Ablazing RPG: Contos introdutórios.
6 Antes que a Lua cubra o Sol.
Notas iniciais
O sol nascia sob a cordilheira de montanhas que faziam fronteira com o mar do Leste, já muito longe das Terras da nossa boa e velha Rainha Jennipher XI, portanto, longe de toda e qualquer zona de influência legionária. Conforme as sombras da noite urgiam em terror ao serem cobertas pelo maremoto da luz do sol titânico, mas não tão implacável como sempre.
Uma mulher de pele escura e longos cabelos escarlates acordava de seus sonhos mais profanos e mais prazerosos. Na noite passada a mesma havia se deitado em uma cama improvisada no meio da mata pela primeira vez com aquele que ela acreditava ser o homem da sua vida. Entretanto, o coração da jovem apertava ao não o encontrar em seus braços.
-Querido... –Ela erguia-se sutilmente e jogava um olhar à mata rasa das montanhas, quase não percebendo a beleza magistral que era visão da a alvorada acontecendo sobre sua cabeça. –Ah, aí está você... –Ela dizia ao ver seu amado seminu de pé, a alguns metros dela, parando sua contemplação do alvorecer daquele novo dia para reponde-la com um leve sorriso.
-Bom dia, Pirith. -Ele fazia um gesto com a mão demonstrando que havia colhido algumas frutas para que ela pudesse degustar um café da manhã simples, porém elegante. -Não se demore, por favor... Temos que nos reunir com o grupo antes do meio dia. -Ele dizia ao voltar novamente seus olhos pálidos para o sol resplandecente, algo parecia prender a sua atenção na estrela acolhedora tanto quanto o brilho dourado que sua pele refletia da luz solar chamava a atenção da ruiva escarlate.
Ela se levantava, percebendo estar trajada com seu confortável, porém eficiente maiô de batalha que, por sinal, ela não se lembrava de usar ao cair no sono aos braços de seu homem. Pirith von Diammond sabia que seu amado discordava das claras ordens que a grande líder os havia encaminhado, ela o conhecia bem até este ponto.
-Você... odeia aqueles homens, não é verdade? -A jovem adulta, tão provocantemente bela quanto a própria Helena de Tróia, demonstrava uma expressão que o cavaleiro nunca imaginaria que ela mostraria. Ela estava legitimamente preocupada com o estado dele, como poucas pessoas hoje ele sabia que estavam.
-Eu não sei se os odeio... -O homem dizia ao sentir a mulher de cabelos bagunçados e esvoaçantes com o vento não tão romântico das montanhas o abraçar pelas costas, amassando os seios fartos nas suas costas definidas e machucadas. -Mas eles fizeram mal a meus amigos e a mim... Não consigo olha-los com bons olhos. -Ele dizia soltando seus braços e abraçando a mulher, agora posta ao seu lado.
A mulher não fazia nada mais do que apoiar a cabeça no ombro de seu amado estampando um sorriso gentil ao observar o rosto, ou pelo menos metade do rosto do mesmo. Ele fazia um gesto com a cabeça querendo questionar o olhar tão repentino, esse fora respondido com uma breve risada.
-Mas seu amor pela causa da liberdade e a confiança de ferro que tem pela Sacerdotisa é muito maior do que sua raiva por esses garotos, estou certa? -Ela o questionava com carinho e ternura, certa da resposta que o homem a daria.
—Pois é... -Ele dizia com os olhos arregalados até voltar à sua calma. -Se nossa líder vê valor naquelas pessoas, isso quer dizer que em algum lugar eles podem ter algo...
-Eu sabia... Você pode fingir ser frio e malvado, mas eu sei que seu coração é de manteiga!- Pirith o provocava e se afastava um pouco fazendo uma cara de brincadeira.
-Vem cá, "Pih"... -Ele abaixava levemente a cabeça demonstrando uma falsa raiva e entrando na brincadeira. -Pode me lembrar por que você não está na minha "Lista-Negra" junto deles mesmo?
-Hhihihi! Você imita o Simon direitinho! -Ela ria por um instante até baixar a cabeça e responder com as bochechas coradas. -Mas você não me colocou na sua lista negra por que eu te amo, Leon!
Por mais que a mulher tivesse dito aquelas palavras em um tom de brincadeira, Leon Knightward sabia que ela falava sério com aquela afirmação. Qualquer outro homem no mundo ficaria extremamente contente ao ouvir isto de uma mulher tão bela, inteligente, compreensiva e... "Selvagem" por assim dizer. Mas o cavaleiro renegado era obrigado a esconder seu remorso e hesitação com um sorriso improvisado e um forte abraço enquanto ele via as sombras finalmente serem extintas.
