Notas iniciais
Como dito no ultimo, essa é a segunda parte do conto para a terceira partida. Boa leitura e voem alto!

-Tu vens até minha terra, mata meus servos e minha família... Mas não toca em um fio de cabelo dos homens de bem desta aldeia... Que tipo de maldição és tu? –O Sheik, sentado em seu trono sob cerco possuía agora apenas uma dezena dos súditos mais leais, seu último filho vivo ao seu lado, Saladino Matin. –Qual a tua Legião?

-Legião? –O Pistoleiro enfrentava o poderio inimigo com apenas um revólver em cada mão frente a uma barricada de escudos de Anïn. –Não tente me fazer rir, Sheik Matin... Tenho um péssimo senso de humor.

-Se você não é um legionário que tipo de motivo no mundo o faria vir até este fim de mundo e exterminar os soldados de meu pai?! –Gritava o jovem Saladino em ira.

-Dinheiro. Um cowboy precisa de dinheiro para polir suas botas, não?

-N-Neste caso, espere, forasteiro! Não importa o preço que teu cliente lhe pagará! Eu dobrarei par-

-Não seja tolo... –Com um movimento rápido de seu sobretudo, o pistoleiro revelava cerca de treze novas pistolas ao joga-las pro alto. –O seu dinheiro de saque, pilhagem e assassinato... –De um dos seus bolsos ele saca um punhado de pedrinhas de granizo e posiciona-se para atira-las com as mãos. –Já é meu. –Enfim, ele atirava o granizo um a um ao alto, acertando-os nos gatilhos dos revólveres, ainda no ar.

Os gatilhos eram disparados na sequência precisa com o alinhamento de cada gatilho com o coração ou cabeça de cada um dos soldados que protegiam o Sharaj. Dessa forma, em questão de segundos a muralha de escudos anímicos havia sido, não só perfurada como totalmente desmantelada.

Enfim, das três pistolas que não haviam disparado, duas caem nas mãos do atirador. Estas, instantaneamente alvejam as cabeças do pai e do filho sujos de sangue. A última cai na mão do jovem guerreiro que, após alguns segundos necessários para processar a situação, aponta a arma contra o assassino.

-Atire. –O Pistoleiro pedia ao garoto já perdido em lágrimas de fúria.

-... –Saladino hesitava seu gatilho e abaixava levemente a arma.

-Você não é homem. –O pistoleiro provocava com palavras mais afiadas que lanças. –É só um rato.

-Não... NÃO DESONRE MINHA FAMÍLIA OCIDENTAL MALDITO!!!!! –Puxa-se o gatilho.

Se aquele fosse um pistoleiro comum, aquele gatilho seria uma sentença de morte, contudo, o Cowboy sobreviveria. Os olhos superdesenvolvidos do demônio dos revólveres pareciam ver o mundo em câmera lenta, para assim precisar 100% seus movimentos e acertar seu tiro com a pistola da mão esquerda.

Seria brincadeira de criança para aquele mercenário acertar o coração de Saladino, não, ele sentia seu sangue ferver ao se auto desafiar. Aquela adrenalina o fazia cometer atos que, normalmente seriam vistos como suicídio. Não, não... Seu alvo era muito mais desafiador...

Gatilho puxado. Projétil lançado. Estouro!

O jovem fechara os olhos ao ver o inimigo alvejá-lo. Poderia morrer, mas ao menos salvaria seu pai e grande líder... Morreria com honra, honraria Jihad... Assim como seu irmão o fizera. Contudo o estrondo vinha e Saladino ainda sentia seu coração bater.

O pistoleiro errou? Ele morreu antes de disparar? Não, nada fazia sentido, ao menos não até abrir os olhos. Contemplou desfalecido a expressão inumanamente desapegada no rosto, pela primeira vez visível do cowboy. Ao chão, uma massa prateada fruto da deformação pelo choque de duas balas que choraram no meio de suas trajetórias, neutralizando uma a outra.

A de Saladino e a do assassino. Este, trocou olhares com seu pai querido, aquele, voltou o olhar ao filho perdido em desespero.

-Pai... Eu... Eu te-

-Adeus, Sal- -A cabeça do velho sultão explodia diante dos olhos de seu último filho vivo coberta pelo som do revólver disparando o projétil fatal da arma destra.

-Finalmente. –O atirador suspirava ascendendo um cigarro com o cabo quente de sua pistola e, em seguida guardando as duas.

O filho, agora órfão de mãe, corria até o corpo destruído de seu pai enquanto o mercenário rumava aos cofres do homem que acabara de matar. Saladino estava destruído. Sua mente, sua alma e seu espírito atingiram a depressão mais profunda já vista.

Aquele não era só seu tutor, como seu mentor e seu melhor amigo... Não era o melhor pai do mundo, Saladino tinha de reconhecer, mas era o único que o jovem tinha. E assim... morto a sangue frio pelo primeiro mercenário que passara. Como isso podia ocorrer? Ou melhor, por quê?! Por quê seu profeta o deixaria passar por tamanha desgraça?!

