Abismo

5 Jeller


Notas iniciais
"Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti... Não é sobre chegar No topo do mundo e saber que venceu É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu É sobre ser abrigo E também ter morada em outros corações E assim ter amigos contigo em todas as situações... Segura teu filho no colo Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui Que a vida é trem-bala parceiro E a gente é só passageiro prestes a partir"

Derrubar a organização de Hank Crawford exigiu um grande esforço ao team desde a elaboração das estratégias adequadas ao projeto. Uma dificuldade extra adicionada foi conseguir driblar a determinação de Avery em ajudá-los. Jane, Kurt e Patterson criaram uma função dentro do laboratório para ela, afinal a garota sequer tinha treinamento para tal tarefa. Ela não aceitou sem questionar, mas sua mãe a ajudou a ser sensata na decisão.
Com as provas necessárias reunidas, chegou o dia do cerco ao QG da organização. O próprio Hank Crawford estava no complexo e claro que não cairia sem muita luta. A troca de tiros foi pesada. Roman acabou neutralizado por quem ele menos esperava: Blake! Quando ele viu a mulher por quem havia finalmente se permitido voltar a amar lhe apontando a arma e dizendo: “Sinto muito, Tom... Mas meu pai não é um homem pra quem se diz não.”, sentiu-se paralisado por algum tempo. Depois, usando suas habilidades, ele conseguiu desarmar Blake e virar o jogo, mas já era tarde para ajudar Jane e Kurt que acabaram enfrentando sozinhos a guarda pessoal de Crawford.
A situação extremamente desfavorável levou Jane e Kurt a utilizarem sua sintonia em campo a um nível extremo. Era preciso se entender com apenas um olhar ou atirar para a direção certa após ouvir o outro gritar seu nome. Kurt chegou a impulsionar Jane para que ela dublicasse a força da voadora que deu sobre um dos últimos capangas de Crawford. O cara era realmente grande.
Por fim, com todos os capangas neutralizados, Kurt leu os direitos de Crawford enquanto o algemava. Nesse momento, os instintos de Jane falaram alto, alertando que algo estava muito errado. Esse tipo de cara costuma preferir a morte à prisão, mas Crawford estava aceitando tudo com um sorriso sarcástico no rosto. Foi então que ela gritou alto o nome de Weller tentando alertá-lo para a armadilha. Ele tentou se abaixar , mas já era tarde. Armas dispararam a partir da parede, atingido-o. Assim que Kurt caiu no chão, Jane correu para ele e verificou que o ferimento era na cabeça.
— Patterson, preciso de socorro aqui, Kurt foi atingido. Rápido! _ nem mesmo sentir a pulsação dele a fez se acalmar. A gravidade do ferimento era óbvia, fazendo que ela só pudesse implorar sussurando _ Kurt fica comigo, por favor. Eu estou aqui com você. Não desiste....eu te amo...
O socorro chegou rápido, logo após do resto do team que verificou os ferimentos de Crawford como fatais. Para Jane, pareceram horas intermináveis.

Piores ainda foram as horas passadas na sala de espera do hospital enquanto Kurt passava por cirurgia. A gravidade do caso exigiu que Sarah e Allie fossem notificadas. Ambas voaram para Nova York imediatamente.
Os amigos e Roman procuraram dar todo apoio possível a Jane que permaneceu o tempo todo calada, recolhendo seu sofrimento a si mesma. Quem mais surpreendeu foi Avery. A garota se esforçava sempre em não demonstrar sentimentos por Jane, tratando a mãe mais como uma colega do que como alguém realmente importante da sua família. Entretanto, seu comportamento mudou diante das circunstâncias, abraçando Jane e sendo carinhosa com ela o tempo todo.
Após a cirurgia, veio o prognóstico: a bala adentrou o crânio causando um grave traumatismo e se alojou lá. Não haviam danos cerebrais, a bala foi retirada na cirurgia, mas poderiam ficar sequelas graves decorrentes do traumatismo. Nos próximos dias o paciente ficaria fortemente sedado, em coma induzido para tentar controlar o edema local e também monitorar possíveis hemorragias que aínda poderiam ocorrer.
Kurt foi transferido para UTI onde ficaria monitorado. Jane entrou para a primeira visita e tudo o que disse foi uma promessa:
— Estou aqui e só vou embora com você, entendeu. Estou esperando por você.
Na manhã seguinte, Sarah chegou e ignorou todas as informações que Jane e o team tentaram passar, exigindo falar diretamente com o médico. Também exigiu ver o irmão, o que fez Jane ceder o seu lugar na visita à ela. Depois de tudo, Sarah estava saindo sem sequer falar com Jane:
— Sarah, como ele está?
Ela já se voltou pra Jane demonstrando claramente sua insatisfação com a conversa:
— Com um traumatismo craniano grave por causa de um tiro, Jane.

