto Kyle. – disse Augusto estendendo a mão

— Prazer, Amanda Jones. – respondeu Amanda o cumprimentando

— Antes de tudo, uma curiosidade que eu senti. Por que você está fazendo isso? – perguntou Augusto a executiva.

— Porque não concordo com muitos negócios da JCorp. Eu já não concordava com lavagem de dinheiro, mas o que está nesse relatório é muito grave, repórter Kyle. – respondeu Amanda.

— O que tem exatamente nele? – perguntou Augusto curioso para a mulher, pedindo antes uma xícara de chocolate quente à garçonete.

— Esse relatório contém as últimas transições bancárias feitas pela presidência da JCorp, assim como os últimos balancetes. Os números no balancete estão muito certinhos, não condizem com a realidade. – respondeu Amanda

— O que você está querendo dizer? – perguntou Augusto

A garçonete então chegou com a xícara de Augusto que agradeceu e começou a beber.

— Que os números foram maquiados. Esses dados são falsos. Eu procurei um contador amigo meu e ele confirmou. Nenhum balancete tem os números tão certinhos como esse. – respondeu Amanda

— Mas até aí você não me disse novidade nenhuma. – respondeu Augusto

— Só que eu comecei a investigar as contas da JCorp, inclusive a Alison e o David que é o contador e acabei descobrindo que um depósito foi feito na conta de um grande traficante de armas. Um deslize. – disse Amanda

— Então... Alison Johnson está envolvida no tráfico de armas? — perguntou Augusto.

— Ainda é muito prematuro para cravar qualquer suspeita minha, mas eu entrei com um amigo meu que é perito no assunto, e chegamos a essa pessoa. – disse Amanda, mostrando o nome de Bruce Wapasha.

— Esse cara é um dos maiores traficantes de arma e drogas da região. O que a Alison quer com ele? – completou Amanda apontando para o nome e olhando para o rosto de Augusto

— Só se... A Alison também for uma criminosa, envolvida com esses assuntos. – completou Augusto, mantendo a linha de raciocínio de Amanda. – Isso é uma suspeita muito grave Sra. Jones. – respondeu Augusto preocupado

— Por isso que não podemos nos precipitar. Estamos a um passo a frente dela, mas temos que manter o sigilo. – disse Amanda, pedindo discrição.

— Então foi por isso... Foi por isso que a Alison me ameaçou na sede do jornal. Ela achou que eu tinha descoberto alguma coisa sobre. – concluiu Augusto, com o rosto chocado com a dedução que havia acabado de fazer.

Amanda então reparou que um rapaz suspeito, de casaco longo escuro e óculos escuros tinha acabado de entrar na cafeteria. Esse rapaz estava olhando para os dois e estava com a mão nos bolsos do casaco.

— Vamos para a minha casa Augusto, é mais seguro. – disse Amanda indo até o balcão e pagando a conta da mesa. Os dois então saíram da cafeteria e Amanda encarou o rapaz, mas não o reconheceu.

Augusto e Amanda então saíram pelas frias ruas de New York indo em direção até a casa de Amanda. Era uma casa pequena, discreta, mas com um belo jardim na entrada. Amanda olhou para trás para ver se não foram seguidos, e então abriu a porta, entrando na casa junto com Augusto.

— Você reparou alguma coisa que eu não vi? – perguntou Augusto

— A Alison é capaz de tudo. Achei estranho aquele cara na cafeteria ficar olhando diretamente pra nós por muito tempo. – respondeu Amanda retirando seu casaco e pendurando na entrada.

— E qual seria a minha contribuição? O que você quer que eu faça? – perguntou Augusto sentando-se na poltrona na sala de Amanda.

— Eu quero que você torne essa informação pública. Com essa informação o relatório... BAM, acabou JCorp. Seria um escândalo imensurável. – disse Amanda

— A Alison ameaçou a minha família, inclusive me ofereceu dinheiro para que eu saísse dessa. – disse Augusto receoso coçando sua cabeça

— Eu darei a proteção necessária à sua família. Confie em mim. E, além disso, é uma oportunidade de você alavancar sua carreira. Imagine quando essa matéria for publicada. – respondeu Amanda, mostrando empolgação tentando convencer Augusto. – Mas é claro, isso é uma decisão que cabe a você. Caso você não queira, eu procuro outro jornalista. – ameaçou Amanda

— Não! É claro que eu quero, é uma oportunidade de ouro para mim. Mas como eu falei, fique tranquilo. Sua família está segura. – respondeu Amanda. – Porém é melhor que você escreva a matéria aqui. Se a Alison descobrir onde você está e o que está fazendo, aí sim sua família e você estrão em risco. – completou Amanda.

