Notas iniciais
Enjoy :)

Naquele dia eu acordei me sentindo feliz.

Era uma manhã de inverno, com delicados flocos de neve caindo do céu e enfeitando o mundo além da minha janela. Enrolada no cobertor, eu levantei e espiei o quintal, de um branco imaculado que refletia a luz do Sol e chegava até a arder os olhos. Logo minha irmã – com seus nove ou dez anos — estaria na porta de meu quarto chamando-me para brincar.

Ela amava a neve. Toda vez que o quintal amanhecia branco, seus olhos brilhavam e ela queria sair para fazer bonecos e anjos neve. Balto, um cachorro vira lata de pelagem cinza que adotamos numa noite gélida de inverno, começaria a latir e arrastar o trenó. Por algum motivo, ele ficava feliz em arrastar minha irmã pelo quintal, mesmo ela sendo pesada demais para ele.

E exatamente como eu havia previsto, lá estava ela, os olhinhos pidões me encarando com ansiedade. Eu a chamei, abrindo o os braços e o cobertor, e ela pulou sobre mim para um abraço, e caminhamos juntas até o banheiro para escovar os dentes. Apesar de termos idades próximas, estávamos em fases muito diferentes da vida, e eu gostava de aproveitar esses momentos em casa para dar a ela um pouco de atenção.

Passamos a manhã brincando e cobertas de neve, as roupas grossas nos protegiam do frio. Quando Tia May nos chamou para o almoço, corremos para dentro da casa quentinha, inclusive Balto, que logo se enrolou no tapete sob a mesa e esperou pacientemente para que jogássemos alguns pedaços de carne para ele, que depois deitava de barriga para cima e pedia carinho, ao qual fazíamos com os pés. Ele era um cachorro engraçado, com gostos estranhos, e muito carinhoso. Acho que Balto era muito grato por termos acolhido ele naquela noite.

Depois do almoço eu subi para meu quarto, pegando meu cobertor, uma almofada fofa e um bom livro e me dirigi ao meu espaço favorito: a janela balcão. Dela eu tinha vista para o quintal e a rua e a luminosidade que entrava era perfeita para ler. Eu me perdia nas páginas.

Com cada livro eu podia ser uma pessoa diferente. Num dia eu era uma donzela em perigo torcendo para que seu cavaleiro a resgatasse e no outro eu era uma poderosa maga que vivia pelo mundo ajudando pessoas. Ou então, eu era um bruxinho vivendo aventuras pela escola com meus melhores amigos. Eu me divertia tanto com os livros que nem via a hora passar, ou até mesmo quando minha irmã se esgueirava para dentro de meu quarto e dormia em minha cama, perdida no meio dos muitos bichinhos de pelúcia que havia sobre ela.

Já para o fim da tarde, quando terminei meu livro, resolvi me juntar a minha irmã, que parecia estar dormindo tão bem que me contagiou com seu sono. Com cuidado, eu a empurrei para o lado da parede, deitando e nos cobrindo, virando para ela e encontrando seus olhos abertos. Ela sorriu para mim e eu sorri de volta, e rimos sem motivo nenhum além da simples felicidade de termos uma a outra. Ela fechou os olhos e eu também, segurando sua mão até que adormecêssemos. Quando abri os olhos novamente, eu já não estava mais naquele quarto e nem tinha mais aquela idade.

Tudo o que restara daquele momento tão feliz era uma foto de nós duas e Balto, emoldurada por um belo porta-retratos sobre minha cômoda, detrás da qual se podia ler nossa palavra secreta:

Rawr.

Notas finais
Não se esqueça de deixar uma review! ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!