Ablazing RPG: Contos introdutórios.

2 Um prisioneiro banido do Inferno


Notas iniciais
Jogadores, aqui está! Espero que o coração de vocês pegue fogo!

Uma guerra está chegando.

Contudo, desta vez, os grandiosos heróis do Conselho não poderão proteger os homens da terra onde a luz não bate. As Asas Douradas novamente enfrentarão sua nêmese sangrenta, e sua única esperança é crer no cristo e encontrar o Judas antes que uma traição condene tudo.

—

No vale entre duas colinas, ao redor de um belo e cristalino rio fora construída uma cidade às custas de escravos. Liberta pela coragem e pelo sacrifício e protegida pela Legião de grifos com asas de ouro. Nova Alvorada, via uma vez mais a alvorada de um novo dia.

A única entrada para a cidade é contra o curso do rio, atravessando os portões e as imensas torres de pedra patrulhadas pelos arqueiros da ordem militar que protege a cidade. O centro do poderio militar das Asas Douradas era uma guarnição quase milenar, onde os Kishins descansavam, treinavam, comiam e podiam ser encontrados pelos cidadãos.

Sábio, poderoso e cheio de pesares, o líder, Lorde Azothor Ferm caminhava pelo hall da sala do trono da guarnição. Esse era seu costume todas as manhãs e todas as noites, ajoelhar-se diante de um trono sem rei e pedir à Alma uma benção aos seus irmãos de batalha, sua esposa e seu pai, há anos dado como falecido.

Azothor gostava de comer junto de sua legião, por tanto, após as orações, punha-se a observar o Sol nascente na alvorada ao lado de Pandora, a grande grifo que da linhagem dos protetores da Legião. Alimentava-a com carne de gado, jogando ao ar para serem pegos pela fera.

Ele sentava com sua larga espada fincada ao chão de madeira da muralha e apertava os olhos para melhor ver as luzes do amanhecer. O brilho do sol era tímido, mas diferente, como se o mesmo tivesse medo dos homens que o observavam. As nuvens uniam-se à paisagem do vale de árvores sem folhas, uma brisa seca era sentida.

-Está sentindo, garoto? Esses são os ventos vermelhos da mudança. -O grande falava ao sentir a alma de um de seus mais nobres cavaleiros que tentava ocultar a presença. -Mesmo que sua técnica de ocultar presença ainda tenha muito o que melhorar, é bom que tenha chegado tão cedo. -Abria-se um sorriso no rosto do mais velho.

Surge então um homem jovem de cabelos levemente esverdeados, trajado de roupas claramente causais, uma camisa branca larga e bufante, e calças de couro comuns. Este passaria facilmente despercebido por entre o povo da cidade, se já não tivesse o rosto conhecido pelos seus feitos.

-Nem vem, que eu não tava nem tentando. -Virava o rosto. -Bom dia, Lorde Azothor... Ventos de mudança, é? Então algo bom vai acontecer.

-Ou uma maldição... -Azothor reerguia-se. -Não sei você, filho, mas nunca tenho bons pressentimentos quando vejo a cor do sangue.

-Hm, entendi. Quer que eu prepare a guarda dos arqueiros para um combate? Vai ser difícil sem dois dos Chô-Kishins aqui...

-Não tão cedo, mas mantenha a guarda erguida. Tecebi um TP-MA de Ura há dois dias, ela chegará aqui hoje a tarde com três recrutas. -O mais velho voltava-se ao mais novo pondo a mão sobre o ombro do menor. -O que quero de você hoje é que dê essa mensagem ao prisioneiro antes que os outros cheguem.

Azothor estendia uma carta ao seu discípulo.

-O prisio... Eu não acredito que aquele vira-lata ainda está aqui! O conselho tinha que ter buscado ele an-

-Sim, sim... Houveram imprevistos, controle sua ira, Ren.

-Desculpe, mestre Azoth... Mas posso perguntar por que eu?

-Ora... Por que confio em ti mais do que nos outros cavaleiros. -Azothor dizia abrindo um sorriso e despachando o garoto que ficara sem palavras. -Ah, e garoto! Ponha logo sua armadura!

—

Alguns minutos depois e muitos degraus abaixo, o garoto Ren filho mais velho da família Williams descia os corredores escuros da Masmorra dos Condenados. Ele preferia não acender as luzes por onde passava para não indicar aos outros presos a sua vinda, deixando-os apenas questionarem o tilintar da sua armadura de malha. Isto, mesmo que este homem, em particular, reservara uma divisão inteira das masmorras para que fosse devidamente contido.

Prisioneiro aquele, o líder de uma horda obscura, porém poderosa do norte, fora necessário um ano de perseguição e uma esquadra inteira liderada por dois Chô-Kishins especializados em pesquisa, preparo e perseguição para captura-lo. Estava para fazer um mês desde a captura do dito "vira-lata" e o garoto temia a cada dia de atraso do conselho afim de migrar o líder terrorista à prisão de segurança máxima de Anaximandros.

É claro que a prisão das Asas Douradas era um exemplo vívido para o impedimento de terroristas animômantes, contudo, os engenheiros a pensaram para homens. Não funcionaria tão bem com monstros. Andar pelas sombras naquela planta que tinha decór em sua mente fazia o kishin pensar nessas questões.

E pensar na mensagem que levava.

Um estridente som de portões de pedra ecoava ensurdecedor. E então, Ren só podia ouvir um som metódico de uma respiração pesada.

-ACORDA, VIRA-LATA IMUNDO!! Eu trouxe algo pra você. -Sacando uma espada que brilhava âmbar trazendo uma iluminação sombria ao quarto.

E lá estava um corpo, dificilmente identificável, mas brutalmente aprisionado. Seus membros estavam presos por argolas e estacas de aço refinado com três metros de distância em média. As mãos e os pés eram encubadas por cápsulas soldadas de aço e concreto de uma tonelada cada. Por fim a boca era amordaçada com espinhos, deixando apenas um pequeno buraco para a alimentação. Era possível ver apenas os olhos amarelos vazios e explodindo em veias de sangue e o cabelo negro de dreadlocks podres.

Inspira. Espira... Inspira. Espira...

-Hm? Então, tá curioso? Claro, claro, pode pegar. -Ren jogava a carta para o alto e então arremessava sua espada.

A mira do jovem era tão exímia que, além de interceptar a carta no ar, acertava cirurgicamente a barriga do prisioneiro fazendo-o soltar um gemido de dor.

-E ai infeliz? Não vai ler? Ah sim, claro! -Lançava mais uma em cada joelho. -Esqueci que vermes não podem ler.

A criatura não fazia mais do que encarar o garoto com os olhos de um verdadeiro monstro.

—Haha! Vou te dizer o que é...

Notas finais
Enfim, daqui pra frente vou postar esses capítulos somente quando as novas partidas estiverem chegando. Ou seja, sem data marcada nem estipulada! Um ótimo jogo, galera!!