— E qual o plano depois disso tudo? – perguntou Augusto

— Alison será presa e você e sua família serão levados para outro país em segurança, onde vocês viverão sem nenhum contato com a Alison. – respondeu Amanda. – E então, qual sua resposta? – completou Amanda olhando para Augusto.

— Quando eu começo a escrever? – perguntou Augusto, aceitando a proposta com um sorriso no rosto.”

— E assim que voltei para Seattle, para pegar a Melissa e a Jane para irmos embora... – disse Augusto com lágrima nos olhos olhando para o nada. – Encontrei apenas cinzas. A nossa casa havia sido incendiada e dois corpos estavam dentro da casa segundo a perícia. Uma criança e um adulto. Por minha causa, minha esposa e minha filha estão mortas. – disse Augusto chorando.

Tyler se sensibilizou com a dor de Augusto, levantou-se e deu um abraço no jornalista.

— Não foi sua culpa. A culpa é dela. E agora você tem a chance de fazer justiça. – disse Tyler. – Esses documentos podem colocar a Alison na cadeia. Fazer justiça em nome da Jane e Melissa. – disse Tyler apontando para os documentos.

— É tudo o que eu mais quero. A Alison me tirou tudo. Eu quero tirar tudo dela também. A vingança foi a única coisa que me restou. – disse Augusto secando as lágrimas e com um olhar de ódio.

Augusto então chorou novamente e disse

— Se arrependimento matasse... Quando somos mais jovens, tomamos decisões erradas. Porém, algumas decisões não tem como voltar atrás. Os mortos não voltam. – lamentou-se Augusto

— Então te resta fazer justiça pelos vivos. – respondeu Jean olhando para Augusto

— Tem razão, vocês têm razão. – disse Augusto secando suas lágrimas. – Tomem, levem o documento. E estou disposto a colaborar da melhor forma. Quero ver aquela bandida na cadeia. – completou Augusto entregando os documentos da JCorp para Tyler

— Jean, temos um documento para estudar. Augusto olhe para mim. – disse Tyler olhando nos olhos de Augusto. – Nós vamos estudar esse documento e se ele puder ser usado como prova contra a Alison, acredite, nós usaremos. Ela vai pagar pelo que fez. – completou Tyler

— Muito obrigado! Eu estou confiando no trabalho de vocês. É a minha última esperança. – disse Augusto

Augusto então se levantou, acompanhou Jean e Tyler até a porta, se despedindo dos detetives. Quando eles saíram, trancou a porta novamente e voltou a olhar ao retrato de Jane e Melissa.

“É por vocês meus amores...”

* * *

Após a noite que tivera com Arthur, Alison decidiu ir visitar Gabrielle no hospital. Fez os mesmos procedimentos na recepção que havia feito da última vez que a visitou. Pegou o elevador até o andar do quarto de sua irmã e se dirigiu até o quarto.

— Alison, você veio! – disse Gabrielle, aparentando melhora.

— É claro que vim! Eu não ia te deixar aqui sozinha nesse hospital. Como você está? – perguntou Alison

— Estou melhor, quero ir logo para a casa. – respondeu Gabrielle, ainda tossindo.

O doutor Phills que estava responsável por Gabrielle entrou com uma prancheta na mão no quarto e perguntou a Gabrielle

— Como minha paciente está? – perguntou o doutor Phills para Gabrielle

— Estou melhor doutor. Ainda com essa tosse chata, mas estou forte. – respondeu Gabrielle

— Fico feliz de ouvir isso. Quem sabe em breve você poderá receber o tratamento em casa? — disse o doutor de maneira otimista, enchendo Gabrielle de esperança. – Sra. Johnson, posso conversar com você em particular? – completou o médico.

— Claro doutor. – respondeu Alison fazendo um sinal para Gabrielle de que já voltaria para o quarto

Ambos então saíram do quarto de Gabrielle. O doutor fechou a porta e Alison curiosa perguntou.

— O que houve doutor? Alguma notícia ruim? O quadro dela piorou? – perguntou Alison

— Não, não é isso. Pelo contrário, conseguimos encontrar um tratamento que vêm surtindo efeito e a Gabrielle é uma guerreira. – disse o doutor, tranquilizando Alison.

— Ainda bem doutor, folgo em ouvir isso. Mas o que o senhor queria me dizer então? – perguntou Alison

— É que o tratamento agora tende a ficar mais caro. Já que a Gabrielle superou a fase crítica da doença, precisaremos fazer uma cirurgia para a remoção da gordura acumulada nos órgãos. É fundamental para a recuperação. – completou o doutor.

