Notas iniciais
Boa leitura!

Sinto às vezes que estou vazio

Como um abismo onde nada se vê

Que não sejam corvos tratando dos ninhos

E almas que ecoam, penando à sofrer.

Vagueiam enlevados, no ódio que os trás;

Recitam e gemem, balbucios de dor

Que já foi a vida, e talvez o amor:

Que apagou a luz, os deixando lá.

Neles — Luz borrada e pouca;

Esta, que vacila e se esvai

No perispírito que vez ou outra

Deixava vê-los, mas se desfaz.

Restando os corvos, que vem e vão,

Cantarolando um trovar de morte,

Ora um Fado, que reza a sorte

De um culpado que quer perdão.

Não sei se à fundo, se pode um fim

Tê-lo o abismo onde tudo morre!

Os gritos, as pedras, os sonhos à mil

De quem olha pra dentro, e sente um vazio.

Pois vem de uma brecha, um brilho do céu

Que banha a Caverna, de anjos e paz:

Afugentam os corvos, e abraçam as almas,

Que antes choravam, agora não mais.

Notas finais
Obrigado pela leitura!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!