Abismo
1 Jane
Notas iniciais
Esse capítulo introduz a história, então, dá sequência à devastação causada pela bomba nuclear que Martin Gero jogou sobre nossas cabeças quando Kurt Weller disse : "Eu matei sua filha".
As palavras de Kurt pareceram surreais.
“Eu matei sua filha”Daquele momento em diante Jane não pode mais contar totalmente com a racionalidade. Sua boca exigiu a explicação de forma involuntária, pois naquele momento sua mente e seu coração já degladiavam entre a necessidade da verdade e sua total recusa diante da dor que ela causa.Ela ouviu. Ele tentou ser fiel aos detalhes apesar da emoção que o conduzia. A cada palavra a tempestade foi se formando. Ao final do relato, o tornado já havia devastado o casal por completo. Tudo o que haviam construído ao longo de sua jornada juntos estava despedaçado. Mesmo relutante, ele tentou se aproximar. Ao longo dos últimos meses, desde Berlim, ele teve tempo de dimensionar o quanto aquilo dilaceraria Jane. Tudo o que ele queria naquele momento era oferecer um pouco de conforto no seu abraço.A reação dela foi imediata. Um gesto de sua mão foi suficiente para que ele compreendesse que deveria manter a distancia. Ela tentou verbalizar algo sem sucesso, então caminhou para o quarto fechando a porta atrás de si.Kurt permaneceu na cozinha. Sempre respeitaria o espaço e o tempo dela sem que Jane precisasse reivindicar isso. Virou outra dose do whisky e fechou os olhos. O vazio que vislumbrou à sua frente traduzia a incerteza do futuro.Ela pensou em tomar um banho para deixar a água quente trazer ao seu corpo algum tipo de alívio, mas era sua alma que doía. Tentou reorganizar mentalmente tudo o que Kurt havia dito, buscando qualquer de esperança na qual ela pudesse se agarrar contendo aquela sensação de sufocamento que queimava sua alma mais do que a água penetrando seus pulmões no black site da CIA. Mas não havia esperança alguma ali. “Avery...” tentou sussurar, mas o nome de sua filha apenas ecoava no seu cérebro.“Como Kurt pode esconder isso de mim?” O sentimento de traição cresceu rápido. Ela deixou tudo e todos procurando garantir que ele pudesse continuar ao lado de Bethany em segurança. Parecia tão desonesto que ele tivesse lhe negado conhecer a verdade sobre sua filha, mesmo que ela já não estivesse com vida. De repente, nada mais sobre Kurt ou sobre aquele lugar que ela chamava de lar parecia verdadeiro. Então ela juntou as poucas coisas que eram necessárias para as próximas horas e deixou o quarto para enfrenta-lo na cozinha. Não havia muito a dizer. Ela sequer sabia se ainda havia alguma coisa dentro dela. Ao colocar a aliança sobre o balcão, Jane sabia as palavras não eram necessárias:“Estou indo embora.”_ ela se encaminhou para a porta sem ouvir realmente a proposta desesperada de Kurt para que ela ficasse e ele deixasse o apartamento.Impossível determinar o tempo exato durante o qual Jane percorreu as ruas geladas de Nova York naquela noite. O frio cortante parecia suave diante das dores penetrantes que a consumiam. Quando finalmente fechou a porta do quarto do hotel atrás de si, Jane desembalou a garrafa de Bourbon adquirida no caminho e se serviu. As doses desciam sem trazer o efeito desejado sobre a amargura do seu interior. Quando a garrafa se esvaziou, ela se jogou na cama, agarrou o travesseiro, gritou e chorou de forma silenciosa até adormecer completamente exausta.Na manhã seguinte Kurt e Jane foram arrancados da cama pelo mesmo sentimento: Avery merecia ser vingada e a única forma de fazer isso era derrubando todos aqueles apontados pelas novas tatuagens bioluminescente. Os amigos receberam informações básicas sobre os acontecimentos. Nenhum deles ousou exigir mais. Tentaram ser solidários na medida em que havia abertura para isso. Mesmo sem os pormenores do rompimento, eles tiveram a exata noção da extensão dos danos causados no casal. Dias depois, em meio a uma missão, Kurt saltou de um avião carregando uma ogiva nuclear. Em terra, o team não tinha certeza sobre como ele conduziria a ogiva: haveria local apropriado para um pouso seguro? Optaria por uma queda no mar? O perigo de uma explosão podia ser descartado? Foram minutos que pareciam não terminar mais. A angústia de Jane fez os amigos tentarem conter seus próprios sentimentos e ampará-la. Quando souberam que Kurt estava seguro, Zapata apostou que Jane correria até ele, Patterson apenas desejou que os dois dessem um passo adiante na reconciliação, mas foi Reade quem acabou sofrendo a ira de Jane:— Ele desrespeitou um ordem expressa sua. Espero que você tome providências para que isso jamais se repita! _ e se retirou para a SVU, arrancando os comunicadores e batendo a porta do veículo com toda sua força.Reade e Tasha se entreolharam lamentando o desespero e confusão de Jane. Patterson concluiu pelos comunicadores:— Deixem ela chorar...Dias depois, quase no final do expediente, Jane recebeu uma mensagem de Clem: “Tenho informações relevantes sobre o paradeiro da sua garota.”Trêmula, pensou em não responder, mas por fim digitou: “Ela morreu em Berlim a seis meses atrás.”Clem: “ Você tem certeza? Meus informantes garantem que Avery estava no Brasil a dois meses.”O coração de Jane parecia ter parado completamente. O nome Avery trouxe um raio da esperança que parecia extinta.
Sem pensar muito, ela procurou por Kurt.— Hei,Kurt...a frase foi interrompida por um suspiro de incerteza sobre compartilhar aquela informação. — Jane... tudo bem?Ela confirmou com a cabeça. Ainda sem cruzar o olhar com o dele, um novo hábito que Jane havia adquirido após a separação, ela lhe entregou o telefone.Kurt leu a mensagem, o nome de Clem e inspirou todo o ar que podia antes de responder:— Jane... Eu estava lá. Não há como...Novamente ela concordou com a cabeça, dessa vez transparecendo nitidamente a dor que aquela confirmação causava.— Clem usou o nome dela. Eu não tinha dado essa informação a ele, então pensei... _ ainda sem olhar para ele, encerrou_ Obrigada.Kurt observou ela se dirigindo rumo ao vestiário. Ele a conhecia bem o bastante para ter certeza da sua necessidade de confirmar a informação. Então, avançou dois passou em sua direção e a chamou:— Jane! _ ela parou mas não se virou pra ele _ por favor,se você decidir arriscar, me deixa ir com vocês.— Você precisa parar de tentar me proteger o tempo todo.— eu não...isso é por mim, Jane. — Ok. Eu vou decidir até amanhã. Boa noite, Kurt.— Boa noite, Jane.
Notas finais
Isso é só o começo...
Gostaram????
Gostaram????
Fale com o autor