About That Girl
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Acordei com olheiras imensas, apesar de ser muito tarde, parecia que eu mal havia dormido. Era sempre assim, maldita insônia. Levantei-me, grogue, e abri a geladeira. Estava vazia, apenas algumas garrafas com bebida, nada mais. Estava com fome, então resolvi ligar para Julie, poderíamos comer em algum lugar. Tínhamos shows marcados para aquela semana, e eu tinha que me encontrar com Elizabeth as três. Eram duas e meia. Não liguei para Julie, e me apressei em me arrumar. Logo teria que estar no estúdio, e lá Julie, Elizabeth e Mark estariam me esperando. Eu havia esquecido completamente.
Me arrumei em dez minutos, e minha aparência estava horrível. Corri até o carro, e ao chegar lá, todos estavam sentados conversando, e nada de Elizabeth.
-Demorou, hein? – falou Mark, grosso como sempre. Eu ri, sarcasticamente. Estava um tanto fraca pela fome, mas ignorei. Ajeitei os instrumentos, e logo vi Elizabeth entrando pela porta, apressada, e Mark olhando-a de cima a baixo. Ela estava com a mesma cara do que eu, provavelmente havia dormido mal também.
-Desculpa, gente, tive um imprevisto. – falou, entrando e ajeitando sua guitarra.
-Quem é essa? – perguntou Julie, sem ser mal educada.
-Essa é Elizabeth, gente.
-Pode me chamar de Lizzie, se quiser – falou. – quem são esses?
-Esse é Mark, nosso baterista e essa é Julie, nossa baixista. Lizzie vai ser nossa nova guitarrista base.
- O que houve com quem estava no meu lugar? – perguntou.
-Bem… Digamos que a Sophie era… Ruim? – falou Mark.
-Vamos começar então. Vou passer algumas de nossas músicas pra você, assim não fica perdida. Bem vinda a Heartless, Lizzie! – falei. Ela riu, e começamos a tocar. Ela arrasou, era muito boa. Eu estava mal, e não cantava como normalmente, até meus solos tinham enfraquecido, e os outros perceberam.
-Que porra é essa, Katie? – gritou Mark, parando a música.
-Cala a boca, imbecil. Não vê que ela ta mal hoje? Vai se fuder! – gritou Julie, pegando o baixo. – quer saber? Eu me recuso a ensaiar com esse filho da puta aqui. Adeus – falou, batendo a porta. Teríamos que ensaiar sem ela.
-A culpa é toda sua, idiota – gritou Mark comigo. Lizzie nos olhava, assustada. Mark também saiu do estúdio. Ficamos sozinhas,
-Está tudo bem, Kate? – perguntou Lizzie, parecendo realmente preocupada. Eu não estava assustada, as brigas entre Mark e Julie eram freqüentes. Julie era muito estressada.
-Está sim… Só estou com fome. Espero que não se assuste, as brigas quase sempre são assim.
-Por que acha que saí da outra banda? – disse ela.
-Entendo. Vou pedir pra um amigo meu nos buscar para comermos alguma coisa, pode ser? – perguntei. John deveria saber que eu estava mal assim.
-Claro! Também estou com fome. – saquei o celular e liguei para ele, que demorou a atender.
-Fala, chata! – disse ele.
-Quer me levar comer alguma coisa? Estou morrendo de fome. Uma amiga vai junto.
-Hm, pode ser. É a garota de quem você me falou? – disse ele.
-Sim.
-E o ensaio?
-Julie e Mark, como sempre. – falei. Ele murmurou alguma coisa, não entendi, mas ele sabia o que tinha acontecido, não era novidade. Depois de uns vinte minutos conversando com Lizzie, percebi que ela me entendia, e era muito legal. John finalmente chegou, e ao vê-la, de alguma maneira, percebi seus olhos brilharem. Ele a olhou de cima a baixo, e ela, percebendo, riu. Entramos no carro.
-E aí, para onde vamos, garotas? – perguntou John.
-Nos surpreenda. – falou Lizzie, e eu ri pelo jeito que John ficou desconfortável. Ele nos levou a um restaurante, e depois de pedirmos cada um um lanche qualquer, nos sentamos.
-E aí, não vai me apresentar a sua amiga, Katie? – falou John, em tom malicioso. Sim, ela era bonita, e ele muito engraçado. Ela ficou meio sem jeito.
-Lizzie, esse é John, John, essa é Lizzie. Ele também é guitarrista.
-Prazer – falou ele, pegando a sua mão e beijando-a. Conversamos mais, e me senti meio deslocada, sobrando. Depois de deixar Lizzie em casa e ajudar a descer seu equipamento, John dirigiu até minha casa, e soltou uma risadinha no meio do caminho.
-Gostou dela, né? – falei.
-Hm, também tenho o direito de gostar de uma amiga sua, né? Ficou me devendo essa, acha que me sinto bem quando fica conversando com o Anthony?
-Sei que não fica, mas eu adoro te irritar. – falei. – não vou te dar o telefone dela, se quiser, peça pessoalmente.
-Pode deixar, chefe. Está entregue – falou, estacionando na frente da minha casa.
-Obrigada – falei, bagunçando o seu cabelo, antes que ele fizesse o mesmo. Passei o resto da tarde esperando como seria aquela noite, que não chegava nunca. As oito resolvi começar a me arrumar, queria estar linda aquela noite. Tomei um banho demorado e sentei em minha cama, para escolher a roupa perfeita, Optei por uma blusa branca com uma estampa preta, uma jaqueta de couro, e uma saia curta, com saltos pretos, não muito altos, já que eu por mim mesma era muito descoordenada e alta.
Passei uma base para tirar as imensas olheiras e lápis preto. Depois de escovar meus cabelos loiros e compridos, ao olhar no relógio, eram nove e quarenta e cinco. Esperava que a noite fosse demais, mas não queria criar muita expectativa.
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