— Dr. Phills, dinheiro não é problema. Não vou economizar com a saúde da minha irmã. O que for necessário gastar eu irei. – respondeu Alison

— Estou apenas informando, pois muitos costumam não ter dinheiro para continuar o tratamento. – respondeu o doutor

— Dinheiro não é problema. Quando a Gabrielle poderá ir para casa? – perguntou Alison

— Caso ela mantenha esse quadro, devemos fazer a cirurgia em duas semanas e ela poderá ir para casa logo após a cirurgia. – respondeu o médico

— É a melhor notícia que eu poderia ouvir! Obrigada doutor! – disse Alison dando um abraço no médico

O Doutor Phills se retirou e Alison voltou até o quarto para dar a boa nova para Gabrielle.

— Muito em breve você poderá voltar para a casa Gabi! – disse Alison aproximando-se da cama, e pegando na mão de Gabrielle.

— É mesmo? O que o médico disse? – perguntou Gabrielle para Alison

— Que o seu quadro está melhor, e que em duas semanas você já poderia ir para casa. – respondeu Alison sorrindo para Gabrielle. – Nossa vida vai voltar ao normal irmã.

— Isso é o que eu mais quero. Poder voltar logo para a casa. Voltar a ter a minha vida normal. – disse Gabrielle

* * *

Arthur estava no departamento de polícia quando se deu conta que estava sem seu celular. Lembrou-se então que não pegou o celular quando saiu do apartamento de Alison, mas não se preocupou pois seu celular havia senha.

“Nunca que a Alison irá descobrir minha senha, mais tarde pego com ela.”

Arthur então decidiu ligar do telefone do departamento para Alison para confirmar se seu celular havia ficado no apartamento.

— Alô? Quem deseja? – perguntou Alison

— Alison? É o Arthur. Acho que esqueci meu celular no seu apartamento. – disse Arthur

— Sim, esqueceu. Entrego-te depois, ele ficou no apartamento. E eu estou no hospital com minha irmã. – mentiu Alison

— Tudo bem. Espero podermos repetir nossa noite o mais breve possível. – disse Arthur provocando

— Eu também. Aguardo ansiosamente. Vou desligar aqui, beijo. – disse Alison desligando a chamada.

Gabrielle então franziu a testa e olhou para Alison rindo

— Nem faça essa cara. – disse Alison ao olhar para Gabrielle.

— Tá de namorado novo Alison? – perguntou Gabrielle com o mesmo olhar rindo

— É apenas um cara que estou conhecendo. Apenas isso. – disse Alison sem jeito.

— E quando vou conhecer meu cunhado? – perguntou Gabrielle

— Mas que cunhado garota? Não tem nada – respondeu Alison rindo

Enquanto Alison estava no hospital com Gabrielle, Arthur trabalhava na investigação. Analisava os documentos que o capitão tinha lhe dado e colocou na internet o nome de um dos mafiosos da lista: Oliver Santiago. Após uma ampla pesquisa no seu computador, Arthur viu que Oliver Santiago possuía ligações com Ivy Anthon, uma ex-funcionária da JCorp, que não foi vista a mais de um ano.

— Bingo! – disse Arthur pensando em voz alta, anotando o nome de Ivy Anthon. Arthur então pegou o nome de Ivy e jogou no banco de dados de Seattle, conseguindo levantar sua ficha. Trabalhava no setor de contabilidade da empresa, mas trabalhava também como doleira, responsável por lavar dinheiro de diversas pessoas importantes, inclusive mafiosos.

— Mas por que a Alison teria uma pessoa assim em sua empresa? – pensou Arthur em voz alta. – Bom, de qualquer modo, vai para a lista de suspeitos. – disse Arthur circulando o nome de Ivy e o de Alison

* * *

Tyler estava acabando de ler novamente o documento quando Jean o interrompeu.

— Desculpe interromper, normalmente eu não me meto na vida dos meus parceiros, mas é que estamos passando tanto tempo juntos que conversar é bom para distrair um pouco. – disse Jean

— Diga Jean. – respondeu Tyler, mantendo seus olhos fixos no relatório.

— Tyler, nós já lemos esse relatório de cabo a rabo umas cinco vezes. Nós precisamos nos distrair. – reclamou Jean

— Jean, eu gosto de distrações. Eu gosto de me divertir, de sair para a boate, de beber, mas quando eu estou em uma operação eu estou focado somente nela. E além do mais você nem é meu amigo. – respondeu Tyler, sem se dar conta o que havia falado. Vendo Jean magoado com o que havia acabado de ouvir, Tyler tentou se desculpar imediatamente. – Me desculpa Jean, eu não quis dizer isso.