Jane se surpreendeu com a aspereza da resposta, algo que não era comum em Sarah que sempre a acolheu.
— Eu sei... Mas houve alguma melhora?
— Jane, você realmente se importa ou é só consciência pesada por ser a culpada de tudo isso?
— Sarah, eu...
— Chega, Jane! Kurt pode ter sido feliz ao seu lado, mas com você ele sempre acaba aqui. Eu não quero mais ver meu irmão sofrendo porque a sua vida ou a dele está em risco. Acabou! Você vai sair da vida dele. Só eu vou vê-lo e eu vou cuidar dele independente das sequelas que ficarem.
— Sarah, eu sei como está sendo difícil pra você, mas eu também amo Kurt...eu não..._ então Jane percebeu que dizer que nenhuma sequela a afastaria de Kurt, parecia inconsistente diante da separação que os dois estavam vivendo. Sarah não sabia sobre Berlim, então Jane não podia pedir qualquer compreensão à ela. Por tudo isso, Jane resolveu acatar a decisão de Sarah e deixar somente ela entrar nos horários de visita.
Mas, como havia prometido a Kurt, ela não deixou o hospital. Permaneceu na sala próxima a UTI, parando médicos e enfermeiros em busca de notícias.
Três dias se passaram. Patterson e Tasha estiveram presentes o tempo todo. Fizeram inúmeras tentativas de levar Jane pra casa sem sucesso. Então, traziam comida e roupas limpas para ela. Também tentaram dialogar com Sarah, mas foi inútil.
— Jane, por favor, você precisa comer. Sei que nessas situações a gente não sente fome, mas se você passar mal não vão mais te deixar ficar aqui_ disse Patterson, oferecendo o pote com frutas picadas.
A estratégia de Tasha já era outra:
— Coma ou eu mesma vou te levar amarrada para casa!
Dessa forma, as amigas fizeram Jane se alimentar e até descansar um pouco, mesmo sem deixar a sala na porta da UTI.
Roman e Avery também fizeram visitas diárias e tentaram dar todo apoio possível a Jane. A filha foi a única a quem ela pediu um favor especial e teve seu pedido atendido:
— Claro. Posso fazer isso por você. Volto mais tarde, sem Roman._ E assim Avery trouxe a encomenda solicitada por sua mãe.
No quinto dia, todos aguardaram ansiosos pela reação de Kurt pois os médicos iniciaram a remissão dos sedativos. Sarah estava dentro da UTI esperando o irmão acordar.
Assim que recuperou a consciência, a primeira coisa que Kurt fez foi chamar por Jane.
— Calma, Kurt, eu estou aqui, sou sua família de verdade e não vou te abandonar.
As palavras de Sarah desabaram sobre ele. As lembranças dos acontecimentos somadas as fortes dores que sentia na cabeça trouxeram uma desesperada angustia. O choro brotou de forma intensa, enquanto Kurt cravava os dedos nos lençóis.
Os médicos ficaram alerta diante dessa reação.
— Ele está agitado demais. Melhor seda-lo novamente!
— Não! Ele vai se acalmar. Kurt, por favor, você precisa se acalmar._ Sarah tentava segurar a mão do irmão, mas não conseguiu qualquer progresso.
— A senhora tem que se retirar para que possamos realizar os procedimentos para a sedação.
Então ela percebeu que só havia uma forma de acalmar Kurt: Jane.
— Por favor, me deixem fazer uma última tentativa.
— Seja rápida.
Sarah voou para fora da UTI e chegou até Jane em prantos:
— Sarah, o que houve?
— Jane, por favor, você precisa acalma-lo. Vá!
Jane não precisava de outra ordem. Entrou imediatamente na UTI se dirigindo ao leito de Kurt. Segurou uma de suas mãos enquanto acariciou seu rosto se colocando bem a sua frente:
— Oi, Kurt, estou aqui. Você está voltando para gente, o pior já passou. Calma.
Os efeitos da presença de Jane foram imediatos. Os batimentos desaceleraram e Kurt olhava pra ela entorpecido:
— Jane, Sarah foi te incomodar...
— Kurt, eu estava aqui, ali fora. Não sai daqui desde que chegamos. Eu não podia ir embora sem você. Como está se sentindo?
Ele se esforçou em responder:
— Minha cabeça dói demais...
— os médicos disseram que isso é esperado. O importante é que você vai ficar bem. _ então ela levantou a sobrancelha e virou os olhos para o alto como fazia para provocá-lo_ Acho que agora ficou provado qual de nós é mais cabeça dura.
Kurt não conseguiu conter o riso, mesmo isso lhe causando pontadas de dor.
Os médicos desistiram de seda-lo novamente e deixaram o casal conversando.
— Jane, eu queria tanto que tudo entre nós fosse diferente. Eu juro que tentei tudo que podia para ter importância na sua vida.
— Xiu, não vamos falar disso agora. Tente descansar...
— Eu quero muito te dizer isso, por favor...
— Teremos todo o tempo do mundo depois.
— Não! O que mais me desespera é saber que você não precisa de mim, Jane. Nem pra se livrar de um Black site da CIA, nem pra reencontrar sua filha. Eu estou aqui na sua vida, mas...
— Kurt, não se preocupe com isso, por favor.
— Eu quero muito encontrar alguma esperança pra nós...
Jane coloca a mão dele no seu peito, enquanto limpa as lágrimas que corriam pelo rosto do marido.
— Então me escute_ e assumiu o tom firme que sempre usava quando estava completamente determinada _ Você está certo, Kurt Weller, eu não preciso de você pra me salvar, sei muito bem me defender sozinha! Já disse mil vezes e repito: você não tem que me proteger, Kurt. Não espero que você seja algum tipo de super herói. Não estou aqui com você porque preciso, mas porque te amo e quero demais você na minha vida. Está ouvindo bem isso: eu te amo.
Nesse momento ela encostou seus lábios nos dele com um beijos suave. Depois voltou a segurar a mão dele no seu peito e continuou:
— Eu ainda não sei como vamos fazer para superar todas as dores que já causamos um no outro, mas eu sei que não quero desistir e vou continuar tentando, tentando e tentando, porque você é meu final feliz, esqueceu?

