About Someone or something.
1 Sobre Personagens
Eu não me conheço.
Acho que essa é a melhor forma de começar a explicar o motivo de minha fascinação por personagens. Acredito que qualquer coisa que me faça ficar longe do mundo real, é algo que me entretenha. Porém, personagens fazem parte de um outro mundo, não são um outro mundo para que me permita mergulhar em tal desilusão.
Minha fascinação por personagens é que talvez, através deles eu possa me conhecer. Voltando a primeira frase do texto, eu não me conheço, mas desejo me conhecer. E eu não aceito o fato de ser uma pessoa cheia de dúvidas, e indecisa e que somente isso me define, pois não é verdade, eu apenas não me conheço, e se eu não me conheço, não é outra pessoa que irá faze-lo por mim.
Há é claro, poucas informações que atualmente eu sei sobre mim, mas novamente, não são suficientes para me definir, não são suficientes para que eu fique satisfeito comigo mesmo e com o ambiente ao meu redor.
. Eu detesto lugares cheios de pessoas que eu não já não possua uma certa intimidade.
. Eu detesto super protetorismo, assim como chantagem, carência, choro, e pessoas que não se sacrificam pelo bem de um convívio decente.
. Não possuo afeição por aqueles emocionalmente mais próximos a mim. E ao mesmo tempo que me sinto extremamente culpado por isso, sinto que é melhor desse jeito.
. Detesto ter que dar satisfação a alguém e ter que obedecer regras que eu não concordo. Ainda que os faça para o bom convívio.
. Acredito que altruísmo por seu significado não seja nada além de uma contradição. Uma utopia criada para simbolizar a humanidade como algo bom, sendo que o ser humano é em sua essência egoísta.
. Também acredito que exista um meio termo entre felicidade e tristeza. A chamada apatia, seria um termo muito forte, afinal sou capaz de sentir outras coisas, porém, não buscar a felicidade, automaticamente me coloca como imune a tristeza. Eu não me considero uma pessoa triste ou feliz.
. Gosto de lugares fechados, silenciosos e sem pessoas. Me sinto em paz, me sinto tranquilo, é com certeza o meu lugar ideal.
. Gosto de escrever, jogar, ler e escutar música porque essencialmente tudo me faz ir para longe do mundo real, e consequentemente das coisas que não gosto.
. Detesto certos tipos de crianças, as que choram com frequência, as carentes de atenção e as que gostam de incomodar por poucas coisas.
. Eu guardo rancor. Bastante e por um tempo indeterminado.
. Sou indiferente com pessoas que eu não conheço. Dou mais valor a dois reais em meu bolso do que a alguém que eu não conheça.
E só. É tudo que sei sobre mim, apesar disso traços de personalidade são inexistentes, e todo o resto é como uma máscara colocada apenas para produzir o resultado desejado.
Para a família em geral, um garoto quieto e que aparenta ter problemas, mas que prefere não revela-los e sem muita confiança. Para amigos próximos, alguém alegre que não possui problemas, uma pessoa que consegue remediar as situações, confiante e alguém que se pode depender. Para conhecidos ou para o restante, alguém tímido que não dá brechas para um início de conversa e chato.
Todas essas máscaras, são personagens da vida real. Cada uma delas representa sim, talvez uma parte da minha personalidade, ou juntas são o todo, mas ainda não acredito nisso. Se minha personalidade muda de acordo com o ambiente, e eu disser que é assim que minha personalidade é, eu não sou nada além de um homem com várias máscaras. E é por isso que personagens fictícios são tão fascinantes para mim.
Os personagens que eu crio e convivo um bom tempo com eles em minha mente e em escrita, são os maiores laços que possuo, os maiores laços emocionais, pois acredito que se fui capaz de cria-los, cada um tem um pouquinho de mim, e através deles acho que posso me conhecer melhor.
Eles me fascinam de um modo, que ao vê-los evoluírem, crescerem, sofrerem, se alegrarem, se divertirem, terem casos de amor, amizade, me faz sentir o mesmo que eles. Ao ver as pequenas partes de mim mesmo em outro mundo, com regras completamente diferentes desse em que vivo, eu acredito estar mais perto da verdade sobre mim mesmo, que as personalidades e evolução dos mesmos, façam parte de quem eu realmente sou, e no final todos eles me completam.
Por isso que perde-los em outro mundo, se os mesmos foram criados para esse outro mundo, parece para mim que eu os perdi para sempre. Me encho de raiva, pesar, porque uma parte de mim foi com o personagem, e o que eu queria descobrir ao cria-lo, foi-se também. Todo o meu trabalho, toda minha dedicação, destruída e sem esperanças de voltar. Não há como eu perdoar ninguém que tenha feito isso a mim. Nunca.
Eu sinto tanto rancor delas, que eu iria preferir vê-los mortos do que trazer personagens mortos de volta a vida. Nesse quesito, eu sou tão infantil, quanto uma criança de três anos que teve seu brinquedo favorito tirado, mas ao contrário da criança, aquela sensação de ódio para com a pessoa que tirou o brinquedo, dura, por muito e muito tempo.
É essa importância que personagens possuem em minha vida. Eles são mais importantes que muita coisa. Eu preciso do que eles me dão, eu preciso tanto que é quase como uma droga em questão de vício, porque eles só me fazem bem. Sinto que, quando finalmente me conhecer por completo, eu não irei mais precisar deles, ou sentir algo tão forte por eles.
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