Um novo dia havia começado. E uma titânica batalha estava por o suceder.
—
Muralhas de ferro e uma espécie única de cimento, liso, polido e esplendorosamente brilhante, erguiam-se à margem da península dos homens-tigres diante de um casal de viajantes que atravessava a fronteira. Dois humanos entrando em um reino xenofóbico e aristocrático, Hontou, as terras da divina rainha Etanishi.
-Mas que diabos é isso? –Dizia um garoto de cabelos negros e espetados que sentava-se de forma não muito segura no topo da muralha. –Essas terras não deviam ser livres de humanos?
-Elas são. –Um homem alto e imponente vestindo um manto esvoaçante diante do vento cortante de lugares altos respondia indiferente sem nem mover sua cabeça ou seus braços cruzados. -O jovem é membro dos Martelos da Justiça. Essa legião é a única com legítima liberdade de entrar nessas terras. Desde que esteja em um trabalho para algum nobre Linx.
-Aaaah! –O garoto esquentado chacoalhava a cabeça e puxava os cabelos de raiva ao não conseguir entender da política do povo felino. –Como você consegue decorar todas essas merdas, hein velhote?!
-É simples. Você que é burro, Hideki. –Havia sarcasmo na fala do maior, mesmo que o tom fosse praticamente o mesmo de indiferença.
-“IH! VIXI QUI I BURRI!” PÁ PUTA QUE TE PARIU!! –Revoltado, ele gritava. –Já que você é tão esperto e inteligente, vamos ver se me convence do porquê estamos esperando que nem dois idiotas por mais um dia?!
-A Sacerdotisa ordenou. –Os ataques de revolta do garoto pareciam não ser o suficiente para tirar aquele homem do sério. De fato, nada parecia ser.
-E o que aquela vadia vel- O jovem era consumido por um ataque de uma dor maldita por todo o seu corpo.
Aquele era resultado do pacto que tinha com o homem, “Escravo seria por um incompreensível poder.”. O engraçado era pensar que aquele homem tão frio e maligno podia se sentir ofendido ao ouvir uma falta de respeito com a tão misteriosa Sacerdotisa da Devastação. Tanto que fazia o garoto ajoelhar-se agonizando ao chão e, consequentemente, rastejar por perdão ao homem.
-Nosso reino está em “Paz” com o Reino humano Berlim enquanto minha mãe estiver mantendo um bom relacionamento com o imperador deles. –Trajado com elegantes roupas de esgrima, o príncipe linx Bora Hontou da casa Etanishi surgia com uma pilha de papéis nos braços e uma expressão de quem está de saco cheio. –Mas o Senhor Baskyou descobriu sobre um movimento terrorista que tem o objetivo de incitar a guerra.
-Nós queremos a Guerra. –Baskyou largava a tortura de Hideki e completava a afirmação do príncipe de cabelos negros. –Não ainda.
Uma sombra profana então surgia, envolta por um manto místico e esvoaçante feito de puras trevas. Conforme a capa negra se dissipava com o vento, revelava-se duas figuras. O alto e mais velho, vestindo uma armadura de couro negro e uma máscara branca coberta por seu manto sombrio, punha a mão no ombro da mais nova e jovial equipada com uma armadura de ferro e uma espada forjada ao modelo das asas douradas. Ambos linx.
-O que foi, Masukuyami? Você e sua filha perdem a coragem depois que o sol nasce? -Hideki provocava o homem mascarado, talvez guardando o mau humor que seu mestre encapuzado o havia provocado. -Tenho certeza que- -O garoto resolvia reconsiderar suas palavras ao trocar olhares o seu senhor.
-Bom dia, Masukuyami, Azura...Como foi sua aproximação? -Bora perguntava ao deixar seus papéis em uma mesa ao lado.
-O objetivo do nosso alvo foi confirmado. Aquela mulher realmente pretende usar os dois forasteiros para iniciar uma guerra com Altaluz. -Azura Sinfird reportava ao abaixar sua cabeça ao príncipe.
-Nesse caso, a segurança do pacote está comprometida. -A única garota ali engolia seco ao ver a forma com que o homem quase desumano se referia à pessoas como ele. -Preparem-se para intervir.
Um silêncio pairava no ar a medida que os membros presentes pareciam aliviados por poder salvar a vida de alguém importante. O silêncio caia enfim ao ouvir o coral: "Sim, senhor Baskyou."
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