Kurt sorriu olhando fundo nos olhos dela:
— Eu também não vou desistir.
— Você disse que precisava de uma esperança de que vamos conseguir fazer isso tudo dar certo. Acho que tenho aqui o que você precisa: nós não precisamos um do outro, mas nós queremos um ao outro. Então, vamos fazer esse amor dar certo por nós... então ela deslocou a mão dele até a sua barriga _ Por nós TRÊS.

—Três? Você tem certeza?

— Desde ontem de manhã.
Nenhum dos dois conseguiu conter mais as lágrimas. Mas não era mais um choro agitada e sim a felicidade que sentiam com aquela nova vida com a qual foram agraciados. Novamente eles trocaram um beijos suave. Kurt se negava a tirar a mão da barriga de Jane.
— Como vou convencer esse médicos que preciso de um pouco de privacidade com você pra comemorar?
Jane arregalou os olhos
— Kurt!_ e deu um tapinha suave em seu ombro.
— Droga, justo agora estou nessa camisola de hospital. Precisava do meu jeans e do que tem no bolso de trás.
— A nota de cem dólares que você sempre deixa lá para emergência? Você não precisa de dinheiro aqui e não, não pode comprar nenhuma bebida pra se comemorar com os médicos.
Ele voltou a rir
— Não era pra isso. Eu só queria apostar com você: tenho certeza de que é um menino!
— Ah, sim?! É um pouco cedo pra isso. E eu não apostaria tão alto. Na família temos Avery e Bethany, logo os ventos são mais favoráveis para uma menina.
— Você não pode parar de teimar comigo nem quando estou numa UTI?
Jane riu satisfeita.
— Eu não sou teimosa! Você é. Além disso, você apostou só dez dólares no sexo de Bethany.
Ele desviou o olhar para o lado é o sorriso se negava a sair do seu rosto.
— Sempre que for com você, eu vou apostar muito mais alto porque vale o risco.
Jane tocou o queixo dele conduzindo seu olhar para o dela e disse:
— Eu também. Sempre.

Notas finais
Grata a todos que seguiram comigo até aqui.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.