Jihad?! NÃO! Seu irmão Matik honrou Jihad pois morrera em território inimigo, pela guerrilha, pela vitória futura! Contudo, seus irmãos e irmãs... Seu próprio pai... Esses não puderam honrar Jihad. Não puderam honrar Jihad por quê um mercenário maldito despedaçou a honra que sua linhagem trabalhara há séculos para construir! Isso não passaria impune de forma alguma!

-Seu... Mostro... –Rosnou o jovem Saladino tomado por sua fúria mais profunda e incontrolável.

O pirata do deserto, com um cigarro na boca e puxando dez sacos enormes entupidos de ouro por um sistema simples de cordas e correntes para ao ouvir o insulto odioso. Lentamente leva sua mão ao cigarro apagado e descarta-o para então voltar seu olhar para o jovem.

-Monstro? Eu sou um monstro, garoto?

-POR QUÊ?! SEU CRETINO, MISERÁVEL! VOCÊ MATOU QUASE TODA A MINHA FAMÍLIA POR UMA PECHINCHA DE BAR!! EXISTE ALGO MAIS DESUMANO DO QUE ISSO?!

O Cowboy respirava fundo e largava seu esquema de cordas e correntes. Ele então, com uma sombra sobre os olhos caminhava lentamente na direção do único ali ainda vivo.

-Sabe pelo que a sua família foi responsável? Mais de 87 mil assassinatos, 153 mil furtos e assaltos, 590 estupros do pior tipo...Isso tudo apenas nos últimos vinte anos. E sem contar as dezenas de vilarejos que os Cruzados do Deserto mataram de fome, ou até o próprio povo desta mesma aldeia que vocês escravizavam e mantinham como reféns há mais de 150 anos. E o monstro sou eu... por matar os assassinos?

-V- Você está mentindo, seu maldito!!!!

-Estou? Vá perguntar para os Orcs do clã Martelo-Trovão, o porquê de temerem teu pai? Acha que era pela honra dele? Hmpf! -O homem dava as costas para o garoto e pegava seu esquema de cordas para levar as riquezas saqueadas embora.

-E- Espere! -O garoto dizia, ainda em choque. -Não vai me matar?!

-Hm... Não sei se o dia é de sorte ou de azar, moleque... Mas o meu cliente queria a sua "Horda dos Cruzados do Deserto desmantelada". Não "todos os membros mortos". -O atirador dizia ao acenar e sair pela porta destruída do salão.

Saladino ouvia então apenas o som das cordas e correntes se arrastando pelo local. Ouvia também seu coração bater mais e mais lento... Jurava também ser capaz de ouvir seu próprio espírito despedaçar como nenhum outro diante do mundo a sua volta.

Eis que o jovem despencava e caía de joelhos, curvando-se ao chão de pedras de areia. Aos poucos podia ver o chão diante de seus olhos molhar-se com suas lágrimas e o céu aberto abraçar o seu brado de desespero.

—

Uma noite depois, o sol de um novo dia nascia sobre o deserto e sobre Aldeia Sharaj. A notícia havia se espalhado, ironicamente os cidadãos daquela cidadezinha não sabiam como se sentir em relação à quebra dos Cruzados. Mas, de todas as formas, o bar da cidade funcionaria, e ao menos teria melhores bebidas.

-Senhor... Essa gorjeta... não podemos aceitar! É muita coisa! -Dizia o dono do bar diante de um saco de quase uma tonelada de ouro.

-Não. Esse dinheiro já era de vocês antes de eu pôr as mãos neles. Eu só trouxe para os reais donos. Agora quero minha recompensa, um Olho Vermelho tão bom que me faça sentir em casa!

-S-Sim Senhor! -Dono do bar então corria, rezando ter a bebida que o cowboy pedira.

O mercenário sem nome então relaxava as costas e acendia mais um de seus cigarros. Olhava para a fumaça se formando no teto do estabelecimento pensativo até ser trazido de volta à realidade por uma bela e exótica mulher de vestimentas tribais e longos cabelos trançados.

-Admito que sejas o famigerado Névoa Negra? -A mulher dizia tomando uma cadeira e deixando um pedaço de papel amassado sobre a mesa.

-Vuuuush! -Após expirar sua fumaça de cigarro o pistoleiro confirma com a cabeça tomando o primeiro contato visual com a mulher. -Tem um trabalho pra mim, é?

Ela confirmava com a cabeça e fazia um gesto para que o mercenário olhasse no papel onde a mulher havia escrito o valor que pagaria. Com um balançar de cabeça e olhos arregalados, o pistoleiro mostrava seu espanto.

-A senhora quer que eu mate o rei?! Por esse valor eu mataria metade dos peixes do Atlântico!

-Não, não... Quero apenas que dê cabo de um antigo fantasma do meu passado.

Notas finais
Enfim, eu sei que esse cap ficou um pouco maior que o outro, mas foi necessário. Cortar aquela cena do Sheik ia ser mancada hsahushauhs o/