Notas iniciais
Começando a fic! Espero que gostem!

Eu estava começando aquela banda. Meu ganha pão, finalmente, depois de tanto tempo. As audições estavam começando, e eu estava relembrando minha infância. A primeira guitarra, com treze anos, um presente de aniversário. Era uma fender, bonita, preta, por mais que eu quisesse outro modelo, era o único que poderia ser comprado por meus pais, já que compraram usada pela metade do preço. Aprendi a tocar sozinha, inspirada em Elvis Presley e Jim Morrison.

Saí do Flashback e retornei ao estúdio. Minhas esperanças estavam quase acabando, quando rapidamente entrou uma mulher estonteante pela porta da frente do estúdio.

–São aqui as audições? – perguntou, um tanto tímida e despreocupada.

–São sim – eu a olhei de cima a baixo. Com uma regata preta e shorts jeans, ela era maravilhosa, mesmo sem maquiagem. Tinha o cabelo preto escuro, muito liso, e comprido. Era alta, quase tanto quanto eu, e magra. Eu a emprestei a guitarra, e ela tocou alguns sucessos de algumas bandas aleatórias, desconhecidas ou não, e eu percebi, que aquela seria a minha guitarrista base. Bonita, talentosa, cantava bem. Era disso que eu precisava.

–E aí? – perguntou, inquieta, depois de mostrar tudo que sabia.

–Você aprendeu a tocar sozinha? – perguntei. Ela assentiu, e eu me espantei. – Está dentro! – finalizei, ela abriu um largo sorriso e apenas exclamou, sem muita emoção.

–Valeu! – e saiu, após deixar seu telefone, e combinarmos um horário para nos encontrarmos no outro dia. Estava concluído. Naquele dia, ninguém melhor do que ela tinha aparecido. No cartão com seu telefone estava escrito : Elizabeth James. A ligaria com certeza no outro dia. 1989, eu estava animadíssima com como seria a nossa banda nesse ano. Liguei na mesma hora para John, que atendeu prontamente.

–Alô? – falou a voz do outro lado.

–John! – falei, entusiasmada.

–Fala, Katie! Qual o motivo de tanta alegria?

–Eu achei a guitarrista base perfeita para a minha banda! – falei, animada.

–Sério? E aí, ela é bonita? – perguntou, em tom sarcástico.

–Hmm... Depende. Qual é o seu interesse? – falei, rindo. Ele riu também.

–Apenas profissional – falou em tom de brincadeira. – e aí, quer sair comigo e com os rapazes as oito? Pode levar a Julie. O Anthony vai estar lá. – riu.

–Engraçadinho. Eu levo ela sim, se passar me buscar.

–Mando o Tony te pegar. – falou, debochando. Ele sabia da minha pequena queda por Anthony, mas eperava que ele não houvesse dito nada.

–Cala a boca, idiota. – falei. Ambos rimos e eu desliguei. Éramos melhores amigos de infância, e ele sempre estava do meu lado, em qualquer circunstância. Liguei para Julie, que era nossa baixista. Ela aceitou de boa ir conosco. Sabia que ela gostava de conversar com Michael, ou Flea, o baixista da outra banda, ela dizia que só ele entendia o que ela passava. As oito eu estava pronta, e Julie, que morava a apenas algumas quadras de minha casa, foi a pé. John chegou de carro, e entramos no carro. Ele fez mistério do lugar onde iríamos. Quando vi que ele estacionaria no Blue Café, dei uma risadinha. Típico dele, adorava aquele lugar.

Ao descermos, percebi como Julie estava bonita. Ela tinha cabelos castanhos curtos, mas brilhantes, e olhos verdes, muito grandes e bonitos. Ela adorava ousar em suas roupas, coisa que eu evitava. Ela estava com um vestido curtíssimo, preto e colado, enquanto eu apenas usava uma saia qualquer e uma blusa preta por baixo, com saltos, me sentindo deslocada. Ao entramos, quando percebi que Anthony olhava para mim, senti arrepios em todo o meu corpo. Aquele sorriso dele era lindo, com aqueles dentes tortos, que o deixavam mais fofo ainda.

–Katie! – exclamou, se levantando para me cumprimentar. Nos sentamos, e Julie logo começou a tagarelar com Flea, como normalmente fazia. Eles se divertiam. Eu comecei a falar com Tony, e percebi que John estava meio desconfortável, então incluí ele na conversa. Depois de algumas horas, resolvemos ir embora, mas Julie não quis ir junto, ela tinha bebido um pouco e preferiu ficar com Flea. Anthony veio até mim.

–Ei, Kate, quer fazer alguma coisa amanhã, só nós dois? – perguntou. Meus olhos azuis brilharam, e senti minhas pernas amolecerem.

–Claro! Pode me buscar? Amanhã é sábado, de qualquer forma não tenho nenhum compromisso. – ele era mais velho do que eu, mas era maravilhoso, o cara com quem eu com certeza sairia.

–Mas é claro – ele abriu um sorriso. – Não se preocupe, escolhi um lugar legal. Te pego as dez. – falou. Eu sorri e saí, indo para o carro. John me acompanhou. Ele não estava muito feliz.

–O que aconteceu? – perguntei, enquanto dirigia.

–O Chad. Ele anda meio estranho – falou.

–Hmm. Ele falou alguma coisa? – perguntei.

–Não. Ele tava muito quieto. Deve ter sido aquela namoradinha dele, que largou ele semana passada – disse, ironicamente.

–Mas é claro que é isso.

–O que Anthony falou para você quando saímos? – perguntou, curioso.

–Interessa? – brinquei.

–Muito – falou, bagunçando meu cabelo, que logo se ajeitou. Ele era fácil de arrumar, apesar de ser um tanto ondulado. Eu saí do carro, e ele logo arrancou. Estava nervoso, e eu ansiosa, pelo encontro com Tony e também pela guitarrista. Demorei muito para pegar no sono, eu estava pensando sobre como seria aquela semana, ou apenas a próxima noite. Esperava que fosse maravilhosa.