É isso mesmo, caro malandro. Você pega a mão dela. A que está livre da latinha de cerveja. E puxa ela para qualquer espaço que deixe vocês bem coladinhos. Dança um samba a dois. Algo que sirva como pretexto pra deixar os corpos assim, querendo virar um só, que é pra você já sentir a arritmia que o coração dela faz. Ou se o cheiro dela é amadeirado, cítrico, floral, frutal, uma mistura disso tudo ou uma combinação de nada disso – até porque eu aposto uma rodada de cerveja que você não sabe a diferença entre essas porras todas. E se uma só música não for suficiente pra perceber essas frescuras, dança mais uma. A noite é uma criança, dizem os sábios, que sempre são boêmios. E é Caetano cantando A menina do anel de lua e estrela, que definitivamente não é a moça que dança com o corpo colado no seu e fecha os olhos enquanto rebola. Mas que se fodam os anéis – no final da noite, o que ficam mesmo são os dedos. Então coloca todos eles pra brincar também – seja deslizando suavemente sobre as costas dela, seja segurando com firmeza aquela cintura fina enquanto vocês caetaneiam, seja empunhando a latinha de cerveja que já esquentou enquanto ela vai ao banheiro. Pode começar perguntando o nome dela – o nome que você vai repetir duas ou três vezes enquanto ela te morde o pescoço no banheiro mais próximo. Ou elogiando os olhos infindos. Ou então pede um beijo, que é quase uma reza para um bom malandro como você. E aí, se ela quiser, vocês rezam. E que sejam feitas as vossas vontades, assim na Terra como no céu. Que, então, a sua barba deslize pelo pescoço dela. E que a língua dela deslize pelo seu peito. E que as roupas, de alguma maneira rápida e inexplicável (provavelmente devido àquelas latinhas de cerveja que sua mão cansou de segurar) deslizem para o chão. E que se enrosquem, se percam, se achem e se inventem. Que o riso seja fácil, a consciência leve e os beijos quentes. Que tudo se repita na hora seguinte, na manhã seguinte ou no dia seguinte. Que os dois aprendam que se entendem melhor de boca fechada e pernas abertas. E acima de tudo, que isso não é suficiente para construir porra nenhuma.

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