— Não Tyler, pelo contrário. Você quis dizer exatamente isso. Tem razão, vamos ser profissional. Eu que fui tolo e imaginei outra coisa. – respondeu Jean chateado.

— Quer saber? Você tem razão Jean. Desculpe, eu agi como um idiota. Vamos dar uma volta. – respondeu Tyler fechando o relatório e olhando para Jean. – Mas antes, deixe-me ligar para Arthur. Ele precisa saber desse documento. – completou Tyler, pegando seu celular.

Tyler então tentou ligar para o celular de Arthur, mas não obteve resposta. Achou estranho, porém decidiu então deixar uma mensagem no celular.

“A investigação sobre a Alison caminha bem aqui. Conseguimos um documento importantíssimo sobre a JCorp com o Augusto Kyle. Mais tarde dou mais informações. Eu e Jean iremos sair um pouco.” Enviado por Tyler O’Green

A mensagem chegou até o celular de Arthur que estava com Alison. Alison ao sentir o celular vibrar, pegou-o e viu que havia uma nova mensagem. Ficou com os olhos arregalados, e olhou para Gabrielle. Viu que a irmã estava dormindo. Alison então foi ao banheiro do quarto e leu a mensagem, tentando-se lembrar de quem era Augusto Kyle, até que as memórias de 2014 vieram em sua cabeça novamente.

— Não, não pode ser. Esse desgraçado de novo não. – pensou Alison em voz alta. – Eu preciso resolver esse assunto de uma vez. – completou

Então Alison pegou o celular em sua bolsa e ligou para David. David estava com Michelle

— Alô, Ali? – perguntou David fazendo gestos com a mão para que Michelle ficasse em silêncio.

— David. Um problema antigo ressurgiu. Augusto Kyle. Lembra desse nome? – perguntou Alison

— É claro! Nunca que eu iria esquecer esse cara, mas o que houve? – perguntou David preocupado

— Parece que ele tem um documento que pode nos ferrar. Você já sabe o que fazer. – disse Alison

— Você quer que eu vá lá então? – perguntou David

— Sim, quero que você vá lá. – completou Alison desligando a chamada

— Fique calma Alison, está tudo sobre controle. – falou para ela mesma em frente ao espelho enquanto lavava seu rosto. Saiu do banheiro e voltou para o quarto.

Michelle, curiosa, perguntou.

— O que ela queria? – perguntou Michelle, deitada na cama enquanto David se levantava vestindo sua calça.

— Problema antigo meu e da Alison que voltou agora, e acho que ela quer que eu resolva em definitivo. – respondeu David

— Que problema? – perguntou Michelle

— Um jornalista enxerido. Na época eu dei a ideia de nos livrarmos dele de uma vez, mas a Alison não quis. Tá aí, a merda voltando agora. – respondeu David

— Qualquer problema pra Alison é bom para a gente, então você não precisa ir. – respondeu Michelle sorrindo com um olhar maldoso.

— Esse não, esse eu estou envolvido também. Mais tarde eu volto para a gente brincar. – disse David terminando de se arrumar. Deu então um beijo em Michelle e saiu

Michelle pensativa em sua cama disse.

— Qualquer problema da Alison é benéfico para mim. Não me importa se você está envolvido ou não, tolo. – disse antes de pegar uma taça de champanhe.

* * *

Era já começo da noite quando David finalmente tinha chegado ao local que Alison havia lhe pedido.

— Só a Alison mesmo para me fazer dirigir até Oregon para resolver um problema que já podia estar resolvido há anos. – disse David pensando em voz alta, colocando uma arma em sua cintura.

David então saltou do carro, e foi em direção a uma bonita casa. Chegou até a varanda e tocou a campainha. David então foi atendido por uma mulher escura, de cabelos cacheados, e que mesmo com o passar dos anos, sua aparência era inconfundível. A mulher estava vestida com um suéter vermelho e com um lindo colar de rubi

— Pois não? – disse a mulher abrindo a porta, atendendo David.

— Jane, precisamos ter uma séria conversa sobre Augusto Kyle.

Jane então reparou a arma na cintura de David e ficou assustada, tentou fechar a porta, porém David travou o movimento com o pé.

— Eu acho que realmente é melhor nós temos essa conversa. – disse David deixando Jane com uma aparência apavorada e angustiada.